diário do otto: 7 meses

otto,

esse mês foi punk, meu bebê. você ganhou mais 3 dentinhos, e agora tem 5 ao todo (3 em cima, 2 embaixo), e mais 1 nascendo em cima. você não teve febre nem diarréia nem nenhum outro sintoma que às vezes os bebês têm, mas em compensação você ficou muito muito irritado de dia (agoniado com os dentinhos, mordendo tudo que vê pela frente) e difícil de dormir. a cada 2 ou 3 horas mais ou menos você acorda chorando (ainda dormindo), e não deixa seu pai dormir.

fizemos um sistema de “revezamento”, porque eu estou trabalhando o dia todo, então seu pai que pode dormir até mais tarde tem feito o turno da noite cuidando de você, e não está fácil! tem horas que a gente quer chamar a mamãe-saruê pra cuidar de você :)

agora você já senta direitinho, quase não tomba (só quando quer – você se joga pra trás na almofada de calça que sua tia fez) e pede pra brincar com seus brinquedinhos, estendendo os bracinhos. e começou e pedir colo também, sorrindo com a maior boca do mundo e se jogando pro nosso colo! você faz uma festa enorme quando a maria chega de manhã pra cuidar de você, e é impossível ficar preocupada em deixar você com ela, tamanha é sua alegria quando ela chega.

aliás, essa foi outra grande mudança neste mês: voltei a trabalhar e agora só nos vemos de manhã e à tardinha, antes de você dormir. todo mundo me disse que seria difícil e tal, mas a verdade é que não foi. você está tão bem adaptado à maria, e à rotina que criamos, que não houve nenhum problema. você está ótimo, e eu fiquei ótima também. estou feliz de voltar ao trabalho e ter mais pra pensar, e quando volto pra casa e vejo você, é uma alegria enorme. adoro cada minuto do tempo que estamos juntos, tem sido uma delícia brincar e cuidar de você.

sua alimentação está excelente – você come de tudo, e com muito gosto. continua com suco, frutas, legumes e também carne. as quantidades aumentaram, atendendo aos seus pedidos :) você continua mamando no peito de manhã e à noite, e de dia a maria dá o meu leite 2x por dia, no copinho de suco (ela disse que você adora!). antes você tinha frutas preferidas, agora você ama todas elas! mentira: chupar laranja é um caso à parte, você ama. sua tia denize morreu de rir de você chupando laranja e até tirou uma foto, olha:

nhamis

o dai-dai-dai continua, e tem sílabas diferentes de vez em quando (gui, má, pá), misturando enquanto você “fala”. morremos de rir com sua carinha “falando” e articulando as sílabas direitinho. agora dá pra ver seus dentinhos quando você fala, é uma graça!

tenho achado você mais dengoso, mais grudadinho (é uma delícia!), e quando está com sono se joga no colo, no ombro e reclama muito. mas ainda não aprendeu a dormir sozinho, e nós ficamos com você no colo um tempão, balançando, até você se render. menino bravo!

a preferência clara pelo seu pai é uma coisa irritante, viu? precisa ver sua carinha quando ele aparece – você sorri com os olhinhos, e abre os braços pra ele pegar você. tou brincando, eu não fico irritada não, eu acho lindo demais o amor que você tem por ele, e ele por você. vai ser incrível quando você crescer um pouco e puder fazer coisas com ele como jogar bola, andar de bicicleta e caminhar. eu vou querer só jogar videogame, cozinhar e ver filmes, tá? :D

ah, outra coisa engraçada: você aprendeu a fazer cocô fazendo força de propósito, hahahahaha! é a coisa mais fofa do mundo sua “carinha de cocô”, todo concentrado. agora você faz cocô quase como gente grande, saiba. e já comecei a fazer o ritual do cocô, jogando na privada e dizendo “tchau!”. vamos ver se ajuda pra quando você largar as fraldas :)

você continua sendo um bebê muito simpático, sorridente e comilão (e bravo, quando é contrariado). amamos você cada vez mais, e estamos muito felizes por ver você crescer saudável e tão alegre!

um beijo grande e todo amor do mundo,

mamãe.

PS1: as fotos continuam sendo tiradas às centenas… veja aqui.

PS2: seu pai lembrou de mais uma coisa legal que começou a acontecer esse mês – você agora imita alguns sons! (ou tenta :)). quando seu pai faz você dormir, ele faz “shhhh” pra você sossegar, quando está agitado. e você agora responde (com o chupetão na boca) “sssssssssss”. e quando eu faço “brrrrr” com a boca pra você, você responde “ttttttiiiiii”, tentando imitar o barulho. é de morrer de fofura, viu? <3

gravidez depois dos 30

eu devia escrever sobre gravidez depois dos 35, porque engravidei aos 37 e tive o otto com 38. tou mais pra década de 40 que 30, mas… :)

obviamente cada gravidez é única, e eu não tive a experiência de ter um bebê aos 18 ou 28 pra comparar, mas ouvi bastante sobre a experiência da minha mãe (primeira filha aos 18) e da minha irmã (única filha aos 28). com base na observação e na minha experiência pessoal, acho que é possível dar alguns pitacos úteis pra outras mulheres.

antes de mais nada: se pudesse voltar atrás, teria engravidado bem mais cedo (mantendo o mesmo pai pro bebê :)). o motivo é simples: as fêmeas humanas foram feitas para engravidar logo depois que menstruam,  o que pra mim significa que mais cedo é melhor. gravidez é um processo que exige muito do corpo, e nem preciso dizer que cuidar de crianças exige ainda mais (disposição, energia, tônus, etc.). é verdade que muitas mulheres “se cuidam” e se mantêm ativas e etc. etc. etc., mas tou falando do padrão. uma mulher de 38 com corpinho e fôlego de 18 é raro, concordam? uma mulher de 38 com útero e períneo de 18, tipo… não existe.

