a rotina, esse grilhão

todos quase sem exceção recomendaram que criássemos uma rotina para o otto. o pediatra dele foi enfático: crianças precisam de rotina!

eu gosto de rotina. foi fácil não só criar mas também documentar a rotina dele — escrevemos todos os fatos importantes do dia num caderninho, pra que eu possa ver no final do dia o que aconteceu.o caderninho ajuda a babá a saber de manhã como foi a noite e que horas acordou, me ajuda a saber como foi o dia, e ajuda a sumarizar os acontecimentos do período para o pediatra (basta dar uma lida e pontuar coisas diferentes).

o menino é um relógio, seja por que ele é assim mesmo, seja porque procuramos manter a rotina dele direitinho. acorda, café da manhã, passeio, lanche, soneca; almoço, banho, soneca; passeio, lanche, leite; jantar, passeio, banho, historinha, cama; leite da meia-noite e aí só amanhã.

a comida varia, e ele se adapta bem à comida da rua, apesar de darmos tudo separadinho pra ele sem sal, açúcar ou muito tempero. ele come até pedra, essa é a verdade, o que facilita demais o fim de semana. só tem dado trabalho porque quer comer sozinho, e nem sempre é possível (me recuso a transformar a mesa do restaurante em chiqueiro. embora às vezes aconteça apesar de).

desde que respeitemos hora de sono e refeições/lanches, o menino fica muito bem.

parece fácil, né? mas não é. porque com 3 refeições principais, 2 lanches e 1 mamada no meio do dia, pense bem, quanto tempo sobra pra viver e fazer coisas? QUASE NADA!

pense ainda que ele acorda 6:30h e dorme às 19:30h. nosso dia é um corre-corre de comida, passeio e banho. e fraldas no meio, claro. se vamos a qualquer lugar à tarde, podemos sempre levar uma fruta e o leite, tudo certo. mas temos que correr pra casa pro jantar às 17:30h-18:00h e seguir rigorosamente a rotina de dormir, senão nossa noite vira um inferno.

e comprovamos a informação que lemos por aí: quanto mais atrasa o horário de dormir, pior fica. ele resiste mais ao sono quando está mais cansado. ou seja: não atrase, ou liga o modo belzebu-menino e aí é 1h pra fazer dormir já deitado no berço. choro e ranger de dentes por parte dele, e vontade da mãe de sair correndo pelada pelo condomínio por parte da mãe.

(ok, correr pelada tem menos a ver com ele e mais a ver com minhas fantasias de mulheres loucas)

resumo: rotina é ótimo pra criança e ajuda os pais no dia a dia, verdade. seguir a rotina enlouquece os pais que queriam muito, muito mesmo poder dar um passeio inocente e voltar pra casa 1 horinha mais tarde.

no, sir, not anymore.

aguardemos os 7 anos de idade, enfim. nos vemos em 2017.

viajando com malas extras

é, a mala, no caso, é o bebê mesmo 🙂

sempre gostei muito de viajar, e viajei muito na vida. foi aliás o melhor investimento de dinheiro e tempo que fiz, e não me arrependo de nenhuma delas. um dos grandes medos que tinha de engravidar e ter filhos era o fim da era das viagens e da liberdade de ir e vir sem compromisso…

não quero assustar ninguém, mas meus medos eram completamente fundamentados. não é viável viajar com bebês sem o mínimo de planejamento e infra. bom, pelo menos pra mim! não me considero fresca, nem faço questão de muitos luxos, mas pra um bebê como o otto, que tem rotina rígida, não dá pra pirar o cabeção.

bom, dar até dá. só que você tem que estar disposto a submeter estranhos ao chilique de fome e/ou sono do seu filho, e se tem algo que eu abomino são pais que não respeitam os limites dos filhos em locais públicos. é muito frequente ver crianças tendo ataque de chatice porque não foram alimentadas no horário certo ou estão cansadas. graças à falta de planejamento dos pais, todos ao redor sofrem, especialmente a criança. sou contra! quando a gente tem filhos, tem que respeitar as limitações da idade, não dá pra vida ser exatamente como antes, não dá pra pular o almoço e ficar acordado até 11 da noite com um bebê a tiracolo (*).

e pra que seja possível conviver com a criança pacificamente num ambiente fora da zona de conforto dela, é preciso se planejar minimamente. no caso do otto, alimentação e sono são fatores críticos de chilique, então precisamos garantir o seguinte:

– os horários de fome e sono precisam ser respeitados. ele precisa comer quando está com fome e dormir quando tem sono;

– é preciso ter comida que ele coma nos horários de comer. nada complicado, mas não dá pra ser fast food ou bobagem, ele come COMIDA: arroz, feijão, macarrão, carne, legumes e frutas. qualquer kilão básico serve, mas lanchonete não serve;

– ele precisa de ajuda pra dormir, não dorme em qualquer canto e com qualquer barulho. então precisa planejar a hora de dormir, mesmo que seja no colo e em lugar público;

– a mamadeira, se precisar ser aquecida, precisa de algum planejamento. a gente sempre usa leite em pó pra mamadeira fora de casa, e leva água filtrada ou mineral. normalmente tanto faz pra ele se é morna ou fria, mas já aconteceu de recusar mamadeira fria…

– o otto se mexe demais dormindo, ou seja: o local onde ele dorme precisa ser seguro. principalmente agora que ele começou a andar. não dá simplesmente pra colocar numa cama e deixar. no mínimo precisa ser um colchão no chão.

pra que essas 2 coisas simples possam acontecer e minimizar o potencial de chilique do bebê, é preciso planejar. e eu acho que é legal também submeter o bebê/criança a situações diferentes, “fora da bolha”. tem seu valor educativo, e a criança fica sem frescura. mas fique atento para não transformar sua conveniência (ou falta de saco pra planejar) em inconveniente pra criança e pra todos obrigados a aguentar o piti dela.

