ir ou não ir ao pediatra?

crédito seja dado: esse post foi motivado por um RT da @maedemerda deste post.

bem, medicina é um assunto que adoro, e inclusive se fosse escolher outra profissão hoje, escolheria ser médica com certeza (talvez neuro ou psiquiatria). além de gostar, respeito os profissionais e gosto de realizar acompanhamento preventivo da minha saúde – não espero ficar doente para procurar médicos. por isso mesmo, tento achar médicos que sejam mais próximos do “médico de família”, que me conheça e possa me dar dicas de como me cuidar melhor e evitar doenças.

quando se trata do meu filho, nem preciso dizer que sigo as mesmas regras. descobri quando ele nasceu que é de praxe acompanhar a saúde do bebê mensalmente, nos primeiros meses, e depois as consultas espaçam mais um pouco. achei ótimo, porque queria mesmo acompanhar de perto o desenvolvimento dele, e entender quais são as questões críticas de desenvolvimento e saúde da criança, assunto do qual não entendia nada.

o texto que me motivou a escrever esse post argumenta contra as consultas frequentes ao pediatra, e embora eu respeite motivações e opiniões diferentes da minha, faço questão de – no meu espaço – oferecer um contraponto.

se você é mãe experiente e fica tranquila em não acompanhar o desenvolvimento do seu filho com um profissional, excelente pra você: vai economizar tempo e dinheiro. o que vale é o seu conforto com o acompanhamento do seu filho, afinal. se tudo está bem, e você está confiante, ótimo. e pode ser também que você não seja tão experiente mas esteja cercada de pais/mães experientes que podem ajudá-la a avaliar se o desenvolvimento do seu filho está de acordo.

eu não sou mãe experiente, não tenho ninguém experiente e que eu confie 100% pra me dizer se tudo está bem, então prefiro que um médico especialista no assunto me oriente e acompanhe comigo o desenvolvimento do meu filho. caso precise de intervenção, que negociemos como fazê-lo.

palavra-chave, atenção: COMIGO. vou insistir num ponto que volta aqui nesse blog com frequência – assumir as responsabilidades pelo que faz, ser ativa no papel de gestante e mãe. médico não é deus e nem dono do mundo, e eu não sou retardada. pesquiso, converso com pessoas mais experientes, e construo meu repertório. as consultas com o médico são conversas, troca de idéias, negociações entre nós – pais responsáveis e decisores – e o médico, nosso consultor especialista.

escolhi o pediatra a dedo, conforme alguns requisitos: formação, experiência, indicação e, é claro, afinidade conosco. e as consultas são como devem ser: conversas entre adultos, que têm opiniões e experiências diversas. nosso pediatra entende de amamentação, alimentação, cuidados em geral e a saúde e desenvolvimento do bebê. há coisas que eu levo para as consultas que ele não sabe tão bem (amamentação, por exemplo) – e não há conflito algum. ele respeita nossas decisões que, apesar das diretrizes dele, às vezes não são as que ele tomaria. e nós confiamos no que ele diz, utilizando as recomendações da forma que achamos mais adequada.

em suma: a decisão é nossa, ele é somente um conselheiro, que nos diz como está o bebê e o que é bom/ruim na experiência dele. mas sempre deixa claro: a decisão é de vocês. e é mesmo, sempre, seja seu médico tão bom quanto o nosso ou um pé-de-chinelo.

dizer que consultar com um pediatra mensalmente é ruim porque ele pode direcionar decisões equivocadas é assumir a própria ignorância, morrer abraçada com ela. informe-se, pesquise, e use o médico de forma inteligente, se precisar de ajuda. se o médico for ruim, troque, caramba. e, enfim, se achar desnecessário, não use. mas não venha me dizer que parou de amamentar porque o médico mandou, né? precisa ser muito ignorante pra entrar numa nessa.