dito isso, reflito sobre o impacto que um filho teria tido na minha carreira e educação. seria inviável (e irresponsável) ser mãe aos 18, mas aos 25 seria perfeitamente possível. já estava formada, estabelecida na profissão e poderia conciliar as coisas. provavelmente trabalharia menos, teria restrições e é provável que não tivesse arriscado tanto quanto arrisquei. em contrapartida, é muito provável também que não tivesse progredido tão rápido e não pudesse encarar as oportunidades que encarei. acho que minha carreira teria tido uma perda, sim. por outro lado, estou num ponto de salto de carreira neste momento e tenho um bebê de 6 meses. bad, bad idea. acho que o fim dos 20 e início dos 30 são ideais para ter filhos, do ponto de vista de carreira.

e minha vida pessoal? a maior perda, desse ponto de vista, teria sido em relação a viagens. viajei muito dos 18 aos 38, conheço muitos lugares no mundo, conheço relativamente bem nosso país, fiz viagens maravilhosas. várias delas seriam impossíveis com um bebê ou criança (ou seriam muito chatas). mas essa sou eu – tem gente com a minha idade que não viajou nem uma fração do que viajei. isso importa pra mim, é onde eu mais gosto de gastar dinheiro na vida. ainda não acabei de pagar meu apartamento, mas conheço montes de países da europa… escolhas que fiz, e faria novamente. mas com um filho pequeno seria muito difícil. novamente, deste ponto de vista, o período ideal seria ainda fim dos 20 e início dos 30. pensem que o bebê nascendo quando você faz 30, com 37 ou 38 já dá pra fazer viagens incríveis que a criatura aproveite também! sensacional.

minha mãe tinha 18 quando eu nasci, e teve mais 2 filhos nos 2 anos seguintes. passou dos 18 aos 22 em casa cuidando de nós e depois foi trabalhar fora pra nos sustentar. não tinha estudo, profissão, grana, nada. com muito esforço conseguiu nos criar e não fez basicamente nada por si mesma! só depois que ficamos adultos, quando estava com 40 anos, é que ela começou a ter que pensar em si mesma (o que foi um choque e um problema também, assunto pra outro post).

minha irmã teve a ju com 28, já formada, trabalhando, completamente estabelecida. já tinha feito suas viagens, curtiu o casamento por alguns anos e aí teve o bebê. hoje, com 38 quase completos, ela tem uma menina de 9 anos que já consegue acompanhá-los nas viagens e programas (embora nem sempre ela queira, é verdade :)), continua investindo na carreira e na formação nestes anos, tudo correu muito bem. temos quase a mesma idade, mas vejo que a combinação trabalho/filho/momento da vida dela é mais vantajosa que a minha.

estou com 39 recém completados, condição financeira ótima, aproveitei o casamento, viagens e outras coisas, e tenho um bebê lindo de 6 meses. mas pra retomar as coisas que gosto (viajar, estudar, investir na minha carreira, sair pra jantar, etc.) vai levar alguns anos. quando puder curtir de verdade as viagens com o otto vou estar com quase 50 anos!

do ponto de vista físico, também acho que adiar a decisão de ter filhos é mau negócio. o corpo sente mais, a gravidez é mais arriscada sim (principalmente se for a primeira) e fazer parto natural pode ser mais complicado. lembro que minha gravidez foi 10 (perfeita, de livro), sou saudável, mas o parto foi um horror. acontece com mulheres mais jovens também, mas desconfio que seja menos frequente…

resumindo, mulher amiga que quer muito ter filhos: não espere muito, não. há vantagens, sim, mas acho que pesando tudo, ter filhos um pouco mais cedo é melhor que tê-los um pouco mais tarde.

amamentação: estabelecendo a rotina de ordenha

iniciei a rotina de ordenhar no trabalho há 1 semana, e tudo vai indo bem, graças às dicas valiosas da raquel_ny. ela foi a única que realmente conseguiu me ajudar, pois vivencia essa experiência no dia a dia. por isso me motivo tanto a compartilhar essa experiência aqui no blog: se puder ajudar qualquer mulher nessa condição, fico feliz.

recapitulando: iniciei a rotina de ordenha 2 vezes por dia (meio da manhã e meio da tarde) cerca de 3 semanas antes de voltar ao trabalho, pois queria que o otto estivesse 100% adaptado quando eu voltasse. aproveitei também pra congelar o excedente de leite eventual, pra emergências.

coisas que você precisa saber/fazer/ter para manter somente leite materno para o bebê quando voltar a trabalhar:

calcular quanto mais ou menos será necessário armazenar por mamada (calcule aqui). esse cálculo é importante para saber quanto você deverá congelar/descongelar por mamada ou por dia. por exemplo: o otto teoricamente precisa de 76-112ml por mamada, então eu sempre congelo no máximo 200ml (2 mamadas no dia). fazendo assim, você evita desperdício e sabe que o mínimo necessário pro bebê está garantido;

– comprar vidros com tampa de rosca (ou outra que vede bem) para congelar o leite, na porção que você vai precisar descongelar (depende de quanto seu bebê precisa mamar e quantas mamadas por dia, claro). eu mantenho 3 dias de mamada de reserva (ou seja: se parar de ordenhar por 2 dias não tem problema, tem leite ainda pra ele), você pode fazer uma reserva maior se quiser;

– alugar ou comprar a máquina de ordenha, e eu recomendo a medela pump in style, que é ótima. ela vem junto com a bolsinha, frascos e gelo de mentirinha pra conservar o leite refrigerado;

– negociar na empresa sobre os horários de ordenha. no meu caso, não tive problema nenhum, simplesmente bloqueio 2 períodos de 30min por dia (11h e 15h), ordenho, guardo os frascos na geladeira e lavo as conchas;

– negociar na empresa um local fechado e reservado para a ordenha. o ideal é ambiente estéril, mas desencanei desse luxo. consegui 2 salas fechadas que uso conforme a disponibilidade, enquanto não fecham a minha sala com persianas;

