Meu caro amigo

Essa semana foi a primeira vez que chorei de tristeza, desde que cheguei, desde que começou a pandemia. Chorei junto com o Otto, que disse estar com saudade da nossa casa no Brasil, e da vovó Vera.

Eu também tenho saudade da nossa casa e da minha Mami. Tenho saudade dos amigos, do pão com mortadela e das flores e pássaros por toda parte.

Mas a minha saudade eu administro, lido bem com ela, convivo. Quando nosso filho sofre, ah, gente… que dor. Lembrei dos primeiros meses dele, quando ele chorava sem razão aparente e eu chorava junto, desejando poder trazer ele de volta pra dentro do meu corpo, proteger de tudo, abraçar aquele corpinho todo e fazer passar.

Eu abracei ele pra chorar, e ele melhorou. Eu, nem tanto. Quanto amor cabe fora do nosso corpo? Como amenizar as dores de crescer e entender melhor as coisas?

Explicamos sobre a pandemia, de novo. Ele acha que no Brasil ele estaria melhor que aqui (mal sabe ele), e na verdade só de ter quintal, piscina e vovó ele estaria mesmo. Mas contamos que todos nós estamos passando pelas mesmas coisas, no mundo todo, que está difícil pra todos e que vai passar.

Vai passar.

Enquanto isso a gente chora um dia, ri no outro, e tenta abraçar e ser feliz nos momentos que dá.

Comments are closed.