o que não fazer com o bebê alheio

vi esse artigo no babycenter e decidi que eu precisava complementar a lista. pros que não lêem em inglês, traduzo os itens do artigo e adiciono os meus :)

- falar com os pais através do bebê: esse me irrita profundamente. quer me ver PUTA é façar pro bebê coisas do tipo “mamãe judiou do bebê? ahh, mamãe malvada!”. ódio, ódio!

- apertar as bochechas do bebê: nem preciso comentar né. apertar bebê é só pros muito chegados!

- deixar suas crianças perto demais ou deixá-las “pegar” o bebê: olha, esse também me irrita. você tem crianças? preste sempre atenção nelas, VOCÊ é responsável por dizer não, por impedir que sua criança seja chata, inconveniente e sem educação. crianças precisam de limites, e ninguém além de você é responsável por isso. se for preciso eu dou até peteleco, mas prefiro evitar :D

- tentar pegar o bebê do colo dos pais quando ele chora: afe, nem acredito que tem quem tente fazer isso. a nossa babá faz isso com a gente desde o início, mas obviamente com nossa autorização (ou melhor, com nosso APELO)

a minha lista tem mais umas coisinhas:

- por as mãos no bebê, beijar o bebê, pegar na mãozinha dele: olha, eu acho que isso só deve ser feito se os pais claramente deixam. e para bebês menores de 3 meses, NEM ASSIM. os bichinhos são frágeis, e cuidado nessa fase nunca é demais.

- visitar o bebê recém-nascido sem ter CERTEZA que os pais querem receber visita: descobri que há pessoas que visitam sem combinar antes, o que já é um absurdo, mas visitar pais com bebês recém-nascidos é sacanagem. a menos que você vá ajudar, não vá.

- dar comida/bebida que os pais não aprovam: ah, gente, eu acho um horror ter que falar isso, mas a especialidade dos meus pais enquanto avós é essa. talvez isso seja algo inerente a ser avô/avó, mas eu acho muito foda. tipo, você planeja toda a alimentação do seu filho com todo carinho, chega na casa da avó ela dá danoninho e cheetos. porra!

- dizer pra bebê/criança que ele não vai gostar de X ou Y: tem coisa mais “deseducativa” pra uma criança que afirmar, de antemão, o que ela vai ou não gostar? seja comida, bebida ou uma experiência, que tal deixar a criança decidir por si própria, sem sua intervenção?

- dar palpite ou opinião sobre roupa/cabelo/etc.: já disse aqui que acho medonho menino com aqueles cabelões tipo mogli-o-lobo, né? só que eu GARANTO pra vocês que quando eu encontro bebês/crianças moglis eu não falo pra mãe coisas do tipo “nossa, mas tá precisando cortar o cabelo dele, né?”. porra, a mãe que se entenda com seu filho, isso não é da minha conta. da mesma forma, o que passa na cabeça de alguém que reclama da cor que você usa na roupa do bebê ou do tipo de roupa? se não tem nada de bom pra dizer, cale a boca. melhor conselho ever.

melhor parar, senão vou ficar aqui até o fim da vida dizendo o que as pessoas não devem fazer :D a quantidade de comportamentos sem noção do povo por aí é infinita…

sobre gênero e esse mundo estranho

bem em linha com conversas que tenho tido com o fer e com a denize, esse texto aqui. trata-se da mania (que não tenho certeza que é só do brasil, não) de querer a todo custo salientar o sexo dos bebês, quando eles são ainda pequenos o suficiente pra sequer saberem que existem 2 gêneros.

quis saber o sexo do meu bebê o quanto antes, fiz inclusive o exame de sangue (sexagem fetal), tamanha era minha curiosidade. não direi que tanto fazia não: o fer queria uma menina, eu sempre quis um menino (ou melhor, sempre achei que teria um filho menino). em termos práticos, se fosse uma menina seria melhor porque queremos adotar nosso segundo filho (com sexo diferente do primeiro), e adotar meninos é bem mais fácil. mas era um meninão, e teremos que conviver com as dificuldades de adotar uma menina.

