as coisas tão mais lindas

“E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está
Hoje você está
Onde você está
As coisas são mais lindas
Por que você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas”

a empatia é uma das qualidades, ou atributos, que considero verdadeiramente importantes. entendo que boa parte do meu papel como mãe é ensinar ao meu filho que ele é parte de um todo, que é essencial observar e respeitar os que o cercam. mas eu quero mais — que ele seja capaz de enxergar o outro de coração aberto, e por mais que não se identifique ou não entenda, que aceite e respeite.

difícil, porque afinal eu mesma não cheguei a esse ponto, seja por que motivo for. (mas creio que é possível ensinar algo que não se sabe. até por não saber, e saber porquê não sabe, talvez seja viável)

diz a internet que empatia é a capacidade de reconhecer emoções sendo experimentadas por outro ser senciente, real ou ficcional. sentir empatia não implica sentir compaixão ou simpatia, mas tão-somente reconhecer, perceber. dar direito ao outro de sentir.

(a mim esse direito foi negado, tantas e tantas vezes enquanto criança! cresci sem saber que podia sentir, independente da anuência alheia)

aprendi na prática, observando o otto: para sentir empatia legítima, é preciso ser respeitado primeiro. e é com orgulho que digo (e confirmo, a cada dia) que ele é muito respeitado, e suponho que inclusive por isso esteja se tornando uma criança observadora, atenta e cheia a de empatia.

contar histórias, ou ver filmes, é uma excelente oportunidade de observar a reação da criança a respeito de relacionamentos e sentimentos. nestas ocasiões é que comecei a perceber o quanto o otto presta atenção aos relacionamentos e ao “humor” dos personagens.

“olha, mamãe, o cascão está bravo”. ou “o curupira ficou feliz, né?”. ele observa as expressões faciais, os sorrisos ou cenhos franzidos, e interpreta, decodifica. são sutilezas das expressões, que nunca foram observadas ou ensinadas ativamente por nós (não ensinamos “as expressões”, como alguns métodos sugerem. com cartões. deus me livre, lembrei de parenthood).

ele viu as irmãs brigando no filme lilo & stitch, e ficou aos prantos. “por que elas brigaram, mamãe?”; essa semana, vendo um vídeo sobre o saci, chorou quando capturaram o saci na garrafa. “eles vão soltar ele, mamãe?”. ele entende o sofrimento do outro, a tristeza, o medo. é tão bonito!

é impossível não se emocionar com a beleza de um ser humano tão, tão pequeno ainda, que não sabe nada do mal, das dificuldades, que vive praticamente numa redoma de carinho e cuidado, perceber tão claramente o sofrimento do outro e sentir empatia.

ele sente porque é, ainda que tão pequeno e protegido, um humano. nele, só um dos tantos espécimens vivos neste momento no planeta, está representado também o todo, aquilo que faz de nós o que somos, como espécie. a empatia nos faz ter mais chances de sobreviver, como grupo, no longuíssimo prazo. e ele carrega isso consigo.

mais que o primeiro choro, o primeiro passo ou a primeira palavra, a demonstração de empatia do meu filho me faz chorar de emoção e receber com felicidade mais um ser humano no mundo.

bem-vindo, meu filho, você faz parte da espécie mais bem-sucedida de toda a evolução; você é um humano!

<3

 

**

mas sim, sei que as bene gesserits discordariam de mim, já que o teste para descobrir que ali naquele ser habita de fato um ser humano, é feito com o gom jabbar 😉 e é um teste bastante interessante, a ser discutido em outra ocasião.

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