apanhado do facebook: agosto

o otto tá cada dia mais engraçado, e nessa fase de usar todas as palavras que a gente usa, matando a gente de rir.

essa semana a maria levou ele pra passear em um dos parquinhos do condomínio, e ele queria brincar em um brinquedo que estava sendo consertado. o moço da manutenção explicou pra ele que não dava pra brincar naquela hora, que a tinta estava secando.

alguns minutos depois, ele volta pro moço da manutenção e fala: “você pode VERIFICAR se a tinta já secou?!”

 

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3 anos do meu menininho hoje \o/

Não tem preço a carinha dele hoje cedo, sorrindo e me falando “hoje é meu aniversário, né?”  

Cantamos parabéns, felizes, com 1 cupcake no café da manhã, e hoje na escola dele tem música, coroa e parabéns.

E é meu aniversário como mãe também, papel que ainda não me serve direito, como uma roupa que não estamos acostumados a vestir.

Esse misto de amor, cansaço, felicidade e saco cheio é uma maluquice. Pra quem queria a experiência antropológica da maternidade, acho que o objetivo está 100% cumprido, e de quebra ganhei um amor maior que o mundo e que cresce a cada dia, inexplicavelmente.

 

o desfralde mal sucedido

essa semana desistimos do desfralde, depois de 7 meses de tentativa. o xixi quase sempre funciona chamar pra ir ao banheiro (mas nem sempre. e ele já sabe segurar!), mas o cocô ele simplesmente se recusa a tentar.

resistimos em voltar atrás, porque ele não quer colocar fralda, só quer “ficar de cueca”. mas não dá, neste frio, trocar de roupa 3, 4 vezes por dia. não é só a sujeira, é o stress, porque ele não quer trocar de roupa, não ajuda a limpar, é um inferno toda a vez que temos acidentes (e temos sempre).

conversamos com ele, e explicamos que ele poderá tirar a fralda quando estiver disposto a ir ao banheiro pelo menos tentar o cocô. e o xixi a gente continua convidando (e ele vai, e faz o xixi na privada na maior parte das vezes), mas o cocô vamos esperar ele estar pronto.

todos os lugares que consultamos dizem que não se deve voltar atrás quando começa o desfralde, que confunde a criança, etc. concordamos, mas achamos que pra ele e pra nós isso é melhor. e ele realmente entende o que estamos falando, pra nós parece que ele realmente não quer fazer cocô na privada. não parece preguiça, ou aquele esquema de “não quero parar de brincar pra ir”, é algo diferente. algo dele, que não entendemos, mas que resolvemos respeitar. ele não quer ir, então não vai. acreditamos que uma hora ele vai pedir, e vamos continuar incentivando.

vou compartilhando aqui como andamos com essa história, quem sabe tem mais gente por aí que passa por isso e a gente nem sabe 🙂

de qualquer forma, obrigada pelas várias dicas! vamos continuar tentando de outro jeito.

a festa de aniversário

terceiro ano de festa de aniversário pro menino, e as questões continuam as mesmas — quem convidar? o que preparar para crianças e adultos comerem?

talvez estas questões fossem menos relevantes se tivéssemos família pequena, ou recursos ilimitados. nossa família é grande, e não estou disposta a fazer comida para 80 pessoas. o que me leva à questão da comida: é importante pra mim que o que vamos comer seja preparado em casa. não gosto da ideia de fazer uma festa (seja pro otto ou pra qualquer de nós) comprando a comida.

este ano, fazendo a lista de convidados potenciais, me dei conta de que era gente demais. tem o impacto de volume de comida e gente na casa, claro, mas o mais importante é que quanto mais gente, menos interação. nunca consigo conversar com as pessoas nas festas, mesmo quando são pequenas, e gosto de receber gente em casa justamente pra interagir. então quanto menos melhor. e o otto não é (pelo menos ainda) o tipo de criança que gosta de multidão, barulho e bagunça. ele gosta de brincar com as pessoas um-a-um, detesta barulhos altos (ainda bem, eu também), é muito mais introvertido que extrovertido. então, ao contrário do que eu sempre faço, estou reduzindo cada vez mais os convidados das festas, e sempre pessoas muito próximas.

