diário do otto: 1 ano e 11 meses

otto,

nosso pirilampo, tatuzinho, gordinho-gostoso, belzebuzinho, lourinho, peste, spríto (de porco), meninão da mami. você está tão crescido, tão bonito, tão divertido que fica até difícil sair de manhã pra trabalhar!

você acorda todo dia (na minha cama. seu pai te resgata cedinho e leva pra cama, pra gente poder dormir mais um pouquinho), abre um sorrisão enorme pra mim e quer o “aipéd”. aí, sentadinho na cama, fica vendo vídeos e dançando quando escuta as musiquinhas, enquanto eu tento dormir mais um pouquinho… por mais que eu queira dormir, é uma delícia você puxando meus braços com suas mãozinhas gordas pra eu te abraçar enquanto você ouve música e vê os vídeos.

às 7:30h chega a maria, e você quer mamar e ver “o têm” (aquele desenho medonho do thomas e seus amigos). tomo banho enquanto você faz bagunça na cozinha com a “maía” e a “patícia”, e tomamos café da manhã juntos. enquanto a mamãe toma café com leite, pão com manteiga e 1/2 mamão você se acaba de comer “quejinho” (cottage, às colheradas), “ofinho” (ovos cozidos, você adora e pede sempre), pão, biscoito e às vezes uma fruta.

suas frases estão mais longas e mais engraçadas, e as palavras que antes até saíam direitinho agora saem uma maluquice, porque você bagunça tudo de propósito, só pra ver a gente rir. “pamápo!” você diz; “e o que é pamápo, otto?!” seu pai pergunta, e você gargalha, correndo pela casa e repetindo “pamápo! pamápo!”. ainda não descobrimos o que é.

seus verbos estão incrivelmente bons, apesar de muitas frases ainda serem ao estilo do mestre yoda — “quêjo, pedaço, otto, dá”. o que mais nos impressiona são os gerúndios, porque você usa muito certinho (“andá, sozinho”. colocamos você no chão, e você sai andando dizendo “andando!”).

uma mudança significativa que senti no decorrer do mês é que você me parece mais sensível às broncas, tem ficado muito mais chateado por ser contrariado e aparenta estar realmente sentido com coisas que parecem muito simples pra nós. por exemplo: um simples não para alguma coisa que você não pode pegar (um copo de vidro, sei lá) é um drama, e você chora, chora. as horas de trocar fralda (especialmente com a babá) têm sido um DRAMA, você não quer tirar a fralda de jeito nenhum. e o cachorro-que-ri, que foi um sucesso no seu aniversário e te fez gargalhar agora é motivo de choro desconsolado. o cachorro ri e se debate e você chora, chora, chora. (mas sabe lá porque você quer ver DE NOVO. e chorar DE NOVO).

fora esses momentos muito sentimentais (que têm acontecido às vezes no meio da noite pro desgosto do seu pai), você não tem demonstrado medo de nada diferente. nem de escuro (“ecurinho”, quando apagamos a luz pra dormir), bichos, nada. o barulho ainda incomoda você (rojão, bomba, bexiga estourando, carros/motos acelerando alto, etc.) mas neste caso até EU tenho vontade de chorar, me solidarizo.

sua alimentação continua uma maravilha, você come muito bem e de tudo, e mesmo quando recusa alguma coisa come o restante. quando pergunto o que você comer, num restaurante, você diz “shalada” (ou “fauófa” ou “batata fita”) e é fã número 1 de cebola crua em rodelas. precisamos servir em TODAS as refeições. seu bafo anda um horror 😀

as noites de sono têm variado. às vezes dorme muito bem, às vezes muito mal. vamos vivendo um dia de cada vez, sempre torcendo pro dia da “noite tranquila” chegar. há quem diga que tal coisa não existe, mas não custa sonhar!

nós achamos que você nunca se interessaria por bichinhos pra dormir, mas eis que você adotou o hugo, um monstrinho preto e lindo que trouxe pra você de uma viagem. além de ser muito fofo você abraçando ele, você pede pra gente buscar e pede pra gente abraçar ele… <3 “hugo. abacinho!”

meu amor, meu meninão grande, os dias têm sido mais divertidos, bonitos e interessantes do que jamais imaginei. ver você crescer, aprender e se tornar uma criaturinha grande está sendo uma enorme aventura e um prazer.

amo você, monstrinho. beijo da mami.

