gravidez depois dos 30

eu devia escrever sobre gravidez depois dos 35, porque engravidei aos 37 e tive o otto com 38. tou mais pra década de 40 que 30, mas… 🙂

obviamente cada gravidez é única, e eu não tive a experiência de ter um bebê aos 18 ou 28 pra comparar, mas ouvi bastante sobre a experiência da minha mãe (primeira filha aos 18) e da minha irmã (única filha aos 28). com base na observação e na minha experiência pessoal, acho que é possível dar alguns pitacos úteis pra outras mulheres.

antes de mais nada: se pudesse voltar atrás, teria engravidado bem mais cedo (mantendo o mesmo pai pro bebê :)). o motivo é simples: as fêmeas humanas foram feitas para engravidar logo depois que menstruam,  o que pra mim significa que mais cedo é melhor. gravidez é um processo que exige muito do corpo, e nem preciso dizer que cuidar de crianças exige ainda mais (disposição, energia, tônus, etc.). é verdade que muitas mulheres “se cuidam” e se mantêm ativas e etc. etc. etc., mas tou falando do padrão. uma mulher de 38 com corpinho e fôlego de 18 é raro, concordam? uma mulher de 38 com útero e períneo de 18, tipo… não existe.

dito isso, reflito sobre o impacto que um filho teria tido na minha carreira e educação. seria inviável (e irresponsável) ser mãe aos 18, mas aos 25 seria perfeitamente possível. já estava formada, estabelecida na profissão e poderia conciliar as coisas. provavelmente trabalharia menos, teria restrições e é provável que não tivesse arriscado tanto quanto arrisquei. em contrapartida, é muito provável também que não tivesse progredido tão rápido e não pudesse encarar as oportunidades que encarei. acho que minha carreira teria tido uma perda, sim. por outro lado, estou num ponto de salto de carreira neste momento e tenho um bebê de 6 meses. bad, bad idea. acho que o fim dos 20 e início dos 30 são ideais para ter filhos, do ponto de vista de carreira.

e minha vida pessoal? a maior perda, desse ponto de vista, teria sido em relação a viagens. viajei muito dos 18 aos 38, conheço muitos lugares no mundo, conheço relativamente bem nosso país, fiz viagens maravilhosas. várias delas seriam impossíveis com um bebê ou criança (ou seriam muito chatas). mas essa sou eu – tem gente com a minha idade que não viajou nem uma fração do que viajei. isso importa pra mim, é onde eu mais gosto de gastar dinheiro na vida. ainda não acabei de pagar meu apartamento, mas conheço montes de países da europa… escolhas que fiz, e faria novamente. mas com um filho pequeno seria muito difícil. novamente, deste ponto de vista, o período ideal seria ainda fim dos 20 e início dos 30. pensem que o bebê nascendo quando você faz 30, com 37 ou 38 já dá pra fazer viagens incríveis que a criatura aproveite também! sensacional.

minha mãe tinha 18 quando eu nasci, e teve mais 2 filhos nos 2 anos seguintes. passou dos 18 aos 22 em casa cuidando de nós e depois foi trabalhar fora pra nos sustentar. não tinha estudo, profissão, grana, nada. com muito esforço conseguiu nos criar e não fez basicamente nada por si mesma! só depois que ficamos adultos, quando estava com 40 anos, é que ela começou a ter que pensar em si mesma (o que foi um choque e um problema também, assunto pra outro post).

minha irmã teve a ju com 28, já formada, trabalhando, completamente estabelecida. já tinha feito suas viagens, curtiu o casamento por alguns anos e aí teve o bebê. hoje, com 38 quase completos, ela tem uma menina de 9 anos que já consegue acompanhá-los nas viagens e programas (embora nem sempre ela queira, é verdade :)), continua investindo na carreira e na formação nestes anos, tudo correu muito bem. temos quase a mesma idade, mas vejo que a combinação trabalho/filho/momento da vida dela é mais vantajosa que a minha.

estou com 39 recém completados, condição financeira ótima, aproveitei o casamento, viagens e outras coisas, e tenho um bebê lindo de 6 meses. mas pra retomar as coisas que gosto (viajar, estudar, investir na minha carreira, sair pra jantar, etc.) vai levar alguns anos. quando puder curtir de verdade as viagens com o otto vou estar com quase 50 anos!

do ponto de vista físico, também acho que adiar a decisão de ter filhos é mau negócio. o corpo sente mais, a gravidez é mais arriscada sim (principalmente se for a primeira) e fazer parto natural pode ser mais complicado. lembro que minha gravidez foi 10 (perfeita, de livro), sou saudável, mas o parto foi um horror. acontece com mulheres mais jovens também, mas desconfio que seja menos frequente…

resumindo, mulher amiga que quer muito ter filhos: não espere muito, não. há vantagens, sim, mas acho que pesando tudo, ter filhos um pouco mais cedo é melhor que tê-los um pouco mais tarde.