– lembre de oferecer o leite ordenhado para o bebê no copinho normal ou no copo de suco. evite a mamadeira, pois o bebê pode “desistir” do peito. lembre que mamar no peito exige esforço do bebê – se ele percebe que tem uma “teta” que libera o leite mais fácil e rápido (a mamadeira), adeus peito. isso é mais importante ainda quando o bebê é muito pequeno (menos de 6 meses). o otto se adaptou bem ao copo de suco e continua mamando no peito normalmente depois de 4 semanas de peito+ordenha;

– nos fins de semana, pode dar o peito normalmente. parece que é até bom, ajuda a manter a “produção”;

– não se preocupe se a quantidade de leite ordenhado variar (ha! fácil falar :) eu me preocupo), pois é normal. a quantidade de leite ordenhado não é equivalente a quanto você produz de leite (o bebê suga mais do que a máquina consegue tirar), e enquanto o bebê mamar e você ordenhar, não vai faltar. a variação pode ser consequência da alimentação, sono, hormônios e outras coisas;

– o leite ordenhado pode ficar na geladeira normal até 12h. sobre o armazenamento e duração do leite congelado, li informações diferentes, variando de 1 semana apenas a vários meses. eu tenho armazenado por cerca de 5 dias no máximo, mas armazenaria mais tempo sem problemas. creio que é importante, no entando, garantir que seu freezer é bom e não fica sendo aberto o tempo todo…

– lembre de nunca encher o pote de leite a ser congelado até a borda, pois o leite expande muito quando congela e pode quebrar o vidro;

– eu não tenho esterelizado nada que uso, só lavo com água e sabão;

– para usar o leite, descongele no dia de usar (deixe na parte de baixo da geladeira ) e aqueça em banho-maria até ficar na temperatura do corpo. já li recomendações de que deve ser sempre outra pessoa (e não a mãe) a dar o leite ordenhado (para o bebê associar a mãe ao peito);

– chegando em casa, a primeira coisa que faço (segunda! a primeira é apertar o gordo) é congelar o leite que trouxe no dia (vou usando o estoque primeiro e guardando o que ordenhei);

– finalmente: alimente-se bem, descanse (ha ha ha) e beba muita água pra manter o corpo saudável e continuar produzindo leite!

se lembrar de mais dicas, vou adicionando. se alguém mais tiver dicas, deixe nos comentários pra outras se beneficiarem, tá?

amamentação: voltando ao trabalho

graças às dicas essenciais da raquel_ny e bianca do posso amamentar, tudo está correndo muito bem!

o otto se alimentou exclusivamente de leite até completar 5 meses, quando comecei a introduzir outros alimentos na dieta e mantive as mamadas a cada 3 ou 4 horas. quando ele completou 6 meses, aluguei uma máquina de ordenha dupla e comecei a tirar o leite 2 vezes por dia (fim da manhã e início da tarde) e oferecer no copinho de suco. as demais mamadas continuaram normalmente. ele reclamou um pouco de tomar leite no copinho por 1 ou 2 dias, mas depois acostumou e toma com muito gosto.

eu já tinha experiência com ordenha, pois precisei ordenhar quando o otto nasceu por 5 dias até que ele pudesse mamar. fazia a ordenha manual na UTI e comprei uma máquina simples de ordenha, que usava quando ia descartar o leite. ordenhar manualmente é muito difícil, e na máquina eu achava fácil (além de sair mais leite). no início achei que não teria dificuldade de usar a máquina e tirar o leite, mas estava enganada…

depois do terceiro mês, o peito já não enche tanto e fica mais “murcho”. aprendi que nesta época o corpo já voltou ao normal (hormonalmente), se adaptou à rotina e à quantidade normalmente necessária de leite. o leite é produzido enquanto o bebê suga, e atende exatamente à demanda que ele faz. é por isso que temos a sensação de “descer o leite” alguns segundos depois que o bebê começa a mamar.

pois que quando fui ordenhar (com a máquina) depois de 6 meses, simplesmente não saía NADA. ou quase nada. fui no kellymom.com (site excelente, recomendo muito) calcular a quantidade de leite necessária para o otto a cada mamada (espante-se como eu: não depende da idade dele e tampouco do peso!), e descobri que podia variar de 76-112ml (para o otto especificamente). apavorei!

a raquel_ny me salvou, compartilhando a experiência dela ordenhando e mandando os links da kellymom, que ajudaram muito. a primeira dica dela foi: a máquina da medela, pump in style, é essencial. procurei para alugar no brasil (porque comprar é caríssimo) e achei no cantinho da mamãe. aluguei sem dificuldade, com os frascos, frasqueira e tudo (R$108 por mês) e experimentei. sucesso absoluto! de primeira consegui ordenhar cerca de 120ml, mais que suficiente para a mamada do otto. a babá dava o leite no copinho de suco, e congelei o que sobrava.

continuei nessa rotina (ainda em casa) durante a semana, e de fim de semana voltei a dar o peito somente, normal. não vi diferença na forma dele mamar, mas percebi que ele ficou mais dengoso quando estava no peito, mais grudadinho :) uma graça!

quando voltei a trabalhar, tinha 3 dias de leite (2 mamadas por dia) já congelado, para emergências. então no primeiro dia ela descongelou (dentro da geladeira – tirou do freezer para a geladeira normal), aqueceu em banho-maria e deu o leite congelado primeiro. quando eu chego em casa, junto o conteúdo dos frasquinhos em potes de vidro (de geléia, cerca de 250ml) e congelo, identificando a data na tampa. assim, mantemos sempre um estoque, e ela vai dando o leite que está congelado há mais tempo.