então, se você também não curte submeter seu filho e desconhecidos ao stress de um bebê dando show, seguem as dicas que usei com o otto e funcionaram:

– não deixe o bebê com fome nem com sono, preste atenção no horário! priorize a alimentação e sono do bebê, pra não se estressar depois;

– usar leite em pó para a mamadeira, e ter sempre água à mão. até a água quente pro chá ou café quebram um galho pra amornar a mamadeira em qualquer horário. se der o peito, tanto melhor, mais prático;

– verificar com o hotel ou a pessoa que vai hospedá-lo se é possível arranjar um berço, caminha ou colchão no chão que seja seguro para o bebê dormir;

– verificar no hotel ou com quem vai hospedá-lo sobre horários de café, almoço e jantar e a possibilidade de pedir comida em outro horário. informe-se sobre o tipo de comida que servem;

– comprar lanchinhos e frutas que o bebê/criança goste mais para ter sempre à mão. pera e maçã são frutas fáceis de manter e descascar em qualquer lugar. o otto adora biscoito de polvilho, então sempre tenho na bolsa;

– ter sempre água pro bebê na garrafinha que ele costuma tomar, pra oferecer quando estiver na rua;

mas se seu filho é um santo e se comporta bem com fome e com sono, em qualquer lugar, DEUS CONSERVE, amiga 😀

(ou você é uma dos muitos sem-noção que não ligam do seu filho dar chilique em público, ou na casa dos outros. tsc tsc tsc)

(*) sei que há pais que não estabelecem rotina, não colocam horário pro bebê dormir, dão qualquer coisa pra comer, etc. pessoalmente, acho que isso é uma forma de se eximir de educar, com a desculpa de “não ter frescura”. é tarefa dos pais educar a criança a respeito de horário de dormir/acordar, e de como melhor se alimentar. isso é útil para o resto da vida! se meu filho quando adulto quiser comer só porcaria e dormir pouco/mal, problema dele. enquanto ele é criança, vejo como minha responsabilidade garantir o melhor sono e a melhor alimentação. por mais que dê um trabalho DO CÃO.

diário do otto: 1 ano e 2 meses

otto,

os meses agora se confundem, e já tenho certa dificuldade em saber as coisas que aconteceram mês passado e nesse mês. pode ser um sinal do seu crescimento (você já não é tão bebê, afinal) mas pode também ser sinal da demência tomando conta de mim 😀

neste mês viajamos novamente pra marília (a primeira vez foi um pesadelo), e dessa vez foi MUITO melhor. você dormiu na viagem, e quando acordou foi pra comer. não reclamou demais, mesmo ficando impaciente depois de tanto tempo sentado. nosso mocinho lindo! todos acharam você lindo, crescido e fofo. confirmamos, na casa do seu avô, que você detesta cachorros que latem ardido. bastava a cachorra latir e você chorava 🙁 mas enfim, não fosse eu uma jovem senhora também choraria (ou chutaria o cachorro, tivesse eu a sua idade e uma boa desculpa :D)

a coisa mais bonitinha desse último mês tem sido perceber seus sinais claros de independência e conquista de espaço, especialmente na hora de comer e dormir. você agora pede pra dormir (pede colo, deita no ombro) e quer comer sozinho. se damos a colher, você já coloca dentro do prato e faz aquela meleca 🙂 então preferimos dar pedaços grandes de comida, que você come feito on ogrinho e com o maior prazer do mundo. você come super bem, e gosta de praticamente tudo, mas algumas coisas são sua paixão: queijo e brócoli. é impressionante sua paixão por brócoli, fizemos até um vídeo!

você ainda não anda sozinho 100%, ainda pede nossa ajuda, nem que seja só de apoio moral 🙂 seu pai e eu somos contra forçar você a andar rapidamente, afinal essa fase não é uma competição, e deixamos você à vontade pra andar sozinho quando quiser. o problema até agora é que todas as vezes que você andou, foi na verdade uma corrida. e como você não sabe nem andar, imagine correr… já tivemos tombos e cortes na boca, e não foi divertido. estamos tentando convencer você que andar vem ANTES de correr, mas não tá fácil.

cuidar de você vai ficando mais e mais fácil (e mais gostoso), porque agora você realmente interage, e só falta mesmo é falar. inclusive seu vocabulário não avançou NADA, ao contrário da sua capacidade de compreensão, que está cada dia melhor. é incrível como você entende tudo o que falamos, segue ordens (nem sempre, né) e responde às nossas perguntas do seu jeito.

você começou a entender muito bem (até demais) o poder do charme 😀 agora dá abracinho na gente, e quando quer atenção faz “a cabecinha“. quem resiste?

como se não bastasse tanta fofura, agora você se mostra um perfeito ogrinho, filho de ogros, e morre de rir quando solta pum 🙂 e grita, feito um apito de fábrica, quando está feliz. falar pra quê, né? 🙂

nossos dias têm sido cheios, cansativos, mas também muito felizes e cheios de sol com você ao nosso lado. é muito bonito ver você crescendo, aprendendo e se tornando esse menino lindo e feliz.

um beijo cheio de amor,

mamãe.