26 thoughts on “gravidez depois dos 30

  1. Tenho 29 anos e já decidi com meu marido que não quero ter filhos. Estou nessas de viagem e dedicação a minha carreira freelancer. Nunca sonhei com maternidade. Para mim é como aquela roupa que fica bem nos outros mas na gente fica estranho sabe? então. 😉
    Mas concordo com você. Se quisesse ter filhos gostaria de ter tido cedo. Minha mãe me teve com 19 e ta lá, novona, com os filhos criados e pode curtir a vida sem se preocupar com bebês, crianças birrentas, filha adolescente, material escolar, nada, nada.
    A natureza é sábia.

  2. Concordo com você, Zel (novidade).
    Faço 40 semana que vem, no dia em que o Luca completa 7 meses. 🙂
    As únicas vantagens que vi em ser mãe mais tarde foram: maturidade, não dividir a dedicação ao meu filho com outros projetos penosos (tipo doutorado, que terminei em 2009), ter viajado e me aventurado bastante antes (agora tenho que ser muito mais cautelosa, pra não deixar meu filho sem mãe! ha), e ter encontrado o pai certo!
    Certamente a autocobrança é muito maior; embora não esteja certa de que não seria grande também aos 20; talvez dependa mais da pessoa do que da idade…
    Mas corri sério risco de não ser mãe, tive uma gravidez de risco e vou ter que ficar só nesse, devido a problemas de saúde que surgiram nesse meio tempo, e que a gente nunca prevê quando é mais nova e acha que tem a vida pela frente.
    Acho que o ideal pra ter filhos é ao redor dos 30 (se tivermos encontrado o pai ideal… no meu caso, só o encontrei aos 35, no meio do doutorado!)
    Bjs

  3. Relendo meu comentário, me dei conta de que “o pai certo” e “o pai ideal” dão ideia do nível de autocobrança e idealização da coisa toda, né? É mais fácil ter filhos antes dos 30 se considerarmos um “pai suficientemente bom”, talvez? 😀

  4. Querida Zel,

    Lucidez e sinceridade. Resulta em texto ótimo e hiper-mega útil: utilíssimo (e raro).
    Como nas apurações das escolas de samba: dez! Nota dez!!
    O pequeno Otto uma coisa, não? Não perco uma foto. Parabéns.
    Abraços.
    Cleunice

  5. tive a minha aos 31 e tive muito pique para deitar e rolar no chão com ela,hoje,aos 43 certamente não seria assim.Minha irmã está grávida do segundo agora aos 41 e vejo nitidamente como é tudo mais delicado,exames extras necessários,algumas intercorrências que são mais comuns nesta faixa etárea,enfim, acho que eu tive num bom momento,agora aos 12 a menina já participa ativamente de muitas coisas comigo e o pai,cinema,viagens,saída com amigos,etc,e é tão bom!! Sinceramente,não sou saudosa das privações que tivemos quando ela era um bebê, mesmo tendo curtido e ralado muito nas outras etapas.Mas,prefiro agora.Beijão!!

  6. Eu adoraria ter tido filhos mais cedo, mas nao deu, por N razões. E hj, aos 35 (completo 36 esse ano), estou repensando seriamente essa idéia. Claro que eu adoraria ser mãe, mas no momento, não me sinto preparada pra isso (nem financeiramente e nem emocionalmente) apesar de ter encontrado o pai ideal, segundo os meus critérios de busca. E ele pensa como eu. Sendo assim, caso a gente resolva ter filhos e isso acontecer por volta dos meus 38 anos, teremos um filho só e ponto.

    bjs, Zel, obrigada pelo post (lembro de ter pedido pra vc comentar sobre esse tema!)

  7. Eu também me arrependo por ter esperado…mas adoro a idéia de tê-los, mesmo que tarde. Dá prá viajar sim, viagens diferentes, ir à praia prá fazer castelinhos, pousadas que tenham berçários ou então, daqui uns dois anos vc pode deixá-lo alguns dias com parentes ou até comigo se precisar 🙂
    Bjs nesse fofo que ainda vai te dar muitas alegrias!

  8. Eu concordo com vc… tive meu filho com 25…. o estado financeiro nosso pode ser considerado precário, eu e meu marido já estávamos juntos há 8 anos (moramos a faculdade toda juntos) … e a vontade de ter um bb era enorme… entao… já formada e fazendo um mestrado encarei a jornada… deu tudo certissimo! tenho o maior pique… mas claro q o financeiro está sempre no negativo… mas agora com 27 estou buscando estabilidade…. e meu desejo é que com 29 possa encomendar o segundo… pra nascer qdo eu tiver 30 anos… tudo isso eu sei q vai fazer com q a gente abra mão de mto agora… mas aí penso q qdo eu tiver com 50 anos meu filho mais novo já estará na faculdade… e aí eu poderei ir viver a vida e curtir tb depois com meu marido… enfim… acho q mais cedo (não tao cedo) tb é melhor… mas o lado financeiro realmente fica um aperto total! bjos e felicidades!

