o desfralde, essa merda :)

ah, a beleza do desenvolvimento humano! uma das coisas mais interessantes de se tornar pai/mãe/cuidador é aprender que somos resultado de anos de treino e aprendizado, que coisas tão corriqueiras e automáticas para adultos quanto fazer cocô e xixi na privada, usar papel higiênico e lavar as mãos foram aprendidos em algum momento. é meio óbvio que não nascemos sabendo essas coisas, mas como esquecemos o processo de aprendizado, é espantoso acompanhar cada pequeno passo pelos olhos de quem ensina. e perceber (não sem ganhar um pouco de humildade, com sorte) que um dia nós também não soubemos como fazer cocô e xixi na privada. kudos para meus pais, parentes e professores, que me ajudaram nesse aprendizado tão essencial e para o qual até este momento eu nunca tinha dado bola.

(o mesmo vale para o processo de aprendizado da linguagem, mas isso é assunto pra outro post)

em meados de janeiro (otto estava com 2 anos e 4 meses, 28 meses) iniciamos o processo de desfralde, por alguns motivos/sinais: ele começou a ficar resistente a colocar fralda; ele comunica bem o que quer/não quer, viabilizando o processo de aprendizado; ele se interessa pelo cocô e xixi, dar descarga, etc.; ele começou a procurar “privacidade” ao fazer xixi (e em especial o cocô). todos os lugares em que li sobre o assunto indicam que esses são bons sinais de que ele está pronto para iniciar o processo. mas…

… são 2 meses de tentativa, e o processo está lento. iniciamos tirando a fralda, contando pra ele que íamos começar a fazer xixi na privada (ou nas plantinhas, ou no ralo do chuveiro…), “que nem o papai” (que teve que voltar a adotar o xixi de pé, que ele não costuma fazer em casa, por pura conveniência — sentar é mais prático e não tem risco de sujar nada :D), e cocô também. desde muito pequenino acostumamos a dar tchau pro xixi e cocô (jogamos na privada, quando a consistência permite), então é um processo que ele já conhece.

bem, o xixi de pé ele amou, claro. mas só agora, depois de 2 meses, ele percebe em 50% das vezes que precisa fazer xixi e pede. os outros 50% ou somos nós que insistimos (e ele resiste, sempre) pra tentar fazer ou ele faz na calça mesmo. uma coisa que fazemos desde o começo (e é mais difícil do que parece) é não reagir mal quando ele faz xixi ou cocô na calça, no chão, enfim. procuramos lidar com naturalidade, explicar que tá tudo bem, que quem sabe na próxima vez ele lembra de pedir, etc. quando é xixi, deixo ele com a cueca/short molhado um tiquinho (pra perceber o molhado, o que aconteceu) e aí troco. o cocô não tem jeito, tem que ser imediato mesmo.

em relação ao xixi sentimos progresso, ele já segura por um bom tempo e algumas vezes pede pra fazer. o cocô, por outro lado, o progresso é zero — ele nunca pediu pra fazer e simplesmente não aceita sentar e “tentar”, nem no penico e nem na privada com o redutor. ele parece preferir fazer cocô em pé ou agachado, e sentar é um problemão. aí é isso: cocô sempre na calça, apesar de ser sempre nos mesmos horário e percebermos quando vai rolar e tentar convencê-lo a sentar e fazer na privada/penico.

não sabemos o que fazer quanto a isso, e não queremos que ele se chateie com o processo, então vamos deixando e limpando muita roupa, e o chão, quando escapa. consultando amigas, nos disseram que para o cocô o controle dos esfíncters realmente precisa estar mais desenvolvido, então nos resta esperar e continuar tentando. uma amiga mencionou tentar ver se ele topa fazer cocô agachado, no penico. nunca tentei, vou tentar essa semana. e também recomendaram deixar ele brincar de subir escada e andar de bicicleta/velocípede, que ajuda a fortalecer e desenvolver a musculatura da região. vamos tentar também, e ver o que acontece.