no trabalho tenho conseguido tirar cerca de 100ml (a quantidade varia conforme o dia, a hora), e tem sido suficiente. bloqueei minha agenda duas vezes por dia por 30min, vou para uma sala fechada e ordenho por 10min (o leite acaba depois disso, que é o tempo que ele normalmente mama). fecho os vidros, guardo, seco as conchas. guardo os frascos na frasqueira, que fica no frigobar, lavo as conchas com água, seco e guardo num ziploc para a próxima ordenha.

deixo a máquina no trabalho, só trago pra casa os frascos (dentro da frasqueira, com aqueles “gelos de plástico”) para manter gelado e congelo o leite do dia quando chego. só na sexta-feira trago as conchas para ficar secando ao ar livre.

tudo funcionando perfeitamente, nesta primeira semana. espero conseguir manter a rotina!

rotina do bebê: evoluindo e observando

iniciamos a rotina de alimentação do otto (além do leite do peito) aos 5 meses. a decisão foi tomada em conjunto com o pediatra, por dois motivos:

1. eu queria voltar a trabalhar com a rotina 100% estabelecida e ajustada por mim. como a volta estava programada pra quando ele estivesse com 6 meses e meio, preferi começar antes;

2. ele estava “regredindo” no intervalo entre as mamadas (pedindo pra mamar mais frequentemente, especialmente durante a noite). segundo o pediatra, baseado no crescimento dele (que foi maior que o esperado e acima do ganho de peso), é normal que ele mame mais porque precisa mais. a sugestão para aliviar um pouco pra mim (não ter que dar tanto o peito) foi iniciar com suco e frutas. (e funcionou!)

ele aceitou muito bem tudo o que oferecemos, depois de passada a estranheza inicial. caso você não saiba, como eu não sabia, todos os bebês estranham o sabor dos alimentos oferecidos na primeira (segunda, terceira…) vez. é preciso insistir, pra que ele se acostume. a diretriz do pediatra foi dar a mesma fruta por 1 semana antes de oferecer outra, e assim fizemos.

depois de 2 semanas de frutas e sucos, ele já estava gostando de quase tudo, e iniciamos a papinha de legumes. ele aceitou muito bem também, e depois de 2 semanas incluímos carne na papinha (tudo batido no liquificador). a diferença que sentimos, obviamente, foi no cocô: ficou pastoso e passou a fazer 1 ou 2 vezes por dia somente. até o início de outros alimentos, ele fazia cocô a cada 3h (até o terceiro mês) e depois de 4-6 horas.

a rotina dele ficou assim:

entre 6:00 e 7:00: acorda e mama no peito. brinca com a mamãe até as 7:30h :)

por volta das 09:00: suco de fruta (começamos com 1 laranja lima; hoje ele toma 2 laranjas mais um pouco de mamão. quando está com o intestino mais preso, colocamos ameixa preta junto batida)

por volta das 11:00: leite do peito no copinho, cerca de 100ml

por volta de 12:30: almoço (começamos com 4 colheres de sopa de papinha, hoje ele come 7. aumentamos progressivamente, conforme ele reclamava que acabou)

por volta de 15:30: leite do peito no copinho, cerca de 100ml

por volta de 17:00: fruta (começamos com 1/2 fruta, hoje ele come uma mistura de 3 frutas, 1/2 de cada, ou seja, 1 fruta e 1/2. também aumentamos conforme ele reclamava que queria mais)

costumamos dar 2 banhos curtos nele durante o dia, um de manhã e outro no início da tarde, pois ele é calorento e sua muito (e adora banho!). a maria passeia com ele a pé pelo menos 2 vezes por dia, ele adora e distrai. ele tira pelo menos 3 sonecas durante o dia, uma de manhã, outra na hora do almoço e outra à tarde, cada uma de 30min-1h. às vezes ele dorme mais, mas não é frequente.

chego do trabalho às 17:30h, brincamos, passeamos os 3 no condomínio a pé por 30-40min, e entre 19:00 e 19:30 ele toma o banho final do dia. a essa hora ele já está morrendo de sono (bocejando, coçando os olhinhos) e às 20:30h normalmente está dormindo.

o otto não dorme sozinho, nunca dormiu. precisamos niná-lo até dormir, ou ele chora, boceja, coça o olho e não dorme (e vai piorando, piorando… uma chatice). há os que defendam que devemos deixá-lo chorar no berço até “aprender” a dormir sozinho (nosso pediatra é dessa linha), mas nós não gostamos da idéia. achamos que ele é ainda muito bebê, e não é um problema ainda fazê-lo dormir no colo. decidimos fazer assim até que possamos conversar com ele e entender, ou que ele comece a dormir sozinho por conta própria, quando estiver pronto. por enquanto, quando ele chora à noite a gente pega do berço, nina de novo, e volta. isso acontece às vezes 1, 2 vezes por noite. às vezes ele acorda a cada 2h (quando os dentinhos começaram a nascer, por exemplo…)

até essa semana ele mamava durante a noite e madrugada: por volta de meia-noite, às 4:00 e depois o dia começava de novo. há 2 dias eliminamos a mamada da madrugada, ele mama por volta da meia-noite e depois só a partir das 6 da manhã. funcionou bem, e ontem foi o primeiro dia que ele dormiu direto até de manhã sem acordar (aleluia!). continuaremos insistindo!

truques que fomos adotando pra manter a rotina

– felizmente nunca precisamos fazer nada pra que ele dormisse às 20h, esse horário foi imposição dele mesmo, apenas respeitamos. o que fizemos foi sempre fazê-lo dormir de novo quando ele eventualmente acordasse entre 20h e 6h (em oposição a deixá-lo brincar, conversar com ele ou coisa assim). ou seja: a partir da hora que ele dorme, é noite e devemos dormir, nada de brincadeira nem conversa.

– não temos deixado ele dormir mais de 1,5h durante o dia. quando ele quer dormir mais, abrimos a janela, fazemos barulho de leve até acordar, ou simplesmente pegamos no colo e gentilmente acordamos.

