opostos e frases

como é típico da idade, o otto já aprendeu alguns opostos (sem que a gente percebesse): quente/gelado (apesar de confundir os 2); pesado/leve; dentro/fora; em cima/embaixo.

e está arriscando cada vez mais frases, como “num tem mais nada!”, “qué shalada”, “põe cóqui” (crocs <3), “andá iquéta, papai” (a bicicleta, que ele ama), “pa casinha” (quando está cansado). um pouquinho por dia ele vai colocando mais palavras no vocabulário, e arriscando mais e mais.

ele também aprendeu a falar “ai, mãe!” com um tom meio bufante, de adolescente, que é hilário. ele não sabe porque achamos tanta graça, e espero que demore a entender o significado da expressão 🙂

a lembrança dos nomes das pessoas, e amigos, é frequente, como uma repetição de ensaio. todo dia ele lembra: “amigo… ” e começa a lista de pessoas e bichos que ele gosta e lembra. uma fofura ele falando “manuela, gigio…”, os cachorros que ele vê todo dia a caminho do parquinho.

comprei pra ele um tapete de EVA com letras (não achei um de números), e achar as letras, tirar e encaixar é a nova diversão. ele pede: “o jota! o tê”. e brinca de “ler”, qualquer texto que vê. ele olha textos, coloca o dedinho como quem lê e fala “a-e-i-o-u” ou repete o nome do livro de histórias que lemos toda noite… uma fofura!

as primeiras frases, e a cabecinha com ideias

o otto entendeu o que é “amigo” (ou seja — alguém que ele gosta muito, ou coisa parecida), e agora repete os nomes dos amigos com frequência, como para relembrar. vira e mexe ele fala dos “amigos”: prego (pégo, o jardineiro), cáudia (a letti), maína (a marina da letti), obéito (roberto, marido da letti). é, ele ama a família toda 🙂

mas uma noite dessas ele estava deitado comigo, já no escuro, hora de dormir, depois de um dia intenso de brincadeira na casa de um amigo que tem 3 filhos: andré (8), julia (6) e helena (3). e começou o seguinte diálogo:

o: “amigo! andé… juila… quem maish?”

(eu em silêncio, não respondi. sou partidária de não dialogar depois de dar boa noite)

o: quase senta na cama, coloca o dedinho na têmpora e fala pra mim “pensha!!!”

derreti, claro, e apertei muito o menino 🙂

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essa semana ele disse a primeira frase completa, olhando um desenho de barquinho de papel (que minha sogra faz pra ele sempre que encontra): “vovó malu… fez… po Otto!”

<3

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e agora está se soltando mais com frases curtas, como “ábi pa mim” (a porta), “tomá banho” e a mais nova, no meio da noite ele acorda, chama o pai e fala “fálda. vazô.” (e quer que troque).

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ninguém pode mais ficar sentado, agora, que ele pega pela mão e chama: “venhanta!” 🙂

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como se a fofura geral da idade não fosse suficiente, ele agora só chama a tia paula de “paulinha”. assim, direitinho, o dia todo. “fêm, paulinha!”.

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as coisas mais fofas que ele fala nessa idade acontecem na hora de dormir. temos uma rotina muito bem definida há muitos meses, que começa com o banho (que pulamos às vezes nos dias muito frios), pijama, escovar os dentes, beber água, ler o livro e deitar.

o pai inventou uma brincadeira com os livros disponíveis (são 2), ele chama as opções de cardápio, e agora ele se refere à hora da leitura como “ápio”. o pai lê o nome do livro e o nome dos 4 autores (franceses), e ele acha o máximo! repete do jeito que consegue, e morremos de rir com a pronúncia (muito boa, aliás) dos nomes franceses.

f: — otto, quantos autores tem esse livro?

o: — qáto!

f: “valeRRí vidô…”

o: vidô!

f: “… cateRRíne tessandiê…”

o: sandiê!

f: “láuRRe baliancuR…”

o: cuRrrrr!

f: e “guiléRme tRanói”

o: tanói!

e aí é o festival de folhear o livro procurando os bichos que ele prefere, e nomear e contar cada um. contar as histórias que é bom, já desisti. agora só invento alguma coisa em cima do desenho do livro, pelo tempo que ele permite que paremos em cada página.

porque, afinal, pra quê regras? saltitamos pelos bichos, rimos juntos dos nomes, brincadeiras e pronúncias até a hora de deitar e finalmente dormir.

