Gato

Moça na farmácia pede pro Otto tirar a máscara pra fazer teste de COVID, ele tira.

Ela: “nossa, Otto, como você é bonito!”

Otto: “é, todo mundo fala isso.”

藍

Um desejo: a autoestima dessa criança.

“Não mata ninguém”

(tradução de Grace Martins)

“Meus pais me batiam quando eu criança e não estou traumatizado”, disse o homem cuja ex-companheira o denunciou por violência física.


“Quando eu era criança, me deixavam chorando sozinha até adormecer, e era tão ruim que eu não saía do quarto”, disse o homem que passa longas horas nas redes sociais, prejudicando o seu sono.


“Me castigaram quando eu era criança, e estou bem”, disse o homem que, sempre que comete um erro, se autodeprecia como forma de se punir.


“Quando eu era criança pegavam pesado comigo, e eu sofro de um trauma chamado ‘educação’”, disse a mulher que ainda não entende por que todos os seus parceiros acabam sendo agressivos.


“Quando me tornei uma criança teimosa, meu pai me trancou em uma sala sozinha para aprender, e hoje eu agradeço”, disse a mulher que sofreu ataques de ansiedade e não consegue explicar por que tem tanto medo de ficar fechada em espaços pequenos.


“Meus pais me disseram que iriam me deixar sozinha ou me dar para um estranho, quando eu fazia birras, e eu não tenho traumas”, disse a mulher que rezou pedindo amor e perdoou repetidas infidelidades, para não se sentir abandonada.


“Meus pais me controlaram só com o olhar, e veja como eu me saí bem”, disse a mulher que não consegue manter contato visual com figuras de ‘autoridade’, sem se sentir intimidada.


“Quando criança, eu levei até com cabo de aço, e hoje sou um homem bom, inclusive profissionalmente”, disse o homem cujos vizinhos o denunciaram à polícia por embriaguez, destruição de bens e agressão verbal à esposa.


“Meus pais me forçaram a estudar para uma carreira que me traria dinheiro, e veja como estou bem de vida”, disse o homem que sonha com a sexta-feira todos os dias, porque trabalha todos os dias desesperado, fazendo algo que ele nunca quis.


“Quando eu era pequena me forçavam a ficar sentada até acabar tudo o que estava no prato, e até me forçavam a comer, não eram como aqueles pais permissivos”, afirmou a mulher que não entende por que não consegue ter uma relação saudável com a comida, e que desenvolveu um transtorno alimentar na adolescência.


“Agradeço à minha mãe e ao meu pai por cada bofetada e cada castigo, porque senão, não sei o que teria sido de mim”, disse o homem que nunca foi capaz de ter um relacionamento saudável, e cujo filho constantemente lhe mente por medo.


E assim levamos a vida, ouvindo pessoas que se dizem pessoas boas sem traumas, mas paradoxalmente, numa sociedade cheia de violência e de pessoas feridas.
(…)


É tempo de quebrar ciclos de traumas geracionais. Se isso faz sentido pra você, pesquise sobre parentalidade gentil e parentalidade pacífica, para construir uma relação baseada na confiança, amor e orientação. Comunicação não-violenta e a OSNP (Observação, Sentimentos, Necessidades e Pedido) lhe dá o roteiro exato para começar a se comunicar de uma maneira amorosa e aberta.

Such a good lad

Eu sei que vocês vão dizer que essa pertence ao **That child didn’t say that**, mas nós 2 juramos de pé junto 🤣🤣🤣

Na hora de dormir, depois de lermos juntos um capítulo do livro “Esperanza Rising” em que a protagonista, Esperanza, conta que ganhou uma piñata tão linda da sua mãe que não teve coragem de quebrar e guardou ❤️, Otto comenta, sobre a passagem:

“When I saw she didn’t break the pinata because there was candy in it, I felt so much passion for such innocence.”

Quem é o equivalente do José de Alencar em inglês, gente?! 🤣

Tá fácil

Otto: “mamãe, você fez uma pergunta e não espera a gente responder!”

Eu: “putz eu faço isso mesmo…”

Fernando: (baixinho) “… bem vindo à minha vida, Otto…”

Otto: (sarcástico) “nossa, mamãe, viver com você é TÃO divertido…”

OLHA, GENTE, SEM CONDIÇÕES!

🤣🤣🤣🤣

Tic, Ti, Tac

Fernando: “Zel, você tava cantando BATE FORTE O TAMBOR… agora há pouco?!”

Eu: ”não! Mas quero! AMO!”

F: ”então era o Otto, alguém tava cantando!”

Eu: ”bebeu?! O Otto ia cantar isso como? Ele não conhece!”

F: “Ô OTTO, VOCÊ TAVA CANTANDO ESSA MÚSICA?”

O: “eu tava — BATE FORTE O TAMBOR…”

Nós: “eita mas de onde você conhece essa música?”

O: “sei lá, vocês me ensinaram lá no Brasil”

A gente sai de Vinhedo mas o Bloco Bloquete não sai de nós ❤️❤️❤️❤️❤️❤️

e

Keats

“Mamãe, anota aí um poema que tá na minha cabeça!”

**

Hearts are love and hearts are life
For vessel and pain you need to revive.

Animais fantásticos e onde habitam

Quando a gente era criança e ficava reclamando pra fazer qualquer coisa que não era brincar, meu Papi Ivan falava pra gente, em tom de galhofa:

“Não gema, não bufe, não resfolegue!”

Eu sempre odiei, bufava mais ainda 🤣🤣🤣 nunca entendi do que ele tava falando.