– procuramos manter um intervalo de 2-2,5h entre as refeições, mas peço que a babá sempre tente manter o último leite do dia por volta de 15:30h, para que eu regule o horário da mamada-antes-de-dormir pra perto de 19:30h, que relaxa bastante o bebê e ajuda a dormir mais fácil (é incomum o otto dormir mamando, acreditem se quiser…)

– ele costuma dormir de chupeta, mas tiramos depois que ele dorme profundamente. a chupeta acalma bastante, e com os dentinhos nascendo então, é a salvação. mas tiramos sempre depois de um tempo, senão ele tira sem querer e acorda BRAVO.

update: esqueci do mais importante! quando ele completou 6 meses, comecei a anotar toda a rotina dele num caderninho, diariamente. a babá, eu e o pai mantemos os seguintes dados lá – hora que acordou/dormiu, mamou, comeu, fez cocô e dormiu (e por quanto tempo). essas anotações nos ajudaram a entender o ritmo dele, e também servem pra que eu saiba o que aconteceu com ele durante o dia quando chego do trabalho. considero essencial!

da volta ao trabalho e outras coisas

voltei essa semana ao trabalho, depois de longos 8 meses: tirei 15 dias de licença médica, pois não conseguia dirigir mais, a licença maternidade, 1 mês de férias vencidas e mais 10 dias de férias normais. desse tempo, passei 6 meses e meio com o otto em casa, com ajuda do fer e da maria (a babá dele).

diferente do que muitas mães relataram, minha volta foi tranquilíssima. cheguei ao trabalho com quase 3000 parados na minha caixa postal (já mandei pro arquivo morto – nem sei quando e se vou voltar a lê-los), mas tive uma recepção muito calorosa dos meus funcionários e colegas, falei bastante sobre estes meses e sobre o otto. mostrei fotos, corujei bastante o menino e tals. aos poucos vou me ambientando novamente e pegando pé das coisas.

não fiquei pensando no otto a ponto de me distrair no trabalho e não fiquei nada preocupada com ele. voltei 100% tranquila de que estamos numa situação ótima: saio às 7:30h e volto às 17:30, a maria cuida dele neste período e o fer está em casa com frequência pra dar atenção de pai. a rotina dele está bem estabelecida, e estamos mantendo “o diário do otto” em papel, num caderninho. (falo mais disso no próximo post sobre a rotina de alimentação que estamos seguindo)

todo mundo me pergunta se eu não morro de saudade, oh meu deus, e a resposta é não. nada diferente da saudade que tenho quando ele está dormindo, por exemplo :) lembro dele, da carinha, das gracinhas, dá vontade de apertar, mas não é algo que “doa”, ou que me incomode. ele é alguém que eu amo, e quer estar junto, mas não precisa ser o tempo todo. no horário de trabalho, estou trabalhando e pensando em outras coisas, sem precisar fazer esforço algum.

o melhor de ter voltado a trabalhar é que tenho outras atividades, convivo com outras pessoas e não estou 100% observando e convivendo com o bebê. além de amenizar meu lado controlador, isso também serve para que eu aprecie mais e melhor as poucas horas que tenho com ele. fico com ele 30min de manhã (além dos minutos de mamar) e 2,5h à tarde (ele dorme pontualmente às 20h), e essas horas têm sido preciosas.

estou adorando ficar com ele, e isso nem sempre era verdade quando eu TINHA que ficar com ele o dia todo. eu ficava de saco cheio várias vezes ao dia, querendo descansar ou fazer outra coisa (ler, tomar banho, fazer nada!). agora eu curto muito essas horas com ele, e é óbvio que isso vale pra nós 2. ele abre os bracinhos quando eu chego, e dá um sorrisão que me derrete toda :) lindo demais, cheio de dengo, brincalhão. mesmo quando ele fica com sono ou fome e começa a resmungar, fica mais chatinho, eu não ligo. tenho mais paciência, e dou mais atenção a ele.

em suma: melhorou pra nós 2! o pai tem observado o comportamento dele de dia, pra ver se ele sente minha falta, e a verdade é que não sente. ele tem pessoas legais cuidando dele, brincando e conversando. ele não precisa de mim o tempo todo, e eu percebi que também não preciso estar com ele o tempo todo.

foi bom voltar a trabalhar e perceber que ser mãe não precisa necessariamente ser refém do bebê, e que ele se vira muito bem sem minha presença. meu menino ficando independente! <3

amamentação: o que funcionou pra mim

você vai ler muita coisa por aí, tem muito site sobre o assunto, e não vou ter paciência de caçar de novo. vou contar então o que funcionou pra mim, e quem sabe você aí que veio procurar ajuda pode aproveitar…

alimentação

todo mundo vai dizer a mesma coisa, e ouça, porque têm razão: tome muita água. se você acha que toma bastante, pode dobrar, porque vai precisar. digo isso com segurança, porque eu sempre tomei pelo menos 1,5L por dia (normalmente 2L) e quando comecei a amamentar precisei aumentar pra pelo menos 3L (eu acabo medindo, porque uso garrafa de água pra poder carregar pela casa).

percebi que precisava aumentar a quantidade porque nas primeiras semanas amamentando meu intestino simplesmente travou. meu intestino é ótimo, e estava muito bem durante a gravidez e logo depois do parto (mesmo sendo cirurgia). quando o otto começou a mamar, travou tudo e me toquei: falta de água. meu corpo estava sugando TODA a água, e a prioridade obviamente não era meu intestino. só melhorei quando quase dobrei a quantidade de água, e depois de 1 ou 2 semanas regularizou geral. lembre que nos 2 ou 3 primeiros meses de amamentação o seu corpo ainda não produz quantidade exata de leite, e no meu caso eu tinha muito mais leite do que o otto conseguia mamar.

minha sugestão é que você tenha uma garrafa de 1,5L consigo sempre, e encha várias vezes ao dia (e à noite…). faz muita diferença!

