Aranhas são ovíparas né

Quando a criança é a pessoa mais adulta da casa, assistindo desenho:

Vó Vera: “nossa, o homem aranha tem mãe?!”

Otto: “claro, como você acha que ele nasceu?!”

Vó: “de um ovo, quem sabe?”

Otto: 🙄

Do contra

Isso é o Otto contando pra avó Vera — MUITO empolgado e feliz — que vai se mudar pros Estados Unidos!

Foi mais ou menos assim:

Nós: “meu amor, a mamãe recebeu uma proposta de trabalho muito legal, e nós vamos nos mudar para os USA.”

O: “mas eu não quero me mudar…”

Nós: “a gente imagina, meu amor. Mas vai ter muita coisa legal!”

O: “tem mais legos do que aqui?”

Nós: “muito mais!!! Tem tudo!”

O: “OBA!!!! Mas eu vou querer levar meus brinquedos, meus livros favoritos, minhas coisas.”

Nós: “você pode levar tudo que quiser, meu amor.”

O: “o problema é que não vou entender nada que se pessoas falam, né?”

Nós: “por um tempo, vai ser difícil. Mas você vai aprender rápido, e a gente também. Você vai ter ajuda na escola, e nossa também.”

O: “como se fala – ‘eu sou do Brasil?’”

Nós: “I am from Brazil!”

(Ele repete, com pronúncia muito melhor que a nossa hahhahaha)

Fernando: “ah, e a gente pode trazer alguém aqui em casa pra conversar com você em inglês pra acostumar, o que acha?”

(Tentar não custa…)

O: “acho ótima ideia!”

Falamos sobre muitas coisas que ele ama, entre elas patinação no gelo (sempre quis aprender). Falamos das escolas, que adoramos porque têm laboratórios de ciências.

O: “até de química??? OBAAAAAAA!!!”

O: “puxa, pena que eu não nasci lá né?”

Saiu pulando, feliz da vida, pra contar pra avó que vai morar nos Estados Unidos.

**

Alguém chama o Padre Karras, porque a quiança tá possuída.

😱

<3

Quem não conhece direito o Otto, aproveitando o aniversário, esse episódio resume a quiança.

Fernando pergunta alguma coisa pra mim, querendo que eu ajudasse a decidir:

Eu: “ah, não sei não. escolhe com o seu coração :D”

Otto: “mas quem escolhe é o cérebro, o coração não escolhe nada.”

Fuén 😀

No religion

Entrei num post que pedia opinião sobre ensino de religião nas escolas, e opinei: sou contra ensino de religião nas escolas. Religião, pra mim, se ensina em casa, é questão privada e não pública.

(Inclusive acho que pais não deviam impor nenhuma religião aos filhos. Todos deviam ter direito de escolher ter religião ou não)

Aí fui ler comentários, e não eram ruins como eu esperava, mas basicamente todos com a mesma tônica: religião (mesmo quando contemplando a diversidade) associada ao ensino de valores. Compaixão, gentileza, bondade, empatia, altruísmo, pode colocar seu valor favorito na lista — todos usados como SINÔNIMO de religião.

A tentação é grande, mas esse não é um post pra criticar religiões, mas antes lembrar que a religião não é necessária (e no meu caso nem desejada) para ensinar valores. Todos os valores, sem exceção, podem ser ensinados sem nenhuma associação com religiões.

Inclusive penso que ensinar valores sem apelar para recompensas divinas é melhor, e mais honesto. Ser bom, empático e altruísta sem esperar nada em troca é um exercício importante.

Amar ao próximo, fazer o bem — gostaria que todos ensinassem isso aos nossos filhos sem precisar de instituição.

Marketing, coisa do demo

Propaganda é uma coisa do mal, gente.

Otto não assiste TV nem aberta nem fechada, só NetFlix. Só que minha mãe e eu amamos os Irmãos à Obra, e o Otto começou a assistir com a gente.

É MUITA propaganda, um inferno. A ponto de eu pegar ranço da Trivago, que é uma das mais repetitivas.

