diário do otto: 9 meses

otto,

já estou ficando sem novas expressões pra contar como cada mês traz uma nova dificuldade, sabe? :) até entendo quem diz que “melhora com o tempo”, mas a verdade é que cuidar de bebês é difícil. vocês não falam, e a gente tem que fazer das tripas coração pra entender o que fazer pra ajudar vocês a serem mais felizes!

esse mês você teve sua primeira doença, a roséola, e nos matou de preocupação. olhando friamente, não havia motivo para pânico, mas a gente é inexperiente, meu filho. somos dois marmanjos de quase quarenta anos e não sabemos nada de como funcionam os bebês, uma lástima. então ficamos apavorados, procurando informações sobre o que você poderia ter. todos os médicos que consultamos em 3 dias (3, veja bem…) disseram a mesma coisa: paciência, deixe a febre evoluir e os novos sintomas aparecerem. e assim foi: 3 dias de febre e falta de apetite e depois as bolinhas, pra nosso alívio. agora vamos tentar ser menos desesperados em outras oportunidades, porque já fomos avisados que crianças adoecem bastante nestes primeiros 5 anos de vida. aiai!

bom, fora isso, você continua comendo feito um ogrinho, gosta de tudo que a gente oferece (mas prefere carne, pera e caqui). e foi no dia em que completou 9 meses que você praticamente disse NÃO pro peito :( você ainda não fala, mas aprendeu a fazer BRRR com a boca pra tudo que não quer. vale pra comida, bebida e tudo o mais (sentar/deitar), e agora vale pro peito também.

estava tentando manter a rotina de amamentação 2x por dia, até quando você quisesse (eu esperava que fosse até pelo menos 1 ano), mas depois de semanas levando mordidas frequentes no peito e agora com o BRR, acho que acabou essa fase mesmo. estou racionalmente convencida que você não quer mais mamar no peito, e não estou exatamente sofrendo, mas a verdade é que continuo tentando (inutilmente, você morde e ri, e faz BRRR). provavelmente vou desistir de vez a partir dessa semana, pois farei minha primeira viagem de trabalho (3 dias, 4 noites) e aí acabou a teta mesmo. foi bom enquanto durou, e vou lembrar sempre da sua carinha linda e feliz mamando na teta (pelo menos até o sétimo mês…).

esse mês você começou a fazer algumas coisas novas: bater palminha (primeiro quando cantávamos parabéns, depois pra qualquer coisa :D), dar tchau (mas você parou depois que aprendeu a bater palmas, e as palmas servem também pra dar tchau!) e chacoalhar o corpinho de um jeito muito engraçado quando quer andar pela casa com a nossa ajuda. você empurra a barriguinha pra frente e pra trás, e parece uma minhoca louca, hahahaha!

você continua sem muito interesse em engatinhar, mas se joga no chão e fica “nadando no seco”, sem conseguir se mexer a não ser rolando. você rola muito bem pra lá e pra cá, mas não apóia o peso nos joelhos ainda. em compensação, você ADORA ficar de pé e andar pela casa com a  nossa ajuda segurando suas mãozinhas. aliás, você não anda, corre. e chuta tudo o que vê pela frente, principalmente bolas. você ama brincar de bola, e já chuta desde que conseguiu ficar de pé, é incrível.

outra coisa curiosa: você cortou o cabelo pela terceira vez desde que nasceu (cortamos aos 4 meses, 6 e agora com 8), porque seu cabelo é muito bagunçado, cresce lateralmente e fica parecendo o ravengar. quando você era menor era pior ainda – o cabelo era bagunçado, ralo, esquisito, afe. agora tá lindo, com o cabelo cheinho e arrumado.

você continua “falando” bastante, seu repertório agora inclui consoantes novas: mé, mã, nã (além do tzi, dái e bói). morro de curiosidade pra ver como vai ser você falando! seus dentinhos estão de vento em popa, já são 7 e creio que os 2 caninos vem vindo aí. parece um tubarãozinho assassino, morde nossa bochecha, o ombro e tudo o mais que vê pela frente.

seu sono continua difícil, embora tenha melhorado depois da mamadeira noturna. nos dias de febre foi um horror, acordando de hora em hora. mas tenho fé que você está amadurecendo e aprendendo, aos poucos, a dormir.

outra novidade iniciada aos 9 meses exatos foi começar a estranhar as pessoas e se agarrar em nós. nunca tinha acontecido, e de repente você fecha a cara e até chora quando alguém estranho chega muito perto ou tenta interagir com você. que mecanismo de defesa será esse dos bebês, me pergunto. muito curioso.

estamos cansados, confesso. mas você é um menino tão bem-humorado, lindo e sorridente que é difícil ficar brava com você mesmo quando tem chororô e manha. você acorda sorrindo e brincando, está sempre alegre e de bom humor, é uma felicidade estar junto de você. mesmo quando temos vontade de chamar a mamãe-saruê, ainda amamos você mais que tudo no mundo.

mais um mês pela frente, menino. que seja assim, cada vez melhor!

beijo da mamãe.

