uma mãe odara anônima resolveu deixar comentários no post anterior porque se sentiu ofendida pelas minhas opiniões. segundo ela, eu (1) estou generalizando, (2) estou incomodada com o fato de haver mulheres que adoram viver para seus filhos, (3) estou dizendo que minhas verdades são únicas e (4) estou me contradizendo no assunto “babá” por exemplo.
não publiquei o comment porque não gosto de bater palma pra louco dançar. aprendi depois de 10 anos de blog que os anônimos gostam de criar caso, mas não querem se comprometer com nada, ficam escondidinhos no anonimato só jogando lenha na fogueira e saem de cena intactos quando convém. não curto, acho covarde e deixo pra lá.
mas gostei da provocação dela, especialmente porque é fácil de provar que ela está errada 🙂 está errada porque me lê com má vontade e se entrega ao rancor. eu chutaria que isso se dá porque toquei em algum ponto dolorido dela, sem saber. não fosse assim, ela não se daria ao trabalho de vir aqui deixar 2 comments enormes… alguma coisa pegou. aprendi uma coisa nos meus anos de terapia, que vou compartilhar por pura generosidade: quando algo que alguém diz/escreve (e não é direcionado pessoalmente a você e não ofende uma raça, gênero, etc.) ofende e magoa você como se fosse pessoal, faça uma auto-análise. algo no que foi dito está ressoando algum problema SEU escondido. o autor não tinha intenção de magoar você, já que ele sequer o conhece, perceba.
convenhamos, a pessoa vestiu uma carapuça ENORME. e veio aqui tentar diminuir a importância da minha opinião e vivência pra se sentir melhor. já vi esse filme, e não caio mais. sigamos.
não vejo generalização nenhuma aqui nesse blog quando falo das MINHAS experiências. e por favor, não vamos cometer erros primários de interpretação de texto, tais como achar que “você vai sentir arrependimento por X ou Y” é uma generalização. isso é recurso de narrativa, ok? não vou nem explicar, isso é básico.
eu não me incomodo em absoluto com mulheres odara (embora ache esquisito). eu me incomodo muitíssimo com o discurso xiita e ditador destas mulheres espalhado pela web, que massacra as demais mulheres, acusando-as de serem mães piores e prejudicarem seus filhos por não corresponderem ao ideal de perfeição. isso está claríssimo em todos os meus textos, só não entende quem está de má vontade mesmo.
acho que sobre verdades únicas nem preciso comentar. se tem alguém no mundo dos blogs pessoais que já acertou e errou (mais que acertou), mudou de idéia e admitiu ter mudado de idéia sou eu. nunca tive medo disso, ainda não tenho, e nunca digo que há verdade única. esse discurso é típico de quem está na defensiva e sem argumento. vou pular.
e aí tem a acusação de eu ser contra babá e agora achar certo e defender. tenho excelente memória, e pra quem não tem meu post sobre o assunto está aqui. eu sei no que acredito, sou uma mulher muito inteligente e não há contradição nenhuma no meu discurso antes e depois de parir. não que fosse um problema haver contradição, isso não invalidaria minha opinião anterior e nem a atual (de novo, recurso pobre pra diminuir a opinião do outro…). continuo sendo contra as babás de uniforminho, que acompanham bebês com os pais em lugares públicos e dormem no emprego. nada mudou. a nossa babá é como uma creche de luxo, porque podemos pagar, oras. ela trabalha de segunda a sexta das 7:30h às 17:30h (horário em que estou fora trabalhando), é registrada, ganha um ótimo salário e é muito bem tratada, como profissional que é. e quando necessário eu contrato folguista de fim de semana, para poder fazer outras atividades, já que não conto com família disponível pra me ajudar com o bebê quando quero por exemplo cortar o cabelo e meu marido está ocupado.