enquanto isso, nos deparamos com situações como a de ontem, em que ele estava tomando banho de banheira comigo e agachou. eu desconfiei, e perguntei mil vezes se ele não queria tentar fazer cocô na privada, porque “no banho não pode, o cocô não toma banho com a gente, e blá blá blá”, e ele se recusou. até que ele vira e me diz “o otto NÃO fez cocô!” e lá vem o COCOZÃO boiando ao nosso redor… 😀

aí imaginem a correria pra sair da banheira, lavar os 2 (sorte que o cocô dele é bem firme, o prejuízo foi mínimo), se livrar do cocô (parabéns, papai, o pescador de cocô!), lavar a banheira com água escaldante, etc. e no processo todo, ele acompanhando e achando o máximo observar o cocô dele lá, na banheira. quis dar tchau, ajudar a limpar e tudo o mais.

a maternidade não é super divertida? 🙂 imagino que lindo deve ser o processo de ensinar a criança a se limpar sozinha… looking forward to it (NOT)

**

e aí ouço as histórias de desfralde mais lindas do mundo, como um amigo cuja filha com 1 ano e meio (!) que pediu para tirar a fralda, por conta própria. e nunca mais usou, sem NENHUM incidente. inclusive à noite (ela acordava os pais pra fazer xixi no meio da noite, percebam o nível). e morro de inveja, né.

a propósito, todo mundo me disse que meninas desfraldam mais rápido que meninos, não sei se é lenda, mas no geral somos mais rápidas em tudo, não? 🙂

**

DICAS SÃO BEM-VINDAS. PLEASE.

9 thoughts on “o desfralde, essa merda :)

  1. Zel,
    me sinto “autorizada” a dar pitaco nesse assunto…já comentei por aqui, mas agora fazia um tempo que não aparecia, apesar de continua acompanhando o blog.
    Bom, tenho um casal de gêmeos e, sem querer generalizar (já generalizando), com a minha filha foi a coisa mais fácil do mundo! Em uns 4 dias eu já tinha tirado tudo (dia e noite, prá cocô e xixi) e nunca tive problemas (um ou outro acindente, normal), mas com o menino foi um terror! Aconteceu a mesma coisa, ele aceitou fazer xixi em pé, como o pai, mas não queria sentar no vaso de jeito nenhum prá fazer o “n.º 2”! Foram mais de 10 meses (!!!) nessa função, às vezes achava que tinha melhorado e qualquer coisa desencadeada uma nova regredida….às vezes ficava 4 dias sem “ir aos pés”, daí doía, e assim começava um ciclo vicioso (tranca-dói-nãoquerfazer). Eu estava procurando uma psicóloga para buscar orientação e tchan, tudo se resolveu, da noite para o dia! Eu ainda fiquei esperando uma recaída, mas nunca mais tivemos problemas. Quanto ao banho, a musculatura toda relaxa e realmente acontecem esses contratempos (nojentos), mas é melhor fazer do que trancar mais tempo. Eu só posso te dizer uma coisa: MUITA paciência! Além de conversa – quem sabe alguma música – e persistência (quase) infinita. Existem também alguns livros bem engraçadinhos….noto que os meninos são mais inseguros para tudo e acho que o desfralde faz parte dessa ansiedade em relação ao novo.
    Bjs prá vcs. Sabrina.

  2. Zel,
    Tenho um casal de filhos e este papo de que com menina é mais fácil, comigo aconteceu mesmo.
    Com a menina foi tudo muito fácil e rápido, desfraldou com 1 ano e 8 meses, dia e noite. Desde a primeira noite sem fralda nunca deixou escapar nem um xixizinho na cama.
    Já com o menino, só consegui começar o processo quando ele já estava com mais de dois anos e já ia para a escolinha. O controle total do xixi demorou uns 3 ou 4 meses mas o do cocô… um ano depois ainda escapava um ou outro. E o xixi noturno também acontecia em vez em quanto durante algum tempo.
    Não tem fórmula mágica, a receita de um nem sempre funciona com o outro. A escola me ajudou muito no processo.
    Depois de algum tempo eles passam a se sentir muito incomodados quando deixam escapar e aí, cabe um bom papo.
    Paciência ! Muita paciência !
    E muita cueca e shortinho pra lavar.
    Beijos e boa sorte!
    Sônia

    • hahahahhaha Sonia! Só com paciência mesmo, hein? Já estamos indo pro 3o mês, e o xixi tá mais ou menos, o cocô tá 0% de progresso. Vamos seguindo, lavando muita roupa 😀 Beijos.

