Nomeando sentimentos

Nem acredito que vou dizer isso, mas depois de SEIS ANOS finalmente o Otto melhorou o comportamento em relação à escola e às tarefas de casa.

Não é que ele ama, não chega nem a gostar, mas aceita e faz as atividades, e até (quando se distrai da reclamação padrão) se diverte.

Ontem aceitou fazer a lição de boa, fez, e no meio havia uma questão sobre um depoimento: uma mulher de 64 anos contando que não sabia ler nem escrever, e nem contar direito, porque passou a infância cuidando dos irmãos. A pergunta era: “qual é o problema com essa situação?”

Ele respondeu na hora — ela nunca foi pra escola.

Aproveitei né? — “viu? Muito importante ir pra escola!”

O: — “mas eu aprendi isso aqui e não na escola!”

Eu: — “imagina, a escola te ensina muita coisa sim! Olha aqui, tou vendo seus desafios [sao as provas, vieram pra assinar, e ele foi muito bem em tudo], você se saiu muito bem, a mamãe tá muito orgulhosa de você!”

Ele então fez uma carinha triste e saiu correndo pro quintal, se escondeu. Eita. Fui lá, chamei, pedi pra voltar pra conversarmos.

Eu: — “por que você tá bravo, ou triste, com elogio da mamãe?”

O: — “acho que não tou triste nem bravo, é que eu tou com vontade de chorar e saí correndo.”

Eu: — (own!!!) “meu amor, isso que você tá sentindo se chama EMOÇÃO. Você tá emocionado, e tá tudo bem. Vem cá que te abraço e melhora.”

Abracei, abracei, e queria que durasse pra sempre. Quando é que a gente aprende a nomear as emoções? Eu ainda tou aprendendo, aos 46. <3

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