diário do otto: 8 meses

otto,

menino, que mês! achei que seu mês anterior tinha sido difícil, mas descobri que sempre pode ficar mais difícil ainda… nesse mês seu sono continuou um horror, acordando a noite toda e chorando. e pra piorar, você já não sossegava mais no colo, praticamente esperneava no nosso colo e chorava, até que depois de muito chacoalhar na santa bola você dormia. seu pai estava um zumbi (ele ficou com você essas noites todas até hoje) e eu também, já que não é muito fácil dormir com seu choro.

um dia seu pai estava trabalhando em SP, fiquei sozinha com você à noite e, depois de dormir pontualmente às 19:30h como é seu costumo, às 22h você começou a chorar no berço. peguei você pra ninar de novo, como sempre, mas nada funcionava. você – dormindo! – chorava e esperneava no colo. depois de 15min de tentativa, desisti e resolvi seguir a recomendação do seu pediatra de ensinar você a dormir de novo no berço.

coloquei você lá, e fiquei do seu lado, pegando na sua mãozinha, fazendo carinho e devolvendo a chupeta que você cuspia. achei que você ia aprender a engatinhar dormindo, porque levantava o corpo quase todo, como quem quer sentar ou andar, empurrava as perninhas e rolava de um lado pro outro. até que depois de 30min de drama você deitou de lado, segurando minha mão, e dormiu!

a boa notícia é que era possível ensinar você a dormir no berço ao invés de no colo, a má notícia é que você continou acordando todas as noites, várias vezes. houve noites de chorar por quase 2h, e nada consolava você. mesmo no colo, às vezes, era muito difícil fazer você acalmar, só o peito resolvia (e decidimos voltar a amamentar você de madrugada, pois só assim você sossegava). mas não dava mais pra amamentar você a cada 2 ou 3 horas, pois eu precisa va trabalhar no outro dia.

depois de 10 dias sem dormir direito, eu e seu pai consultamos o pediatra, que achou que você podia estar com fome. as dicas foram as noites mal dormidas e a quantidade que você come durante o dia. sério, bebê: você está comendo feito gente grande. 2 pratos enormes cheios de papinha por dia, mais umas 3 ou 4 frutas e mais o leite (7h, 15h, 19h, meia-noite e às vezes madrugada também).

além disso, percebi que você estava mamando pouco, só pra aquecer a barriga, seu interesse de verdade é pela comida (a nossa inclusive). e nas minhas 2 ordenhas diárias, o leite começou a diminuir muito. no início eu ordenhava 150ml a cada vez, e foi diminuindo aos poucos até que nesta última semana caiu pra 40ml somente!

decidimos então dar NAN pra você, à noite, 210ml. você mamou de tarde pra experimentar (adorou) e pela primeira vez desde que nasceu você dormiu a noite toda, acordando só um tiquinho e dormindo de novo!

testamos algumas combinações de peito+mamadeira nessa última mamada da noite, mas não funcionou. então agora estou amamentando você às 7h e às 19h somente, e damos 2 mamadeiras por dia (15h e meia-noite). a verdade é que você é um ogrinho faminto, e todo seu incômodo na madrugada era fome mesmo. esperamos que agora você durma melhor, e nós também.

suas frutas preferidas continuam as mesmas: pera e laranja. mas sua paixão mesmo é a papinha (de carne é a que mais gosta), que você come morrendo de feliz. esse mês você aprontou uma bem engraçada – começou a “comer” a mesa do quintal cada vez que demoramos a dar a papinha, é muito engraçado. aliás, você é um bebê super engraçado e bem humorado. está sempre rindo, brincando, fazendo sons engraçados (ba-ba, bói-bói, dei-dei, tiiiii) e gritando pela casa. 

você sempre gostou dos brinquedos coloridos e gostosos de pegar, e dos que têm barulho, mas agora sua paixão são as bolas. qualquer bola deixa você maluco e dando gritinhos. e você CHUTA as bolas que vê pela frente, é incrível! não sabemos como você aprendeu isso, achamos que veio no DNA 🙂 e você ganhou da mamãe um brinquedo que virou favorito também, o morcego moacir. é um morceguinho lindo, de asas de cetim, que compramos num “família vende tudo”. fofo e tosquinho, igual a você 🙂