é a hora mais deliciosa do meu dia, sem sombra de dúvida.

o poder do verbo

o menino já se comunicava com a gente antes de falar, é verdade. mas é muito mágico expressar-se verbalmente, além de ser muito interessante observar como revelamos nossa personalidade através da fala. estou lendo um livro muito interessante sobre o desenvolvimento neural de bebês e crianças (coloco link depois) que explica como a linguagem estruturada é uma característica da nossa espécie e que, salvo exceções, todos nós dominamos a linguagem em algum momento, pois nosso cérebro já vem preparado pra isso.

depois de mais ou menos 1 mês de iniciar o processo de falar, o otto ensaia conexões entre as palavras e o uso de palavras fora do contexto óbvio. essa mudança é espantosa, apesar de sutil.

pra quem nunca acompanhou o desenvolvimento da fala de um humano, eu explico o quanto é interessante esse processo:  tudo começa com uso de palavras soltas, repetições de palavras que outras pessoas falam ou objetos/pessoas tangíveis, ou seja — tudo muito primitivo. mamã, água, au-au, pé. aos poucos se percebe a inserção de elementos mais subjetivos na fala, e a apropriação de verbos, mesmo que sem conexão com outras palavras. esse salto é incrível, pois a criança deixa de simplesmente repetir palavras ou verbalizar algo tangível e passa a expressar ideias próprias (“aúma” a bagunça), memórias (ouve uma música e lembra da “vovó vera”) e conceitos abstratos (“fuzí”, ameaçando sair correndo pra fugir da hora de dormir).

suponho que o próximo passo seja conectar o que é concreto com verbos, ideias, pessoas, e começar a formar frases complexas. ele começou a formar microfrases, em geral dando ordens (o imperativo definitivamente é o tempo verbal preferido dos bebês!): “aía, fêm!” (chamando com as mãozinhas)

já não consigo mais contar todas as palavras que ele fala, e nem me interessa a quantidade, pois agora finalmente é possível entender — através da expressão verbal, mesmo que truncada — os caminhos sinápticos do menino. agora é simplesmente uma questão de exercício fonético, estabelecimento de conexões e repertório.

o que me espanta neste momento é, diante da limitação do aprendizado tão ainda incipiente, a capacidade de flexionar verbos corretamente. ele ordena “apaga”, e quando apagamos, diz “apagou”; mas quando é ele quem apaga, diz “apaguei”. chega ao cúmulo de usar corretamente o verbo fazer. “otto, fez cocô?” e ele responde “fiz!”. outro dia vui a tia saindo de fininho (fugindo dele) e falou “fuzindo!”

não é que ele não erre as palavras, e confunda tudo (como achar que “eu” designa o outro, já que todos se referem a si mesmos como “eu”), mas muito frequentemente ele usa os verbos corretamente. mas confunde letras, e às vezes me parece que modifica certas palavras simplesmente porque acha legal — piábo, bocóli (ele já falou direitinho “quiabo” e “brócoli”).

a verdade é que é tão bonitinho ver as palavras sendo ditas do jeito todo especial daquele bebê que acabamos incentivando o erro, eu sei.

ele agora conta direitinho até quinze (mas sempre pula o DOZE), e está ensaiando mostrar os dedos quando conta. aprendeu algumas cores, mas não sabe o que é COR. ele pega o giz vermelho e diz “vemêlho”, “amarelo”, mas se perguntamos “que cor é essa?”, nos olha espantado com cara de ué, e pede o “maôm” pra rabiscar alguma coisa.

ele identifica as figuras geométricas mais simples (e que fazem parte dos brinquedos dele de encaixar), “tiângulo”, “qadádo” e “bola”. pede pra desenhar tudo: as figuras, “úa” e “estêla, estelinhaaaa”, vários bichos, e manda a gente fazer tudo. “aúma”, “ímpa”, “ábi”, “fecha”, “fêm”, “anda”, “cóe” (corre), etc.

contando sozinho!

o vocabulário do otto vem se expandindo, semana a semana, e com 1 ano e 9 meses ele ainda não formava frases mas já explorava bastante as palavras.

coruja e caramujo são UUÚ; gá-tô; au-au; am-bá (saruê); o morcego é IR, graças ao morcego moacir de pelúcia; rato-pato (que é um personagem da história de dormir) é ATO-PÁ; pa-tô; co-có; ovelhinha é BÉ-É-É; o único animal ele fala PERFEITO é águia.