deve ter mesmo por aí uma porção de médicos ruins a ponto de dizerem que a mãe tem “pouco” leite, não sabe orientar e tal, mas acreditem (porque marido trabalha com inteligência de mercado e por acaso já pesquisou exatamente sobre esse assunto – orientação de pediatras sobre alimentação suplementar para crianças): a MAIORIA das vezes quem quer parar de amamentar, dar remédio ou suplementar é a mãe neurótica. o médico só prescreve porque as loucas insistem (e se eles não receitam, elas procuram outro que receite).

a menos que a mãe seja muito ignorante E o médico seja muito ruim, a responsabilidade pelas cagadas no cuidado de bebês e crianças é das mães e pais mesmo. e, como sempre, colocando a culpa no médico, porque ninguém mais pensa sozinho nesse mundo e não sabe questionar e concluir coisas por contra própria. a culpa é sempre do outro.

eu gosto de saber quanto meu filho pesa, mede, pedir orientação do pediatra que trata centenas de crianças por mês e tem 20 anos de experiência. mas isso não significa que “fiz porque o pediatra mandou”. ele orienta, mas NÓS decidimos. feito gente grande, como deve ser.

21 thoughts on “ir ou não ir ao pediatra?

  1. Acompanhei a discussão no twitter. Também discordo totalmente do post e o acompanhamento mensal do bebê é um dos pontos que louvo na saúde brasileira, a minha menina mais velha foi acompanhada no posto de saúde mensalmente durante o primeiro ano de vida e bimestralmente no segundo, a experiência foi maravilhosa. Encontramos uma médica excelente (chefe de residência pediátrica do HC da Unicamp), que sempre nos orientou da melhor forma possível e de acordo com nossas necessidades e estilo de vida – isso num serviço público de saúde – e a nossa bebê tá indo pelo mesmo caminho.
    Acredito que algumas mães desejam médicos que embarquem em suas neuras e quando não encontram tal profissional, acham melhor agirem por si e ‘avacalharem’ o serviço prestado.
    Mesmo sendo mãe de duas, tendo uma certa experiência, não abro mão das consultas mensais.
    Abraço,

    • concordo totalmente. não há nenhum malefício em acompanhar mensalmente, quanto mais leio o post e principalmente os comentários, mais me incomoda a sugestão de que levar o bebê ao pediatra é RUIM.

      é ruim se a mãe e pai forem uns idiotas, claro, mas aí o bebê tá ferrado de qualquer jeito, com ou sem pediatra…

  2. Acho fundamental o acompanhamento mensal no primeiro ano de vida,aliás,foi graças a isto que descobri que minha filha perdeu peso do terceiro para o quarto mês e esta perda não foi perceptível aos olhos mas poderia ter causado danos a ela pois bebês,por certo,ganham peso,e não o contrário. Tomamos então atitudes para reverter este quadro na época. O bebê muda radicalmente no primeiro ano de vida,é importante conferir se está desenvolvendo suas habilidades relativas aquele período. Como tu disseste, é uma prevenção.E caso apareça algo,sempre teremos o tempo a nosso favor.Em compensação…………depois que crescem……..levei minha filha semana passada à pediatra depois de ANOS sem voltar(ela tem 12),e isto porque estamos mudando de país,quis dar uma controlada geral.O lance é que se eles crescem perfeitamente e nunca tem problemas de saúde, o caso da minha,a gente acaba relaxando.Felizmente continua tudo 100%.

    • perfeito – prevenção, e descobrir cedo se há algo errado. não consigo ver ponto negativo em levar o bebê ao pediatra mensalmente, honestamente. achei o post uma enorme forçada de barra.

  3. Eu deixei um comentário (super bem educado, diga-se) lá no http://www.agrandediferenca.com.br, sendo contra esses conselhos para não ir ao pediatra se tudo parece bem.

    Para minha surpresa, a @stephciciliatti aparentemente não publica gente que discorda dela. Pode conferir os comentários: só tem comentário a favor (e um mezzo). O que ela aparentemente fez foi bloquear o comentário, mas inserir um P.S. no texto dizendo que “algumas pessoas” não entenderam o que ela escreveu.