ainda não vimos muitas tentativas suas de engatinhar, você fica “nadando no seco” quando colocamos de bruço, e fica rapidamente bravo. em compensação, aprendeu a levantar e ficar de pé com nossa ajuda, e só quer ficar de pé e andar. você anda direitinho, quando seguramos você, e não gosta que segure nas mãos (temos que segurar no sovaco, deixando suas mãos livres). brincamos de andar com você várias vezes por dia, porque você adora andar pela casa correndo atrás da bola de pilates, que é maior que você…

ah, e agora você tem chiliques. quando fica bravo, estica os bracinhos e dá gritinhos, chilicando. a coisa mais fofa e birrenta do mundo. morremos de rir! (por enquanto, né. já sei que logo logo se o senhor continuar de chilique teremos que ter uma conversinha…)

e seu sétimo dentinho nasceu! vimos que ele estava nascido no seu aniversário de 8 meses. se continuar assim, com 1 aninho você vai ter a dentadura completa! 😀

dizem que há bebês que com sua idade dão tchau, choram quando as pessoas vão embora e “estranham estranhos”. você continua sem chorar com estranhos (mas não abre sorrisões pra qualquer um, como antes), não dá tchau nem a pau e não reclama quando ninguém vai embora. mas está cada dia mais grudento, pedindo colo e querendo companhia. e nós estamos sempre aqui, juntinho de você e grudados, nosso macaquinho.

mais um mês com você na nossa vida, trazendo surpresas, alegrias e muito cansaço 🙂 mas também muito amor. veja nas fotos como você é feliz e brincalhão!

todo amor do mundo, da mamãe.

o bendito sono

esse é, de longe, o assunto que mais nos dá trabalho com o otto. já lemos, conversamos com mil pessoas, pensamos e consultamos o pediatra – há algumas opções, mas no fundo tudo depende de como os pais lidam com o assunto, e com a personalidade do bebê.

vou resumir aqui o que aprendi nestes meses a respeito, e contar um pouco de como tem sido conosco, como referência para outros interessados.

nem todo recém-nascido dorme o tempo todo. o otto sempre foi muito “acordado” e agitado (inclusive na barriga). ele dormia vários soninhos, a cada mamada, mas sempre pouco e agitado durante o dia. como ele mamava a cada 2h e não sabia dormir, calculem o trabalho…;

mamar dormindo não é regra. o otto não dormia sempre que mamava, ou seja: a teta não era solução pra fazê-lo dormir (e não é até hoje);

ficar dormindo é um desafio. nos 2 primeiros meses ele dormia somente no colo, quando a gente segurava ele firmemente, e só ficava dormindo se fosse enrolado no cueiro. caso fosse deixado “solto” (no berço ou na cama, ou mesmo no colo), ele dormia, mas logo começava a mexer os braços e pernas sem controle e acordava a si mesmo (e chorava, é claro);

bebês não sabem dormir! parece ridícula essa descoberta pra você? pois pra mim não foi. bebês só sabem sugar e chorar, essa é a verdade. não sabem dormir, fazer cocô, pum, nada que exija tomada de decisão (agora vou fazer força no abdôme, ou fechar os olhos voluntariamente). ensiná-los a dormir nem sempre é simples, infelizmente;

o que quer que você invente fazer pro bebê dormir, vai ter que repetir por muitos e muitos meses. essa eu realmente não sabia, e aprendemos tarde demais. qualquer artimanha que você use pro bebê dormir – pegar no colo, ninar, cantar, sapatear, chacoalhar, dormir junto, contar história, etc. – vai se transformar na rotina de dormir. e sem a rotina, o bebê vai se recusar a dormir, e bebês que não dormem choram. ou seja: não invente nada que não queira repetir muito. não faça como nós fizemos: usamos a bola de pilates pra ninar o menino e fazê-lo dormir. conclusão: a bola tá GASTA de tanto a gente balançar nela. e temos que levar a porra da bola pra onde vamos, ou a rotina de dormir vira um inferno em terra;

às vezes eles trocam o dia pela noite. isso felizmente nunca aconteceu com o otto, ele tem sono quando o sol se põe (após 18h) e desperta de verdade só quando o sol nasce (após 5:30h, normalmente às 6h);

bebês tiram várias sonecas durante o dia. já tinha ouvido falar, mas a verdade é que nunca prestei muita atenção. o otto tem uma rotina de dormir pelo menos no meio da manhã e no meio da tarde (às vezes mais), mas nunca é organizadinho, com horário. suponho que seria melhor se tivesse, mas colocar pra dormir uma criança sem sono é tão chato quanto manter acordada uma criança com sono, então deixamos ele dormir quando quer;

crianças precisam de rotina; todo mundo repete isso, o pediatra insiste no ponto e constatei que é verdade. eles gostam mesmo e ficam mais felizes quando temos uma rotina bem estabelecida, e se ressentem quando saímos dela. isso é um problema quando viajamos ou temos compromisso fora de casa, mas enfim… também não consigo levar a rotina a ferro e fogo, principalmente no fim de semana. adapto quando é necessário, mas me esforço pra não deixá-lo incomodado com a bagunça 🙂