(aqui as fotos deste seu mês)

o cardápio do ogro

não sei muito bem como é a dieta de outros bebês, mas sei que nem todos comem muito bem. aqui na família a exceção é só minha irmã, que sempre deu muito trabalho pra comer, e até hoje é bem seletiva. eu e meu irmão, por outro lado, comíamos até pedra (segundo minha mãe, enquanto minha irmã apanhava pra comer, eu e meu irmão apanhávamos pra parar :)).

tenho seguido a recomendação do pediatra desde o início, com toques e dicas da babá. as diretrizes são:

– cerca de 750ml de leite ao dia, espalhados

– 2 refeições principais (almoço e jantar) com todos os componentes: carboidratos, vegetais, grãos, proteína

– nada de sal, nada de açúcar. ervas e temperos com moderação, um pouco de azeite nas 2 refeições

– aumentar os pedaços dos alimentos conforme o bebê vá aprendendo a mastigar (no caso do otto, com 8 meses já dava pra dar pedaços)

– conforme o bebê for crescendo, separar mais a comida (evitar sopinhas, papas, comida toda misturada), pra ele se acostumar às cores, texturas e gostos diferentes

– frutas, várias, todos os dias

– (dica da babá) quiabo, sempre, pra ajudar o intestino

 

bom, seguindo essas dicas, a dieta do otto com 1 ano tá assim:

 – acorda entre 6am-7am
 – entre 7:30 e 8am mama 120-150ml, come um pedaço de pão (pequeno), um pouco de queijo cottage (2 colheres de sopa, mas se deixar come mais, hahahaha), ou um biscoito de polvilho. se quiser fruta, damos, mas normalmente ele não quer
 – 10:30am come fruta, e o tipo e quantidade variam de acordo com a vontade dele. a gente oferece sempre banana, pera, mamão, melancia e pêssego. ele adora também caqui e abacaxi, quando tem. tem dias que ele come um pouco de cada (1/2 mamão + 1/2 pêra, ou 1 banana inteira e mais amora ou goiaba ou jabuticaba, que a gente pega do pé e ele adora). mas tem dia que come 1/3 de banana, só, ou um pedaço de pêssego
 – 12:30 ele almoça, servimos sempre arroz (3 colheres de sopa) e feijão (3 colheres de sopa) + 2 colheres de sopa de carne/frango+ovo/peixe refogados com tomate, cebola e algum vegetal (quiabo, brocoli, couve, cenoura, abobrinha, a mistura mais de 1 às vezes e varia) + 2 colheres de sopa de um purezinho de abóbora ou mandioquinha (ou as 2 misturadas). colocamos sempre azeite (1 colher de chá) e vários temperos, normalmente os frescos que tem no quintal (manjericão, orégano, alecrim). às vezes misturamos um pouco de queijo no purezinho, mas normalmente é simples. ele odeia comida seca, então tudo tem que ser bem molhadinho 🙂 depois do almoço ele gosta de fruta, a gente oferece sempre laranja (ele come no mínimo 1/2, às vezes ela toda), melancia, pera e melão. a proteína é assim: frango+ovo 3 vezes por semana, carne 3 vezes por semana e peixe 1 vez por semana. ele come proteína em todas as refeições.
 – 3pm mama 180ml, e a gente sempre oferece fruta também. normalmente ele come
1 pedaço pequeno de fruta, às vezes mais (pêssego, que ele ama, às vezes come inteiro)
 –  5:15pm janta, normalmente damos uma sopinha de macarrão com tudo
 (legumes, alguma hortaliça, mandioquinha, abóbora/cenoura e alguma carne +
 temperinhos e azeite). ele come 2 conchas enormes cheias! depois ainda come
 alguma fruta (ele adora laranja e melancia de sobremesa, mas come também
 pera e melão)
 – 8pm mama 180ml
 – meia-noite mama 210ml, e aí vai mamar de novo só no dia seguinte

 vejam que seguimos basicamente a recomendação do pediatra dele na dieta de todo dia: proteína, arroz e feijão (ou macarrão, ou batata), legumes (cenoura ou abóbora, abobrinha ou chuchu ou beringela, mandioquinha ele mandou dar SEMPRE), hortaliças escuras (brócoli, couve, espinafre, pra evitar anemia) e frutas todas. pão, queijo e biscoito de polvilho a gente dá pra ele ter como acompanhar a gente no café da manhã e não se sentir excluído, mas é pouco 🙂

 quase não dou batata pra ele, porque desde o início deu muitos gases e prendeu o intestino. damos pouco, preferimos outros carboidratos (macarrão, arroz, feijão, nhame, cará e sempre a mandioquinha). ele AMA macarrão, então damos na sopa.

 sobre o comportamento: ele gosta de ajudar a comer, temos dado arvorezinhas de brócoli, por exemplo, ele adora. mas qualquer coisa que der ele come, embora ele não goste da consistência de coisas melequentas (por exemplo: banana muito madura ele não come!). ele gosta das frutas mais aguadas, tipo melancia, laranja e melão. e tem outra coisa: ele ADORA que a gente coma a comida junto com ele, faz questão que a gente experimente tudo (brincamos que ele nunca vai morrer envenenado, hahahaha). e gosta muito de comer junto com a gente, embora ele coma sozinho no cadeirão, todo dia. quando comemos e ele está junto, ele faz questão de comer da nossa comida (e às vezes almoça dobrado por isso).

 a verdade é que fora o sal e temperos mais fortes, a comida dele é basicamente igual à nossa. nossa alimentação é no dia a dia é arroz, feijão, alguma carne, legumes, salada. eventualmente comemos alguma fritura, mas é tipo 2x semana. ele ainda come a comida separada da nossa, mas estamos aos poucos convergindo 🙂

 fomos inserindo cada uma das coisas aos poucos. o otto nunca recusou nada definitivamente – com a devida paciência e insistência ele experimentou quase tudo até o momento e come numa boa. mas também seguimos a dica dele de não insistir muito: não quer, tenta depois, vai oferecendo uma fruta aqui e outra ali, complementando, e dá certo. e fomos aumentando as quantidades (e o tamanho dos pedaços) conforme ele pedia e aprendia a mastigar a única coisa industrializada que ele come é pão (se é que posso considerar assim) e biscoito de polvilho, que ele come quase nada, só pra fazer graça.
 de resto, nada de sal, açúcar, bolacha, nem cereal ou iogurte (até porque não temos costume de comer). suponho que manteiga e requeijão ele vá comer, porque a gente AMA 😀

ele dorme super cedo (7:30pm no máximo ele tá dormindo), por isso damos o jantar bem cedo, e aí acabou a comilança, só leite. até poucos dias atrás ele tirava 2 sonecas por dia (manhã e tarde), 1:30 cada, mas percebemos que ele está dormindo menos. mas basicamente ele passa o dia comendo, como dá pra perceber pela rotina.

