10 anos. Uma década, em meio à pandemia

A parte ruim de fazer o aniversário de 10 anos do menino 100% virtual: não poder abraçar ninguém 😭

A parte boa de fazer a festa 100% virtual: em 20min a casa tava limpa e arrumada e a louça toda lavando na máquina 😁

Fizemos a live mais louca do mundo, com 2 grupos de chat, nave-mãe comandada pelo Vinicius com direito a filmes de transição para cada planeta, conexões da TARDIS com os planetas e satélites do sistema solar e parabéns  virtual.

Teve gente fantasiada, teve brigadeiro que deu errado, teve coxinha do tamanho de um elefante bebê, teve menino vestido de Dr Who 12a temporada (o mais velho, lógico 🤣) e teve muito amor que chega de qualquer forma até a gente.

Muito obrigada pelos votos, pelo carinho com o Otto e conosco. Vamos juntos nessa viagem bem louca, e nos divertindo e brincando, senão ninguém segura esse rojão.

(Atenção à gambiarra pra se conectar no meio da sala 🤣)

❤️💜🌈

10 anos

Construindo

Maria me liga pra falar com o Otto e ele mui educadamente (só que não) avisa pra ela que “tá muito ocupado construindo e não pode falar”. Consegui roubar uns 30seg dele, e depois fiquei conversando e contando as novidades.

Fui pro outro quarto e falávamos da escola, e contei que ATÉ O OTTO tava querendo voltar pra escola (Maria acompanhou a saga toda in loco por 8 anos né), e o menino grita lá do outro quarto:

“Pra você ver que o NÍVEL DE CHATICE tá tão alto que até eu quero voltar pra escola!”

🤣🤣🤣🤣

Maria: “não mudou nada, ele, né?”

😬

Receitinha

Otto é super metódico com a comida, apesar de comer bem e coisas muito boas. Peixe, por exemplo, não é todo tipo que ele gosta (eu idem, não posso nem reclamar) — ama salmão, cru ou grelhado, e filé de peixe frito empanado. O resto que lute 🤣

Hoje o que tinha era bacalhau fresco, que fiz no forno em papelote (envolto no papel alumínio) com cebola, salsinha, azeite, cogumelos fatiados, sal e limão, e coloco shoyu só na finalização.

Bacalhau é delicioso, mas tem uma textura mais fibrosa, fiquei tensa, mas arrisquei. O bacalhau salgado ele não gosta de jeito nenhum (amo).

Mas gente — não só comeu como pediu mais, o que é uma raridade, ele costuma comer o que tem no prato e só. Amou o cogumelo, comeu tudo, repetiu e elogiou.

Se tem coisa mais gostosa que filho comendo e elogiando a comida da gente, não conheço ❤️

Assinado: mãe italiana 🤣

Aulas na pandemia

Nos foi dada a opção de escolher, na escola do Otto, e decidimos manter a educação à distância pelos próximos 3 meses e depois reavaliar.

Além do medo de adoecermos sozinhos e longe da nossa família (temos amigos maravilhosos aqui que sabemos que podemos contar, mas não é a mesma coisa né?), achamos impossível o Otto seguir as diretrizes de distanciamento social com as professoras, usar máscara e principalmente conseguir seguir tudo isso no almoço na escola.

Vai ser puxadíssimo pro Fernando que tá assumindo a enorme responsabilidade de ser tutor do menino, mas é a única opção que faz sentido pra nós nesse momento. Muita maracujina 🤣

A boa notícia é que o ensino à distância da escola é bem estruturado e a equipe pedagógica é espetacular. As professoras dele nos ajudaram a tomar a decisão e concordam conosco, o que é fundamental.

Força pra todos nós com crianças na escola nesse momento, e força dupla pra quem não tem pelo menos um dos pais que pode assumir essa bucha.

Um dos deuses mais lindos

Sincronicidade, ou sinapses muito loucas: o trecho é roubado da Daniela, e ressoou aqui por outro motivo, mas que é o mesmo, como vocês talvez vejam.

“Como não tive filhos, a coisa mais importante que me aconteceu na vida foram os meus mortos, e com isso me refiro à morte dos meus entes queridos. Talvez você ache isso lúgubre, mórbido. Eu não vejo assim. Muito pelo contrário: para mim é uma coisa tão lógica, tão natural, tão certa. Apenas nos nascimentos e nas mortes é que saímos do tempo. A Terra detém sua rotação e as trivialidades em que desperdiçamos as horas caem no chão feito purpurina. Quando uma criança nasce ou uma pessoa morre, o presente se parte ao meio e nos permite espiar por um instante pela fresta da verdade –monumental, ardente e impassível.”
(Rosa Montero em “A Ridícula Ideia de Nunca Mais Te Ver”)

Hoje, no almoço:

O: “tirando o círculo, que eu sei que é o que vocês iam dizer, o que não tem começo, meio e nem fim?”

Eu: “o infinito!”

O: “hmmmm não exatamente. São os números. Porque tem todos os menos antes do zero, e os mais depois.”