preparar a comida é um grande prazer pra mim. não é uma questão de orgulho de dona de casa perfeita, não, é muito mais o prazer que me dá conceber o que servir, preparar e ver as pessoas comendo. o processo de elaboração e preparo me faz feliz; alimentar pessoas me faz feliz. então aproveito as oportunidades como essas para ser feliz antes e durante (depois vem a louça e a bagunça, que não me deixam tão feliz) 😉

na lista de convidados estarão esse ano nossa família (pai, mãe, irmãos, tios, primos) e os amigos que convivem com o otto com frequência (afinal, a festa é pra ele!). não convidamos nenhum amiguinho da escola porque ele não gosta de nenhum em especial por enquanto, não tem “amigos”, são só as crianças que vão pra escola com ele.

no cardápio, sempre procuro colocar opções saudáveis, mas sem odarice, que acho um saco. do mesmo jeito que fico chocada com as festas de criança que só servem comida podre (quilos de açúcar, chocolate, refrigerante, fritura) também não gosto de imitação de comida de festa com tudo natureba. festa é festa, é exceção. é dia de assar o javali, de servir cerejas turcas, experimentar chocolate, de tirar o cristal do armário. sou adepta da comida honesta, mas sempre feita pra celebrar.

o otto não consumiu açúcar nenhum (e nem sal; e nem tempero) até depois de 1 ano de idade. na festa de aniversário dele teve brigadeiro e bolo, tudo com açúcar, normal. eu estava disposta a deixá-lo provar o que quisesse na sua própria festa, mesmo não oferecendo nada disso em casa, nunca. só pedi que as pessoas não insistissem pra que ele comesse, que deixassem que a escolha fosse dele. todos respeitaram (avós inclusos), e ele não comeu NADA de açúcar, porque não quis, não se interessou. comeu pão, se não me engano, carne desfiada, enfim.

na festa de 2 anos fiz da mesma forma — bolo, brigadeiro, etc. ele comeu pipoca loucamente, pão, experimentou o bolo (1 garfada, e largou), cuspiu o brigadeiro e pronto.

nas festas de outras crianças ele tem pedido pra experimentar o bolo e doces, mas sempre larga depois da 1a mordida. definitivamente não é uma criança de doces (chocolate ele tem comido com mais gosto, mas sempre os pedaços mais “puros”, sem muitas melecas). os salgados ele come o que tiver, mas também não é grande fã, ele gosta mesmo é de pão/torrada e comida.

este ano decidi fazer 1 bolinho pequeno de maçã pra cantar parabéns e cortar (é o preferido dele), e alguns cupcakes de fubá (que ele adora) e outros de chocolate, além do brigadeiro (de colher, que ele adora, e de enrolar que eu adoro). farei também pão recheado de linguiça, torta de cogumelos, pão de queijo e pipoca. farei também pão e legumes crus (cenoura, salsão, pepino, brócoli) pra comer com molhinhos (queijo, alho e curry), e frutas que possam ser comidas com as mãos (cereja, uva, morango). suco natural, refri pra quem tomar, cerveja, sitara que sempre fazemos, e é isso.

comida honesta, feita em casa por mim e pela família (todos me ajudam! adoro), mas sem ser a-chata-da-comida-saudável. até porque a hora de ser saudável não é na festa, né, é no dia a dia. e isso temos feito muito bem 🙂

diário do otto: 2 anos e 11 meses

otto,

esse foi um mês puxado. nós 3 ficamos doentes, de cama até, e você teve uma infecção de ouvido e pneumonia leve, o que nos deixou muito apreensivos. nunca tinha visto você tão caidinho antes, acho que foi a virose mais forte que você teve nestes quase 3 anos (e pra ser sincera, uma das viroses mais fortes que eu tive na vida toda!). agora estamos todos recuperados, mas além disso eu estive fora 2 das 6 últimas semanas, e acho que isso também pesou, pra você e pra mim. (e pro seu pai, claro que ficou com você nesses dias doentinho e sentindo falta da mamãe).