    Como lá ela não aceita discordância, vou dar meu pitaco por aqui, e que sabe ajudo alguém que procura outros pontos de vista. O que eu escrevi lá foi mais ou menos o seguinte…

    O que ela escreveu é, em minha opinião, algo MUITO perigoso. O raciocínio dela só faz sentido quando tudo está bem (“fomos ao pediatra para quê, se estava tudo bem?”). Mas é exatamente para os casos em que as coisas podem não estar bem que vamos ao pediatra.

    Eu trabalho entrevistando médicos há uns 8 anos. Meu trabalho é basicamente esse: eu entrevisto médicos e analiso essas entrevistas. E mesmo não sendo puxa-saco de médico (sou muito crítico na minha vida pessoal, trato como qualquer outro profissional, ele merece meu respeito e minha cobrança da mesma maneira que o lixeiro, o professor ou qualquer outro profissional), sei que um médico mediano sabe muito mais que a mais preparada das mães em alguns assuntos, especialmente no que se refere a diagnósticos específicos.

    Há doenças cujos sintomas os pais, até por verem as crianças todos os dias mas não só por isso, demoram mais para perceber. O que o pediatra pode diagnosticar em uma consulta você pode levar mais 2 ou 3 semanas para notar. E dependendo da doença, isso pode ser muito, mas muito ruim.

    E mais, quanto à prescrição de fórmulas substituindo o leite materno, até acredito que existam médicos que sugiram isso. Mas afirmo como muita experiência: na imensa maioria das vezes quem pede pela fórmula dizendo que o filho não está gordo o suficiente, ou que não tem leite suficiente, ou que não tem paciência ou tempo suficiente são as mães. Elas exigem as fórmulas e se não atendidas, trocam de médico.

    No mais, é o que a Zel escreveu muito melhor do que eu consigo: vá ao pediatra e seja crítico. Pergunte, discuta, investigue. Mas vá, ele pode salvar seu filho. O que não faz nenhum sentido é deixar de ir ao pediatra porque alguns deles dizem besteira às vezes.

    Novamente, para encerrar: quando tudo está bem, a visita pode não “servir para nada” (eu duvido, mas vá lá). Mas você não está habilitada a dizer se absolutamente tudo está bem, você tem certeza depois da consulta. O que você faz é TORCER para tudo estar de fato bem, porque se não estiver, você vai tratar só mais tarde, quando os sintomas ficarem visíveis para todo mundo.

    Recomendar que se vá menos ao pediatra, para mim, é irresponsável. Quase criminoso.

    • obrigada por repetir tudo aqui, Fer. queria muito dividir essa sua perspectiva com outras pessoas. fui mais delicada no post, mas concordo contigo: é irresponsável dizer pras pessoas não levarem seus filhos ao pediatra, ou mesmo insinuar que isso é RUIM.

      ruim é deixar criança doente por achar que sabe o que está fazendo.

      e segura aí, que logo logo falarei de vegetarianismo e homeopatia, e vou arranjar inimigos.

      beijo, te amo 🙂

  4. Na Itália, onde nasceu a minha mais velha, era trimestral, e eu levei à todas as consultas no primeiro ano, fui muito sortuda pois a Clara não teve nenhuma doencinha relevante até os 3,5 anos (e dai em dia foram muitas otites). Eu não curtia a pediatra dela mas levei em todas as consultas, inclusive, lá, no sistema público deles, enviam uma ficha que fica no livrinho do bebê para o Estado, com peso e medidas…
    Aqui no Brasil onde nasceu a Anna, mas em médico particular, eu levei nas consultas mensais até os 8 meses, depois eu mesma espacei e fiquei até um ano sem fazer nenhuma consulta, como fiz com a Clara depois dos primeiros 12 meses, porque me sentia segura, e realmente os problemas eram contornados com remedinhos caseiros, nenhuma tosse durou tanto etc.
    Mas acho importantíssimo no primeiro ano do bebê fazer essas consultas, principalmente quando é o primeiro filho, elas servem para nos sentirmos seguros. Agora vou ler este “a grande diferença” 🙂

    • criss, nosso pediatra recomendou visita mensal até o quarto mês, depois de 2 em 2. levamos todo mês até o quinto mês (porque somos doidos por médicos e medidas e pesos, hahahahaha) e agora foi mês 7, depois mês 9, e depois provavelmente só com 1 ano. aí, pelo que ele disse, a cada 6 meses.

      acho que é mais ou menos com o Fer falou: se pode levar, por que não? A melhor mãe não vai ser tão boa em saber da saúde do filho quanto o profissional especializado na área. Além de ter viés, né…

      Eu gosto, e acho legal levar. Fico realmente mais segura 🙂 Beijo!