(veja aqui suas fotos com 9 meses)

a primeira doença

o otto já tinha tido febre (38.5) quando tomou a primeira dose da hexa, com 2 meses, teve também um pouco de catarro (pouco mesmo, não chegou a tampar o nariz nem nada) aos 4 meses, depois de algumas horas de viagem de carro com ar-condicionado ligado, e tomou label aos 2 meses por causa de suspeita de refluxo (melhorou, inclusive). mas doença tipo virose, essa foi a primeira e descobrimos o quanto é ruim ter um bebê doente em casa.

tudo começou com uma febre baixa na sexta-feira que se transformou numa febre de 38.5-39.5 que durou 3 dias inteiros, sem trégua. segundo nossa amiga pediatra, febre de 38.5 é baixa, mas os pais frescos aqui não conseguem ficar tão tranquilos assim, e obviamente apavoramos, fomos pro PS, procuramos outro pediatra (porque o dele não atendeu telefone e nem retornou, falo disso no fim do post).

prefiro sempre não medicar, especialmente se a febre não passar de 38, 38.5, mas ele estava incomodado demais, e ficamos preocupados à noite (e se a febre subir muito e não percebermos?). usamos tylenol, que se mostrou ineficaz para a febre, e a cada 2 ou 3 horas a febre voltava. alternamos com alivium (que foi melhor), e também adotamos de dia o banho morno, e à noite recorremos aos “paninhos úmidos na testa”, aquela coisa de filme. e somente febre, nenhum sintoma.

no final do terceiro dia a febre desapareceu milagrosamente. no quarto dia, o sintoma que faltava para o diagnóstico apareceu: ele encheu de bolinhas, tipo brotoejas (que somem quando pressionamos a pele). ou seja – roséola, doença típica da idade (ele completa 9 meses amanhã), na sua manifestação mais típica. são 3 dias de febre persistente, com bolinhas no quarto dia (que podem durar de 2 a 3 dias) e muita irritação do bebê.

foi muito, muito chato, estressante e preocupante. acho que vai demorar ainda um pouco pra ficarmos mais tranquilos quando ele tiver essas doenças da infância, gripes e etc. mas aprendemos um pouco sobre algumas coisas, e vou aproveitar para compartilhar o que nos foi ensinado pelos médicos que nos apoiaram nestes dias:

- febre é bom, a febre é nossa amiga :) aprendemos que subir a temperatura do corpo é a forma que temos de impedir os vírus/bactérias de se multiplicarem e proliferarem. a recomendação de todos os médicos que consultamos foi a mesma: se a criança não estiver desconfortável (não mudar muito de comportamento), deixe a febre agir;

- quando a febre é preocupante? quando afeta a criança, quando ela fica muito “largada” ou, ao contrário, quando chora muito e reclama. essa é a hora de medicar. se ao medicar a criança volta rapidamente ao normal (ou quase, diante das circustâncias), é porque tudo está bem. quando a criança mesmo medicada ainda continua mal, é hora de se preocupar e procurar ajuda;

- febre que vem juntamente com lesões de pele é motivo para procurar o médico;

- caso seja preciso medicar – sempre sob orientação do pediatra! – , tylenol é a melhor opção para dor (ele é pouco eficaz para febre); alivium é antitérmico mas é também antiinflamatório, e por isso não deve ser usado quando ainda não se sabe a origem da febre (ele pode mascarar outros sintomas); dipirona é o mais eficiente para febre, consulte o pediatra sobre essa possibilidade;

- a tal convulsão febril acontece raramente. leia um interessante relato de médico aqui;

- precisamos encarar a febre, e essas doenças comuns na infância, com mais tranquilidade, pois elas são muito frequentes até os 4-6 anos. essa parte a gente aprendeu só na teoria, porque na prática dá um pavor danado, ai credo!