vamos aproveitando enquanto ele tem bastante disposição pra comer, pois sabemos que algumas crianças perdem o apetite (ou ficam mais seletivas) depois. mas se ele puxar o pai e a mãe, vai comer bem sempre 🙂

das coisas todas

mais 4 dias e meu bebezinho faz 1 ano! mal consigo acreditar. em alguns momentos parece que os dias não passam, e tudo é cansativo e difícil, mas chega esse momento em que parece que voou (provavelmente porque as coisas ruins e difíceis ficam esquecidas, como convém à perpetuação da espécie :))

já são quase 6 meses de volta ao trabalho, o menino tá quase andando sozinho, creio que em breve vai começar a falar também, come feito um dragão e é constantemente feliz, sorridente e capeta. ou seja: tudo nos eixos. não fosse o desmame precoce e auto-imposto do menino e as doencinhas da estação, teria sido tudo perfeito.

a partir do primeiro aniversário vamos começar a alimentar o otto com a nossa comida, e pra isso eliminaremos o sal e reduziremos a quantidade de tempero. o sal cada um coloca no próprio prato (o que aqui entre nós eu achei bom, pois as meninas que trabalham aqui em casa carregam mais no sal e tempero do que eu gostaria). a vantagem é que nossa alimentação é bem balanceada e toda preparada em casa, sempre com legumes e verduras, carne, arroz e feijão, muitas frutas. comida simples e caseira, que é o melhor tipo.

bem, açúcar ele nunca comeu, e vamos continuar evitando. não quero ser absolutamente radical, porque acho que comida não é só combustível, é também ritual. não quero que o otto se sinta excluído quando todos estiverem comendo o bolo de aniversário dele, por exemplo, e ele não. vou evitar ao máximo o açúcar no dia a dia, mas quando o doce em questão for parte importante da refeição, se ele quiser vou deixar provar. refrigerante, só quando ele for bem maior, e ainda assim como exceção também. e se possível quero evitar que doces se tornem prêmio. odeio a idéia de comida como recompensa, ou associada com chantagem emocional (ai, meu filho, fiz esse pudim com tanto amor e você neeeeem ligou… eca!).

nossa rotina diária é muito bem estabelecida, e funciona bem: saio de segunda a sexta entre 7:30h e 8h, quando a babá chega, e volto às 17:30h, horário que ela vai embora. nos fins de semana costumo pedir ajuda à minha cunhada ou minha mãe, pra que eu tenha tempo de dormir umas horas a mais ou ir à manicure. mas no fim de semana, aproveito o máximo de tempo que tenho com o otto, e tem sido cada vez melhor. às vezes uma amiga ou minha mãe ficam com ele à noite pra gente poder jantar fora ou resolver algum assunto na rua, e ele fica super bem. o otto nunca chora quando eu ou o pai saímos, adora a babá, as avós e avôs, as tias. a partir dos 9 meses ele começou a estranhar pessoas que não conhece e ambientes estranhos e muito lotados (aí ele chora de dar pena, e se agarra na gente, tadinho). mas basta passar o tempo e acostumar, e ele volta a ser o bebê sorridente e sem vergonha de sempre, rindo pra todo mundo e brincando.

acho que o fato de termos sempre deixado ele ir pro colo de todo mundo ajudou a torná-lo sociável e amigável, mesmo sendo tão desconfiado como ele é (observa MUITO tudo ao redor, as pessoas, a comida, a roupa, os brinquedos. não pega nem come nada antes de olhar muito bem). estamos felizes em observar como ele é feliz e gosta de conhecer pessoas novas (mas não gosta, definitivamente, de gritos e bagunça).

o sono dele melhorou bastante, mas ainda está longe de ser uma maravilha. já não preciso mais ir pra bola de pilates niná-lo pra dormir, basta sentar no sofá com ele no colo e balançar de leve. ele costuma dormir sem muito drama em 10-20min. ainda não conseguimos fazê-lo dormir sozinho, mas confesso que não tentei a sério 🙂 tenho gostado de fazer ele dormir no colo, aproveitar pra mimá-lo e mantê-lo bem perto enquanto ele ainda cabe no colo e é bebê. sei que vou sentir falta disso no futuro, e aproveito ao máximo. ele acorda 2x para mamar depois de dormir (por volta de 19h), e chora 3 a 4 vezes (o fer vai lá, consola ele no berço mesmo, e ele dorme de novo). e nos últimos tempos, depois das 5h trazemos ele pra nossa cama, que assim ele dorme mais tempo (até umas 7h, às vezes).

ele ficou resfriado 2 vezes até hoje (nariz entupido), e teve otite/amidalite/conjuntivite neste último mês. os resfriados são chatos, porque o nariz entope e ele dorme muito mal, mas basta lavagem nasal com soro e paciência pra passar. as -ites foram realmente muito chatas, e decidimos tratar com antibiótico e colírio, porque 3 infecções simultâneas pra um adulto já são incômodas; pra um bebê, seria cruel demais esperar passar no dobro do tempo. mas se por um lado o remédio faz a infecção desaparecer rapidamente, por outro tem o custo no corpinho novo do bebê – o otto teve alergia ao veículo do remédio, empipocou todo. então além de -ites, ele teve reação ao remédio. mas foi 1 semana somente (que pareceu durar uma vida), e passou. o primeiro ataque de vírus e bactéria que o corpinho dele sofreu, que dó!