muitas das explorações de vocabulário dele têm a ver com pessoas, e — FINALMENTE! — neste mês ele começou a falar direitinho mamãe, mãe e MAMI! <3

além de aía, que é a maria, a babá, e pau que é a tia paula, ele fala artá (marta, que ajuda com a limpeza da casa), vovó véa, vovó lu, tia, pé-go (prego, o jardineiro que ele ama) e kito (tio). os verbos aparecem aqui e ali, mas sempre e principalmente qué (quer), ábi (abre), papá (comer ou comida), naná (dormir), mamá (mamar). e tem chulé, janjão (o camaleão de brincar no banho), ága (água), aqui (sempre apontando, pra dizer exatamente ONDE), úa (rua) e uá (lua), EU (que muitas vezes significa outra pessoa :D ), ábo (rabo, seja de bicho seja de cabelo).

a fofura maior é ele chamando a si mesmo de otto, apontando pra barriguinha! “quem tá fazendo bagunça?” “OTTO!”, aponta.

não sei se isso é comum nesta idade, não convivemos muito com crianças, mas ficamos impressionados porque ele aprendeu a contar e falar os números, “sozinho” (sabemos que ele aprendeu com alguém, mas não teve intenção da nossa parte tipo “vamos ensinar o menino a contar”). ele mostra os dedinhos quando conta (uuum — 1 dedinho; dôsh — 2 dedinhos com o maior esforço). o tês e cáto ele fala e não faz dedinhos. mas conta “uuum, dôsh IIIII XÁ!” (1, 2 e já), e se joga, enfim, faz alguma ação depois do JÁ 😉

no meio das brincadeiras ele viu 2 gatinhos no livro e disse: “ga-tô. uuum, dôsh!” e mostrou 2 dedinhos! e logo depois mostrou a mãozinha (“uuum”), a outra mão (“ooô” — outra) e mostrou 2 dedinhos (“dôsh!”). mesmo sem nossa intenção de ensinar a contar, ele entendeu como funciona e achou legal :)

torneirinha de asneiras

depois de meses de apreensão e aquela sensação de “será que tem algo de errado com meu filho”? o otto começou a falar. relendo os diários mensais dele, acho que ele começou bem antes, mas graças às nossas expectativas irreais sempre achamos que ele ainda não falava.

independente de quando foi a primeira palavra de verdade, foi com 1 ano e 7 meses e 3 semanas que ele finalmente ofereceu 1 palavra voluntariamente, “pé”, e daí passou a tentar realmente se comunicar com palavras. vamos daí.

criei essa categoria tagarela na tentativa de registrar a fofura que é essa fase da descoberta da linguagem. sei que essa fala ainda vai ficar muito mais divertida e complexa, mas essas primeiras semanas de palavras e experimentos verbais são incríveis, além de muito divertidos.

é possível que haja momentos mais fofos, mas confesso que por enquanto essa é a fase que achei mais linda do otto!

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suas primeiras palavrinhas na fase tagarela: pé (é pé mesmo e ipad também), mão (o ã é super engraçado!), chão (muito frequente, quando quer que a gente deixe ele solto andando), có (colo), tetê (chupeta), pão, papai, tia, pau (paula), aía (maria), qué, não, roXão (rojão), dirigí (adora sentar no banco do motorista no colo do papai quando estacionamos na frente de casa!), xixi, cocô, pum, pepé (papel), iX (lixo), papá, fofô (vovô), ogr (ogro).

diário do otto: 1 ano e 10 meses

otto,

esse mês foi, de longe, o mais interessante e legal desde a sua chegada. você começou a falar há apenas 6 semanas, e é simplesmente inacreditável o que aconteceu entre a primeira palavrinha (“pé”) e a situação atual. já não é mais possível contar quantas palavras você fala, seja por repetição (o que é engraçadíssimo, você ouve uma palavra nova e repete-repete-repete) ou por elaboração da sua cabecinha mesmo.

é curioso como você ainda não fala frases completas, só combinações de 2 ou no máximo 3 palavras, mas consegue flexionar verbos da forma correta (apaga; apagou; apaguei; fugi, fugiu, fugindo!) e aprendeu a contar (2 e 3 coisas) sem que a gente percebesse desde o mês passado. você sabe repetir os números até 15, na ordem certinha e pronúncia super fofa, mas é só uma lista de números relacionados a quantidades; a contagem de 1, 2 e 3 você já SABE o que significa. é verdade que aqui em casa gostamos de números, e de contar, e talvez sem perceber tenhamos ensinado você, mas juro que não foi proposital. depois dessa 1a vez da “contagem”, achamos tão fofo que começamos a brincar de contar até 10, até 15 e você se diverte bastante, então vamos continuar 🙂