quanto à comida, eu parei de comer algumas coisas, a saber: álcool, café, hortaliças e verduras que dão gases (brócoli, couve-flor, repolho), grãos que dão gases (feijão, grão de bico) e pimenta (refrigentante eu já tinha parado na gravidez, e mantive a abstinência).

algumas coisas eu moderei (comia bem pouco): açúcar, chocolate, alho e cebola. nos 3 primeiros meses fiz uma dieta bem restrita, porque tinha medo de dar cólica no otto. já vi gente dizendo que não tem nada a ver, mas preferi não arriscar.

pelo menos UMA dessas coisas na lista eu comprovei por experiência que dava gases no otto: açúcar. bastava eu exagerar no doce e o menina tinha gases, um horror.

e pra quem quer incentivo pra amamentar, tem pelo menos um: perdi 13kg em 3 meses (engordei 6kg na gravidez).

posição e procedimento

fui ensinada a amamentar o bebê sentada, com o bebê levemente reclinado pra cima, apoiando a cabecinha dele com meu braço, e assim fiz. aos poucos, achei a posição sentada que me favorecia (no caso, posição “de índio”), pois meu peito é grande e eu sou pequena. prefiro sempre cruzar as pernas e colocar o bebê meio “no meio” das pernas, é mais fácil pra mim. almofadas de amamentação não funcionaram bem pra mim. e nos dias de calor, colocava um travesseiro entre eu e o otto, porque ele é muito calorento e o contato direto de pele com pele fazia ele suar muito e se irritar.

acredito que melhor posição pra amamentar o bebê é aquela que a mãe se sente confortável e o bebê também, e não creio que haja uma regra.

pra mim, no entanto, uma coisa era importante: manter o bebê reclinado (quase querendo ficar na vertical), evitando ficar completamente na horizontal. o motivo é simples e fisiológico: os bebês nascem com seus esfíncters digestivos frouxos, e só depois do sexto mês é que vão ficar “firmes” e funcionar direito. então fiz o possível para que o otto não tivesse refluxo excessivo (que é incômodo pra ele e pra nós também, que ficamos “vomitados”), mantendo-o reclinado e fazendo arrotar direitinho ao fim da mamada.

essa questão fisiológica é o motivo de todos os bebês terem refluxo, em maior ou menor quantidade. alguns têm refluxo patológico, que necessita de intervenção e medicação, a maioria é normal mesmo. por isso o bebê tem retorno de leite (“gorfa” :)) e queijinho. alguns bebês, como otto, são glutões e não sabem o limite (acho que nenhum bebê sabe, eles mamam até cansar) da mamada. quando mamam demais, têm refluxo do excesso de leite, que traz consigo um pouco do ácido junto e pode irritar o esôfago. o otto teve esofagite (embora não tivesse refluxo visível) e teve de tomar label por 1 mês. o sintoma da esofagite é fácil de ver: o bebê se joga pra trás, esticando o pescoço quando acaba de mamar, e chora. esticar o pescoço é um reflexo de alívio da queimação que a esofagite provoca, e ele chora de incômodo. depois de 1 mês de label ele ficou ótimo, e nunca chegou a perder peso.

as medidas que tomamos pra evitar o refluxo funcionaram: ele praticamente não “voltava” leite, aconteceu poucas vezes e bem no início. a relação entre posição+arrotar e voltar o leite era direta, bastava deitar o menino demais na mamada e não arrotar que voltava leite. e aí era uma chatice: ele chorava, tínhamos que trocar toda a roupa (porque nunca deixei o menino sujo de leite, fede e fica gelado no frio), etc.

esse é um dos motivos pelos quais nunca nem quis dar mamar pra ele deitado (ele deitado e eu também). algumas mães dizem que pra elas funciona bem, que elas dormem e o bebê também, mas eu não considerei isso uma boa prática, diante dos fatos de como funciona a fisiologia do bebê. sei que é mais prático, e que o meu jeito me cansava muito mais, mas enfim, escolhi assim e fiquei contente com a minha escolha.

outra coisa que acabei adotando por experimentação com otto foi fazer arrotar com mais frequência. até o fim do segundo mês ele mamava a cada 2h, durante 30 a 40 minutos. percebi que quando ele mamava o tempo todo sem arrotar no meio, tinha gases e chorava para arrotar. provavelmente porque ele sempre foi comilão e mamava desesperado, engolindo muito ar. seja qual for o motivo, fato é que ele se beneficiou das paradas (a cada 10min) e parou de ter problema de gases depois que adotei as “paradas obrigatórias” a cada 10min mais ou menos. no terceiro mês eu interrompia a cada 15min e no quarto mês ele começou a mamar por 10 minutos apenas, e não precisei mais interromper.

fazer arrotar sempre foi essencial para o conforto dele, evitando gases e refluxo, então sempre fizemos arrotar, mesmo que ele mamasse dormindo, e funcionou super bem. ele sempre ganhou peso, teve pouquíssimo refluxo e problemas de gases.

calendário

decidi amamentar no que se chama livre-demanda (o bebê quer mamar, dá o peito), mas com algumas regrinhas. nos 2 primeiros meses do otto era fácil saber quando ele estava com fome: bastava colocar a mão (ou qualquer coisa, na verdade) perto da boca e ele fazia “boquinha de mamar”. ele próximo acabou estabelecendo um calendário de mamar de 2 em 2 horas, menos de madrugada (eu o acordava a cada 4h pra mamar, caso ele não acordasse). a decisão de acordá-lo foi tomada com o pediatra, e concordei com o racional: mais de 4h sem mamar pode causar hipoglicemia enquanto o bebê ainda não tem peso suficiente. achei que valia a pena acordá-lo pra que ele ganhasse peso nos 2 primeiros meses.