Agorinha, assistindo com minha mãe, escutamos ele dizer:

— “vovó, eu vou usar o Trivago! É muito legal!”

E a vó: “ah, é? E o que eles fazem?”

— “eles ajudam a gente a encontrar hotéis.”

Esse caso pode parecer inócuo, mas imagine as mensagens marteladas o tempo todo nos intervalos dos programas que a gente gosta falando COMPRE BATOM ou SEJA MAGRA ou SEJA JOVEM?

É foda.

**

Ainda sobre propaganda, Otto agorinha:

“Eu queria ter aquele negócio da televisão, que de dia não me dá sono e de noite me ajuda a dormir melhor”

Propaganda de remédio pra gripe, gente. Naldecon, acho.

🙄

Homo Sapiens

Trouxe de viagem pro Otto um livro lindo de ciências, porque ele tá obcecado com química. Na primeira noite ele já me disse “posso estudar o livro que você me deu antes de dormir?”. Como negar? ❤

Fomos direto pra parte de química, que começava com os átomos e a tabela periódica. O encantamento dele com a tabela, o número atômico e como se formam as moléculas foi muito lindo de ver. Fiquei emocionada de verdade — o humano foi feito pra aprender né? Cheio de curiosidade e desejo de desvendar mistérios, encontrar padrões, descobrir coisas.

Em que momento nos perdemos, e paramos de ser curiosos descobridores de coisas incríveis?

Eu quis ser mãe por motivos antropológicos, porque muito me interessava a experiência de criar outro humano (mesmo que não viesse do meu corpo). Mal sabia eu o quanto essa jornada de reconhecer os passos que trilhamos para nos tornarmos adultos seria apaixonante. Observando meu filho, lembro de mim mesma quando criança, do meu encantamento com o aprendizado, da magia das ciências todas, do amor pelo conhecimento.

Aprendo tudo de novo, só que melhor, com Google (meodeos que coisa incrível), com tempo, com paixão.

A parte ruim é que quanto mais aprendemos juntos, em casa, mais ele odeia a escola. Tenho fé que em algum momento ele perceba que pode “pedir” mais também da escola, como pede de nós.

Mundo atômico

Domingo na mesa do almoço, Otto 8a:

“Se entre todas as moléculas e átomos existe um ‘espaço’, por que a gente não consegue atravessar as coisas usando esses ‘espaços’?”

E agora depois de pesquisar moléculas, átomos e microscópios eletrônicos, meu histórico de pesquisa acha que eu sou algum tipo de gênio do mal.

(Tentei explicar usando uma peneira, com a água e ar passando e a mão não passando. Não sei se ele tá convencido não)

criando meninos num mundo machista

mães feministas de meninos têm muito trabalho pra DESFAZER ou NEUTRALIZAR o que o entorno empurra. e me pergunto até quando eu conseguirei fazer isso, já que na adolescência a última pessoa que eles escutam é a mãe.

quando se é feminista atenta e ativa e mãe de menino é que você percebe o quanto a mensagem é martelada pra esses meninos desde pequenos, o tempo todo: meninas são inimigas; homem tem que ser forte; homem não pode chorar; homem precisa GANHAR o tempo todo, não pode ceder; homem precisa ser forte, provedor, dominar a situação.

meninos não são incentivados a ser criativos, gentis, cuidadores, sensíveis. inclusive quando são assim por natureza, são hostilizados.

e eu ainda tenho junto comigo um pai companheiro e que abraça o feminismo na vida e na criação do menino; ele assume a responsabilidade de criar um menino com outra postura. mas e o mundo, gente? e quando esse menino se percebe tão diferente dos outros que sentirá desejo de se adequar à sociedade machista e escrota?

precisamos criar meninos melhores, URGENTE.

Eis a questão

Assisti 3 episódios da 2a temporada de “Handmaid’s Tale”, que tem flashbacks de antes da situação de escravidão das mulheres férteis.