**

o otto não dorme sozinho, pois nós o acostumamos a dormir no colo, ninando. ele nunca chorou no berço pra dormir, porque não queríamos deixá-lo chorar. sei que há quem recomende deixar chorar, mas nós não tivemos coragem. nosso pediatra é a favor de deixar chorar a partir do sexto mês somente (antes disso, ele acha que a prioridade é que o bebê durma, não importa como). pois ele está com 7 meses e não sabe dormir sozinho. morre de sono (boceja, coça o olhinho), chora, resmunga mas não dorme.

ele tem sono cedo, e dorme até que rápido no colo. o problema é colocá-lo no berço – geralmente ele chora na primeira tentativa. mantemos ele no colo uns 15min depois de dormir, e só então tentamos deixá-lo no berço. às vezes funciona de cara, às vezes voltamos pra bola. entre essa primeira dormida (logo depois da mamada) e a próxima mamada de meia-noite, ele acorda umas 2 vezes. mesmo processo: pega, nina, dorme, volta pro berço. ele raramente acorda quando dá essa choradinha, ele chora de olhos fechados.

depois de mamar à meia-noite, ele normalmente acorda mais 2 vezes (às vezes mais, depende do dia), e o processo se repete. tem dias que ele está especialmente chato, e não só chora mas esperneia no colo (tudo isso dormindo!).

eliminamos a mamada da madrugada aos 6 meses, mas nas noites mais chatas eu acabo dando o peito, porque só assim ele sossega. e assim, vamos postergando o momento aparentemente inevitável de deixá-lo chorar no berço até dormir, pra aprender a dormir sozinho. pois eliminadas as causas de choro/acordar (dor, febre, fralda, dentes), só resta mesmo manha.

pois na noite passada (ele está com 7 meses e meio), quando o menino acordou às 22:15h berrando e se debatendo, decidi testar deixá-lo no berço (já que mesmo no colo estava chorando e esperneando…), armada de toda coragem. porque é bom também que se diga que ouvir nosso bebê chorar é horrível, o coração fica partido.

bem, coloquei no berço e o drama começou: choro e berros mais altos ainda, esperneio, chutes, tentativas de agarrar meus braços, de levantar. o menino quase aprendeu a engatinhar nesses 30 minutos de drama… a boa notícia é que era tão óbvio que era drama que eu nem fiquei com pena ou tentada a pegá-lo. dei a mão pra ele, e fiquei fazendo carinho conforme ele deixava, devolvia a chupeta quando ele cuspia e gritava, e aos poucos ele foi percebendo que não adiantava gritar e começou a tentar ficar confortável. achou uma posição, ainda com a mãozinha grudada com a minha, e fechou os olhos! ainda deu choradinhas (dormindo), mas meio como reflexo, e depois de 20min de drama e 10min de achar a posição, ele dormiu.

e lá ficou, até a hora de mamar (à 1:30h o pai o levou, dormindo, pra mamar) e depois acordou por volta de 3h chorando. o pai, que foi socorrer, fez a mesma coisa: ficou junto, mão dada mas não pegou. e ele dormiu em 10min, só acordando de vez às 6:20h, de ótimo humor.

nem posso explicar meu alívio em perceber que é possível adestrá-lo, ensiná-lo que é possível dormir sozinho, depois de 7 meses de ginástica e drama. vamos continuar na mesma rotina, até que ele consiga dormir sem precisar de alguém ali com ele. estamos felizes 🙂

homeopatia: por que não acredito mas acho legal

esse post foi movido pra cá, porque não é assunto específico desse blog, afinal.

dentro do contexto de maternidade e saúde da criança, acho que é preciso ser responsável quando se trata de cuidar de crianças, já que elas não podem escolher por si mesmas. submetê-las a tratamentos alternativos pode até ter algum valor mas deve ser feito com muita cautela, garantindo que o risco de erro é mínimo.

andar pelo lado mais conservador quando se trata da saúde dos nossos filhos nunca é demais, but that’s me. mas enfim, se tem gente por aí dizendo que ir ao pediatra é ruim, suponho que deve ter quem ache que não tem problema tratar doenças graves com placebo. paciência, que arque com as consequências depois.

não sejamos búfalas, assim não criamos bufalinhos

segue o comentário que deixei neste post da kira, sobre bullying materno.