e mesmo doente o menino sorria, brincava e até comia (nos dias ruins só mamava e comia pedaços de fruta). e deu seus 2 primeiros passos no meio da crise de -ites!

enfim, ainda vou escrever o post de diário do otto no fim de semana que vem, mas queria registrar aqui pras amigas mães ou futuras mães que há esperança. é difícil no começo, a gente fica exausta e desesperada, parece que nunca vai melhorar, mas melhora e fica cada vez mais divertido e gostoso.

respirem, se acalmem e relaxem, que no fim tudo dá certo 🙂

(sempre procurando rir dos obstáculos, inevitáveis. bom humor é essencial)

amamentação e alimentação: quase 9 meses, e tudo vai bem

depois de muita resistência, especialmente da minha parte, adotamos a mamadeira para complementar as mamadas do menino, quando ele completou 8 meses. a verdade é que foi simples, e ajudou muito no período da noite, desde então ele tem dormido cada vez melhor.

nosso pediatra sempre foi da linha “pare de amamentar de madrugada depois dos 6 meses”, e eu bem que tentei, mas o menino tinha fome. entre deixá-lo chorando e amamentar, amamentei. mas acontece o leite materno é absorvido mais rápido, é fato, e o intervalo tinha que ser de no máximo 4h entre cada mamada à noite…

é desumano uma mulher trabalhar o dia todo e amamentar a noite toda. aliás, que dureza é amamentar a noite toda mesmo que você não trabalhe o dia todo, é muito puxado. com o bebê comendo bem, ganhando peso e com ótima saúde, pra que se sacrificar? eu realmente estou convencida que pra ser boa mãe não é preciso (e nem desejável) sofrer, dar o sangue, etc.

diante do meu desejo de continuar trabalhando e ter noites de mais sossego e ser feliz, decidi testar a mamadeira. fiquei com medo dele não querer mais o peito, depois da mamadeira, mas sabia que aos 8 meses esse risco é menor. ele já sabe mamar no peito, beber no copo e mamar na mamadeira, sem confundir as coisas. pois tentamos, e foi ótimo!

atualmente ele mama no peito às 6:30h e às 19h, e na mamadeira lá pelas 8h (120ml), 15h (210ml), 20:30h (já dormindo, 150ml) e entre meia-noite e 1 da manhã 210ml.

as quantidades da mamadeira foram adaptadas por nós mesmos, a recomendação do pediatra foi 210ml às 15h e meia-noite (as outras nós damos por conta, porque achamos que ele mama pouco no peito). fico contente que ele continua mamando no peito, porque não é a fonte primária de alimento dele mas é um suplemento essencial para sua imunidade, funcionamento do intestino e, é claro, chamego com a mãe 😉

além das mamadas, ele tem se alimentado de sólidos muito bem: 1/2 mamão todos os dias de manhã, 1 pera (às vezes inteira de uma vez, às vezes em 2 período do dia), 1 laranja (não gosta mais do suco, quer a fruta) e 1 caqui ou banana ou melão. e almoça 1 prato de sopa cheio de sopa de legumes com alguma proteína (carne vermelha, frango ou gema cozida de ovo) e janta 1 prato cheio de sopa cheio de legumes somente.

iniciamos a papinha e as frutas em purê, bem líquido, para ensiná-lo a engolir. quando ele começou a engolir bem e “mastigar” (ele faz o movimento direitinho), mais ou menos no sétimo mês, paramos de fazer papa e deixamos tudo em pedaços. foi na mesma época que ele começou a não querer o suco e sim a fruta, e recusa coisas muito melequentas (prefere mastigar os pedaços).

aliás, é impressionante como a natureza é perfeita. o otto teve dentes muito cedo, os primeiros nasceram com 5 meses e com 8 meses ele tem 7 dentes já nascidos (e mais vindo por aí). junto com os dentes veio o interesse pela comida e o movimento de mastigação. ele sempre aceitou alimentos sólidos muito bem, e come com o maior prazer.

da minha parte, continuarei a dar o peito enquanto ele quiser. neste mês, com novos dentes vindo por aí, ele mordeu meu peito algumas vezes, e foi bem doloroso. dei bronca, tirei o peito, comecei a dar o peito com ele dormindo, mas não desisti. depois de 1 ou 2 semanas desse comportamento, passou e agora ele mama normal de novo.

ou seja: é possível manter a amamentação com a mamadeira, com os dentes e com a alimentação sólida. basta um pouco de paciência, sorte 🙂 e boa vontade.

ir ou não ir ao pediatra?

crédito seja dado: esse post foi motivado por um RT da @maedemerda deste post.

bem, medicina é um assunto que adoro, e inclusive se fosse escolher outra profissão hoje, escolheria ser médica com certeza (talvez neuro ou psiquiatria). além de gostar, respeito os profissionais e gosto de realizar acompanhamento preventivo da minha saúde – não espero ficar doente para procurar médicos. por isso mesmo, tento achar médicos que sejam mais próximos do “médico de família”, que me conheça e possa me dar dicas de como me cuidar melhor e evitar doenças.

quando se trata do meu filho, nem preciso dizer que sigo as mesmas regras. descobri quando ele nasceu que é de praxe acompanhar a saúde do bebê mensalmente, nos primeiros meses, e depois as consultas espaçam mais um pouco. achei ótimo, porque queria mesmo acompanhar de perto o desenvolvimento dele, e entender quais são as questões críticas de desenvolvimento e saúde da criança, assunto do qual não entendia nada.

o texto que me motivou a escrever esse post argumenta contra as consultas frequentes ao pediatra, e embora eu respeite motivações e opiniões diferentes da minha, faço questão de – no meu espaço – oferecer um contraponto.

