semiótica

Peguei ele na escola empolgadíssimo com o bolo, os parabéns, até as tarefas!

 

“Eu fiz TODAS as tarefas! Foi o melhor dia da minha vida!”

 

(Escorre uma lágrima de emoção genuína, e só quem tem filho de que odeia a escola e demora muito a fazer amigos vai entender)

 

Mas tem lição.

 

O: “ah mas não quero escrever! Por que a gente precisa escrever?”

 

Eu: “pra poder se comunicar com as pessoas! É multo importante, como a gente vai contar histórias?”

 

(Fala sem pensar com o Otto, e…)

 

O: “desenhando, ué!”

 

(FUÉN. Pensa rápido!)

 

Eu: “tem razão. Mas não é suficiente, porque desenhos são mais difíceis de interpretar do que palavras, as pessoas podem entender coisas diferentes ao ver o desenho!”

 

(Torcendo MUITO pra ele não pensar muito pra responder, senão…)

 

O: “hm. Mas então vou escrever POUCO.”

 

Me safei, pelo menos dessa vez.

27 de agosto, 2018 = 8 anos

Otto foi dormir ontem quase 1 da manhã (foi pra cama às 21:30h como sempre…) de tão ansioso com o aniversário hoje. Acordou feliz, agradeceu os bilhetes (faço questão <3) e os presentes, disse que “somos os melhores pais do mundo” (*) e agradeceu a vó Vera que “faz o melhor bolo do mundo”. Levou bolo pra escola, teve parabéns   e até fez lição na volta sem reclamar (muito).

 

Tá aqui feliz com os presentes, vendo desenho.

 

8 anos.

 

Hoje estive na terapia, e só pude falar do tanto que essa criança me ensina. Do quanto o que ele me ensina serve pra vida toda. Tornei-me uma pessoa MUITO melhor por causa dele, porque ele me obrigou a enxergar que toda forma de ser tem valor. Que é preciso só querer ver e apreciar a beleza do diferente e estar disposto a APRENDER.

 

Não tenho nada a dizer além de OBRIGADA a ele por ser tão ferozmente quem ele é, por não ceder à minha personalidade difícil, por insistir tanto a ponto de me fazer enxergar na marra outros pontos de vista.

 

Obrigada, meu filho, por ser mais cabeça-dura que sua velha mãe. Ela demora mas aprende. ❤

 

**

 

(*) até mandarmos ele pro banho e dormir. Aí seremos os piores pais do mundo 😀

emergência

(tivemos um pequeno acidente no domingo — ele caiu e bateu a mãozinha esticada na base da geladeira. muita dor, inchou, não deixava por a mão… fomos pra UPA pra ver)

**

Otto na UPA é sempre um episódio… entramos, em 5min nos chamaram pra triagem.

 

Enfermeiro: “me conta o que houve!”

 

O: “eu caí e bati os dedos e tá doendo MUITO!”

 

E: “deixa eu ver…”

 

O: “NÃO PODE POR A MÃO!”

 

E: “… vamos então pesar e ver seus batimentos” (amou essa parte)

 

O: “não precisa tirar o sapato pra pesar?”

 

(HAHAHAHAHHAHA!)

 

**

 

Tinha 2 crianças na frente dele. Demorou uns 15min, e ela chamou, fomos.

 

Médica: “tudo bem, Otto?”

 

O: “tudo, mas você demorou demais pra me atender!”

 

😬

 

M: “hahhahaha mas olha aqui (mostrou as fichas) tem crianças na sua frente, eu atendo na ordem!”

 

M: “bom, então me mostra o que foi.”

 

O: “(ele conta e mostra) mas você não vai poder colocar a mão, tá que dá doendo muito”

 

M: “Tá, tá, não precisa por enquanto. Me mostra com seu dedo onde é, pra gente fazer o raio-X”

 

Fomos pro raio-x, já comecei o briefing né?

 

Eu: “seguinte, Otto, agora você vai seguir a instrução, porque o moço é especialista nisso e precisa que você faça o que ele pedir pro Raio-X dar certo, ok? Então talvez doa um pouco pra ele mexer na sua mão, mas tem que fazer.”

 

O: “ok, ok.”

 

Moço veio, deu instrução, pediu pra ficar parado, mexeu na mão 2x pra posicionar e ele não deu UM PIO.

 

Demorou uns 5 min, saímos, elogiei.

 

Eu: “que legal, Otto! Viu como foi super rápido? Você fez tudo que o moço pediu sem reclamar, saímos rapidinho!”

 

O: “não é que eu não reclamei porque não doeu; não reclamei porque não podia reclamar.”

 

Own ❤

 

Médica: “não quebrou nada, Otto, isso foi uma contusão, vou te dar um remédio”

 

O: “amassou?”

 

M: “isso 🙂 uma compressa de gelo ajuda também”

 

O: “não coloco gelo de jeito nenhum!”

 

Eu: “BRIGADA HEIN DOUTORA, DEUS LHE PAGUE!” (Arrastando o menino)

 

Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

turma da mônica

Eita que vou ter que explicar umas coisinhas pro Otto sobre como são as relações…

 

O: “não gosto tanto da Turma da Mônica, sabe?”

 

Eu: “ah, por quê?”

 

O: “eles brigam muito! (Não tenho como discordar) E não tem vilão!”

 

Achei super interessante esse ponto de vista. Me incomoda também eles brigarem tanto e especialmente xingarem tanto a Mônica… por outro lado é importante também aprender que amigos brigam e depois fica tudo bem (quase sempre).

 

Enfim, mais um ícone da minha infância sendo revisado…

matrix

Otto, quase 8 anos:

 

“Um dia eu ainda vou sair dessa vida chata.”

 

Quem quer dar a real pra ele?

 

**

 

Eu: “e por que sua vida é chata?”

 

O: “aqui eu tenho que fazer coisas que eu não quero; na escola eu não posso fazer o que eu quero, tipo brincar e correr!”

 

Quem vai dar a real pra ele, parte 2?