(suas fotos com 23 meses)

opostos e frases

como é típico da idade, o otto já aprendeu alguns opostos (sem que a gente percebesse): quente/gelado (apesar de confundir os 2); pesado/leve; dentro/fora; em cima/embaixo.

e está arriscando cada vez mais frases, como “num tem mais nada!”, “qué shalada”, “põe cóqui” (crocs <3), “andá iquéta, papai” (a bicicleta, que ele ama), “pa casinha” (quando está cansado). um pouquinho por dia ele vai colocando mais palavras no vocabulário, e arriscando mais e mais.

ele também aprendeu a falar “ai, mãe!” com um tom meio bufante, de adolescente, que é hilário. ele não sabe porque achamos tanta graça, e espero que demore a entender o significado da expressão 🙂

a lembrança dos nomes das pessoas, e amigos, é frequente, como uma repetição de ensaio. todo dia ele lembra: “amigo… ” e começa a lista de pessoas e bichos que ele gosta e lembra. uma fofura ele falando “manuela, gigio…”, os cachorros que ele vê todo dia a caminho do parquinho.

comprei pra ele um tapete de EVA com letras (não achei um de números), e achar as letras, tirar e encaixar é a nova diversão. ele pede: “o jota! o tê”. e brinca de “ler”, qualquer texto que vê. ele olha textos, coloca o dedinho como quem lê e fala “a-e-i-o-u” ou repete o nome do livro de histórias que lemos toda noite… uma fofura!

as primeiras frases, e a cabecinha com ideias

o otto entendeu o que é “amigo” (ou seja — alguém que ele gosta muito, ou coisa parecida), e agora repete os nomes dos amigos com frequência, como para relembrar. vira e mexe ele fala dos “amigos”: prego (pégo, o jardineiro), cáudia (a letti), maína (a marina da letti), obéito (roberto, marido da letti). é, ele ama a família toda 🙂

mas uma noite dessas ele estava deitado comigo, já no escuro, hora de dormir, depois de um dia intenso de brincadeira na casa de um amigo que tem 3 filhos: andré (8), julia (6) e helena (3). e começou o seguinte diálogo:

o: “amigo! andé… juila… quem maish?”

(eu em silêncio, não respondi. sou partidária de não dialogar depois de dar boa noite)

o: quase senta na cama, coloca o dedinho na têmpora e fala pra mim “pensha!!!”

derreti, claro, e apertei muito o menino 🙂

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essa semana ele disse a primeira frase completa, olhando um desenho de barquinho de papel (que minha sogra faz pra ele sempre que encontra): “vovó malu… fez… po Otto!”

<3

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e agora está se soltando mais com frases curtas, como “ábi pa mim” (a porta), “tomá banho” e a mais nova, no meio da noite ele acorda, chama o pai e fala “fálda. vazô.” (e quer que troque).

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ninguém pode mais ficar sentado, agora, que ele pega pela mão e chama: “venhanta!” 🙂

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como se a fofura geral da idade não fosse suficiente, ele agora só chama a tia paula de “paulinha”. assim, direitinho, o dia todo. “fêm, paulinha!”.

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as coisas mais fofas que ele fala nessa idade acontecem na hora de dormir. temos uma rotina muito bem definida há muitos meses, que começa com o banho (que pulamos às vezes nos dias muito frios), pijama, escovar os dentes, beber água, ler o livro e deitar.

o pai inventou uma brincadeira com os livros disponíveis (são 2), ele chama as opções de cardápio, e agora ele se refere à hora da leitura como “ápio”. o pai lê o nome do livro e o nome dos 4 autores (franceses), e ele acha o máximo! repete do jeito que consegue, e morremos de rir com a pronúncia (muito boa, aliás) dos nomes franceses.

f: — otto, quantos autores tem esse livro?

o: — qáto!

f: “valeRRí vidô…”

o: vidô!

f: “… cateRRíne tessandiê…”

o: sandiê!

f: “láuRRe baliancuR…”

o: cuRrrrr!

f: e “guiléRme tRanói”

o: tanói!

e aí é o festival de folhear o livro procurando os bichos que ele prefere, e nomear e contar cada um. contar as histórias que é bom, já desisti. agora só invento alguma coisa em cima do desenho do livro, pelo tempo que ele permite que paremos em cada página.

porque, afinal, pra quê regras? saltitamos pelos bichos, rimos juntos dos nomes, brincadeiras e pronúncias até a hora de deitar e finalmente dormir.