se você é mãe experiente e fica tranquila em não acompanhar o desenvolvimento do seu filho com um profissional, excelente pra você: vai economizar tempo e dinheiro. o que vale é o seu conforto com o acompanhamento do seu filho, afinal. se tudo está bem, e você está confiante, ótimo. e pode ser também que você não seja tão experiente mas esteja cercada de pais/mães experientes que podem ajudá-la a avaliar se o desenvolvimento do seu filho está de acordo.

eu não sou mãe experiente, não tenho ninguém experiente e que eu confie 100% pra me dizer se tudo está bem, então prefiro que um médico especialista no assunto me oriente e acompanhe comigo o desenvolvimento do meu filho. caso precise de intervenção, que negociemos como fazê-lo.

palavra-chave, atenção: COMIGO. vou insistir num ponto que volta aqui nesse blog com frequência – assumir as responsabilidades pelo que faz, ser ativa no papel de gestante e mãe. médico não é deus e nem dono do mundo, e eu não sou retardada. pesquiso, converso com pessoas mais experientes, e construo meu repertório. as consultas com o médico são conversas, troca de idéias, negociações entre nós – pais responsáveis e decisores – e o médico, nosso consultor especialista.

escolhi o pediatra a dedo, conforme alguns requisitos: formação, experiência, indicação e, é claro, afinidade conosco. e as consultas são como devem ser: conversas entre adultos, que têm opiniões e experiências diversas. nosso pediatra entende de amamentação, alimentação, cuidados em geral e a saúde e desenvolvimento do bebê. há coisas que eu levo para as consultas que ele não sabe tão bem (amamentação, por exemplo) – e não há conflito algum. ele respeita nossas decisões que, apesar das diretrizes dele, às vezes não são as que ele tomaria. e nós confiamos no que ele diz, utilizando as recomendações da forma que achamos mais adequada.

em suma: a decisão é nossa, ele é somente um conselheiro, que nos diz como está o bebê e o que é bom/ruim na experiência dele. mas sempre deixa claro: a decisão é de vocês. e é mesmo, sempre, seja seu médico tão bom quanto o nosso ou um pé-de-chinelo.

dizer que consultar com um pediatra mensalmente é ruim porque ele pode direcionar decisões equivocadas é assumir a própria ignorância, morrer abraçada com ela. informe-se, pesquise, e use o médico de forma inteligente, se precisar de ajuda. se o médico for ruim, troque, caramba. e, enfim, se achar desnecessário, não use. mas não venha me dizer que parou de amamentar porque o médico mandou, né? precisa ser muito ignorante pra entrar numa nessa.

deve ter mesmo por aí uma porção de médicos ruins a ponto de dizerem que a mãe tem “pouco” leite, não sabe orientar e tal, mas acreditem (porque marido trabalha com inteligência de mercado e por acaso já pesquisou exatamente sobre esse assunto – orientação de pediatras sobre alimentação suplementar para crianças): a MAIORIA das vezes quem quer parar de amamentar, dar remédio ou suplementar é a mãe neurótica. o médico só prescreve porque as loucas insistem (e se eles não receitam, elas procuram outro que receite).

a menos que a mãe seja muito ignorante E o médico seja muito ruim, a responsabilidade pelas cagadas no cuidado de bebês e crianças é das mães e pais mesmo. e, como sempre, colocando a culpa no médico, porque ninguém mais pensa sozinho nesse mundo e não sabe questionar e concluir coisas por contra própria. a culpa é sempre do outro.

eu gosto de saber quanto meu filho pesa, mede, pedir orientação do pediatra que trata centenas de crianças por mês e tem 20 anos de experiência. mas isso não significa que “fiz porque o pediatra mandou”. ele orienta, mas NÓS decidimos. feito gente grande, como deve ser.

rotina do bebê: evoluindo e observando

iniciamos a rotina de alimentação do otto (além do leite do peito) aos 5 meses. a decisão foi tomada em conjunto com o pediatra, por dois motivos:

1. eu queria voltar a trabalhar com a rotina 100% estabelecida e ajustada por mim. como a volta estava programada pra quando ele estivesse com 6 meses e meio, preferi começar antes;

2. ele estava “regredindo” no intervalo entre as mamadas (pedindo pra mamar mais frequentemente, especialmente durante a noite). segundo o pediatra, baseado no crescimento dele (que foi maior que o esperado e acima do ganho de peso), é normal que ele mame mais porque precisa mais. a sugestão para aliviar um pouco pra mim (não ter que dar tanto o peito) foi iniciar com suco e frutas. (e funcionou!)

ele aceitou muito bem tudo o que oferecemos, depois de passada a estranheza inicial. caso você não saiba, como eu não sabia, todos os bebês estranham o sabor dos alimentos oferecidos na primeira (segunda, terceira…) vez. é preciso insistir, pra que ele se acostume. a diretriz do pediatra foi dar a mesma fruta por 1 semana antes de oferecer outra, e assim fizemos.

depois de 2 semanas de frutas e sucos, ele já estava gostando de quase tudo, e iniciamos a papinha de legumes. ele aceitou muito bem também, e depois de 2 semanas incluímos carne na papinha (tudo batido no liquificador). a diferença que sentimos, obviamente, foi no cocô: ficou pastoso e passou a fazer 1 ou 2 vezes por dia somente. até o início de outros alimentos, ele fazia cocô a cada 3h (até o terceiro mês) e depois de 4-6 horas.