**

bom, e o pediatra, né. as consultas dele são excelentes, nós adoramos o estilo e confiamos na opinião profissional dele. seria perfeito, se atendesse telefone ou se pelo menos retornasse ligações. já é a terceira ou quarta vez que ligamos para tirar dúvidas e pedir orientação e ele não atende e nem retorna. ou seja: vamos mudar. acho que pediatra tem que orientar por telefone, sim, faz parte da profissão. então, vamos ao próximo!

amamentação e alimentação: quase 9 meses, e tudo vai bem

depois de muita resistência, especialmente da minha parte, adotamos a mamadeira para complementar as mamadas do menino, quando ele completou 8 meses. a verdade é que foi simples, e ajudou muito no período da noite, desde então ele tem dormido cada vez melhor.

nosso pediatra sempre foi da linha “pare de amamentar de madrugada depois dos 6 meses”, e eu bem que tentei, mas o menino tinha fome. entre deixá-lo chorando e amamentar, amamentei. mas acontece o leite materno é absorvido mais rápido, é fato, e o intervalo tinha que ser de no máximo 4h entre cada mamada à noite…

é desumano uma mulher trabalhar o dia todo e amamentar a noite toda. aliás, que dureza é amamentar a noite toda mesmo que você não trabalhe o dia todo, é muito puxado. com o bebê comendo bem, ganhando peso e com ótima saúde, pra que se sacrificar? eu realmente estou convencida que pra ser boa mãe não é preciso (e nem desejável) sofrer, dar o sangue, etc.

diante do meu desejo de continuar trabalhando e ter noites de mais sossego e ser feliz, decidi testar a mamadeira. fiquei com medo dele não querer mais o peito, depois da mamadeira, mas sabia que aos 8 meses esse risco é menor. ele já sabe mamar no peito, beber no copo e mamar na mamadeira, sem confundir as coisas. pois tentamos, e foi ótimo!

atualmente ele mama no peito às 6:30h e às 19h, e na mamadeira lá pelas 8h (120ml), 15h (210ml), 20:30h (já dormindo, 150ml) e entre meia-noite e 1 da manhã 210ml.

as quantidades da mamadeira foram adaptadas por nós mesmos, a recomendação do pediatra foi 210ml às 15h e meia-noite (as outras nós damos por conta, porque achamos que ele mama pouco no peito). fico contente que ele continua mamando no peito, porque não é a fonte primária de alimento dele mas é um suplemento essencial para sua imunidade, funcionamento do intestino e, é claro, chamego com a mãe ;)

além das mamadas, ele tem se alimentado de sólidos muito bem: 1/2 mamão todos os dias de manhã, 1 pera (às vezes inteira de uma vez, às vezes em 2 período do dia), 1 laranja (não gosta mais do suco, quer a fruta) e 1 caqui ou banana ou melão. e almoça 1 prato de sopa cheio de sopa de legumes com alguma proteína (carne vermelha, frango ou gema cozida de ovo) e janta 1 prato cheio de sopa cheio de legumes somente.

iniciamos a papinha e as frutas em purê, bem líquido, para ensiná-lo a engolir. quando ele começou a engolir bem e “mastigar” (ele faz o movimento direitinho), mais ou menos no sétimo mês, paramos de fazer papa e deixamos tudo em pedaços. foi na mesma época que ele começou a não querer o suco e sim a fruta, e recusa coisas muito melequentas (prefere mastigar os pedaços).

aliás, é impressionante como a natureza é perfeita. o otto teve dentes muito cedo, os primeiros nasceram com 5 meses e com 8 meses ele tem 7 dentes já nascidos (e mais vindo por aí). junto com os dentes veio o interesse pela comida e o movimento de mastigação. ele sempre aceitou alimentos sólidos muito bem, e come com o maior prazer.

da minha parte, continuarei a dar o peito enquanto ele quiser. neste mês, com novos dentes vindo por aí, ele mordeu meu peito algumas vezes, e foi bem doloroso. dei bronca, tirei o peito, comecei a dar o peito com ele dormindo, mas não desisti. depois de 1 ou 2 semanas desse comportamento, passou e agora ele mama normal de novo.

ou seja: é possível manter a amamentação com a mamadeira, com os dentes e com a alimentação sólida. basta um pouco de paciência, sorte :) e boa vontade.

filhos <> crianças

uma coisa que sempre me intrigou sobre ter filhos e as expectativas que giram em torno disso foi a (falsa) premissa de que pra ter filhos é preciso gostar de crianças.