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kira,

fui pesquisar um pouco sobre o significado de bullying em inglês, e acho que uma boa tradução é “assédio”. vou usar essa palavra daqui pra diante, ok? (pra facilitar e porque acho que cabe melhor no meu comentário)

assédio pode acontecer com crianças ou adultos, então não acho que só vale se for com crianças “indefesas” ou coisa assim. o ambiente (e a relação entre as partes) também determina o quanto o assédio é grave ou relevante, mais até que a idade. concordo que adultos têm mais repertório que crianças para lidar com assédio, mas isso não significa que assédio não exista ou seja bobagem, ok?

dito isso, gostaria de falar de 2 coisas bem distintas: (a) mulheres/mães sendo assediadas pelo motivo X ou Y e (b) a forma como elas reagem a isso.

vamos ao (b) primeiro: é possível que algumas mulheres estejam fazendo tempestade em copo d’água sim, que de repente nem é assédio, mas simplesmente discordância em alguns casos. mas já ouvi relatos de assédio de fato, seja por parte da família (hostilizando ou pressionando) ou por “amigas virtuais”, participantes de comunidades online. acho até que online a coisa fica mais feia, pois as pessoas se permitem uma agressividade no comunicar que nem sempre assumem ao vivo.

essas mulheres vão às comunidades em busca de ajuda, muitas vezes inseguras e fragilizadas, sem saber o que fazer. vão de guarda aberta, à procura de ajuda, e encontram mulheres em fúria defendendo bandeiras e fazendo com que ela se sinta inadequada e estúpida. isso é assédio, sim, embora não seja grave como um assédio sexual no ambiente de trabalho, em que existe a relação de hierarquia. e online, é verdade, a “ofendida” tem sempre a opção de fechar a janela e ignorar. mas, caramba, ela foi pedir ajuda. se sentiu agredida, e ela tem razão! aquela comunidade, que devia acolher e apoiar, critica e julga. pouco espaço para a tolerância, compaixão e aceitação do que é diferente.

e agora eu volto para o primeiro item (a): elas são assediadas (ou agredidas verbalmente, ou criticadas, julgadas, ridicularizadas) porque não correspondem ao modelo que aquela comunidade acha correto, bom, bonito. percebe a semelhança com o que acontece nas escolas, com as crianças indefesas e sem repertório? e quem pratica exatamente o mesmo comportamento que depois associamos aos “bullies” e delinquentes? as mamães, que ensinam e dão exemplo às crianças!

que exemplos essas mulheres estão dando? muitas delas não aceitam também o diferente, repudiam, ostracizam, julgam, condenam, etc. por que seus lindos filhinhos não farão o mesmo?

não importa pra mim, no fundo, se quem sofre assédio é uma tonta que “entra na onda” e não sabe revidar ou ignorar (isso se aprende, se supera). o problema é o fato: esse comportamento permeia cada vez mais nossa sociedade, e se agrava na internet.

como não ter crianças bullies nas escolas se há um mar de mães bullies na vida?

resumo da minha opinião: não me importa se a mãe é mimimi, ou boba; erradas estão as que agridem e julgam. tolerância zero pra esse tipo de comportamento. compaixão, solidariedade e gentileza deviam ser comportamentos obrigatórios (ou pelo menos presentes na maior parte do tempo) de quem é, ou se diz, educador.

beijo

zel.

quem cuida de quem?

o que é melhor: largar tudo pra cuidar do seu bebê, deixar com a babá, colocar na creche, deixar com parentes…?

essa pergunta só pode ser respondida depois que você responder a outras 2 perguntas:

– o que você quer?

