1 mês, 30 livros: day 28, a book you can quote by heart

ih, fácil: ne-nhum. sério. além de não decorar nada nunca por muito tempo, ainda tenho um probleminha: sou a rainha da interpretação. eu podia chamar de paráfrase, mas seria técnico demais. o que eu faço é interpretar mesmo. ou melhorar a obra, com meu toque pessoal, digamos (hahahaha!).

o engraçado é que músicas, por exemplo, decoro muitas e várias e nunca esqueço, mas livros não tem jeito. até poesia, que eu já decorei porque precisei, esqueci.

a coisa mais próxima de citação que eu posso mencionar é a litania contra o medo, das bene gesserit de duna, que eu consigo MAIS OU MENOS lembrar (nunca exato):

eu não temerei. o medo é o assassino da mente. o medo é a pequena morte que traz a total obliteração. eu enfrentarei meu medo, permitirei que ele passe sobre mim e através de mim. e quando houver passado, voltarei meu olhar interior para ver sua trilha. para onde o medo se foi, não haverá nada. só eu restarei.

(litania bene gesserit contra o medo)

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1 mês, 30 livros: day 27, favorite love story

queria registrar que, de coração, é a história dos protagonistas de his dark materials. é uma história não só de amor, mas de primeiro amor e tão doce e triste que só de escrever aqui já fiquei com os olhos cheios de lágrimas. mas essa trilogia já foi citada em mais de um post, não vale.

tem também a história intensa, triste e trágica de tanis e kitiara (encerrada neste livro, que já citei neste desafio), um amor cheio de contradições e impossibilidades. mas com tanta verdade, e também tanto auto-engano… tão real. adoro!

como não consegui colocar esse livro em nenhum dos outros posts, aproveito a oportunidade: aragorn e arwen, da trilogia senhor dos anéis :)

um amor sereno, maduro e cheio de doçura. cercado por diferenças (de raça, inclusive) decisões difíceis, perigos e armadilhas, mas sempre firme e cheio de esperança. com o perigo de soar muito piegas — e tudo bem, o amor é cafona :D – creio que é assim que o verdadeiro amor deve ser: um farol em meio à neblina mais densa, mesmo quando estamos diante dos maiores obstáculos e desafios.

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1 mês, 30 livros: day 26, a book that makes you fall asleep

afe, mas são assim MUITOS. quase todos, ler me dá soninho bom, é como um descanso pra mente, e por isso gosto de ler antes de dormir. quando começo a ter que repetir os parágrafos é sinal que tá na hora :)

mas tem que escolher 1, então vou escolher os sertões de euclides da cunha. jesus, que livro chaaaaato. interessante e importante, sim, mas chato demais.

“Do alto da Serra de Monte Santo atentando-se para a região, estendida em torno num raio de quinze léguas, nota-se, como num mapa em relevo, a sua conformação orográfica. E vê-se que as cordas de serras, ao invés de se alongarem para o nascente, medianas aos traçados do Vaza- Barris e Itapicuru, formandolhes o divortium aquarum, progridem para o norte. Mostram-no as serras Grande e do Atanásio, correndo, e a princípio distintas, uma para NO e outra para N e fundindo-se na do Acaru, onde abrolham os mananciais intermitentes do Bendegó e seus tributários efêmeros. Unificadas, aliam-se às de Caraíbas e do Lopes e nestas de novo se embebem, formando-se as massas do Cambaio, de onde irradiam as pequenas cadeias do Coxomongó e Calumbi, e para o noroeste os píncaros torreantes do Caipã. Obediente à mesma tendência, a do Aracati, lançando-se a NO, à borda dos tabuleiros de Jeremoabo, progride, descontínua, naquele rumo e, depois de entalhada pelo Vaza- Barris em Cocorobó, inflete para o poente, repartindo-se nas da Canabrava e Poço-de-Cima, que a prolongam. Todas traçam, afinal, uma elítica curva fechada ao sul por um morro, o da Favela, em torno de larga planura ondeante onde se erigia o arraial de Canudos – e daí para o norte, de novo se dispersam e descaem até acabarem em chapadas altas à borda do S. Francisco.”

ZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzz.

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1 mês, 30 livros: day 25, a book you used to hate but now love

nossa, não existe. nunca odiei um livro, só tem os que achei chatos. e como achei chato, não tentei de novo… essa eu vou passar!

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1 mês, 30 livros: day 24, favorite book series

poxa, esse desafio pra mim acabou ficando repetitivo, porque sou fã de séries :(

já citei minhas preferidas todas em outros posts, aqui vão as 2 mais-mais:

1. duna

2. dragonlance

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1 mês, 30 livros: day 23, the book you’ve read the most times

eu perdi a conta de quantas vezes li alguns, mas foram mais de 5 vezes com certeza. o problema é que eles estão todos aqui já listados: duna, dragonlance, it, a bússola dourada, memórias póstumas.

esse desafio tá fácil demais :D

o que posso dizer sobre este post é que gosto muito de reler os mesmos livros, muitas e várias vezes. é como voltar pra casa, encontrar amigos. revivo emoções e sempre (sem exceção) descubro algo novo nas leituras.

a atividade de leitura e releitura depende muito do como estamos, o que estamos passando/pensando na ocasião, e livros de certa forma são oráculos. encontramos respostas neles que são na verdade mais relacionadas às perguntas que temos naquela ocasião do que em qualquer outra coisa.

busco conforto nos meus oráculos particulares, quando preciso de respostas, ou simplesmente um lugar conhecido pra pensar e sentir.

tenho uma certa pena de quem coleciona leituras como selos, lendo somente 1 vez cada livro, porque afinal “há tantos livros pra ler no mundo”. não vou conseguir ler todos, e francamente não estou competindo com ninguém. ler, pra mim, é parte de viver e ser feliz. como dormir, e sonhar. é tão parte da vida quanto estar desperto e viver :)

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1 mês, 30 livros: day 22, favorite book you had to read for school

já citei vários deles aqui (dia 18, dia 13, dia 10), e não quero repetir. então escolho capitães de areia, porque eu me achei tão adulta lendo esse livro! :D

toda malandragem, a descoberta da sexualidade, dificuldades de ser criança mas ter que ser adulto, caramba, eu achava aquilo o máximo! e o choque de realidade, né, que faz a gente (pré-adolescente, já querendo se rebelar) colocar o pé no chão e perceber que a vida é muito mais difícil pra alguns. que minha vida afinal era moleza, caramba.

acho um livro interessante, principalmente se lido no contexto escolar, com alguém ajudando a interpretar, explorando mais as questões todas do livro.

aliás, como eu sinto falta de uma leitura acompanhada, aiai…

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1 mês, 30 livros: day 21, the best book you’ve read this year

pô, eu devia ter juntado os 2 posts num só, essa é a verdade, porque o melhor livro do ano (foram poucos, com bebê pequeno não é fácil arranjar tempo pra ler) foi o nome do vento (confira o post anterior).

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1 mês, 30 livros: day 20, the last book you read

reli, na verdade, o nome do vento de patrick rothfuss. amo! e reli porque comprei o segundo volume da trilogia, wise man’s fear (ainda sem tradução, que eu saiba) e queria relembrar a primeira parte (o segundo livro foi publicado 2 anos depois do primeiro, argh).

a comparação com harry potter é ridícula. o personagem principal frequenta a escola arcana (que não dá pra chamar de magia, neste contexto), e a semelhança acaba aí. não vou contar NADA da história, porque não entendi ainda o contexto maior, apesar de estar acabando o 2o volume, e não quero estragar nada do enredo.

o livro é excelente, pra quem gosta do estilo. é ficção, mundo parecido com o nosso com um certo toque medieval, mas com suas próprias regras, geografia, raças, história e etc. um outro universo, e tudo muito bem construído e escrito. estou adorando e recomendo!

