apanhado do facebook: julho

Existe um outro tipo de felicidade, que descobri faz pouco tempo: a que vem da felicidade do nosso filho  É tão gostosa, tão emocionante. É louco sentir-se feliz simplesmente porque outro o é (e diferente de quando amamos qualquer outra pessoa. Amor de filho é uma coisa bem fora do radar, bem louca).

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O dia foi louco: acordamos na barra, fizemos castelos de areia, passamos por aquela linda estrada velha para a Tijuca (mágica!), andamos de metrô, encontramos amiga querida de forma planejada, subimos aquela maluquice do Pão de Açúcar (medo, paúra — Otto amou), e descemos quando já era noite. Foi a 1a vez que vi a cidade se acender do alto da montanha.

No meio da rua, à noitinha, enquanto corremos atrás de um menino doido de sono e de um táxi, somos encontrados pela Fernanda, que nos reconheceu e nos abraçamos no meio da rua pela primeira vez (espero que 1a de muitas), com sua filha que de tão linda parece uma ninfa.

Depois disso, entramos num táxi para o universo paralelo e tivemos um episódio de chilique homérico com direito a gritos de aaaaaiiiiiii, chutes e desejos secretos do serviço carioca de disque-homem-do-saco, que só se tornou mais surreal quando passou subitamente com um pedido de “quero um leite com ovomaltine”, na maior calma do universo.

E o dia não seria completo sem o toque final do banho e pijama (novo chilique) seguidos da mãe de cesárea que não percebeu que o shampoo tinha vazado na necessaire e a escova de dentes do menino virou uma mistura de pasta Weleda e sabão (só percebi algo errado quando a escovação virou uma espuma incomum).

O final, previsível, foi infeliz: “ok, tudo sob controle, Otto. Toma aqui um gole de água e COSPE A ÁGUA DE SABÃO, que nem os bichinhos de Madagascar, tá?”

“Pode engolir, mamãe?”

“NÃOOOO!”

Ele engoliu o sabão, é claro.

Boa noite.

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Fomos hoje pela 1a vez ao cinema com o Otto! \o/ Vimos “como treinar seu dragão 2” e ele assistiu bonzinho do começo ao fim. Levantou, sentou no colo e no chão, mas falou sussurrando como ensinamos (uma graça!), e foi um lorde.


OBS: mas ele reclamou de uma coisa (com a qual eu super concordo) — “o som é muito alto, mamãe!”.

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Não que eu precisasse de prova, mas essa semana achei lindo ver como o exemplo funciona melhor que o ensinamento: Otto queria entrar no banheiro, e o Fernando estava tomando banho. Ele foi sozinho, eu só escutei: ele bateu na porta e perguntou “posso entrar?”, como uma pessoinha grande! Nunca ensinamos isso pra ele, nenhuma vez, porque achamos que ele ainda é pequeno, e porque raramente as portas aqui são fechadas 

Achei tão lindo!

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(História do Fernando , mas que eu preciso contar. Basta eu sair dessa casa por umas horinhas e coisas assim acontecem!)

Diz que o Otto queria de todo jeito experimentar uns docinhos que temos num pote de vidro junto à cafeteira, pra fazer graça pra visitas. São docinhos de anis, que ambos odiamos (compramos porque o vidro é lindo, e os docinhos também, nem olhamos o sabor), mas o Fer deixou ele provar. Ele gostou (!!) e ganhou mais 1, e a orientação de não pegar mais.

Fer foi pra cozinha lavar louça e deixou o menino livre. Segundo me explicou, o “senso aranha” de pai apitou e ele foi conferir o que o moleque estava fazendo. Ele estava com um pote de açúcar em cubos na mão, e mastigando, entretido.

Apesar do flagra, não se abalou e informou ao pai: “desse eu não gostei…”

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Otto é um menino muito surpreendente. Ontem ele pegou algumas pecinhas de Lego, juntou com 2 peças que têm rodinhas, fez um quadrado em cima e trouxe pra me mostrar: “olha, mamãe, é o Wall-e!” (realmente muito parecido com a forma do robô, com as rodas embaixo).

Brincando comigo e com o “Wall-e” na cama, eu estava deitada no meio do caminho da brincadeira, e ele então me diz (exatamente assim, perfeito): “o Wall-e está querendo ir nessa direção, mamãe, eu acho que você deveria dar licença”.

Até a gente estranha um pouco esse jeito sério, mas não consigo deixar de achar fascinante essa personalidade tão peculiar dele <3

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O paladar do Otto é totalmente ogro mesmo: hoje comeu joelho de porco com chucrute (pela 1a vez) e gostou, e escolhendo sorvete pela cor, quis o verde. Era pistache (eu adoro, mas…), então pedi pra moça dar um tico pra ele provar antes. “Eu gostei!” e mandou ver no pistache.

Curry, pimenta, queijos fedidos, chocolate amargo, alho, cebola e pistache: check.

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Hoje por puro acaso o Otto assistiu seu primeiro concerto, uma peça de Ravel para 2 pianos. A sala era pequena, com cadeiras, aquele esquema “adulto”, e ficamos um pouco apreensivos com o comportamento dele, mas resolvemos tentar (explicamos antes, e sentamos em local fácil de sair se necessário).

Ele ficou em silêncio, assistiu a peça toda e aplaudiu muito feliz no final Na verdade ele falou, sussurrando, como ensinamos, pra perguntar: “vocês estão felizes? Eu estou feliz!”

Na sequência tocariam uma peça de Saint-Saëns, mas preferimos não arriscar  Uma vitória por vez.

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A gente ficou pensando essa semana como é louco que o Otto já viajou com 3a10m mais que a maioria das pessoas desse mundo, mais que a maior parte dos que conhecemos. O álbum de férias dele é um espanto  Espero que a gente consiga manter nossa meta de deixar como herança pra ele o gosto por viajar e o interesse por outras pessoas e culturas no mundo.

Não tem nada mais legal que viajar.

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