é a hora mais deliciosa do meu dia, sem sombra de dúvida.

o poder do verbo

o menino já se comunicava com a gente antes de falar, é verdade. mas é muito mágico expressar-se verbalmente, além de ser muito interessante observar como revelamos nossa personalidade através da fala. estou lendo um livro muito interessante sobre o desenvolvimento neural de bebês e crianças (coloco link depois) que explica como a linguagem estruturada é uma característica da nossa espécie e que, salvo exceções, todos nós dominamos a linguagem em algum momento, pois nosso cérebro já vem preparado pra isso.

depois de mais ou menos 1 mês de iniciar o processo de falar, o otto ensaia conexões entre as palavras e o uso de palavras fora do contexto óbvio. essa mudança é espantosa, apesar de sutil.

pra quem nunca acompanhou o desenvolvimento da fala de um humano, eu explico o quanto é interessante esse processo:  tudo começa com uso de palavras soltas, repetições de palavras que outras pessoas falam ou objetos/pessoas tangíveis, ou seja — tudo muito primitivo. mamã, água, au-au, pé. aos poucos se percebe a inserção de elementos mais subjetivos na fala, e a apropriação de verbos, mesmo que sem conexão com outras palavras. esse salto é incrível, pois a criança deixa de simplesmente repetir palavras ou verbalizar algo tangível e passa a expressar ideias próprias (“aúma” a bagunça), memórias (ouve uma música e lembra da “vovó vera”) e conceitos abstratos (“fuzí”, ameaçando sair correndo pra fugir da hora de dormir).

suponho que o próximo passo seja conectar o que é concreto com verbos, ideias, pessoas, e começar a formar frases complexas. ele começou a formar microfrases, em geral dando ordens (o imperativo definitivamente é o tempo verbal preferido dos bebês!): “aía, fêm!” (chamando com as mãozinhas)

já não consigo mais contar todas as palavras que ele fala, e nem me interessa a quantidade, pois agora finalmente é possível entender — através da expressão verbal, mesmo que truncada — os caminhos sinápticos do menino. agora é simplesmente uma questão de exercício fonético, estabelecimento de conexões e repertório.

o que me espanta neste momento é, diante da limitação do aprendizado tão ainda incipiente, a capacidade de flexionar verbos corretamente. ele ordena “apaga”, e quando apagamos, diz “apagou”; mas quando é ele quem apaga, diz “apaguei”. chega ao cúmulo de usar corretamente o verbo fazer. “otto, fez cocô?” e ele responde “fiz!”. outro dia vui a tia saindo de fininho (fugindo dele) e falou “fuzindo!”

não é que ele não erre as palavras, e confunda tudo (como achar que “eu” designa o outro, já que todos se referem a si mesmos como “eu”), mas muito frequentemente ele usa os verbos corretamente. mas confunde letras, e às vezes me parece que modifica certas palavras simplesmente porque acha legal — piábo, bocóli (ele já falou direitinho “quiabo” e “brócoli”).

a verdade é que é tão bonitinho ver as palavras sendo ditas do jeito todo especial daquele bebê que acabamos incentivando o erro, eu sei.

ele agora conta direitinho até quinze (mas sempre pula o DOZE), e está ensaiando mostrar os dedos quando conta. aprendeu algumas cores, mas não sabe o que é COR. ele pega o giz vermelho e diz “vemêlho”, “amarelo”, mas se perguntamos “que cor é essa?”, nos olha espantado com cara de ué, e pede o “maôm” pra rabiscar alguma coisa.

