a educação para o mundo

desde sempre ouvi por aí que “devemos educar nossos filhos para o mundo”. como me parece simplesmente bom senso, assumi que todos os pais se preocupariam com isso e, ora, educariam seus filhos “para o mundo”. talvez o óbvio e o bom senso não sejam tão óbvios assim, porque o tempo todo me deparo com pais excessivamente permissivos (ou ausentes, ou ambos ao mesmo tempo!) e filhos totalmente despreparados “para o mundo”. não, é pior do que despreparados, eles são péssimos contribuidores para um mundo já caótico, com recursos escassos e cheio demais.

a mim parece claro que vivendo num mundo com essas caraterísticas — superpopulado e com recursos escasseando — devíamos nos preocupar em cultivar e ensinar a gentileza, o cuidado com o excesso, o aprendizado do respeito pela natureza e pelo próximo, a paciência para lidar com as inúmeras frustrações que teremos pela frente, cada vez mais.

o que se vê pela rua, pela vida, aos montes, é o inverso: pessoas rudes (e nas redes sociais ainda mais, protegidos atrás dos seus teclados), desperdício, condescendência com a falta de educação, indulgência e a muleta do “isso não é problema meu”.

no que diz respeito à educação de crianças, como disse em outro post, o que realmente me choca não é crianças serem crianças e testarem os limites dos adultos, mas os adultos permitirem sem dizer NÃO. crianças gritam e fazem bagunça em locais que não são sua casa, desrespeitam ordens diretas e os pais não dizem não! às vezes simplesmente se omitem (porque de fato CANSA dizer a mesma coisa o dia todo) ou inventam desculpas para a falta de disciplina (“ela é muito agitada, sabe?” ou “ele tem muita energia!”).

disciplina é uma habilidade essencial para absolutamente tudo na vida. por mais que se escolha não ser disciplinado em qualquer momento, é preciso que essa habilidade seja ENSINADA. se alguém quiser optar por ser indisciplinado de forma consciente, que arque com as consequências (e isso também precisa ser ensinado).

que bem para o seu filho e para o mundo estará fazendo o pai/mãe que se exime de ensinar disciplina, respeito pelo espaço do outro e que sempre haverá consequências para a falta de respeito, a desorganização, a grosseria?

gostei muito deste artigo que compara mães francesas às mães americanas, justamente porque fala sobre ensinar paciência, disciplina, respeito, com muita firmeza. dentro dos limites (que são frequentemente aqueles estabelecidos pelos outros seres humanos ao redor), podemos ser livres. ser livre, criativo e “energético”, não é sinônimo de ser inconveniente e cheio de vontades à revelia dos demais.

brasileiros (latinos, talvez?) são ainda mais permissivos que americanos com suas crianças. vivemos na ditadura dos pequenos, temos que nos submeter à vontade deles e aos seus comportamentos inconvenientes porque “são crianças”, afinal?

não creio que esse seja o melhor caminho. talvez seja o mais simples, o que dá menos trabalho. ou que nos faça sentir menos culpados, já que passamos boa parte do dia longe dos nossos filhos e queremos compensar.

quando me bate a preguiça ou a culpa quando preciso ser firme com meu filho (e sei que ele vai ficar triste), penso que estou ajudando sua versão futura a ser mais sociável e feliz, que ele sofrerá menos com as frustrações muitas que certamente virão, vivendo neste mundo cheio de gente e dificuldades.

não sou mãe francesa, eu sei, mas vou me esforçar muito pra ser cada vez mais. com firmeza e muito amor.

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