intuição my a$$

eu já não acreditava em intuição como algo sobrenatural antes de engravidar e ser mãe. quando a gente ainda não é mãe, sempre tem alguém pra dizer “quando você for mãe, vai entender…” ou “ah, quero ver quando o bebê nascer! você vai mudar”.

não mudei nada. continuo achando que intuição não é sexto sentido, continuo achando chato cuidar de crianças. amo o otto de todo coração e gosto de ficar com ele, brincar e tal, mas simplesmente porque ele é meu filho e tudo que ele faz me interessa e é lindo. todas as demais crianças eu continuo achando legais nos 10 primeiros minutos e depois já quero um drink :D

mas voltando à questão de intuição, achei essa matéria sobre como funciona o pressentimento, e achei muito legal. confirma o que sempre acreditei: intuição ou pressentimento nada mais são que nosso cérebro reconhecendo sinais não verbais antes da nossa consciência. e mulheres são especialmente boas em captar sinais não verbais, creio que até como especialização evolutiva, afinal somos nós que cuidamos dos bebês, que passam anos sem se comunicar verbalmente de forma eficiente. essa nossa habilidade (nada sobrenatural, inclusive) é tão somente uma evolução do que funciona melhor.

mas isso não significa, em absoluto, que todas as mulheres são intuitivas e muito menos que a intuição funciona 100% por si só. uma das coisas mais importantes e essenciais na evolução e dominação do ser humano como espécie é o acúmulo de conhecimento e principalmente a propagação dele para as gerações futuras. o conhecimento se propaga de várias formas, de geração a geração: escritos, vídeos, arte, etc. mas principalmente através da cultura, dos conselhos dos mais experientes. ou seja: precisamos de ajuda, de conselhos, do conhecimento adquirido pelas gerações anteriores. o conhecimento nos dá as opções e a intuição pode nos direcionar para decidir o que vamos fazer.

estou certa de que usar a intuição sem conhecimento é pouco eficaz. por isso me incomoda muito essa onda de “volta às origens” exaltando a intuição e o “natural” como a coisa certa a fazer. até porque as mães-odaras-cheias-de-energia-positiva-e-intuição-aguçada esquecem que viver em grupo e usar os conhecimentos das gerações anteriores é que é “natural”. um casal (2 pessoas) criar filhos sozinhos, no contexto e história da espécie humana, é completamente antinatural. ouvir conselhos, receber ajuda, dividir a carga de criar uma criança com mãe, avó, irmãs, amigas é o que mais se aproxima da forma “natural” de criar crianças.

sim, faça sempre o que “sentir” que é a melhor coisa para o seu filho, pra você e sua família. mas não deixe de ouvir conselhos e procurar ouvir o que outras pessoas mais experientes têm a dizer, antes de decidir. nem que seja do seu XAMÃ :D

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