Uns posts atrás eu publiquei sobre uma mãe respondendo a um texto de um pai que diz que quem não quer cuidar dos filhos não deve tê-los. Em tese, num mundo ideal, acho que é mesmo saudável considerar muito bem essa opção antes de decidir ter filhos, mas essa ideia tem 2 problemas:

1/ Não é possível explicar o trabalho que dá ter filhos pra quem não tem. Não dá pra emprestar os filhos dos amigos, porque você só vai sentir uma pequena parte da responsabilidade (manter a criatura viva), sem toda a parte de se preocupar com o futuro, e com a subsistência daquela criatura no momento atual. Não dá pra explicar objetivamente o peso que é. E sem saber o que é, dificulta tomar uma decisão.

2/ “Cuidar” é uma palavra tão complexa. Quem cuida melhor do filho: o que acolhe e ouve, e dá voz, ou o que obriga a fazer coisas que a criança não quer mas que são úteis no futuro?

Vou exemplificar: Otto não faz NENHUMA atividade extra curricular, pois ele gosta de ter tempo livre pra brincar, ler, desenhar, e nós decidimos respeitar isso. Quase todas as crianças da idade dele que conheço e têm nosso perfil econômico fazem várias atividades como esportes, música, outros idiomas, o que é certamente visto pelos pais como investimento no futuro da criança que saberá tocar violino, falar mandarim ou dançar balé.

Os pais que trabalham o dia todo pra pagar aulas de tudo que é coisa pros seus filhos não se importam com eles porque poderiam passar mais tempo com eles nas preferiram ganhar dinheiro pra investir na educação deles?

Ou será que nós, que não mandamos o Otto pra nenhuma atividade extra, somos relapsos e não nos importamos com o futuro do nosso filho?

Voltando à série, antes do apocalipse contra as mulheres, June é criticada por não ficar em casa com sua filha quando ela tem febre. “As crianças são importantes demais para você vir trabalhar enquanto sua filha está doente”. Imediatamente antes, de manhã, planejando o dia, ela e o pai da menina planejam deixar a menina na escola pra terem tempo pra si, a sós.

A resposta da sociedade, naquele momento, foi categórica: QUE PAIS SÃO ESSES? Como assim, mãe trabalhando e a filha com febre? Como assim, pais que querem tempo sem a criança?

Me preocupa muito esse julgamento sobre a forma de educar os filhos (dos outros, sempre) e o quanto os pais “se importam”. Não é possível medir o quanto alguém se importa com qualquer coisa. O que podemos é observar ações e, segundo NOSSOS parâmetros, julgar.

A geração dos meus pais e os pais do Fer “se importavam” muito menos com os filhos, segundo padrões de hoje. Éramos muito mais soltos, muito mais independentes. Isso significa que de fato eles se importavam menos? Eu acho que não. Acho muito improvável que existam muitos pais que se importem pouco com seus filhos. Sendo mãe, só acredito vendo, e observando MUITO de perto. Ações pontuais que pareçam indiferença ou descaso podem ser muitas outras coisas — cansaço, saco cheio, depressão, stress, medo, enfim.

Mas, na dúvida: não tenha filhos. O mundo realmente não precisa de mais gente.

Por outro lado, sem dúvida: recomendo não julgar quem tem filhos e está batalhando pra criá-los. Caso ache que é que caso de abuso com as crianças, denuncie, conselho tutelar tá aí pra isso.

Otto viajando

Hoje tá puxada a quiança. 😒

eu: “nossa, que carinha de triste você tá! Tudo bem?”

O: “tudo. É que a minha cara é de elétron, minha atitude é de próton e meus movimentos são de nêutrons.”

E faz uma dancinha de nêutrons.

**

O: “o caminho que a gente fez foi de 3 semi-semi círculos…”

Eu: “… mas isso é…”

O: “deixa eu terminar! É a mesma coisa que 1 círculo menos 1 semi-semi círculo!”

Fernando: “isso mesmo, 3/4!”

🙄

**

F: (com seu legítimo sotaque de Marília) “é uma ARVRINHA” (=árvore pequena)

O: “nossa, você falou igualzinho ao Chico Bento! ARVRINHA [beeeem carregado]”