mas voltando: era mera curiosidade mesmo. na preparação do quarto dele e na compra das roupinhas (poucas, já que ganhamos quase tudo), nunca houve nada do tipo “isso é coisa/cor de menino” na hora de decidir. muito pelo contrário – sempre quisemos garantir que não houvesse essa chatice de cor de menino. o quarto dele é laranja e verde, com muitas outras cores misturadas.

mas as pessoas, gente. o que são as pessoas? uma insistência em comprar tudo azul e verde. nem laranja, lilás, roxo, vermelho. azul-e-verde. marrom, de vez em quando.

piorou quando ele nasceu: o menino tem uma cara de hominho que não dá nem pra disfarçar, mas basta botar uma roupa laranja, por exemplo, pra alguém perguntar “qual o nome dela?”. problema nenhum em confundir sexo de bebê, não me ofende nem nada (aliás, por que as mães se ofendem quando confundem o sexo do seu bebê?), mas me chama a atenção que as pessoas nem se dão ao trabalho de olhar a carinha do bebê, elas olham a cor da roupa!

bom, ok. aí a gente vai comprar coisas pro bebê (toalha, lençol, roupa, sei lá) e nas lojas a pergunta é sempre “é menino ou menina?”, e nossa resposta é sempre a mesma: faz diferença? sempre faz. é um drama pra conseguirmos ver coisas de cores “de menina”. costumamos comprar lilás, amarelo, laranja e mesmo rosa (a despeito da resistência das vendedoras!). adoramos usar rosa e roxo no otto, ele fica lindo. e continua com cara de menino (não que faça qualquer diferença…).

e, voltando ao texto, tem a história de furar orelhas das meninas. sou absolutamente contra. não só porque dói e é desnecessário, mas porque é algo que deve ser decidido pela menina, quando ela tiver idade pra isso. lá em casa, minha mãe não quis furar nossas orelhas, e diante da nossa insistência em furar quando crescemos, prometeu nos levar para furar quando completássemos 10 anos, se ainda quiséssemos. eu quis, e furei. minha irmã não quis, e furou bem depois. acho muito mais razoável e civilizado.

e tem a história dos cabelos, né gente. precisamos falar sobre isso: o que é essa história de deixar crianças (dos 2 sexos) com cabelos imensos, compridos? não é possível que só lá em casa que achamos que deixar criança com cabelo comprido é muito pouco prático e higiênico, além de ser muito feio (ok, de repente você acha bonito seu filho parecer o mogli ou sua filha parecer a bruxa do oeste. suit yourself).

crianças devem se preocupar em brincar, ser livres e aprender, e não a cuidar do cabelo. aliás, eles deviam se importar muito pouco com o próprio cabelo, tá claríssimo pra mim que encanação com comprimento de cabelo é coisa dos pais, mais especificamente das mães. que apego é esse ao cabelo, gente? e o culto aos cabelos compridos? vamos fazer as pazes com a rapunzel dentro de nós, por favor?

enfim, esse papo de gênero é uma chatice, e espero que consiga criar o otto sem essa encanação de cor de menina/cor de menino, ou que consiga neutralizar um pouco a pressão que ele vai receber de fora. e enquanto for eu que decido o corte de cabelo dele, sempre será curto, prático. rei leão, só no DVD.

amamentação: quando fui demitida

pois é. planejei tanto, ordenhei por 2 meses, esquematizei os horários pra poder trabalhar e amamentar, e no fim das contas quem decidiu mesmo como ia funcionar foi o otto!

quando ele chegou em casa, eu fiz um esquema de livre demanda mas com intervalo máximo de 2h a cada mamada de dia e no máximo 4h à noite. só no terceiro mês ele mesmo começou a espaçar um pouco mais as mamadas (3h), mas nunca deixei passar disso porque quando ele ficava com fome era um berreiro e demorava pra ele acalmar e mamar direito. preferi não arriscar e dar a teta logo, pro menino não ficar bravo.

ele sempre foi um bebê muito “objetivo” pra mamar – não enrolava no peito, mamava direitinho e largava quando não queria mais. a impressão que sempre tive é que o peito pra ele era mesmo comida, milk delivery :D ele fazia uma gracinha ou outra, mas quando estava satisfeito largava e não queria ficar de jeito nenhum.