  5. Bom, aqui é a @maedemerda

    Eu não sou de levar minha filha ao pediatra. Sou filha de enfermeira – já falecida – e aprendi que só devemos levar no médico quando realmente há precisão, pois hospital é um lugar sujo, contaminado e tralálá. Porém, uso do meu bom senso, sempre. E acho que isso que falta um pouco para algumas mães.
    Acho que sim, as mães sabem muito, estão ali no dia a dia, trocam experiências, pergunta no twitter, etc. Porém, acho muito válido uma segunda opinião, geralmente do pediatra, que é sim uma pessoa mais experiente com certeza.
    Aqui, quando a Beatriz nasceu, levavamos todo mês, no posto de saude – SUS – a pediatra dela, quando ela tinha 4 meses e parou de ganhar peso suficiente, me disse ” volte daqui 15 dias, se ela não ganhar peso só com o peito vai ter de introduzir leite artificial” , sou defensora da amamentação exclusiva até os 6 meses, não fico militando e enchendo o saco dos outros, mas quando me perguntam, quando solicitam a minha opinião com certeza defendo o que acredito. Nesses 15 dias, Beatriz engordou o suficiente e não precisou do leite artificial. Se não tivesse ganho peso suficiente, com certeza eu teria insistido mais no LM e se não desse certo, partiria para o LA, porque prefiro minha filha alimentada, do que ter uma história bonita de amamentação para contar.

    Depois que a Beatriz completou 1 ano não levei mais ao pediatra, regularmente. Levo sim quando tem febre, etc. Mas nunca fui dessas mães que levam o filho a cada espirro no pronto socorro.

    Pediatra não é deus, mas não podemos ignorar o fato dele ter mais experiencia, estudado a fundo, e atender sei la´quantas crianças por dia.

    Não precisa seguir tudo o que o pediatra fala, basta usar do seu bom senso, se lhe serve aquilo, ok. Se não, tente outra coisa.

    • Kira, acho que bom senso é a palavra. E precisa estar muito mal do senso pra dizer pra outras pessoas que levar o bebê ao pediatra regularmente é ruim… Será ruim na medida em que os pais não tiverem noção, pô.

      Ser crítico é importante quando tratamos com qualquer profissional, e isso não deve nos impedir de consultá-los, especialmente de forma preventiva, né?

      Beijos!

  6. Levei meus dois bebês desde o nascimento, de mês a mês durante o primeiro ano para ver pesos, medidas, se estava tudo ok e para dar as vacinas que seguem uma tabela e devem ser dadas na época certa. O médico é o mesmo há 8 anos e eu tenho plena confiança nele, sempre me explicou tudo, me deu opções e me retorna sempre que eu ligo. Adoro ele e já o indiquei prá várias mães amigas que compartilham essa adoração.
    Eu conheci muito médico estúpido na vida, e quando liguei na clínica, eu sabia que essa clínica havia sido fundada em 1978 por 5 médicos pediatras da Santa Casa de Misericórdia, e mesmo sabendo que todos eram excelentes profissionais, perguntei na brincadeira, prá recepcionista: Qual é o melhor médico dos 5? E ela: Ah todos são excelentes! E eu: Me diga, qual deles chega aí todos os dias de bom humor e cumprimenta todas vcs? E ela respondeu sem pensar: Ahhhh o Dr Antônio!
    Meus filhos o adoram também, além de médico, virou amigo e é um ser humano maravilhoso.Me sinto super segura e feliz por ter um profissional como ele atendendo o meu convênio.
    Um dia levei meu bebê aos 4 meses, achando que estava resfriado e após um simples exame que mede a oxigenação, ele mandou interná-lo pois estava com bronquiolite. Fiquei arrasada, o que eu pensei ser uma coisa simples poderia virar uma bronquite se não cuidada adequadamente…imagine se eu tento medicar em casa…ficamos eu e ele por 4 dias no hospital e no oxigênio. Hoje aos 2 anos está com uma saúde de ferro 🙂

