(sem título)
(e agora que ninguém mais me lê... acho que posso voltar a escrever. de um jeito diferente, com sorte)
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(e agora que ninguém mais me lê... acho que posso voltar a escrever. de um jeito diferente, com sorte)
hoje eu salvei um passarinho, de manhã cedo, vagando por uma calçada e rua movimentadas. verde acinzentado, pequeno, gordinho. ele olhava pra mim com olhinho de medo e de pedido de ajuda (olhos redondos sempre dão essa impressão de pedido de SOS, acho). eu por minha vez pedi ajuda a um menino que me olhava tentar pegar o pequenino, ele conseguiu uma camiseta (do corínthians!) e carinhosamente pegou o bichinho. como é delicado o biquinho, a língua minúscula, as peninhas da cabeça são pequenos milagres. eu falei baixinho com ele (o pássaro), que piava forte, e ele calou. senti um calor de poder (ah, que seja imaginário; me fez bem), e agradeci por este presente: salvar uma vidinha na segunda-feira de manhã.
(e o que aconteceu depois é dádiva da vida além das letrinhas. quero viver mais, vem comigo?)
Um presente feito pra mim, recebido na hora mais necessária. Encheu de calor esse dia frio.
Algodão doce
Olho o céu bem tingido de azul claro / Levanto os braços dependuro-me nas nuvens / Passa um pássaro puxa meus cabelos / A nuvem anda esconde o sol / O meu olhar lá de cima se espanta / Tudo fica cinza e o pássaro me solta / A nuvem de algodão doce derrete / Vou caindo... / Caindo... / Caindo...
Nos pingos da chuva viro lágrima / No meio do nada encontro o arco-íris / Dou um beijo viro um sorriso / O sol enciumado / Acaba com o colorido arco / Cai no descaso / Sem pouco caso / Desvio o olhar escorrego na terra / Desfaço a quimera / Vou embora sorrindo da brincadeira / De voar bem no meio do dia / Na roda de uma poesia...
as cordas ásperas, as cordas lisas. acordes perfeitos (constantemente cedendo, desafinando, pouco a pouco), os dedos já não tão ágeis, mas é como andar de bicicleta: nunca se esquece. e o cheiro? a madeira e as cordas cheiram, até o pó inspira minha memória olfativa, traz de volta um universo. volto a ter 10, 12, 14, 16 anos (os 18 não voltaram, foi ali que me perdi). curiosamente a primeira música é em sol maior -- sol! maior! aquele brilho que eu procuro em mim mesma, diariamente.
o ouvido é muito mais treinado hoje em dia; as mãos, ao contrário, completamente destreinadas. a combinação pode parecer desanimadora, mas a despeito dos obstáculos, coloco meu velho amigo ali ao lado da cama e adormeço feliz. reiniciei uma amizade -- abandonada por excesso de amor e admiração a um homem -- e recebo novamente, feliz, o que ela trazia e (só percebo agora) fez muita falta: a transcendência de harmonia e melodia tecidas com minhas próprias mãos, minha forma de oração.


coração batendo no vento, com o vento, será? paro na rua, olhando ao redor: onde está esse coração batendo, meu deus? será o meu? era. confesso que assustei, coração não é aquela coisa que dá o ar da graça a toda hora, geralmente aparece nas horas de necessidade. aquela hora era simplesmente sol, azul intenso, a luz que (dizem) faz bem para o humor. o povo é sábio. meu coração deu sinal de vida enquanto eu atravessava no farol vermelho -- tou aqui, maluca!
eu sorri, a boba, e continuei andando, no ritmo (tum tum, tum tum).
a chuva fria na pele queimada de sol é agonia e prazer. gostei de ver meus peitos estufados no biquíni, arrepiados, gotinhas muitas brilhando na pele e eu desejando meus próprios mamilos duros. narcisismo pouco é bobagem.