  9. Olá! Vou fazer 30 anos em setembro deste ano, meu marido tem 39 (já tem uma filha), ainda não estamos estabelecidos financeiramente, já terminei meu doutorado e estou no pós-doc… e sinto que a hora é agora, tenho muito medo, principalmente pelo dinheiro e carreira… mas a cada dia que passa temos mais vontade de ter nosso bebê… afe, são tantas escolhas e dúvidas não é?!

    • doca, são mesmo. mas sinceramente acho que quanto mais a gente pensa, pior 😀 pensar um pouco é bom, pensar demais não é, hahahaha!

      se vocês querem, têm condições mínimas e já adiaram até estabilizarem, tá ótimo. se joga 🙂

  10. Olá!
    Achei bem interessante o tópico e gostaria do conselho de voces: Estou com 34 anos, casada há 3 e temos estabilidade financeira. Quero muito ter um bebê, mas gostaria também de iniciar o doutorado; terminei o mestrado em 2005 e de lá p/ cá esperei me estabilizar no emprego antes de comecar o doutorado… Agora estou num dilema, pois as 2 coisas sao muito importantes p/ mim. Será que dá p/ fazer o doutorado e ter um bebê ao mesmo tempo? Penso que enquanto for pequeno poderia ter uma babá p/ dar um help, mas dpois, c/ 4-5 anos teria mta dó de deixá-lo pois acho que é nesta idade que as criancas sao mais dependentes e ligadas à mae. E tb nao queria adiar meu doutorado por mais 6 ou 7 anos! O que voces me aconselham?
    Muito obrigada.
    Mari

    • mari, acho que essa decisão é muito pessoal, e se dá ou não depende de cada um, mas no geral eu acho que dá TUDO, amiga 🙂 tá cheio de mulher que trabalha, tem mais de 1 filho, faz mestrado e doutorado, então que dá dá. a questão é se você está a fim de encarar o tranco, porque é PUXADO, não vou mentir.

      tendo ajuda de babá é ÓTIMO, vai te dar condições de trabalhar. mas se parte do seu trabalho for em casa, veja bem como será, porque não é mole trabalhar com criança em casa.

      e dá pra esperar mais, também. eu pessoalmente acho que teria sido melhor ter engravidado mais cedo, mas tem gente com outra experiência.

      beijo e boa sorte 🙂

    • Mari, acho que se vc quer MUITO mesmo ter este bebê, tenha ele. A natureza não vai te esperar, já o doutorado pode.

      Depois que nascer vc pensa se dá para levar o doutorado adiante, ou se deve esperar mais um pouco…

  11. Mari, acho que se vc quer MUITO mesmo ter este bebê, tenha ele. A natureza não vai te esperar, já o doutorado pode. 😉

    Depois que nascer vc pensa se dá para levar o doutorado adiante, ou se deve esperar mais um pouco… 😉

  12. Oi Zel,

    Muito obrigada pela sua opiniao… Na verdade, estou muito tentada a seguir nas duas empreitadas, mas tenho o receio de nao conseguir ser uma boa mae. Mas tentarei fazer o melhor possivel! Espero que meu bebe seja um anjinho… E que meu orientador seja um pai! Amém! 🙂

  13. Oi Ila,

    Concordo c/ vc que a natureza nao pode esperar… Na verdade nao penso em adiar o bebe, talvez o doutorado… Mas quem sabe dê p/ seguir junto nas duas empreitadas? Ainda vou dedicir… Muito obrigada pela opiniao de voces 🙂

  14. Mari,
    #1: quem tem medo de não ser boa mãe, nunca será boa o suficiente.
    #2: bebê anjinho dá trabalho na mesma: chora, faz cocô de madrugada, vomita e te faz atrasar.
    #3: a gravidez e os 2 primeiros anos de maternidade deixam a gente meio lesa.

    Pessoalmente, acho MUITO difícil você se dedicar a duas coisas que são importantes pra você ao mesmo tempo. Você pode se sentir mal em ambas as funções, e achar que seu rendimento está aquém do esperado (e estará). Depende muito da expectativa que você alimenta para os dois caminhos.

    Eu faria uma coisa de cada vez. E olha… meu filho, hoje com 4 anos, é muuuito, mas MUITO mais independente de mim. Não tem comparação com o vínculo que tínhamos até os 2,5 anos (eu fiquei com o meu em casa até os 3 anos; hoje ele vai pro infantário das 9:30 às 16), e mesmo quando ele está em casa, consigo fazer muita coisa. Por isso, não pense que se você adiar seu doutorado, vai ter de esperar 5 anos até voltar a estudar: pode cortar esse prazo pela metade.

    Se você tem saúde, boa disposição e condições HOJE, tenha o seu bebê.
    E depois que ele nascer, você aprende a dançar conforme a música. 😉

  15. Adorei ler as opiniões e relatos de vcs. Eu faço o caminho contrário da maioria por aqui.Fui mãe aos 24 e me dediquei exclusivamente a esse projeto e hj q minha filha tem 4 anos voltei a estudar me dedicar a uma carreira,tbém quero sentir o gotinho de ser uma doutora rs e outro filho quem sabe lá por v,olta dos 40?Mesmo sem tanto pique quero ser mãe mais uma vez!

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