  3. Oi Zel, eu sempre leio e nunca comento :p
    Tenho 2 meninos, o mais velho hj com 8 anos, na semana que ele fez 2 anos eu tentei e não rolou só escapadas, ai esperei 1 mês e tentei de novo e em 3 dias tudo se resolveu ele pedia sempre para fazer xixi e cocô. Agora o mais novo que vai fazer 2 anos amanha 🙂
    eu estou tentando há 1 mês e entre escapadas e pedidos até que está indo bem no xixi, mas o cocô ele faz extamente igual ao seu, ele se constrange de uma forma que depois que faz ele não deixa a gene nem chegar perto para trocar muita conversa. Tenho a impressão que ele fica com vergonha de ter escapado… Sei que eu podia esperar um pouco mais, mas quiz fazer antes do inverno chegar porque aqui no RS é muito frio e o frio faz com que eles façam mais xixi ai mesmo que não ia rolar. Mas sigo persistente e paciente. Bjs

  4. Zel,
    Te leio há uns anos, mas nunca comentei. Agora, talvez, por ter passado por situação semelhante e sei bem o “sufoco”, tomo a liberdade de deixar registrado o que deu certo com o meu filho, hoje com 5 anos.
    Bem, o processo teve início com 1 ano e 8 meses, mas funcionou parcialmente e somente com o xixi. Como ele, de repente, se mostrou avesso a novas tentativas – tanto de xixi como de cocô – resolvi dar um tempo – uns 2 a 3 meses e recomeçar. Com 2 anos então recomecei e decidi partir para uma linha mais divertida, animada e com recompensa. Fiz o seguinte: No começo, quando ele estava em casa – eu levava diversas vezes ao banheiro – em horários mais ou menos coincidentes com os que ele já fazia – , e tinha toda aquele incentivo (muitas vezes eu fazia antes para ele ver ou o pai fazia – e aí ele queria repetir como nós), muita brincadeira (tem 1 produto de limpeza – pato purific que é azul e fazendo xixi com o produto no vaso, muda de cor – fica verde – nossa… era uma festa .. porque era a mágica do xixi. rs), música – inventamos uma musiquinha para cantar na hora que ele sentava no vaso para o xixi e o cocô e o que, acho, foi o grande “x” da questão foram uns adesivos que passei an usar (já usava para a escovação dos dentes). A cada vez que fazia xixi ou cocô no vaso, além de ser uma festa, ele ganhava um adesivo (eram fofinhos, coloridos, diversos temas) e tinha uma meta a ser completada. A cada semana, se a meta tivesse sido cumprida, ele ganhava um direito novo (exemplo: um dvd que não tinha, brincar mais tempo na pracinha; 1 brinquedo novo (nada caro, mas algo que ele não tinha ou novas massinhas de modelar, mais guache e essas coisas). Se a meta não tivesse sido alcançada e acidentes ocorressem a gente não brigava e nem castigava. Incentivávamos a, na próxima, ver qeu levava ou na escola (fizemos um esquema igual – tanto para casa quanto na escola) com o xixi foi sucesso total. Em 1 semana aproximadamente ele já pedia para fazer xixi e somente, eventualmente, à noite, escapava um outro xixi.

    • já me falaram sobre o incentivo, vou pensar em como incorporar… por enquanto só elogiamos mesmo. mas o cocô eu tenho a impressão que ele realmente não está pronto, porque resiste demais em sentar pra TENTAR inclusive. o xixi ele até curte, mas o cocô tá dose… obrigada pela dica! beijo.

  5. Ah, Zel, prá complementar o comentário anterior, lembrei que na escolinha me indicaram levar sempre no mesmo horário prá fazer cocô no vaso, em especial fixar um horário em que ele demonstra usualmente “ir aos pés”. Parece que ajuda ter uma rotina nesse assunto também…..
    Bj. Sabrina.

Leave a Reply