Agora eu TOTALMENTE ENTENDO porque o Otto literalmente geme, bufa e resfolega pra fazer QUALQUER TAREFA.

Senhor, daí-me paciência porque se me der força…

🤣🤣🤣

Mundos imaginários

A riqueza que é ter amigos com perspectivas diferentes de mundo. Há 11 anos nós aqui sofríamos com a ideia de mentir para nosso filho sobre as lendas de Papai Noel, Fada do dente, coelho da Páscoa.

Uma amiga querida trouxe um ponto de vista lindo, que nos fez mudar de ideia. Pois 11 depois ela voltou e de novo me fez lembrar da importância da fantasia ❤️

“(…) Olha, eu acho que um caminho possível é sair dessa chave da verdade/mentira pra entrar num outro campo, que é o lugar disso na gente, que é o campo do simbólico. Para alem das lendas, há também a arte. Penso que é mais do que dizer: precisamos disso. Somos isso, enquanto humanos, uma das nossas camadas de existência é essa. Um ator não está mentindo quando representa, ele está buscando conexão com outros humanos através do personagem. Um escritor não mente quando cria uma história, ele conversa com o nosso repertório de vida. (…)”

É isso: o exercício da conexão do campo da fantasia, do universo do outro.

Obrigada por todos vocês que sempre estão aqui e trazem pontos de vista tão bonitos.

❤️

Guardiões da Infância

Chegou um dos momentos que a gente mais temia desde antes do Otto nascer, e pra quem ta aqui faz tempo vai lembrar que eu trouxe a discussão num post e várias pessoas amadas deram opinião (aprecio demais; algumas opiniões nos fizeram mudar de ideia inclusive sobre como lidar com a questão):

Criar a fantasia do Papai Noel, Fada do Dente, Coelho da Páscoa, ou desde pequeno dizer que é lenda?

Fernando e eu a princípio éramos contra mentir e inventar as histórias todas pra criança acreditar. Mas depois de ler, ouvir pessoas que trabalham com histórias para crianças, pensar bastante, decidimos que é bonito, divertido e importante alimentar as fantasias de magia da criança. É uma fase muito única da vida, em que acreditamos em seres mágicos sem desconfianças, sem medo (ok, talvez com um pouco de medo :)) e vivemos com um pé na realidade e outro na fantasia.

A criança terá a vida toda pra se confrontar com o inexplicável, duvidar e descobrir a realidade, quando seu cérebro estiver pronto pra encontrar razão em tudo. Decidimos entrar na fantasia e deixá-lo sonhar com o impossível.

Há umas semanas, pouco a pouco, temos notado diferenças no Otto, ele está… menos criança. Na fala, na escolha das frases, nas pequenas responsabilidades que ele sozinho assume, na maturidade que demonstra e antes não tinha. No cheiro das roupas (mudou. Ele agora tem cheiro de gente e não mais cheiro de criança), no corpo. Comentei com o Fer — “até quando ele vai acreditar em Papai Noel? Daqui a pouco alguém vai contar pra ele. Vamos ter que admitir que mentimos, vai ser foda.”

E foi.

**

Fui tirar ele do banho (sempre é nessa hora do dia que as conversas mais profundas acontecem):

O: ”mamãe, eu preciso falar sobre duas coisas com você!”

Eu, não sabia o que era, mas senti o peso: “pode falar!”

O: “eu tenho uma pergunta. Estou pensando sobre o Papai Noel e a Fada do Dente… eles são de verdade ou você e o papai que compram os presentes e pegam meus dentes?”

Eu: “vamos falar mais sobre isso, mas antes me conta de onde veio essa dúvida?”

O: “eu tenho uma teoria. Eu acho que vocês é que compram os presentes, porque tem ano que tem mais presentes, tem ano que tem menos… é porque vocês têm menos dinheiro, eu acho. A fada do dente eu não tenho NENHJMA EVIDÊNCIA mas eu acho que também não existe!”

🥺

(Tem lógica, porém hahahhahaha!)

Chamei o Fer, porque afinal é um momento pra conversar como família. Já tínhamos combinado que não íamos mentir quando ele perguntasse.

Nós: ”Otto, o Papai Noel e Fada do Dente são lendas, como o Curupira, o Saci. São histórias que a gente conta pras crianças pequenas, porque elas são bonitas e divertidas, mas são realmente lendas. Quem compra os presentes e pega os dentes somos nós.

Cada país e cultura tem lendas diferentes. Aqui por exemplo tem o Elf on the Shelf, que não temos no Brasil. E quando as crianças são pequenas, fazemos de conta que é verdade pra ser divertido. Quando as crianças crescem elas percebem que não é verdade, como você percebeu. Mas a gente continua fazendo a brincadeira até quando adulto, porque é gostoso. Sua vó Vera por exemplo coloca presente na árvore até hoje que a mamãe é adulta!”

— “você tá bem, Otto? O que você tá sentindo?”

O: (vozinha de choro) ”Eu tou muito desapontado porque são lendas.”

BUÁ EU QUASE CHOREI. Abracei né.

O: ”mas mãe, pra onde vão meus dentes?”

Eu: ”tenho todos guardados.”

O: ”COMO ASSIM?!”

🤣🤣🤣

**

Meu coração ficou tão pequeno. Espero que de alguma forma eu consiga manter nele a magia de acreditar, nem que seja de passagem, em lendas. Que nao seja só sobre os presentes ou o dinheirinho do dente, que seja sobre o fantástico e inexplicável, por mais doido que possa parecer.

Nosso menino cresceu. Eu não estava preparada.

Como é bonita a vida, e o quanto eu sou grata por viver essa experiência. Fabricar humanos é muito louco.