amamentação: a primeira vez

já contei a história toda do parto e primeiros dias do otto, então vocês imaginam que minha estréia na amamentação não foi nada glamurosa… nas primeiras 72h ele ficou no soro, e só começou a receber meu leite (primeiro via tubo e depois na chuquinha) no quarto dia de vida. só no sexto dia ofereci o peito pra ele! eu não tinha leite antes dele nascer e logo na seqüência também não apareceu nada. suponho que se tivesse tido um parto natural (ou algo próximo disso), talvez o leite tivesse aparecido com mais facilidade, mas…

bem, não havendo ajuda da natureza, basta persistência. como não pude amamentar o otto até seu sexto dia de vida, comecei a ordenhar pra estimular o leite, com a orientação das enfermeiras. aliás, o hospital onde o otto nasceu (madre teodora, em campinas) tem enfermeiras e auxiliares de enfermagem maravilhosas. todas competentes e carinhosas, atenciosas, uns amores. fui orientada desde o primeiro dia, mesmo sem o bebê, e elas vinham com freqüência me ajudar e mostrar como ordenhar.

o leite não sai de primeira, pelo menos na ordenha (talvez com o bebê mamando o leite saia logo, não sei!), e tive que insistir, mantendo a rotina de ordenha de 3 em 3 horas, até que começaram a sair gotinhas de colostro. aos poucos o peito encheu, ficou com nódulos pesados e doloridos, e bastava massagear e ordenhar para sair o líquido. eu tive muita dificuldade na ordenha, pois tenho o peito bem grande e as mãos pequenas. tinha que apertar várias partes diferentes do peito para que o leite saísse direito, ficava com as mãos doendo (e o peito também). com a máquina era mais fácil, eu conseguia tirar até 40ml de colostro (que é um MONTE), ainda sem poder oferecer ao otto.

no quarto dia, comecei a ordenhar a cada 3 horas na sala de ordenha da UTI, para que o otto recebesse o leite e observassem a reação (como ele digeria o leite). na UTI, só havia ordenha manual, numa sala minúscula e muito quente. foram muitas horas de calor, cansaço, ansiedade e dor pra tirar um tico de leite. nem sempre eu tive leite suficiente pra ele, e as enfermeiras complementaram com NAN ou coisa parecida. mas a maior parte das vezes, deu certo. ele aceitou o leite muito bem, eu continuava com leite saindo aos pouquinhos, e segui firme.

no sexto dia de vida dele é que fui amamentar de verdade (e foi quando peguei meu filho no colo pela primeira vez). as enfermeiras me mostraram como pegar no colo e “ajeitar”  no peito (lembrem que eu sou pequena e meu peito é enorme… e eu nunca tinha pego um recém-nascido na vida!), sempre usando um braço pra segurar o bebê e o outro fica livre. colocamos o otto no peito direito, e ele sugou imediatamente direitinho. pelo que as enfermeiras me disseram, o bico do meu peito facilita o processo, pois é bem projetado e longo (o bebê consegue “pegar” na boca direitinho, encaixa bem). o otto pegou sem dificuldade nenhuma, e mamou tranquilamente. em 2 minutos ele reclamou e trocamos de  peito – ele gostou mais do esquerdo, e mamou por 15 minutos numa boa.

aprendi que o bebê faz pausas para respirar enquanto mama e que os 3 quilos deles são MUITO pra braços não acostumados… o fer ficou do meu lado enquanto ele mamava, apoiando meu braço que ficou cansado depois de 5 minutos. aos poucos a gente acostuma com o peso, mas nos primeiros dias meus braços doíam muito.

meus bicos não ficaram doloridos nem machucados nenhuma vez. não sei se foi porque fiz a rotina de passar a bucha no banho por 9 meses ou simplesmente porque dei sorte do encaixe boca/bico ter sido perfeito.

mantive a rotina de amamentar na UTI a cada 3 horas (com algumas falhas na madrugada, pois o hospital era muito longe de casa. nessas falhas ele recebeu suplemento na chuquinha) até a manhã do oitavo dia, quando ele teve alta. como ele mamou direitinho, fez cocô e xixi e estava ótimo, não havia mais motivo para ficar em observação e fomos embora.