(me ocorreu que talvez as mães-odara não cortem cabelos, não se depilem, por isso não precisam de ajuda extra quando querem se cuidar 😉 ou são das mães sem noção que deixam seus filhos chatos soltos e incomodando as pessoas em salões, que deus nos livre!)
bom, odara, viu como eu fico feliz em responder? não tenho nada a temer, estou tranquila com minha opinião e a forma como a expresso. estou aqui, exposta, colocando às claras várias opiniões e sentimentos que muitas mulheres têm medo de admitir (tipo querer devolver o bebê pra fábrica) graças às supostas “mães perfeitas” que fazem tudo parecer tão fácil e simples e gostoso. continuarei firme e forte aqui, baby. as mães e mulheres que ficam aliviadas em ler opiniões aqui são motivo suficiente pra que eu continue, e não me deixe abater por provocações como a sua.
5 responses so far ↓
Claudia // February 24, 2011 at 11:08 pm |
Você é incrível para escrever, admiro sua coerência , sua racionalidade e sua visão realista e sincera da vida!! Fico agradecida por compartilhar de maneira sincera e não “odara” o grande desafio de se conciliar os diversos papéis femininos como maternidade, profissional, mulher e ser humano. Infelizmente a grande maioria das pessoas prefere viver numa ilusão de família doriana, temos que respeitar o tempo de cada um em aprendizado e amadurecimento ;mas tenho certeza de que aqueles que como você se questionam e encaram de forma madura e racional a vida sofrem menos pois buscam ferramentas para equlibrar esse malabarismo complicado que é viver em equilíbrio. Um abraço.
Ila Fox // February 24, 2011 at 11:32 pm |
Zel, não só as mães ficam aliviadas em ler seus textos, mas as que não querem ser mães também! Fico feliz de ver que existe mulher com pé no chão como você. Já comentei uma vez e repito: se as mães tivessem esta lucidez para lidar com a maternidade que vc tem, o mundo seria um lugar bem mais agradável de se viver.
Zel // February 25, 2011 at 1:06 am |
Obrigada pelo depoimento, meninas. Bem lembrado sobre não querer ser mãe! Essencial, e vou procurar falar disso também, já que essa era minha opinião há poucos anos.
E queria reforçar uma coisa: eu não tou procurando confete. Não tem problema que haja discordância, mas não curto críticas que me acusam de coisas inexistentes. Vamos discutir coisas relevantes, e não se é ou não generalização a frase X ou Y…
Andrea Nunes // March 16, 2011 at 1:13 pm |
Zel, super coerente teu texto. Até mesmo porque cada vivência é uma, não entendi como uma crítica as mães odara, entendi como tua posição diante da maternidade. Eu sou mãe de duas, na primeira voltei a trabalhar quando ela tinha dois meses, carregava ela junto, me estressei um monte, mas fui levando, não consegui fazer nenhuma das duas coisas como eu desejava. Nem fui a mãe que eu queria ser, nem estava sendo a profissional que eu devia ser. Na segunda filha idealizei a mãe ideal, quase uma odara, sonhei, me programei, me organizei. De cara não consegui a amamentação idealizada, de novo meu leite secou dos dois para os 3 meses, sofri, chorei, tentei relactação, bebi tanta água que nem posso lembrar e não deu. Fiquei sim os seis meses que idealizei em casa só cuidando da filha, foi bom, bom, bom. Segunda voltei a trabalhar, domingo chorei, me culpei, cogitei largar o escritório por um tempo. Trabalhei mal humorada na segunda e ontem me dei conta de como amo meu trabalho, de como preciso ser outras coisas além de mãe. Amo minhas filhas acima de qualquer coisa no mundo, faço o que for preciso por elas, inclusive ser feliz e realizada em outras áreas da vida, para assim garantir uma maternidade sem pesos e culpas.
beijoca
zel // March 19, 2011 at 3:00 pm |
que legal, andrea! acho que você explicou bem: a mãe precisa ser feliz para ser uma boa mãe. a dificuldade é admitir pra si mesma o que DE FATO nos faz felizes. trabalhar, dormir bem, descansar (ao invés de ficar o dia todo cuidando de bebê) me faz feliz, então é melhor pra mim e para o otto que eu ajuste nossa rotina pra conciliar essas coisas. e tem funcionado 🙂 beijo!
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