ora, nós somos crianças por somente uma parte pequena da vida. vejam: com 12 anos (às vezes até menos!) já somos pré-adolescentes, e não mais crianças. 12 anos é pouco, se comparado com o restante da vida, e o tempo que podemos conviver com nossos filhos-não-crianças.

nunca fui especialmente fã de crianças. acho fofinhos e bonitos, como é esperado, já que a natureza os programou para serem o mais fofos e “amáveis” possível. mas gostar, me divertir e querer passar tempo com crianças? não, obrigada. não aguento muito tempo nem com o meu próprio bebê e já fico de saco cheio! jamais seria professora de crianças, por exemplo.

engraçado que esse assunto é tabu, e dos sérios. nem costumo entrar nessa conversa e ser honesta, porque a maioria das pessoas fica horrorizada. como pode não gostar de crianças? ou por que teve filho, então? caramba, nem todo mundo precisa gostar de crianças! e pra ter filhos basta aturá-las pra que elas finalmente se tornem o que somos pela maior parte da vida: adultos.

não vejo a hora de poder conhecer o meu filho versão não-criança. sei que ele não será tão fofinho, engraçadinho e apertável, mas sem dúvida será alguém que me interessa mais.

enquanto isso, procuro me adaptar e cuidar dele o melhor possível, aproveitando essa época que eu sei que passa rápido e vou sentir saudade (porque é fácil olhar pro passado com filtro, esquecendo de tudo que era chato, cansativo e irritante). mas confesso, sem culpa: a companhia de crianças não me faz mais feliz. o meu filho me faz feliz porque é meu, porque é lindo ver aquele ser humaninho se desenvolvendo, porque morro de orgulho dos pequenos progressos dele.

mas é isso aí: amor de mãe. vou adorar ver as fotos e vídeos, quando ele for maior :D

a mãe que trabalha

durante a gravidez eu tive sentimentos controversos sobre voltar a trabalhar. sempre trabalhei muito, como todo profissional da área de TI, e sempre gostei muito de trabalhar. sou super empolgada com meu trabalho, falo dele durante horas a fio se tiver uma alma pra ouvir :) mas com o bebê na barriga e toda a aura da maternidade pairando ao meu redor (e comentários, conselhos, opiniões), cheguei a pensar que poderia ter vontade de ficar com o bebê mais tempo, depois de nascido.

digo que os sentimentos foram controversos porque além de gostar de trabalhar, nunca fui muito chegada em cuidar de crianças, essa é a verdade. e pra quem pergunta “então por que ter filhos?”, blé. você não entende nada sobre o que move pessoas a procriar conscientemente, não é? não tive filho porque gosto de criança, mas porque desejo a experiência, que é riquíssima. e não é que eu odeie crianças, veja bem, eu acho o ser humano de forma geral muito interessante, seja adulto ou criança. mas criança cansa, gente! cansa muito, e enche o saco. mesmo sendo nosso o filho.

fui bombardeada, como todas somos, de chavões do tipo “só quando você for mãe vai entender” (ainda não entendi nada), o tal “amor incondicional” (ainda desconheço), ou “ser mãe é padecer no paraíso” e etc. e acabei achando que um bit ia se ligar em mim quando o bebê nascesse, e de repente eu me tornaria uma mãe de propaganda de margarina, adorando estar com o bebê e de repente ia querer abandonar minha carreira. juro, isso me ocorreu.

o bebê chegou, e não ligou bit nenhum. nada de amor incondicional (já falei sobre isso: tá mais pra cuidado incondicional e amor que se constrói dia a dia), nada de desejo de não me afastar dele por nada no mundo. e ai de mim quando falo esse tipo de coisa: a patrulha da mãe-perfeita-e-sofredora cai de pau em cima de mim. umas não acreditam (acham que estou mentindo, que no fundo sinto isso tudo e nego) e outras me acham uma monstra.

pois que quando começou a chegar a época de voltar a trabalhar eu já estava com a babá cuidando do otto em casa há 3 meses, todos completamente adaptados, mas fiquei apreensiva. será que as coisas mudaram muito nos 8 meses que fiquei fora? será que vou conseguir trabalhar da mesma forma? e se eu ficar culpada, ou pensando no bebê o tempo todo?