você nunca chorou com a minha ausência, sempre ficou muito bem enquanto estou fora, seja no trabalho aqui pertinho ou viajando. agora que você já pode usar o telefone e o facetime, tento falar com você, mas normalmente você quer só dizer OI e TCHAU, e acabou (“posso apertar o botão vermelho, papai?”). sei de você pelo seu pai, que me manda fotos, e na maior parte do tempo não sinto saudade e nem sofro. sei que logo volto.

mas quando chega o dia de ir embora, parece que meu coração não cabe em mim. fico ansiosa, e conto as horas pra chegar e encontrar você. parece que a saudade se concentra toda na viagem de volta, e quanto mais perto chega, mais eu sinto.

dessa vez foi diferente, acho que é porque você está mais crescido. quando cheguei, você não estava, e quando você chegou do seu passeio e me viu… nunca vou esquecer seu sorriso enorme, seus olhos que sorriem mais que sua boca, e sua felicidade. abracei você, que não parava de me olhar e sorrir-sorrir-sorrir, me abraçando forte. um amor tão grande, a felicidade de estar junto e me ver ali com você…

nunca foi tão bom voltar pra casa <3

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foi somente 1 semana nos estados unidos, dessa última vez, mas quando cheguei você era outro. “eu não sou bebê, mamãe, eu sou um RAPAZ!”, você me corrige. e está absolutamente certo.

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você é, de fato, um rapazinho. ainda com fraldas (ou sem elas, enfim) e sem se entender com o banheiro, mas deixemos isso pra lá 😉

sua rotina continua a mesma, tudo nos conformes, e seu sono é bom mas ainda na nossa cama. e tenho a impressão que nós é que estamos adiando indefinidamente essa mudança, porque afinal é tão cômodo que você durma a noite toda… em algum momento vamos mudar. só não sei quando!

você agora se interessa muito mais pelos filmes, adora a close shave (cujos bonequinhos você herdou do papai), wall-e, lilo e stitch e detona, ralph. adoramos assistir com você!

chocolate é algo que entrou na sua lista de preferências e pedidos, igualzinho ao seu pai (doces em geral nem tanto, mas chocolate… paixão).

e estamos oficialmente na idade do NÃO, e agora a forma como você diz não é mais elaborada e muito mais engraçada. além de se recusar a fazer qualquer coisa que alguém sugira (não importa o que é e nem se você realmente quer), você recusa com frases completas e gestos pra enfatizar, como um bom descendente de italiano — “eu NÃO vou comer, eu NÃO quero comer, e eu NÃO VOU!” (pontuado por muitas mãos indignadas reforçando o argumento).

mas a mais nova e mais divertida é a frase “eu não vou discutir isso com você!”, tirada diretamente da boca do seu pai, que está muito feliz (só que não) em ver você se apropriar da sua “argumentação” 😛

aliás, estamos aprendendo cada dia mais que ser pai/mãe é difícil inclusive porque nossos filhos são espelhos claríssimos de nós mesmos. tudo o que fazemos retorna pra nós, refletido e muitas vezes incômodo. você nos ensina através do seu aprendizado, trazendo de volta ao mundo sua interpretação do que vive e vê.

meu rapazinho, você tem senso de humor. e é carinhoso, risonho, cheio de ideias e opiniões. ver você crescer e ser um pouco de nós e muito de você é lindo e emocionante.

no mês do seu aniversário fico sempre nostálgica, lembrando daquelas semanas imediatamente antes da sua chegada. os dias de sol, as flores da jabuticabeira, os tomates maduros (eu só comia tomate quando você morava dentro da barriga!), a preparação do seu quarto, as roupas no varal, aquela vida que parece até que foi outra, antes de você chegar.

são três anos, e parece que foi ontem; parece também uma vida toda, como se cada momento fosse enorme e durasse pra sempre.

que dure pra sempre, cada dia.

um beijo da mamãe.

PS: as fotos e vídeos dos seus 2 anos e 11 meses estão aqui.