quando ele começou a comer (que coincidiu com o nascimento dos dentes), percebi que o interesse pelo peito diminuiu. com 6 meses ele já tinha 2 dentes, com 7 meses já tinha 5 e com 8 estava com 7 dentes (e agora com 9 parece que estão vindo os caninos). quanto mais os dentes vinham, mais ele parecia faminto por comida mais que por leite. começou a mamar como “lanche”, parece, e começou a me morder. as mordidas no início eram tímidas, mas ele foi empolgando e mordendo forte, puxando, um horror. e achava a maior graça quando eu brigava com ele, o cachorro!

pois prestes a completar 9 meses as mordidas pioraram, e ele passou a recusar o peito de vez. aprendeu a dizer não do jeito dele (fazendo brrrrr com a boca), e bastava olhar pro peito e fazia brrrrr! se eu insistisse, ele mordia. a única forma de fazê-lo mamar era dormindo.

quando completou 9 meses ele realmente se recusou a mamar de manhã e à noite, e eu decidi que não tinha sentido em insistir. ele está comendo bem, e mama suplemento desde que completou 8 meses  — meu leite diminuiu muito, coincidentemente (?) depois que comecei a ordenhar no trabalho.

verdade é que ainda tentei um pouquinho, sempre que dava. mas a reação era a mesma: brrrr e mordida.

ok, bebê, entendi o recado. fui demitida da função de provedora de leite. com 9 meses decidiu que já era hora de largar a teta. tou vendo que a minha vida vai ser *super* fácil.

e como eu me senti? meio deixada de lado né :D mas nada dramático. o processo foi gradual, e partiu realmente dele. prefiro assim que um bebê mamando até os 2 anos e tendo que ser desmamado à força. por pior que seja, é sempre melhor ser demitida que demitir…

amor de mãe

esse é um assunto que, já percebi, também é tabu. a quantidade de mulheres que vejo por aí falando de “amor incondicional” e coisas afins é impressionante. mesmo na minha família, que é bem realista quando se trata de maternidade (nada de frescura), tem uma ou outra que às vezes solta coisas como “você agora descobriu o que é amor, não é?”.

já comentei aqui que não vejo em mim mesma esse tal amor incondicional, não. percebi – e desde que o otto saiu da barriga, nunca antes! – que o que existe sim é um sentimento de cuidado a qualquer custo. é um sentimento muito forte, como uma chave que liga dentro da gente: preciso cuidar dessa criatura, ela precisa sobreviver.

comentaram ali no último post sobre eu estar ficando cada vez mais explícita nas minhas demonstrações de afeto no diário do otto. não é coincidência: o amor realmente vai aumentando conforme a gente convive com a criaturinha!

pode ser que pra outras mulheres seja diferente, mas pra mim foi assim: o bebê na barriga era só uma idéia, eu nem arrisco dizer que havia amor (não me lembro de sentir isso); o bebê recém-saído da barriga era um desconhecido que eu precisava cuidar e proteger a todo custo; o otto hoje é uma criaturinha que eu conheço e amo, cada dia mais. reconheço sua personalidade, suas expressões faciais, as coisas que ele trouxe consigo “de fábrica” e as coisas que aprendeu nestes 9 meses. o amor que tenho por ele é infinitamente maior hoje do que há 9 meses. e tenho certeza que daqui a 9 meses será ainda maior.

não posso garantir como será em 20 anos. realmente não acredito que amor de mãe é incondicional. digamos que ele seja uma má pessoa, por exemplo, não sei se o amarei da mesma forma. provavelmente o instinto de preservá-lo permaneça, mas o amor… não sei. conto em 20 anos, se for o caso :)

talvez a coisa mais incrível de ser pai/mãe seja esse amor que se constrói no dia a dia, aos poucos e que milagrosamente aumenta. é uma paixão que, por enquanto, não arrefece. mesmo com as dificuldades, o cansaço e o saco cheio (que são boa parte da jornada), o amor tá ali, firme e forte.