no terceiro mês percebi que ele não precisava mais mamar a cada 2h (ele mamava e pedia, mas parava rápido, pois não estava de fato com fome), e aumentei para 3h. ele aceitou bem, e se eu percebesse que ele tinha fome antes, dava o peito antes. o que aconteceu com o otto é que era difícil saber se estava com fome nessa idade, a “boquinha de mamar” não funcionava mais pois ele passou a morder tudo que via pela frente. outro fator complicante foi a personalidade dele: caso ele ficasse com muita fome, chorava MUITO e não mamava. ele simplesmente chorava, com o peito na frente dele, e não parava. tínhamos que fazê-lo parar de chorar (dormir ou distrair) pra oferecer o peito, era um inferno. por isso mantive o calendário “fixo” de 3 em 3 horas, pra não ter perigo dele ficar com fome e surtar.

foi só no quinto mês, quando comecei a dar outros alimentos que espacei as mamadas para 4 ou 5 horas de intervalo, e agora tudo funciona muito bem. ele mama bem, mesmo comendo outras coisas, e não surta mais.

ele está com 6 meses e meio, e ainda não eliminei a mamada da madrugada (ele mama à meia-noite e às 4 da manhã, normalmente), pois ele está numa fase de muitas transições, estou evitando mais uma ao mesmo tempo. espero em breve eliminar essa mamada das 4h.

das muitas coisas que acontecem ao mesmo tempo

olha, um amigo diz que ter filhos é conhecer a vida selvagem, e é mesmo. não que por enquanto a coisa seja “selvagem”, mas no sentido de se conectar às coisas mais básicas de ser humano, ou ser bicho.

estamos aqui na fase de alimentar o bebê (além do leite) e observar como o trato digestivo se comporta. ao mesmo tempo, os dentes irrompem pelas gengivas do menino, transformando-o numa piranha assassina.

já disse por aqui do quanto o bebê é basicamente uma fábrica de excreções e fluidos corporais em geral. vivemos estes primeiros meses em função do xixi, cocô, vômito, baba e meleca (quando há), e ficamos felizes quando o cocô dá sinal de vida. a pior coisa que pode acontecer a um bebê é não fazer cocô (o que me lembra aquela ótima piada sobre quem é o mandachuva do corpo humano – o cu, e não o cérebro, lembrem sempre).

desde que iniciou a alimentação sólida, o otto estava com o cocô ótimo: mudou de líquido para pastoso, mas tudo sob controle. pois desde a inserção da carne vermelha o intestino prendeu um pouco, dificultando a vida dele e a nossa. hoje pela primeira vez ele precisou de ajuda para fazer cocô, e graças aos céus a super-babá dele estava aqui. ela basicamente obrigou o menino a fazer cocô: perninhas apoiadas sobre a barriga, empurrando, e óleo pra lubrificar. havia cocô, e ele não conseguia fazer (apesar de fazer força) porque estava endurecido. com a ajuda, fez muito – MUITO – cocô mais durinho, até chegar na consistência normal pra idade (pastoso). santa babá, porque eu já teria que apelar para o supositório, não saberia conduzir o procedimento. mas observei e aprendi, e se precisar fazer de novo já sei como é.

como se não bastasse, ele já está com 2 dentes embaixo e mais vários querendo rasgar a gengiva. tem pelo menos mais 1 embaixo e os 2 de cima (centrais) estão prontos pra sair. um deles está deixando a gengiva roxinha (como um hematoma), e segundo o pediatra é normal (às vezes o crescimento do dente rompe vasinhos). o menino morde tudo que vê pela frente, judia da chupeta loucamente, morde nosso braço, o ombro, queixo, nariz, mãos, qualquer coisa, pobrezinho. morde como cachorrinho pequeno, de chacoalhar a cabecinha. não imagino a dor e coceira que deve sentir, judiação.

pois junte os dentinhos nascendo e o cocô preso, e terá um bebê irritado e com problemas de sono. acorda de 2 em 2 horas, chorando, mordendo e reclamando. e nós aqui, tentando fazer o melhor pra que ele passe por essa fase sem muito sofrimento.

e dizem que temos sorte, pois há bebês que adoecem nessa fase, e ele não teve nada além do incômodo.

ainda quer ter filhos, meu bem? :)

amamentação: a primeira vez

já contei a história toda do parto e primeiros dias do otto, então vocês imaginam que minha estréia na amamentação não foi nada glamurosa… nas primeiras 72h ele ficou no soro, e só começou a receber meu leite (primeiro via tubo e depois na chuquinha) no quarto dia de vida. só no sexto dia ofereci o peito pra ele! eu não tinha leite antes dele nascer e logo na seqüência também não apareceu nada. suponho que se tivesse tido um parto natural (ou algo próximo disso), talvez o leite tivesse aparecido com mais facilidade, mas…

bem, não havendo ajuda da natureza, basta persistência. como não pude amamentar o otto até seu sexto dia de vida, comecei a ordenhar pra estimular o leite, com a orientação das enfermeiras. aliás, o hospital onde o otto nasceu (madre teodora, em campinas) tem enfermeiras e auxiliares de enfermagem maravilhosas. todas competentes e carinhosas, atenciosas, uns amores. fui orientada desde o primeiro dia, mesmo sem o bebê, e elas vinham com freqüência me ajudar e mostrar como ordenhar.

o leite não sai de primeira, pelo menos na ordenha (talvez com o bebê mamando o leite saia logo, não sei!), e tive que insistir, mantendo a rotina de ordenha de 3 em 3 horas, até que começaram a sair gotinhas de colostro. aos poucos o peito encheu, ficou com nódulos pesados e doloridos, e bastava massagear e ordenhar para sair o líquido. eu tive muita dificuldade na ordenha, pois tenho o peito bem grande e as mãos pequenas. tinha que apertar várias partes diferentes do peito para que o leite saísse direito, ficava com as mãos doendo (e o peito também). com a máquina era mais fácil, eu conseguia tirar até 40ml de colostro (que é um MONTE), ainda sem poder oferecer ao otto.