– o que você pode?

vou esclarecer uma coisa antes de seguir, que é pra não ter dúvida: não acredito que ser cuidado exclusivamente pela mãe até os 2 anos é necessariamente melhor para o bebê. primeiro porque depende da mãe, né (se ela for uma neurótica, não tem vantagem nenhuma pra ele); segundo porque não faz sentido dentro do comportamento da espécie. as fêmeas humanas compartilham o cuidado dos bebês e das crianças com outros desde sempre, alternando as funções de cuidar dos outros, da tribo, das crianças, da comida, etc. basta voltar uns 100 anos e já dá pra identificar o que estou falando: as mulheres não ficavam cuidando dos seus filhos exclusivamente. as outras mulheres alternavam essa função e os irmãos mais velhos cuidavam dos mais novos. essa romantização da relação mãe-bebê é muito, muito recente.

em outras palavras – vamos parar de viagem errada quanto a isso, ok? importante é amamentar, pelo menos por 6 meses e se possível até os 2 anos, o que não significa largar suas demais atividades para cuidar do bebê. dito isso, sigamos.

responder a primeira pergunta é dureza. e se você não tem nenhuma dificuldade em saber o que quer, provavelmente tem alguma dificuldade em assumir. se não tem dificuldade em assumir, não está prestando atenção 🙂

respondi essa primeira pergunta com toda a dificuldade do mundo: não quero ficar em casa o dia todo cuidado do meu filho. quero trabalhar, é uma atividade muito importante pra mim. sim, mais importante que ficar com ele o dia todo. trabalhar me faz sentir útil, admirada, reconhecida, ativa intelectual e socialmente. em outras palavras, me faz feliz. cuidar do meu filho o dia todo me faz sentir cansada, isolada e atrofiada intelectualmente. as poucas horas que passo com ele a cada dia são preciosas, me dão um prazer imenso e me fazem feliz.

a segunda pergunta foi mais fácil: eu poderia ficar em casa, se quisesse (abrindo mão de alguns confortos) e poderia também trabalhar. além disso, pude escolher entre babá e creche (deixar com algum parente não era uma opção). preferi a babá, pois já tinha alguém de total confiança que, diferente de mim, adora cuidar de bebês e crianças.

aí você pode perguntar – mas e a pergunta “o que é melhor para o bebê”?! o melhor para o bebê é ser bem cuidado, receber amor e carinho e ter ao seu lado pais felizes. desde que ele esteja bem cuidado e seja cercado de pessoas de bem com a vida e felizes, ele será feliz.

ninguém vai me convencer que uma mãe neurótica e frustrada em casa o tempo todo com o bebê é melhor que algumas horas por dia com uma mãe que trabalha mas é feliz consigo mesma. mas, por outro lado, se a mãe fica mais feliz ficando em casa, tanto melhor pra ela e para o bebê!

não julgo as opções alheias, mas questiono sim as motivações. será que as mulheres fazem suas escolhas conscientemente? e as que julgam as outras, entendem o que está por trás de cada escolha?

uma das coisas que é muito bom de ser mãe nesta idade é que me conheço melhor e tenho mais maturidade pra avaliar honestamente minhas escolhas. a experiência de ser mãe tem sido rica e cheia de oportunidades de crescer e me conhecer ainda melhor. percebo claramente minhas nuances controladoras, neuróticas, minhas carências afetivas projetadas, e vou ajustando as coisas aqui e ali, para o meu bem e para o bem do meu filho.

a pergunta que me faço silenciosamente quando observo algumas mulheres que largaram tudo pra assumir o papel de mãe em tempo integral é se são os filhos que precisam delas ou elas que precisam desesperadamente dos seus filhos. há as que de fato escolheram porque gostam dessa atividade mais do que gostam de qualquer outra coisa; e há as que se embebedam na ilusão do amor incondicional, eterno e do papel insubstituível da mãe.

ir ou não ir ao pediatra?

crédito seja dado: esse post foi motivado por um RT da @maedemerda deste post.

bem, medicina é um assunto que adoro, e inclusive se fosse escolher outra profissão hoje, escolheria ser médica com certeza (talvez neuro ou psiquiatria). além de gostar, respeito os profissionais e gosto de realizar acompanhamento preventivo da minha saúde – não espero ficar doente para procurar médicos. por isso mesmo, tento achar médicos que sejam mais próximos do “médico de família”, que me conheça e possa me dar dicas de como me cuidar melhor e evitar doenças.

quando se trata do meu filho, nem preciso dizer que sigo as mesmas regras. descobri quando ele nasceu que é de praxe acompanhar a saúde do bebê mensalmente, nos primeiros meses, e depois as consultas espaçam mais um pouco. achei ótimo, porque queria mesmo acompanhar de perto o desenvolvimento dele, e entender quais são as questões críticas de desenvolvimento e saúde da criança, assunto do qual não entendia nada.

o texto que me motivou a escrever esse post argumenta contra as consultas frequentes ao pediatra, e embora eu respeite motivações e opiniões diferentes da minha, faço questão de – no meu espaço – oferecer um contraponto.