você também gosta de a-e-i-o-u (adora repetir em voz alta, e vira e mexe anda pela casa repetindo), e tem se divertido especialmente desenhando no papel ou na lousa/adesivo que colocamos no seu quarto. você reconhece o “desenho” do seu nome e pede pra gente desenhar O-T-T-O. o mais bonitinho é que você gosta da bolinha, e fica tentando desenhar bolas imitando os Os! desenhar é uma das coisas que você mais gosta de fazer, além de ler livrinhos, bagunçar as coisas jogando tudo pelo chão (“baguncha!”, você mostra com as mãos abertas, num tom indignado. imitando QUEM, eu pergunto?), varrer a casa com a “ashôra”, limpar com “apá”, regar as plantas (“plantiiiiinha”), e a maior alegria de todas, que é “pasheá! úa! paquinho!”. a coitada da sua babá passa boa parte do dia com você no mato, na areia e fazendo bagunça pelos parquinhos do condomínio. e nos fins de semana, o papai leva você passear de bicicleta, e você também adora.

esse mês foi muito difícil, pois você passou 2 semanas dormindo MUITO mal. foi quase tão difícil quanto o comecinho da sua vida, quando passávamos a noite em claro. você acordou várias vezes nestes dias chorando e chamando “mamãeeeeee” e a gente simplesmente não consegue deixar você chorando. levamos você pra nossa cama, e fico lá juntinho até você dormir de novo. só que nestes dias, cada vez que você acordava, chorava e não sossegava enquanto eu não pegava você. na cama, estava muito difícil também: você chutava, rolava, reclamava, a mamãe estava querendo ligar pro disque-saruê de novo 🙂 mas finalmente melhorou, há 2 dias, e espero que estabilize por um tempo. durante o dia você agora só dorme depois do almoço, cerca de 1h e meia.

você teve um pouquinho de febre alguns dias, e a pediatra que examinou você disse que seu ouvido estava um pouco infeccionado. esperamos passar, e pelo jeito passou e melhorou sozinho. ufa! fora isso, tudo nota 10 com sua saúde.

a alimentação continua ótima, ainda não encontramos nada que você se recuse a comer. esse mês você esteve especialmente apaixonado por vagem (tipo salada), e comeu loucamente. além dos amados “piábo” e “bocóli”, que você continua comendo muito. sempre que está em casa, damos sua comida separada (é a mesma que a nossa, só que sem sal), mas quando estamos na rua ou não temos sua comida pronta, você come a nossa comida normalmente, não recusa nada nem dá trabalho. você ainda não come doces, bolachas, sobremesa e nem nada industrializado de forma geral. mas quando a gente come algo desse tipo que não seja muito trash, damos pra você experimentar (chocolate, bolacha, salsicha, por exemplo). refrigerante e bolachas recheadas nós nunca demos e nem daremos, porque achamos que é trash demais. aliás, você não liga pra suco (só toma água) e realmente não se interessa por doces em geral (só bolo-de-bolo, daqueles caseiros, que você adora. cobertura e recheio você normalmente não gosta). o leite você toma 3x por dia (quando acorda, à tarde e a mamadeira do meio da noite ainda permanece).

falando em doces e comidas, você escova os dentinhos 2x por dia, uma graça! aliás, desde que nasceram seus primeiros 2 dentinhos a gente escova seus dentes, e você se diverte bastante. escovamos sempre depois do almoço e antes de dormir. adaptamos a musiquinha do “lava, lava, lava / uma orelha outra orelha” do palavra cantada pros dentinhos: “escova, escova, escova / um dente outro dente” e você AMA. aliás, você pega a escova e já começa a cantar (e agora a dançar também :D), pedindo pro papai cantar E dançar DE PÉ (sentado não serve). coisa mais fofa!

neste mês que passou visitamos o rio de janeiro com você pela primeira vez, e foi bem legal. você conheceu os melhores amigos da mamãe e do papai por lá, a claudia letti + família e dani/felipe e meninas (além da verônica, amiga da mamãe de longa data). você gostou de todo mundo e foi um príncipe, mas sua paixão foi a marina. até hoje você fala da “mariiiina”, e lembra da “claudjia” e do “obérto”. passeamos, comemos fora, visitamos pessoas, tudo muito tranquilo apesar de cansativo, claro.

você tem agora interagido muito com todos ao redor, reconhece todo mundo da família e os amigos mais próximos (vê as fotos e fala os nomes, muito fofo) e está mais sociável que nunca. temos muito orgulho de você, meu menino, especialmente porque você tem se mostrado cada dia mais esperto, sem-vergonha e muito muito feliz. a mamãe e o papai apertam MUITO você o tempo todo, e ficar com você tem sido uma delícia.

um beijo cheio de amor da MAMI.

PS: veja aqui as fotos de você com 1 ano e 10 meses.