além disso, recomendo o blog do autor, que serve basicamente pras pessoas elogiarem ou xingarem porque os livros demoram muito para serem escritos/publicados :)

(e os livros são tão longos! delícia. <3)

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1 mês, 30 livros: day 19, favorite nonfiction book

esse é fácil também: o gene egoísta.

o livro me foi apresentado no começo da década de 90 por um colega de trabalho da USP (que a propósito é uma figura singular, fundador do genismo (recomendo conhecer o site, nem que seja para se divertir :) )

sempre tive uma grande curiosidade em relação a religiões e o que vou chamar de espiritualidade. meus pais acreditam em deus, mas não são religiosos. suas famílias são católicas não praticantes, e como é comum no brasil, misturam várias religiões (espiritismo, catolicismo, entre outras). meus padrinhos (sempre foram muito próximos dos meus pais) de batismo (na igreja, por exigência das avós) eram pai e mãe de santo. pois é.

fomos criados sem nenhum tipo de educação religiosa, e só o que era perguntado por nós era de alguma forma respondido. mas meus pais sempre foram do tipo “vocês escolhem o que querem acreditar, quando tiverem idade pra decidir”, e iam levando sem imposição nenhuma, mas também sem grandes esclarecimentos. cresci investigando, sempre que podia (e creio que meu interesse em estudar história veio da curiosidade em relação à religião e crenças).

nesse meio tempo, vira e mexe estávamos em igrejas pra casamentos e batizados, bem como assistindo aos rituais de candomblé dos meus padrinhos :D

cresci, estudei e investiguei, e nenhuma religião fez sentido pra mim. além da questão de fazer sentido, confesso que jamais me identifiquei com a fé religiosa, sempre fui questionadora e muito racional. nenhuma religião ou fé me convenceu. e no processo de busca, percebi que a possibilidade de não haver nada além deste plano de existência não era assustadora pra mim. eu realmente nunca me senti desconfortável com a idéia de um mundo sem deus, shiva, alá, seja lá o que fosse. tampouco me amedronta a idéia de não haver alma, reencarnação, vida após a morte, paraíso ou inferno. o assunto então deixou de ter importância, até que…

… esse livro me fez FELIZ. ele explica porque somos como somos, e quão perfeito é o mecanismo de tornar-se inconscientemente eterno. entendi o que nos move, o que move a todos os seres que se reproduzem, mesmo que não saibam. e percebi, finalmente, que não é preciso um “grande arquiteto”, a vida é por si só, sem intervenção e sem “back office”.

este livro é obrigatório para os que buscam respostas e querem entender o que é ser humano, o que é pertencer a esta espécie. para apreciar este livro não é preciso ser ateu, mas é essencial ser humilde, e ver-se como mais  um dos tantos animais existentes e não com um ser especial feito à semelhança de algum deus. é um belíssimo livro, que merece ser lido e relido muitas vezes.

a questão central do livro é que somos meros hospedeiros dos nossos genes, somos “transportadores” pré-programados para perpetuá-los e protegê-los enquanto os espalhamos pelo mundo. nosso comportamento básico serve única e exclusivamente para atender aos propósitos de perpetuação genética. e os genes, minha gente, não são bonzinhos :D a competição é acirrada, e quem tiver mais genes bem-sucedidos espalhados pelo mundo está em vantagem.

a idéia é difícil de engolir, não somente porque nos coloca em posição bem inferior aos escolhidos de deus, feitos à sua imagem e semelhança, mas principalmente porque nos retrata como seres dispostos a fazer TUDO para garantir a continuidade dos nossos genes. tudo mesmo. não é uma imagem bonita.

sou fã do livro, sou fã do autor e, bem, sou atéia. e embora não tenha fé religiosa, tenho uma imensa fé na vida e no futuro, e justamente por acreditar que a vida que temos é essa e somente essa, vivo sempre procurando o melhor de cada dia, cada pessoa, cada experiência.

bote seus neuroninhos pra funcionar, abra a mente, leia o livro.

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