    • Nuna, seu caso é um excelente exemplo: você se preocupa em procurar o melhor profissional, participa do processo e teve a sorte de ter assistência ao seu filho quando ele de fato estava doente (e você tinha achado que era só um resfriado…).

      Adoro suas histórias 🙂

  7. Eita, vou falar da minha experiência, filha de mãe hipocondríaca. Rá! Eu abomino médicos e medicamentos. Louvo a farmácia quando não suporto por muito tempo alguma dor e sei que algum analgéisco ou calmante vai aliviar a danada. Acho fundamental ter alguém profissional em saúde que se possa confiar para tirar dúvidas e discutir procedimentos. Optamos em cuidar do nosso filho de maneira alternativa, sem intervenção medicamentosa. Mas olha, na prática, ele nunca precisou. Eu não tenho a experiência de um filho com amidalite, otite, bronquite, ou qualquer outra “ite”. Nunca usamos qualquer anti-biótico ou medicamento profilático. E ele tem 7 anos. Já teve gripes, resfriados, cataporas, doencinhas sazonais que foram cuidadas em casa, sob orientação médica. O nosso médico de família é nosso parceiro. Isso é fundamental. O que acho impraticável é medicar e submeter corpos tãos novos a química pesada por qualquer motivo. Não precisa ser especialista para saber que qualquer adição diferente num organismo novo causa uma reação nova. Isso pode ser uma bola de neve. Quantas mães nós conhecemos com filhos abaixo dos dois anos que vivem semana sim, outra também, lotando consultórios médicos e atolando filhos de anti-bióticos por conta de resfriados ocasionados por mudanças climáticas?! É muito mais fácil ministrar um anti-térmico do que esperar 24 horas para a febre fazer o seu serviço. E esse organismo não aprende como se defender. Vai precisar de intervenção medicamentosa sempre que “algo estranho” acontecer. É fato que crianças adoencem com certa frequência até os quatro anos de idade, principalmente quando começam a frequentar creches e escolas. No final das contas minha opinião é que poucas pessoas querem se informar ou ter “o trabalho” de saber mais sobre o funcionamento do próprio corpo, sobre o corpo do seu filho, enfim. É muito cômodo deixar a responsabilidade para o “DEUS” médico, que tudo sabe, tudo vê. E seguir não fazendo escolhas, não ponderando decisões, não pensando a respeito da natureza das coisas.

    • Dê, obrigada pelo relato, é sempre bom ter alguém que faz as coisas um pouco diferente e dá certo também!

      Quero aproveitar um gancho seu pra reforçar o seguinte: as MÃES são hipocrondríacas, isso não é culpa dos médicos. Toda pessoa pode optar por seguir o tratamento X ou Y, ou procurar uma segunda opinião. O médico vai indicar o que ele acha correto, de acordo com sua linha de tratamento, mas é o paciente quem decide. Não gosto do discurso que “médico alopático é ruim, sempre prescreve medicação”, pois isso não é verdade. Já me consultei com alopatas que me recomendaram tratamentos “naturais” (como beber mais água, por exemplo, quando estivesse um pouco alérgica). E já me consultei com médicos que tratavam os sintomas simplesmente, com remédio. É a diferença entre um bom e mau profissional (ou preguiçoso, sei lá).

      Aí é que entra a inteligência e o assumir a responsabilidade pela sua saúde e sua vida: questione o médico sobre a CAUSA e não aceite alívio para o sintoma somente. É preciso entender que remédios (alopáticos ou não) podem eliminar sintomas mas nem sempre eliminam as causas. Se seu médico não for capaz de explicar a causa de forma convicente e porque o remédio prescrito resolve a causa, você deve trocar de médico, oras.

