ir ou não ir ao pediatra?

crédito seja dado: esse post foi motivado por um RT da @maedemerda deste post.

bem, medicina é um assunto que adoro, e inclusive se fosse escolher outra profissão hoje, escolheria ser médica com certeza (talvez neuro ou psiquiatria). além de gostar, respeito os profissionais e gosto de realizar acompanhamento preventivo da minha saúde – não espero ficar doente para procurar médicos. por isso mesmo, tento achar médicos que sejam mais próximos do “médico de família”, que me conheça e possa me dar dicas de como me cuidar melhor e evitar doenças.

quando se trata do meu filho, nem preciso dizer que sigo as mesmas regras. descobri quando ele nasceu que é de praxe acompanhar a saúde do bebê mensalmente, nos primeiros meses, e depois as consultas espaçam mais um pouco. achei ótimo, porque queria mesmo acompanhar de perto o desenvolvimento dele, e entender quais são as questões críticas de desenvolvimento e saúde da criança, assunto do qual não entendia nada.

o texto que me motivou a escrever esse post argumenta contra as consultas frequentes ao pediatra, e embora eu respeite motivações e opiniões diferentes da minha, faço questão de – no meu espaço – oferecer um contraponto.

se você é mãe experiente e fica tranquila em não acompanhar o desenvolvimento do seu filho com um profissional, excelente pra você: vai economizar tempo e dinheiro. o que vale é o seu conforto com o acompanhamento do seu filho, afinal. se tudo está bem, e você está confiante, ótimo. e pode ser também que você não seja tão experiente mas esteja cercada de pais/mães experientes que podem ajudá-la a avaliar se o desenvolvimento do seu filho está de acordo.

eu não sou mãe experiente, não tenho ninguém experiente e que eu confie 100% pra me dizer se tudo está bem, então prefiro que um médico especialista no assunto me oriente e acompanhe comigo o desenvolvimento do meu filho. caso precise de intervenção, que negociemos como fazê-lo.

palavra-chave, atenção: COMIGO. vou insistir num ponto que volta aqui nesse blog com frequência – assumir as responsabilidades pelo que faz, ser ativa no papel de gestante e mãe. médico não é deus e nem dono do mundo, e eu não sou retardada. pesquiso, converso com pessoas mais experientes, e construo meu repertório. as consultas com o médico são conversas, troca de idéias, negociações entre nós – pais responsáveis e decisores – e o médico, nosso consultor especialista.

escolhi o pediatra a dedo, conforme alguns requisitos: formação, experiência, indicação e, é claro, afinidade conosco. e as consultas são como devem ser: conversas entre adultos, que têm opiniões e experiências diversas. nosso pediatra entende de amamentação, alimentação, cuidados em geral e a saúde e desenvolvimento do bebê. há coisas que eu levo para as consultas que ele não sabe tão bem (amamentação, por exemplo) – e não há conflito algum. ele respeita nossas decisões que, apesar das diretrizes dele, às vezes não são as que ele tomaria. e nós confiamos no que ele diz, utilizando as recomendações da forma que achamos mais adequada.

em suma: a decisão é nossa, ele é somente um conselheiro, que nos diz como está o bebê e o que é bom/ruim na experiência dele. mas sempre deixa claro: a decisão é de vocês. e é mesmo, sempre, seja seu médico tão bom quanto o nosso ou um pé-de-chinelo.

dizer que consultar com um pediatra mensalmente é ruim porque ele pode direcionar decisões equivocadas é assumir a própria ignorância, morrer abraçada com ela. informe-se, pesquise, e use o médico de forma inteligente, se precisar de ajuda. se o médico for ruim, troque, caramba. e, enfim, se achar desnecessário, não use. mas não venha me dizer que parou de amamentar porque o médico mandou, né? precisa ser muito ignorante pra entrar numa nessa.

deve ter mesmo por aí uma porção de médicos ruins a ponto de dizerem que a mãe tem “pouco” leite, não sabe orientar e tal, mas acreditem (porque marido trabalha com inteligência de mercado e por acaso já pesquisou exatamente sobre esse assunto – orientação de pediatras sobre alimentação suplementar para crianças): a MAIORIA das vezes quem quer parar de amamentar, dar remédio ou suplementar é a mãe neurótica. o médico só prescreve porque as loucas insistem (e se eles não receitam, elas procuram outro que receite).

a menos que a mãe seja muito ignorante E o médico seja muito ruim, a responsabilidade pelas cagadas no cuidado de bebês e crianças é das mães e pais mesmo. e, como sempre, colocando a culpa no médico, porque ninguém mais pensa sozinho nesse mundo e não sabe questionar e concluir coisas por contra própria. a culpa é sempre do outro.

eu gosto de saber quanto meu filho pesa, mede, pedir orientação do pediatra que trata centenas de crianças por mês e tem 20 anos de experiência. mas isso não significa que “fiz porque o pediatra mandou”. ele orienta, mas NÓS decidimos. feito gente grande, como deve ser.

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