no quarto dia, comecei a ordenhar a cada 3 horas na sala de ordenha da UTI, para que o otto recebesse o leite e observassem a reação (como ele digeria o leite). na UTI, só havia ordenha manual, numa sala minúscula e muito quente. foram muitas horas de calor, cansaço, ansiedade e dor pra tirar um tico de leite. nem sempre eu tive leite suficiente pra ele, e as enfermeiras complementaram com NAN ou coisa parecida. mas a maior parte das vezes, deu certo. ele aceitou o leite muito bem, eu continuava com leite saindo aos pouquinhos, e segui firme.

no sexto dia de vida dele é que fui amamentar de verdade (e foi quando peguei meu filho no colo pela primeira vez). as enfermeiras me mostraram como pegar no colo e “ajeitar”  no peito (lembrem que eu sou pequena e meu peito é enorme… e eu nunca tinha pego um recém-nascido na vida!), sempre usando um braço pra segurar o bebê e o outro fica livre. colocamos o otto no peito direito, e ele sugou imediatamente direitinho. pelo que as enfermeiras me disseram, o bico do meu peito facilita o processo, pois é bem projetado e longo (o bebê consegue “pegar” na boca direitinho, encaixa bem). o otto pegou sem dificuldade nenhuma, e mamou tranquilamente. em 2 minutos ele reclamou e trocamos de  peito – ele gostou mais do esquerdo, e mamou por 15 minutos numa boa.

aprendi que o bebê faz pausas para respirar enquanto mama e que os 3 quilos deles são MUITO pra braços não acostumados… o fer ficou do meu lado enquanto ele mamava, apoiando meu braço que ficou cansado depois de 5 minutos. aos poucos a gente acostuma com o peso, mas nos primeiros dias meus braços doíam muito.

meus bicos não ficaram doloridos nem machucados nenhuma vez. não sei se foi porque fiz a rotina de passar a bucha no banho por 9 meses ou simplesmente porque dei sorte do encaixe boca/bico ter sido perfeito.

mantive a rotina de amamentar na UTI a cada 3 horas (com algumas falhas na madrugada, pois o hospital era muito longe de casa. nessas falhas ele recebeu suplemento na chuquinha) até a manhã do oitavo dia, quando ele teve alta. como ele mamou direitinho, fez cocô e xixi e estava ótimo, não havia mais motivo para ficar em observação e fomos embora.

dizem que melhora, e é verdade. mas também é mentira :)

bom, chegamos aos tais 6 meses, o grande marco dessa fase da vida do bebê. a verdade é que melhora sim, por vários motivos, mas outras coisas pioram também (e já estou percebendo que continua assim, forever and ever).

o que melhora nesta fase: você conhece melhor o bebê, e já não é tão difícil saber o que ele quer (comer, dormir, trocar fralda, brincar, etc.); o bebê interage bem nessa fase, sorri e brinca, o que facilita ter prazer em estar com ele sem tanta tensão e preocupação; a freqüência de mamar provavelmente já diminuiu (a cada 4h) e já não é mais tão cansativo, a gente dorme um pouco mais.

o que piora (ou fica mais difícil): o bebê demanda mais atenção, não basta estar ali, tem que participar :) além disso, se seu bebê for como o meu, os dentes vão começar a aparecer e esse é um processo horroroso. dói, o bebê sofre e não há muito que se possa fazer. caso seu bebê durma bem, é possível que pare de dormir bem e acorde muito à noite. o otto sempre dormiu à noite (acordando para mamar), e continua não acordando completamente, mas chora durante a madrugada com muito mais freqüência agora com os dentinhos. fica claro que ele está sofrendo e não há muito o que fazer.

a questão do sono é a que mais nos preocupa no momento. o otto sempre teve muito sono a partir de 19h, e costuma dormir às 20h. mas ele nunca dormiu uma noite inteira sem interrupção. no início nós o acordávamos pra mamar a cada 4h (até o segundo mês), depois ele mesmo acordava 1 ou 2 vezes por noite para mamar. até pouco tempo atrás essa era a rotina, e agora ele começou a acordar a cada 2 horas, muito incomodado. como coincidiu com os dentes, acreditamos que seja isso.

nosso pediatra é da linha “deixa chorar” (pra dormir) e “não amamente durante a madrugada a partir dos 6 meses”. nós nunca deixamos o otto chorar (e não vamos deixar tão cedo), simplesmente porque não acreditamos que fará bem a ele ou a nós, e eu tentei não dar o peito das 23 às 5, mas com o incômodo do dentinho desisti dessa idéia. vou dar o peito a cada 4h durante a madrugada se ele quiser. até porque ele vai parar de mamar no meu peito 2x por dia (vou voltar ao trabalho), e pode estar simplesmente sentindo falta do contato. amamentá-lo na madrugada não me incomoda tanto, tenho muita facilidade pra dormir.

o problema é quando o fer não estiver disponível pra cuidar dele durante a madrugada, acordando a cada duas horas… aí eu vou ter que cuidar dele, amamentar e trabalhar o dia todo no dia seguinte. antevejo dias de zumbi. mas procuro ter esperança que vai passar logo, e vou sobreviver sem grandes dramas.

morro de inveja de pessoas cujos filhos dormem a noite toda desde pequenininhos, afe.

bom, tendo alguma dica pra essa fase dentinhos e problemas de sono, deixem comentário por favor. qualquer ajuda é bem-vinda. achamos alguns links que podem ser úteis, se você chegou aqui procurando ajuda (e encontrou uma mãe perdida :D): kellymom (melhor site sobre amamentação e outras coisas que já vi, mas é em inglês), discussão sobre sono no multiply, relato de uma mãe sobre padrão do sono do seu filho, dentição no orkut, artifo sobre dentição e relato de como os dentes afetaram o sono dos filhos.