*
pequenas coisas despertam fagulhas, mesmo no mais frio inverno. uma caminhada na praia, com o céu incômodo de tão azul; um bebê rindo com dentinhos ainda nascendo; uma lambida inesperada de cachorro na bochecha; presente de mãe; beliscão de pai. a rede balança de leve e pela milésima vez vem a pergunta "por que dói?" e (infelizmente) há pelo menos meia dúzia de respostas muito bem estruturadas. haveria mais, se mais procurasse. é tudo questão de escolha: sorrir pro bebê que ri da vida ou chutar descalça as pedras do caminho. pedras?! caminhos de grama ou areia, a partir de agora.
intermináveis diálogos fantasiados povoam minha vida. já casei, morri, enviuvei, perdi os pais em acidentes horríveis, fui patinadora, bailarina, atriz famosa, loura de 1,80, escritora, arqueóloga, já fui cantada pelo Al Pacino, trepei com minha colega de escola e com a Sharon Stone, esnobei o Ricky Martin. já fiz as pazes com inimigos, já pisei na cabeça deles, já fiz declarações de amor lindas, já tirei a roupa na praça (e fui presa), já fui currada por índios selvagens (gozei loucamente, confesso), tive toda sorte de diálogos esquizofrênicos. sofri, gozei, ri, me diverti, me vinguei. a vida paralela, essa da fantasia, é curiosa. é como um exercício, uma simulação para a vida. de quebra, acrescenta emoção a um dia a dia nem sempre tão vívido.
esquizofrenicamente, de novo, penso: e se aquilo lá é a realidade e isso aqui é meu sonho, o que me mantém viva? (não, fantasia demais até pra minha cabecinha exagerada, eu sei. mas pensamos bobagens assim, até porque é divertido)
e a vida, essa aqui de todo dia, é tão doce e azeda. me dá água na boca, vontade de viver e voar, o vento no cabelo, gotinhas de chuva, pés molhados na grama, beijo de língua, sal de suor. ando à flor da pele, sim.

eles conversavam debaixo de uma árvore florida, pingando da última chuva. o dia é cinza, chove de vez em quando, mas eles nem percebem. ela é pequena, loura com cabelos cor de trigo e sorriso de menina. toda vestida de jeans, o casaco com as mangas compridas demais para o seu tamanho. ele é moreno, magro e mais alto, usa um cavanhaque engraçado e tem cara de menino. os braços quase cruzados, olha pra baixo, pra ela, sorrindo. ela fala com as mãos e ele bebe com os olhos, cada gesto e cada palavra. ela sorri e as mãos parecem pássaros brincando com ele. ele sorri com a boca levemente aberta, e os olhos grudados nela, quase se vê que há um universo ali, só deles. ele pisca devagar, daquele jeito que só os apaixonados piscam, em câmera lenta; ela sorri e as mãos voam perto das mãos dele, brincalhonas.
o farol abriu, e eu continuo meu caminho. sonhadora, imagino o garoto tomando as mãos dela, forçando um súbito silêncio. quase posso ver um beijo sorridente na manhã de chuva com meus olhos do coração.

obrigada
porque existe esse céu azul apesar dos carros barulhentos e da sarjeta suja, porque estou viva, porque meus amigos se olham com olhos apaixonados, porque há uma árvore na frente de casa tingida de vermelho-alarajado, porque meu quarto amanhece em todas as horas do dia, porque o cheiro de café lembra lar, porque sim.