      O mesmo vale para quem opta por tratamentos alternativos: por que fico constantemente com gripe, resfriado ou X? Mesmo que não esteja tomando “drogas”, a causa continua lá, aparecendo sempre. Há que se tratar a causa, entender porque a criança (ou o adulto) vive doente (mesmo que não precise de remédio pra passar, até a próxima ocorrência).

      Falo disso melhor no próximo post, sobre homeopatia e etc. 🙂

      • Só complementando o que tu já sabe Zel, mas as coleguinhas fabriqueiras talvez não saibam, eu não sou contra a alopatia ou nenhum método de cuidado ou cura, desde que a CAUSA, como você falou, esteja sendo tratada com cuidado e sapiência. Se há uma doença (ou comportamento) de repetição, é porque tem alguma coisa muito errada acontecendo. A natureza é muito saiba e se encarrega das curas todas. Mas é preciso entender e querer entender a fisiologia da coisa. Ação/reação e por aí vai. E rá, eu acredito no poder dos placebos para doencinhas de ocasião. O corpo da gente é quase todo comandado do pescoço pra cima…;o)

  8. Aqui as consultas com o pediatra nao sao mensais. A recomendacao da Associacao Americana de Pediatria para o primeiro ano de vida e que o bebe seja visto pelo pediatra ao nascer, ao completar duas semanas de vida, e depois aos 2, 4, 6, 9 e 12 meses. Essas consultas, chamadas de “well baby visits”, sequer sao cobradas. O nosso pediatra da a opcao de levar a crianca ao consultorio todo mes para pesagem e medicao, mas nesse caso o procedimento e todo feito pela enfermeira e o pediatra so e chamado caso se detecte alguma anormalidade nas medidas. Eu senti falta das consultas mensais, acho importante ter o auxilio de alguem que nao so tem a qualificacao profissional necessaria para avaliar meu bebe como tem muito mais experiencia do que eu e meu marido com criancas (isso nao e muito dificil em se tratando de pais de primeira viagem). Nao se trata de transferir ao medico a responsabilidade das muitas (e as vezes dificeis) escolhas que temos que fazer na criacao de filhos, mas sim de estabelecer uma parceria com alguem que pode nos fornecer as informacoes que precisamos para fazer tais escolhas. E dificil para mim entender porque alguem pode achar esse tipo de auxilio irrelevante ou, pior ainda, prejudicial.
    Outra coisa, a maioria das pessoas que comentou no post original e aqui no Fabricando colocou o foco na saude fisica do bebe, mas outro ponto muito importante que e avaliado pelos pediatras nas consultas do primeiro ano e o desenvolvimento mental e emocional do bebe. Pelo menos por aqui as consultas tambem servem para avaliar se a crianca esta se desenvolvendo mental e emocionalmente conforme o esperado para a idade. Varios estudos comprovam que certos atrasos no desenvolvimento de habilidades motoras e ate emocionais sao mais faceis de serem corrigidos se detectados assim que aparecem. Para mim fica dificil sustentar o argumento que so o “bom senso” e o “instinto maternal” dao conta dessa parte.

    • os comentários do post que eu linkei são de dar pena/raiva. o seu ponto é muito bom: nosso pediatra também faz diversas perguntas sobre o desenvolvimento físico e emocional do bebê, como você disse. nós de fato não saberíamos dizer se ele está bem ou não neste aspecto, e o pediatra nos ajuda a entender como o desenvolvimento acontece e também nos tranquilizar caso ele não esteja conforme nossa expectativa 🙂

      o otto por exemplo nem dá sinais de que quer engatinhar, aos 7 meses. o pediatra nos tranquilizou, dizendo que já que ele gosta muito de ficar em pé faz tempo, é possível que ele “pule” essa fase e ande direto, quando estiver pronto.

      essa história de instinto maternal eu acho uma bobagem, sinceramente. e confiar só nisso, não preciso nem dizer…

