amamentação: quando fui demitida

pois é. planejei tanto, ordenhei por 2 meses, esquematizei os horários pra poder trabalhar e amamentar, e no fim das contas quem decidiu mesmo como ia funcionar foi o otto!

quando ele chegou em casa, eu fiz um esquema de livre demanda mas com intervalo máximo de 2h a cada mamada de dia e no máximo 4h à noite. só no terceiro mês ele mesmo começou a espaçar um pouco mais as mamadas (3h), mas nunca deixei passar disso porque quando ele ficava com fome era um berreiro e demorava pra ele acalmar e mamar direito. preferi não arriscar e dar a teta logo, pro menino não ficar bravo.

ele sempre foi um bebê muito “objetivo” pra mamar – não enrolava no peito, mamava direitinho e largava quando não queria mais. a impressão que sempre tive é que o peito pra ele era mesmo comida, milk delivery 😀 ele fazia uma gracinha ou outra, mas quando estava satisfeito largava e não queria ficar de jeito nenhum.

quando ele começou a comer (que coincidiu com o nascimento dos dentes), percebi que o interesse pelo peito diminuiu. com 6 meses ele já tinha 2 dentes, com 7 meses já tinha 5 e com 8 estava com 7 dentes (e agora com 9 parece que estão vindo os caninos). quanto mais os dentes vinham, mais ele parecia faminto por comida mais que por leite. começou a mamar como “lanche”, parece, e começou a me morder. as mordidas no início eram tímidas, mas ele foi empolgando e mordendo forte, puxando, um horror. e achava a maior graça quando eu brigava com ele, o cachorro!

pois prestes a completar 9 meses as mordidas pioraram, e ele passou a recusar o peito de vez. aprendeu a dizer não do jeito dele (fazendo brrrrr com a boca), e bastava olhar pro peito e fazia brrrrr! se eu insistisse, ele mordia. a única forma de fazê-lo mamar era dormindo.

quando completou 9 meses ele realmente se recusou a mamar de manhã e à noite, e eu decidi que não tinha sentido em insistir. ele está comendo bem, e mama suplemento desde que completou 8 meses  — meu leite diminuiu muito, coincidentemente (?) depois que comecei a ordenhar no trabalho.

verdade é que ainda tentei um pouquinho, sempre que dava. mas a reação era a mesma: brrrr e mordida.

ok, bebê, entendi o recado. fui demitida da função de provedora de leite. com 9 meses decidiu que já era hora de largar a teta. tou vendo que a minha vida vai ser *super* fácil.

e como eu me senti? meio deixada de lado né 😀 mas nada dramático. o processo foi gradual, e partiu realmente dele. prefiro assim que um bebê mamando até os 2 anos e tendo que ser desmamado à força. por pior que seja, é sempre melhor ser demitida que demitir…

6 thoughts on “amamentação: quando fui demitida

  1. Oi Zel!

    Pois é, a gente lê, estuda, se informa, sabe o que é certo, mas a verdade é que os filhos, desse tamanhico, acabam mandando em mais situações do que a gente gostaria…..como pode um ser que não fala e não caminha tomar tantas decisões, né?! haha.
    Às vezes acho que a tal “personalidade forte” nada mais é do que birra, mas às vezes bem que me surpreendo!
    Bjs. Sabrina.

  2. Pois é, Zel, acho que estou ganhando o aviso prévio…
    O mocinho não para mais quieto pra mamar. Mama um pouquinho, vira de costas pra mim! Senta no meu colo, quer descer… Tento colocá-lo de novo na posição, faz força pra não ir, chora!
    Acho engraçado os médicos insistirem tanto que “tem que amamentar” até no mínimo 1 ano. Mas as criaturas é que não querem! Não é a gente. Não estou fazendo dieta, nem malhando, amamento ainda de manhã e de noite durante a semana, e em livre demanda no findi – além das refeições; nada que justifique ele não querer mais, a não ser que ele acha que tem coisa mais interessante pra fazer! Magoei! 😉 Bjs!

    • hahahaha, danielle, eu também magoei. mas aceito que as coisas acontecem como devem acontecer, eu estava disponível e ele quis parar (tenho leite ainda, 2 meses depois de parar!). e ele tá ótimo, viu? e o vínculo comigo é super forte, mesmo eu não sendo o tipo de mãe-grude, e trabalho o dia todo fora. ou seja: não encane com radicais e com regras. regra só funciona no papel, amiga 🙂

      beijo!

  3. Eu fui obrigada a desmamar a minha filha quando ela tinha 1 ano e 3 meses: tive uma crise severa de hérnia de disco cervical e com a medicação, tarja preta, a coisa toda foi inevitável. Não pude fazer o desamame gradual, como eu queria. Embora ela já estivesse se alimentando normalmente, ainda mamava ao acordar e ir dormir. Ela passou uma semana “de mal” comigo: quando estava nos braços ou do pai ou da babá e eu chamava, virava as costas. Dava pra perceber claramente que ela estava magoada. Mas passou, felizmente.

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