IMPRESSIONISTA
Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.
sereia
palavras, sons, vibrações, são todos da mesma natureza. o encantamento se faz progressivamente, articulando, conquistando em suspiros e pequenas seduções, tão sutis que nem se fazem perceber. procuro os olhos dela, mas olho a boca, que vez ou outra revela mais do que diz com palavras, aquele súbito apertar de lábios ou o queixo que quase treme. as mãos às vezes se empolgam e invadem o espaço que antes era só do som, gesto brusco, a angústia do que não se diz. poderia só ouvir, de olhos fechados, mas não consigo. desejo o que é físico, uma ânsia de tocar e abraçar, sentir a pele do corpo e os cabelos, me embriagar naquele cheiro de flor, que ela certamente tem.
olfato
uma experiência de cor, luz e cheiro (quase sabor). depois de uma caminhada longa e árdua, suando e observando as pedrinhas mais do que o próprio caminho (como é peculiar esse meu andar!), me vejo de frente para o mar mais azul que já vi, o céu sem nuvens e um cheiro gostosamente familiar, embora estivesse a quilômetros de distância de casa. cheiro de domingo descalça no quntal, de comida, de ritual religioso. era mais que uma impressão, era um saber-sabor; procurei desesperada ao redor (o que seria, meu deus?) e me percebi completamente cercada pelo que olhava e não via, mas sentia: alecrim! crescia como grama, espalhado pelo chão, sob meus pés. quanto mais pisava, mais cheirava. fechei os olhos e senti o calor, o cheiro de maresia misturado ao cheiro do tempero místico. minha boca encheu de água e me senti quase abraçada, protegida como nos tempos de menina.
amor? eu
Deus? ele
morte? vida
Agora? vazio
medo? escuro
vida? alegria
sonho? paz
Amor? doce
sentido? nenhum
sensação? medo
cheiro? corpo
sabor?! azedo
música? corporal
transcedência? música
cor? amarelo
dor
entrei e sabia que outra mulher estivera ali. é como um cheiro que não se sente, a lembrança da presença. filmes espalhados pelo sofá, todos sedutores, filmes que eu veria. a bagunça parecia até calculada, cada pedacinho uma agulhada. o telefone indica mensagens na secretária, e não resisto: ouço uma a uma, rapidamente, como que para minimizar a culpa da invasão. nenhum recado comprometedor, para meu desapontamento. sigo adiante, pisando de leve na casa vazia, invasora. chego ao meu objetivo, e entre pequenas alegrias de saudade e aconchego, vejo marcas claras do presente/passado, e dói. pelúcia nas mãos, nos dedos que tremem, a vontade de destruir, de matar e morrer. ódio e amor misturados, culpa e vergonha (que direito tinha eu, afinal, de sofrer) e desejo de deixar também eu minha marca.
sem querer (queria, sim) esbarro num copo quase vazio, a mesa cheia de coisas irritantemente íntimas fica melada de açúcar, de água. limpo sujando, espalho o doce enjoativo, lágrimas nos olhos, as mãos incontroláveis. é uma dor que arde e não tem orifício pra purgar, não. queima devagar os orgãos internos, um vazio se avolumando (eu tinha um coração aqui dentro, juro). saio de cabeça erguida, mas no chão do corredor sento e choro todas as lágrimas que tinha, recebo pequenos carinhos inconscientes, amor sem palavras. gotinhas de amor doce pingando naquele oceano de amor moribundo; água do mar parada, fedendo a morte e decomposição. doendo, doendo.
morri um pouco esse dia.

girassol
de quê é feito o amor? não há de ser de dor. talvez saudade, desejo, cuidado e saliva; pêlos e lábios, sonho e fúria; lágrimas quentes e admiração; mãos e nuca, canções e pimenta vermelha. de onde ele vem? lá de baixo, dos meus grandes lábios, do umbigo e de trás da orelha; de um lugar aqui entre os seios que (dizem) tem um coração; daquela curva no fim das costas e início da bunda; dos pés, das solas que ele beija e meu corpo estremece.
tenho olhos pra olhar (ele brilha) e mãos e dedos ansiosos. a pele toda do meu corpo sente frio e calor quando ele está presente, uma extensão de desejos, o chão onde ele pisa, terra adubada pronta para florir.
não, a dor não é de amor: é de ausência, de um querer maior que o suportável. não ter o que é seu, ter o que não é.
sim, vou vagar na vida e reinventar essa dor. transformá-la em alimento, em flor, e oferecê-la, como um grande girassol com seu olho gigante fitando o deus-sol.