  9. adorei todos os comentarios, e deixando minha opiniao particular, minha filha tem 1 ano e 4 meses e ainda vai no pediatra todo mes…acho bom e necessario pra mim, pra ela, nas necessidades dela, e nao vou abrir mao das consultas mensais ate 2 anos, pelas fases que ela passa, ja agora nao querendo comer, coisas normais, mais que assustam maes de primeira viagem. Acho importante continuar com as consultas, desde que se tenha condiçao para tal. As consultas sao pagas, e o retorno (que nao utilizo) ele deixa como consulta para o mes seguinte. Pago a cada 2 meses mas levo ela todo mes….acho importante, necessario, fundamental.

  10. Oi Zel,
    Compartilho muito de suas idéias, resumindo tudo o que já li aqui no seu site… o que tenho pra te falar é que nunca tive a neurose de ser mãe, sempre fui daquelas que fica longe de crianças e hoje sou “mãe”, no melhor da palavra, da Catarina hoje com 5 meses. A primeira consulta (15 dias de vida) da Cat durou exatas 2h, parece muito, mas foi tão esclarecedora…afinal tanta coisa nova gera tantas outras duvidas, que entrei lá me achando mãe de primeira viagem, insegura e sai com um belo elogio de mãe esclarecida…kkkk…que alivio!!! Tudo bem que ser irmã de medica ajuda, e que o bom senso prevalece, mas eu não estudei no mínimo uns 10 anos pra fazer dos meus achismos profissão!!! A internet pode ser a salvação ou o tormento para quem não tem discernimento…um exemplo ótimo e cotidiano: antes de levar a Cat para a primeira vacinação fui olhar na net sobre vacina e reações, e o que eu vejo num fórum eram inúmeras recomendações de mães, enfermeiros e pediatras para administrar paracetamol antes de vacinar…oras pensei…mas que sentido tem isso, se nem ao menos voce sabe se a criança terá reação???? E descobri num artigo cientifico um
    estudo sobre a diminuição da eficácia da vacina quando administrado com Tylenol. Genteeee….pára tudo!!! Há sempre, para qualquer profissão, os bons e maus profissionais. Eu tenho a sorte de ter por perto pessoas experientes (vulgo avós, com suas manias) e uma medica excepcional, que em cada consulta mensal alem de verificar se está tudo bem com minha filha, coloca seu peso e medida no grafico de desenvolvimento nem que seja para matar a curiosidade da mãe, mas que principalmente me diz que estou no caminho certo nos cuidados da Catarina.

    • a melhor coisa que a gente pode fazer é achar profissionais em quem confiamos pra nos apoiar, né? se o 1o não funcionar, procura outro. eu gosto de consultar periodicamente pra tirar dúvidas e acompanhar o desenvolvimento 🙂

      parabéns pela pequena, e um beijão!

  11. Toda relação exige capacidade argumentativa de ambas as partes envolvidas! Fala-se tanto do protagonismo da mulher na gestação, amamentação e etc. mas esquecem que, não somente as mulheres, mas todo e qualquer indivíduo deve protagonizar suas decisões. O que penso é que, na verdade, hj em dia, as pessoas deixam de questionar justamente como forma de fugir à responsabilidade, pois é muito mais fácil eu dizer que o outro teve a culpa por algo que deu errado. Como vc disse, médicos não são deuses, são pessoas, indivíduos como todos os outros dotados da capacidade de aprendizado, é claro que cada qual entende mais de uma coisa que de outras. Sou bastante curiosa e gosto de debater, questionar e entender, por isso leio bastantes os assuntos que me interessam, mas leio de vários pontos de vista diferentes, leio de várias correntes contrária para daí sim decidir o que creio como o melhor. Se só busco coisas que se baseiem naquilo que creio, não preciso nem refletir, para que haja reflexão devemos considerar olhares diferentes. Questionar médicos não é ignorar sua capacidade técnica, mas sim considerar que ele pode observar as coisas de um ângulo diferente do seu.

    Abraços.

Leave a Reply