Eu e Fernando: (eita!) “hmm interessante. É verdade — considerando todos os números, não tem meio mesmo não. Mesmo o zero, é só uma referência, não é o meio, se os positivos e negativos são infinitos cada um pro seu lado…”

(Nossos cérebros explodindo de ideias e o conceito do zero e tantas outras coisas)

O: “isso. Como no mundo do MineCraft, que o ponto zero não é o meio, é só o lugar onde eu cheguei no mundo”

Eu: …

**

Quais são seus pontos zero? A chegada dessa criança tão peculiar definitivamente é um dos meus.

Poliglota

Essa semana Otto declarou, muito espantado (na hora que acorda, sempre… uma animação que me irrita 🤣) — “percebi que a minha voz é diferente quando eu falo inglês. E a sua?!”

A minha voz é BEM diferente quando falo inglês, português ou espanhol. Cada uma tem sua tonalidade, sua cadência. Em inglês minha voz é mais grave que em português, e em espanhol também — não só mais grave mas um pouco mais anasalada.

Achei lindo ele perceber essa sutileza; cada idioma que se incorpora em nós traz a subjetividade do contexto, da idade em que aprendemos, das nossas referências sobre ele.

Tenho dificuldade de memorizar números em inglês, só os números. Quando me sinto à vontade e relaxada numa conversa, frases em português escapam sem querer, é muito louco.

Não existe língua mais fácil, mais difícil, melhor, pior. Idiomas são mais que regras, pronúncia, são expressões culturais e afetivas.

Apanhado da semana

Tenho umas histórias boas pra contar do Otto essa semana… segurem essa marimba.

**

Otto deitado comigo na cama:

O: “mamãe, seu braço parece de homem!”

(Eu: uepa! Forte?!)

Eu: “ah é, por quê?”

O: “porque tem pêlos aqui, ó” — mostra a axila

Eu: fuén. “E por que você acha que ter pêlos na axila é coisa de homem?”

O: “porque eu nunca vejo mulheres com pêlos aí, ué”

Faz sentido. Expliquei que todos os humanos têm pêlos, com diferenças de quantidade, cada um é um.

O: “mais um motivo pra não ser adulto! Não quero ter pêlos, não!”

Eu ia mostrar que ele já tem, deixei pra lá 

**

O: “mamãe, o que é bee’s fight?”

Eu: “pode ser mais de uma coisa, como é a frase toda?”

O: “é o S de plural, e não de pertencimento!”

OWN MODEUSO ❤️

**

Otto perdeu mais um dente, dessa vez começando a cair os que vêm depois dos caninos. Ele ficou todo feliz, colocou debaixo do travesseiro pra Fada do Dente pegar e os pais de cesárea ESQUECERAM DE COLOCAR DINHEIRO E PEGAR O DENTE 

Ele acordou, reclamou comigo, e eu rapidamente inventei que de repente a fada se confundiu, porque afinal ele mudou de país e tals, e que ele podia escrever um bilhete pra ela e esperar mais uma noite.

Pois ele escreveu um bilhete ÓTIMO (depois atualizo com foto; tá lá debaixo do travesseiro) dizendo que ficou bravo e que espera a troca essa noite 😀

Acho que ele ficou meio chateado!

Fico aqui me perguntando quão puto ele vai ficar quando descobrir que é tudo lenda — fada, papai Noel, coelho… não quero nem ver.

Há 8 anos, há 10 anos

Otto tem a história de fala mais esquisita que eu já vi. A gente tinha uma expectativa enorme dele falar, e ele até 1 ano e 8 meses falava só papá, mamã, ága, e olhe lá.

Eis que no meio de uma viagem bem louca na Escandinávia, esperando um barco, Otto fala — “pé”. Zero bebezês, foi pé mesmo. Estranhamos, perguntamos “o que você disse, Otto?”

Otto, com cara de “nossa que gente burra!” (sério), levanta o pé e diz “PÉ!”.

Gente, ele disse PÉ ❤️

Até aí tudo bem. Só que em 2 semanas depois desse dia ele formava frases completas, com flexões verbais complexas. A pronúncia, as palavras, ainda eram de bebê, mas a construção das frases não era só perfeita, era sofisticada mesmo.

Pouco tempo depois ele começou a contar, e falar as letras todas, e quando entrou na escola Waldorf com 2 anos foi um drama, levamos bronca porque ele era “muito acordado”, segundo a psicóloga.

Belzebu-menino (como chamávamos) ou espírito velho (como diz minha Mami Vera), você escolhe. O que eu sei é que é uma figura, e quando chega o mês de agosto eu lembro das histórias de cada ano.

O menino faz 10 anos, não consigo acreditar.

❤️

Comida é pasto

Um sonho: a auto consciência do Otto em relação ao que come.

Ele jantou a salada de sempre, que ele ama (tomate, cenoura, repolho, brócolis e pepino), estrogonofe com arroz e batata palha. Pediu brigadeiro ENROLADO de sobremesa.

Eu tinha feito brigadeiro de colher, ele queria enrolado. Ok.

“Quantos você quer?” — “quatro!”

Achei muito, mas ok, 4.

2 brigadeiros depois…

“Só vou querer 2 mesmo! É muito doce, afe!”

Invejo, porque não é controle, é consciência de desejo / necessidade. Ainda chego (volto) lá!