se você é mãe experiente e fica tranquila em não acompanhar o desenvolvimento do seu filho com um profissional, excelente pra você: vai economizar tempo e dinheiro. o que vale é o seu conforto com o acompanhamento do seu filho, afinal. se tudo está bem, e você está confiante, ótimo. e pode ser também que você não seja tão experiente mas esteja cercada de pais/mães experientes que podem ajudá-la a avaliar se o desenvolvimento do seu filho está de acordo.

eu não sou mãe experiente, não tenho ninguém experiente e que eu confie 100% pra me dizer se tudo está bem, então prefiro que um médico especialista no assunto me oriente e acompanhe comigo o desenvolvimento do meu filho. caso precise de intervenção, que negociemos como fazê-lo.

palavra-chave, atenção: COMIGO. vou insistir num ponto que volta aqui nesse blog com frequência – assumir as responsabilidades pelo que faz, ser ativa no papel de gestante e mãe. médico não é deus e nem dono do mundo, e eu não sou retardada. pesquiso, converso com pessoas mais experientes, e construo meu repertório. as consultas com o médico são conversas, troca de idéias, negociações entre nós – pais responsáveis e decisores – e o médico, nosso consultor especialista.

escolhi o pediatra a dedo, conforme alguns requisitos: formação, experiência, indicação e, é claro, afinidade conosco. e as consultas são como devem ser: conversas entre adultos, que têm opiniões e experiências diversas. nosso pediatra entende de amamentação, alimentação, cuidados em geral e a saúde e desenvolvimento do bebê. há coisas que eu levo para as consultas que ele não sabe tão bem (amamentação, por exemplo) – e não há conflito algum. ele respeita nossas decisões que, apesar das diretrizes dele, às vezes não são as que ele tomaria. e nós confiamos no que ele diz, utilizando as recomendações da forma que achamos mais adequada.

em suma: a decisão é nossa, ele é somente um conselheiro, que nos diz como está o bebê e o que é bom/ruim na experiência dele. mas sempre deixa claro: a decisão é de vocês. e é mesmo, sempre, seja seu médico tão bom quanto o nosso ou um pé-de-chinelo.

dizer que consultar com um pediatra mensalmente é ruim porque ele pode direcionar decisões equivocadas é assumir a própria ignorância, morrer abraçada com ela. informe-se, pesquise, e use o médico de forma inteligente, se precisar de ajuda. se o médico for ruim, troque, caramba. e, enfim, se achar desnecessário, não use. mas não venha me dizer que parou de amamentar porque o médico mandou, né? precisa ser muito ignorante pra entrar numa nessa.

deve ter mesmo por aí uma porção de médicos ruins a ponto de dizerem que a mãe tem “pouco” leite, não sabe orientar e tal, mas acreditem (porque marido trabalha com inteligência de mercado e por acaso já pesquisou exatamente sobre esse assunto – orientação de pediatras sobre alimentação suplementar para crianças): a MAIORIA das vezes quem quer parar de amamentar, dar remédio ou suplementar é a mãe neurótica. o médico só prescreve porque as loucas insistem (e se eles não receitam, elas procuram outro que receite).

a menos que a mãe seja muito ignorante E o médico seja muito ruim, a responsabilidade pelas cagadas no cuidado de bebês e crianças é das mães e pais mesmo. e, como sempre, colocando a culpa no médico, porque ninguém mais pensa sozinho nesse mundo e não sabe questionar e concluir coisas por contra própria. a culpa é sempre do outro.

eu gosto de saber quanto meu filho pesa, mede, pedir orientação do pediatra que trata centenas de crianças por mês e tem 20 anos de experiência. mas isso não significa que “fiz porque o pediatra mandou”. ele orienta, mas NÓS decidimos. feito gente grande, como deve ser.

registro do ogrinho

dados de crescimento do menino:

nascimento: 3.325g, 52cm (estimados, eles erraram na 1a medição com certeza)

1 mês: 3.960g, 54,5cm

2 meses, 15 dias: 6.000g, 59,5cm

3 meses, 15 dias: 6.700g, 62cm

5 meses: 7.480g, 66,2cm

7 meses: 6 dentinhos (4 em cima, 2 embaixo), 8.450g, 69.5cm

9 meses: 9.250g, 72,3cm

10 meses: 10.220g, 74,6cm

13 meses (1 ano e 1 mês): 11.410g, 78,5cm

17 meses (1 ano e 5 meses): 18 dentinhos, 12.550g, 82,7cm