ele identifica as figuras geométricas mais simples (e que fazem parte dos brinquedos dele de encaixar), “tiângulo”, “qadádo” e “bola”. pede pra desenhar tudo: as figuras, “úa” e “estêla, estelinhaaaa”, vários bichos, e manda a gente fazer tudo. “aúma”, “ímpa”, “ábi”, “fecha”, “fêm”, “anda”, “cóe” (corre), etc.

contando sozinho!

o vocabulário do otto vem se expandindo, semana a semana, e com 1 ano e 9 meses ele ainda não formava frases mas já explorava bastante as palavras.

coruja e caramujo são UUÚ; gá-tô; au-au; am-bá (saruê); o morcego é IR, graças ao morcego moacir de pelúcia; rato-pato (que é um personagem da história de dormir) é ATO-PÁ; pa-tô; co-có; ovelhinha é BÉ-É-É; o único animal ele fala PERFEITO é águia.

muitas das explorações de vocabulário dele têm a ver com pessoas, e — FINALMENTE! — neste mês ele começou a falar direitinho mamãe, mãe e MAMI! <3

além de aía, que é a maria, a babá, e pau que é a tia paula, ele fala artá (marta, que ajuda com a limpeza da casa), vovó véa, vovó lu, tia, pé-go (prego, o jardineiro que ele ama) e kito (tio). os verbos aparecem aqui e ali, mas sempre e principalmente qué (quer), ábi (abre), papá (comer ou comida), naná (dormir), mamá (mamar). e tem chulé, janjão (o camaleão de brincar no banho), ága (água), aqui (sempre apontando, pra dizer exatamente ONDE), úa (rua) e uá (lua), EU (que muitas vezes significa outra pessoa :D ), ábo (rabo, seja de bicho seja de cabelo).

a fofura maior é ele chamando a si mesmo de otto, apontando pra barriguinha! “quem tá fazendo bagunça?” “OTTO!”, aponta.

não sei se isso é comum nesta idade, não convivemos muito com crianças, mas ficamos impressionados porque ele aprendeu a contar e falar os números, “sozinho” (sabemos que ele aprendeu com alguém, mas não teve intenção da nossa parte tipo “vamos ensinar o menino a contar”). ele mostra os dedinhos quando conta (uuum — 1 dedinho; dôsh — 2 dedinhos com o maior esforço). o tês e cáto ele fala e não faz dedinhos. mas conta “uuum, dôsh IIIII XÁ!” (1, 2 e já), e se joga, enfim, faz alguma ação depois do JÁ 😉

no meio das brincadeiras ele viu 2 gatinhos no livro e disse: “ga-tô. uuum, dôsh!” e mostrou 2 dedinhos! e logo depois mostrou a mãozinha (“uuum”), a outra mão (“ooô” — outra) e mostrou 2 dedinhos (“dôsh!”). mesmo sem nossa intenção de ensinar a contar, ele entendeu como funciona e achou legal :)

torneirinha de asneiras

depois de meses de apreensão e aquela sensação de “será que tem algo de errado com meu filho”? o otto começou a falar. relendo os diários mensais dele, acho que ele começou bem antes, mas graças às nossas expectativas irreais sempre achamos que ele ainda não falava.

independente de quando foi a primeira palavra de verdade, foi com 1 ano e 7 meses e 3 semanas que ele finalmente ofereceu 1 palavra voluntariamente, “pé”, e daí passou a tentar realmente se comunicar com palavras. vamos daí.

criei essa categoria tagarela na tentativa de registrar a fofura que é essa fase da descoberta da linguagem. sei que essa fala ainda vai ficar muito mais divertida e complexa, mas essas primeiras semanas de palavras e experimentos verbais são incríveis, além de muito divertidos.

é possível que haja momentos mais fofos, mas confesso que por enquanto essa é a fase que achei mais linda do otto!

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suas primeiras palavrinhas na fase tagarela: pé (é pé mesmo e ipad também), mão (o ã é super engraçado!), chão (muito frequente, quando quer que a gente deixe ele solto andando), có (colo), tetê (chupeta), pão, papai, tia, pau (paula), aía (maria), qué, não, roXão (rojão), dirigí (adora sentar no banco do motorista no colo do papai quando estacionamos na frente de casa!), xixi, cocô, pum, pepé (papel), iX (lixo), papá, fofô (vovô), ogr (ogro).