voltei a trabalhar numa quarta-feira, com rotina de ordenha (pois continuei a dar só o peito, e tirava leite 2x por dia) e totalmente perdida depois de meses sem trabalhar. os primeiros dias foram de socialização, pra dizer a verdade, mas aos poucos fui retomando minhas atividades e descobri que em grandes corporações 8 meses não é nada :) honestamente, vários problemas que eu tinha deixado para o meu backup resolver continuaram até a minha volta. até algumas contratações ainda estavam pendentes!

além da boa surpresa de conseguir retomar as atividades sem grandes dramas, percebi também que o novo ritmo (chegar no horário, sair no horário, tirar leite no meio do dia) era totalmente administrável, e que eu não preciso trabalhar 12h por dia pra ser produtiva. estou conseguindo produzir bem e com eficiência nas 8h do dia. estou priorizando melhor as atividades, e me preocupando menos em fazer mais do que o necessário. tenho me concentrado no possível, e é mais que suficiente.

e a saudade do otto? nenhuma. e cada vez que falo isso as mulheres ao redor se arrepiam e morrem por dentro, fazendo cara de horror. como assim, não tem saudade? corrijo: tenho saudade e penso nele, sim, mas isso não ocupa meu dia e nem me atrapalha. não sofro com a saudade, ela simplesmente faz parte de mim. ele agora é a pessoinha de mais importância na minha vida, e é claro que penso nele. mas isso não causa sofrimento algum e nem atrapalha nada do que preciso fazer.

e quando chego em casa, pra liberar a babá pra ir embora, é uma delícia. o tempo que gasto com ele é precioso, divertido, gostoso. bem diferente do fim de semana, que preciso estar com ele o tempo todo e vira e mexe enche o saco. quando preciso cuidar dele o tempo todo, me pego desejando estar em outro lugar, fazendo outra coisa. é fato. nem todas gostamos de estar com bebês o tempo todo, mesmo quando somos mães das criaturas. e por isso valorizo ainda mais meu trabalho, meu tempo longe dele, porque quando posso estar junto dele, é um tempo importante e realmente DELE.

tenho certeza que sou uma mãe melhor pro otto quando estou envolvida em outras atividades e quando tenho ajuda pra cuidar dele. porque cada gesto, carinho, atenção são realmente dedicados a ele, são legítimos e intensos.

voltar a trabalhar foi essencial para o relacionamento com meu filho, pra que eu seja uma mãe melhor; ser mãe foi essencial pra que eu me tornasse uma profissional mais focada, que sabe priorizar atividades, hoje sou uma profissional melhor.

e de quebra virei toureira, né, dando olé do maremoto de críticas veladas e culpa que as outras mulheres tentam me afogar :) mas não cedo, resisto firme no intento de ser presente e responsável primária na educação do meu filho sem precisar abrir mão da minha própria vida.

amamentação: depois de 2 meses…

… muitas coisas mudaram.

mantive a rotina de ordenha/amamentação como programado, mas o leite da ordenha diminuiu gradativamente, até chegar a 40ml por tirada :( (no início eu tirava 150ml por vez).

acho que um fator importante para a diminuição do leite foi o fato do otto demandar menos leite mesmo, quando estava mamando, pois é mais interessado na comida sólida que no leite. até o suco ele tem gostado cada vez menos, preferindo as frutas inteiras. outro fator acho que foi a eliminação da mamada da madrugada, diminuindo a frequência de demanda (que pode também reduzir a quantidade).

uma das coisas que poderia ter feito quando percebi que o leite estava diminuindo é aumentar a frequência de ordenha e das mamadas do otto, pra estimular e produzir mais. mas sinceramente, seria um sacrifício (acordar de novo a madrugada toda, fazer mais pausas ainda no trabalho) que eu não estava disposta a fazer. até porque ele já está com 8 meses, e mamou só leite materno até agora. tá bom, né?

junto com essa diminuição começou a ficar cada vez mais horrível o período da noite: ele nunca dormiu a noite toda, acorda várias vezes desde que nasceu (normalmente pra mamar, mas pra pedir colo também). até o sétimo mês mantive a rotina de mamar de madrugada, mas resolvi parar, pelo bem da minha sanidade no dia seguinte no trabalho. e como ele mamava cada vez menos a cada mamada no peito, a noite estava um inferno de choradeira…

e durante o dia, tudo uma beleza (mesmo com menos leite), pois ele come MUITO bem e não tem fome. esse menino sem fome é um anjo. depois de conversarmos com o pediatra, ele sugeriu dar NAN (ou equivalente) na mamada da noite, 210ml, pra testar, e continuar dando o peito nas demais mamadas quando possível.