a rotina dele ficou assim:

entre 6:00 e 7:00: acorda e mama no peito. brinca com a mamãe até as 7:30h 🙂

por volta das 09:00: suco de fruta (começamos com 1 laranja lima; hoje ele toma 2 laranjas mais um pouco de mamão. quando está com o intestino mais preso, colocamos ameixa preta junto batida)

por volta das 11:00: leite do peito no copinho, cerca de 100ml

por volta de 12:30: almoço (começamos com 4 colheres de sopa de papinha, hoje ele come 7. aumentamos progressivamente, conforme ele reclamava que acabou)

por volta de 15:30: leite do peito no copinho, cerca de 100ml

por volta de 17:00: fruta (começamos com 1/2 fruta, hoje ele come uma mistura de 3 frutas, 1/2 de cada, ou seja, 1 fruta e 1/2. também aumentamos conforme ele reclamava que queria mais)

costumamos dar 2 banhos curtos nele durante o dia, um de manhã e outro no início da tarde, pois ele é calorento e sua muito (e adora banho!). a maria passeia com ele a pé pelo menos 2 vezes por dia, ele adora e distrai. ele tira pelo menos 3 sonecas durante o dia, uma de manhã, outra na hora do almoço e outra à tarde, cada uma de 30min-1h. às vezes ele dorme mais, mas não é frequente.

chego do trabalho às 17:30h, brincamos, passeamos os 3 no condomínio a pé por 30-40min, e entre 19:00 e 19:30 ele toma o banho final do dia. a essa hora ele já está morrendo de sono (bocejando, coçando os olhinhos) e às 20:30h normalmente está dormindo.

o otto não dorme sozinho, nunca dormiu. precisamos niná-lo até dormir, ou ele chora, boceja, coça o olho e não dorme (e vai piorando, piorando… uma chatice). há os que defendam que devemos deixá-lo chorar no berço até “aprender” a dormir sozinho (nosso pediatra é dessa linha), mas nós não gostamos da idéia. achamos que ele é ainda muito bebê, e não é um problema ainda fazê-lo dormir no colo. decidimos fazer assim até que possamos conversar com ele e entender, ou que ele comece a dormir sozinho por conta própria, quando estiver pronto. por enquanto, quando ele chora à noite a gente pega do berço, nina de novo, e volta. isso acontece às vezes 1, 2 vezes por noite. às vezes ele acorda a cada 2h (quando os dentinhos começaram a nascer, por exemplo…)

até essa semana ele mamava durante a noite e madrugada: por volta de meia-noite, às 4:00 e depois o dia começava de novo. há 2 dias eliminamos a mamada da madrugada, ele mama por volta da meia-noite e depois só a partir das 6 da manhã. funcionou bem, e ontem foi o primeiro dia que ele dormiu direto até de manhã sem acordar (aleluia!). continuaremos insistindo!

truques que fomos adotando pra manter a rotina

– felizmente nunca precisamos fazer nada pra que ele dormisse às 20h, esse horário foi imposição dele mesmo, apenas respeitamos. o que fizemos foi sempre fazê-lo dormir de novo quando ele eventualmente acordasse entre 20h e 6h (em oposição a deixá-lo brincar, conversar com ele ou coisa assim). ou seja: a partir da hora que ele dorme, é noite e devemos dormir, nada de brincadeira nem conversa.

– não temos deixado ele dormir mais de 1,5h durante o dia. quando ele quer dormir mais, abrimos a janela, fazemos barulho de leve até acordar, ou simplesmente pegamos no colo e gentilmente acordamos.

– procuramos manter um intervalo de 2-2,5h entre as refeições, mas peço que a babá sempre tente manter o último leite do dia por volta de 15:30h, para que eu regule o horário da mamada-antes-de-dormir pra perto de 19:30h, que relaxa bastante o bebê e ajuda a dormir mais fácil (é incomum o otto dormir mamando, acreditem se quiser…)

– ele costuma dormir de chupeta, mas tiramos depois que ele dorme profundamente. a chupeta acalma bastante, e com os dentinhos nascendo então, é a salvação. mas tiramos sempre depois de um tempo, senão ele tira sem querer e acorda BRAVO.

update: esqueci do mais importante! quando ele completou 6 meses, comecei a anotar toda a rotina dele num caderninho, diariamente. a babá, eu e o pai mantemos os seguintes dados lá – hora que acordou/dormiu, mamou, comeu, fez cocô e dormiu (e por quanto tempo). essas anotações nos ajudaram a entender o ritmo dele, e também servem pra que eu saiba o que aconteceu com ele durante o dia quando chego do trabalho. considero essencial!

das muitas coisas que acontecem ao mesmo tempo

olha, um amigo diz que ter filhos é conhecer a vida selvagem, e é mesmo. não que por enquanto a coisa seja “selvagem”, mas no sentido de se conectar às coisas mais básicas de ser humano, ou ser bicho.

estamos aqui na fase de alimentar o bebê (além do leite) e observar como o trato digestivo se comporta. ao mesmo tempo, os dentes irrompem pelas gengivas do menino, transformando-o numa piranha assassina.

já disse por aqui do quanto o bebê é basicamente uma fábrica de excreções e fluidos corporais em geral. vivemos estes primeiros meses em função do xixi, cocô, vômito, baba e meleca (quando há), e ficamos felizes quando o cocô dá sinal de vida. a pior coisa que pode acontecer a um bebê é não fazer cocô (o que me lembra aquela ótima piada sobre quem é o mandachuva do corpo humano – o cu, e não o cérebro, lembrem sempre).

desde que iniciou a alimentação sólida, o otto estava com o cocô ótimo: mudou de líquido para pastoso, mas tudo sob controle. pois desde a inserção da carne vermelha o intestino prendeu um pouco, dificultando a vida dele e a nossa. hoje pela primeira vez ele precisou de ajuda para fazer cocô, e graças aos céus a super-babá dele estava aqui. ela basicamente obrigou o menino a fazer cocô: perninhas apoiadas sobre a barriga, empurrando, e óleo pra lubrificar. havia cocô, e ele não conseguia fazer (apesar de fazer força) porque estava endurecido. com a ajuda, fez muito – MUITO – cocô mais durinho, até chegar na consistência normal pra idade (pastoso). santa babá, porque eu já teria que apelar para o supositório, não saberia conduzir o procedimento. mas observei e aprendi, e se precisar fazer de novo já sei como é.