ele adorou o NAN, tomou tudo e passou a dormir muito melhor, felizmente. ainda acorda pedindo colo, mas agora sabemos que não é fome (e ele volta a dormir sem muito choro).

mantive então 2 mamadas por dia (7h e 19h) no peito, e 2 mamadas na mamadeira (15h e 23h/meia-noite). ele ainda tem os benefícios do leite materno, mas sem que eu precise me matar de dar o peito.

pude então parar com a ordenha, que apesar de ser tranquila demanda bom planejamento e 2 intervalos por dia no trabalho. ainda que tenho sorte de poder fazer esses 2 intervalos, e ter onde armazenar, etc.

resumindo, estou feliz por ter podido alimentá-lo exclusivamente com leite materno até os 8 meses, e por continuar amamentando parcialmente a partir de agora. continuo contando como está sendo a rotina, até que ele pare de mamar quando quiser ou até quando eu não aguentar mais :) (seja por saco cheio, seja por causa das mordidas do mocinho com 7 dentes)

sobre elogios aos filhos

recebi por email e achei tão legal que resolvi publicar!

ELOGIE DO JEITO CERTO

 Por Marcos Meier (*)

Recentemente um grupo de crianças pequenas passou por um teste muito interessante. Psicólogos propuseram uma tarefa de média dificuldade, mas que as crianças executariam sem grandes problemas.

Todas conseguiram terminar a tarefa depois de certo tempo.
Em seguida, foram divididas em dois grupos.

O grupo A foi elogiado quanto à inteligência. Uau, como você é inteligente!, Que esperta que você é!, Menino, que orgulho de ver o quanto você é genial! e outros elogios à capacidade de cada criança. 

O grupo B foi elogiado quanto ao esforço. Menina, gostei de ver o quanto você se dedicou na tarefa!, Menino, que legal ter visto seu esforço!, Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até conseguir, muito bem! e outros elogios relacionados ao trabalho realizado e não à criança em si.

Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira foi proposta aos dois grupos de crianças.   Elas não eram obrigadas a cumprir a tarefa, podiam escolher se queriam ou não, sem qualquer tipo de consequência.

As respostas das crianças surpreenderam. A grande maioria das crianças do grupo A simplesmente recusou a segunda tarefa.  As crianças não queriam nem tentar. Por outro lado, quase todas as crianças do grupo B aceitaram tentar. Não recusaram a nova tarefa.

A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos e nossos alunos. 

O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis. As crianças inteligentes não querem o sentimento de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso pode modificar a imagem que os adultos têm delas. Se eu não conseguir, eles não vão mais dizer que sou inteligente. 

As esforçadas não ficam com medo de tentar, pois mesmo que não consigam é o esforço que será elogiado. Nós sabemos de muitos casos de jovens considerados inteligentes não passarem no vestibular, enquanto aqueles jovens médios obterem a vitória.

Os inteligentes confiaram demais em sua capacidade e deixaram de se preparar adequadamente. Os outros sabiam que se não tivessem um excelente preparo não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e se aprofundaram melhor em cada uma das disciplinas.

No entanto, isso não é tudo.

Além dos conteúdos escolares, nossos filhos precisam aprender valores, princípios e ética. Precisam respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas. Não se consegue nada disso por meio de elogios frágeis, focados no ego de cada um.

É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso se faz com elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado.

Nossos filhos precisam ouvir frases como: Que bom que você o ajudou, você tem um bom coração, parabéns meu filho por ter dito a verdade apesar de estar com medo, você é ético, filha, fiquei orgulhoso de você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído como algumas colegas fizeram, você é solidária, isso mesmo filho, deixar seu primo brincar com seu videogame foi muito legal, você é um bom amigo.

Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança que tenderá a repeti-los. Isso não é tática paterna, é incentivo real.

Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual.

Que linda você é, amor, acho você muito esperto meu filho, Como você é charmoso, que cabelo lindo, seus olhos são tão bonitos. Elogios como esses não estão baseados em fatos, nem em comportamentos, nem em atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos.

Em breve, crianças como essas estarão fazendo chantagens emocionais, birras, manhas e charminhos. Quando adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e a fragilidade emocional estará presente.

Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos que crescem nas encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, pois cresceram na presença deles. São frondosos, copas grandes e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.

Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa.


*Marcos Meier é mestre em Educação, psicólogo, professor de Matemática e especialista na teoria da Mediação da Aprendizagem em Jerusalém, Israel.