como se não bastasse, ele já está com 2 dentes embaixo e mais vários querendo rasgar a gengiva. tem pelo menos mais 1 embaixo e os 2 de cima (centrais) estão prontos pra sair. um deles está deixando a gengiva roxinha (como um hematoma), e segundo o pediatra é normal (às vezes o crescimento do dente rompe vasinhos). o menino morde tudo que vê pela frente, judia da chupeta loucamente, morde nosso braço, o ombro, queixo, nariz, mãos, qualquer coisa, pobrezinho. morde como cachorrinho pequeno, de chacoalhar a cabecinha. não imagino a dor e coceira que deve sentir, judiação.

pois junte os dentinhos nascendo e o cocô preso, e terá um bebê irritado e com problemas de sono. acorda de 2 em 2 horas, chorando, mordendo e reclamando. e nós aqui, tentando fazer o melhor pra que ele passe por essa fase sem muito sofrimento.

e dizem que temos sorte, pois há bebês que adoecem nessa fase, e ele não teve nada além do incômodo.

ainda quer ter filhos, meu bem? 🙂

aproveitando o ensejo…

uma mãe odara anônima resolveu deixar comentários no post anterior porque se sentiu ofendida pelas minhas opiniões. segundo ela, eu (1) estou generalizando, (2) estou incomodada com o fato de haver mulheres que adoram viver para seus filhos, (3) estou dizendo que minhas verdades são únicas e (4) estou me contradizendo no assunto “babá” por exemplo.

não publiquei o comment porque não gosto de bater palma pra louco dançar. aprendi depois de 10 anos de blog que os anônimos gostam de criar caso, mas não querem se comprometer com nada, ficam escondidinhos no anonimato só jogando lenha na fogueira e saem de cena intactos quando convém. não curto, acho covarde e deixo pra lá.

mas gostei da provocação dela, especialmente porque é fácil de provar que ela está errada 🙂 está errada porque me lê com má vontade e se entrega ao rancor. eu chutaria que isso se dá porque toquei em algum ponto dolorido dela, sem saber. não fosse assim, ela não se daria ao trabalho de vir aqui deixar 2 comments enormes… alguma coisa pegou. aprendi uma coisa nos meus anos de terapia, que vou compartilhar por pura generosidade: quando algo que alguém diz/escreve (e não é direcionado pessoalmente a você e não ofende uma raça, gênero, etc.) ofende e magoa você como se fosse pessoal, faça uma auto-análise. algo no que foi dito está ressoando algum problema SEU escondido. o autor não tinha intenção de magoar você, já que ele sequer o conhece, perceba.

convenhamos, a pessoa vestiu uma carapuça ENORME. e veio aqui tentar diminuir a importância da minha opinião e vivência pra se sentir melhor. já vi esse filme, e não caio mais. sigamos.

não vejo generalização nenhuma aqui nesse blog quando falo das MINHAS experiências. e por favor, não vamos cometer erros primários de interpretação de texto, tais como achar que “você vai sentir arrependimento por X ou Y” é uma generalização. isso é recurso de narrativa, ok? não vou nem explicar, isso é básico.

eu não me incomodo em absoluto com mulheres odara (embora ache esquisito). eu me incomodo muitíssimo com o discurso xiita e ditador destas mulheres espalhado pela web, que massacra as demais mulheres, acusando-as de serem mães piores e prejudicarem seus filhos por não corresponderem ao ideal de perfeição. isso está claríssimo em todos os meus textos, só não entende quem está de má vontade mesmo.

acho que sobre verdades únicas nem preciso comentar. se tem alguém no mundo dos blogs pessoais que já acertou e errou (mais que acertou), mudou de idéia e admitiu ter mudado de idéia sou eu. nunca tive medo disso, ainda não tenho, e nunca digo que há verdade única. esse discurso é típico de quem está na defensiva e sem argumento. vou pular.

e aí tem a acusação de eu ser contra babá e agora achar certo e defender. tenho excelente memória, e pra quem não tem meu post sobre o assunto está aqui. eu sei no que acredito, sou uma mulher muito inteligente e não há contradição nenhuma no meu discurso antes e depois de parir. não que fosse um problema haver contradição, isso não invalidaria minha opinião anterior e nem a atual (de novo, recurso pobre pra diminuir a opinião do outro…). continuo sendo contra as babás de uniforminho, que acompanham bebês com os pais em lugares públicos e dormem no emprego. nada mudou. a nossa babá é como uma creche de luxo, porque podemos pagar, oras. ela trabalha de segunda a sexta das 7:30h às 17:30h (horário em que estou fora trabalhando), é registrada, ganha um ótimo salário e é muito bem tratada, como profissional que é. e quando necessário eu contrato folguista de fim de semana, para poder fazer outras atividades, já que não conto com família disponível pra me ajudar com o bebê quando quero por exemplo cortar o cabelo e meu marido está ocupado.

(me ocorreu que talvez as mães-odara não cortem cabelos, não se depilem, por isso não precisam de ajuda extra quando querem se cuidar 😉 ou são das mães sem noção que deixam seus filhos chatos soltos e incomodando as pessoas em salões, que deus nos livre!)

bom, odara, viu como eu fico feliz em responder? não tenho nada a temer, estou tranquila com minha opinião e a forma como a expresso. estou aqui, exposta, colocando às claras várias opiniões e sentimentos que muitas mulheres têm medo de admitir (tipo querer devolver o bebê pra fábrica) graças às supostas “mães perfeitas” que fazem tudo parecer tão fácil e simples e gostoso. continuarei firme e forte aqui, baby. as mães e mulheres que ficam aliviadas em ler opiniões aqui são motivo suficiente pra que eu continue, e não me deixe abater por provocações como a sua.