Saudade é um pouco como fome.
Só passa quando se come a presença.
Mas às vezes a saudade é tão profunda
que a presença é pouco:
Quer-se absorver a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro
para uma unificação inteira
é um dos sentimentos mais urgentes
que se tem na vida.
(Saudade, Clarice Lispector)
o pato
éramos bebês, os dois. eu tinha aqueles pezinhos de bebê, gordinhos, uns 3 ou 4 anos. ele tinha patinhas com membranas e era manco. os irmãos-patinhos eram todos iguaizinhos, mas andavam como os patinhos andam. ele não: tinha defeito em uma pata, e mancava visivelmente. lembro menos com a memória visual e mais com a memória afetiva, meu coração se apertava porque ele era pequeno, indefeso e diferente. e eu o amava, profundamente, por isso. ele me conhecia, e vinha com o bico minúsculo puxar a barra da minha calça, me chamando (achava eu). eu o pegava no colo e éramos melhores amigos.
os bichos falam ao coração, com seus olhos doces, ou são simplesmente mágicos pela maravilha de não serem humanos. seres fantásticos, de outro planeta. quando eles são frágeis, pequenos ou doentes, meu coração amolece como manteiga, e sinto que dentro dele cabe o mundo todo. sinto ganas de proteger e salvar o que é frágil de todo o mal, soprar vida pra dentro daquele corpinho pequeno, tomar pra mim suas dores e quem sabe assim salvar a mim mesma.
monstros
ah, o horror. a lenta realização, um medo primitivo que cheira a azedo. um silêncio inusitado vem de dentro e abafa qualquer movimento brusco: uma nova criatura se insinua, e eu nem sabia que existia. ela controla o que de humano há em mim, e fala com sílabas lentas, moduladas, uma voz que não é minha. olho crianças e vejo monstros, sinto pena. nua e protegida por um azul muito claro, digo sem dizer: "calma", e sou ouvida. sinto-me um pouco santa, vestida de azul e tão nua. temo pelos modos violentos desse mundo de homens e seus jogos de poder. temo pelo que mais amo, temo pelos que não são amados.
meu coração de mulher não consegue sentir ódio, ele irradia estrelas e bate ritmado. mais que um desejo de amor e harmonia, a pura realização do meu propósito: conceber e alimentar. não encontro a destruição nas células que pensam por mim nos momentos de terror ou fúria, só encontro compaixão.
enquanto se desenrola a interminável batalha entre homens pelo poder, o meu monstro invasor da noite reverencia o que sou. ele sabe e se cala respeitoso, diante do poder de uma mulher absolutamente submissa.
concepção
ele tem olhos de ímã. sinto seu cheiro e minha respiração se altera. suas mãos modelam meu corpo, sua boca me acaricia molhada e eu suspiro porque o ar foge. quando o vi pela primeira vez, era dourada a luz que ele emitia. eu duvidava dos meus olhos e do meu corpo assanhado, mulher infiel aos próprios instintos. desejei tanto tê-lo que ofereci meu canto de sereia, e ele me enrolou nos dedos pelos cabelos, me acariciou como quis na palma das suas mãos. virou-me do avesso, brincou com meus defeitos, poliu meus brios, me deu fé e sonho.
estou grávida. sonhos foram plantados pelo meu homem em mim, flores miúdas ainda em botão.
aconchego
o abraço pelas costas, os braços fortes muito maiores que os meus roçam minha cintura. aquele cheiro de homem, a boca na nuca, o sexo no lugar exato (ali entre os meus mundos sensoriais sempre alertas, sempre prontos). nesse abraço, sou mais macia que uma gatinha com preguiça. me deixo acariciar e ronrono feliz no colo do meu dono.

arco-íris
a liberdade é rosa-clara e azul-turquesa. não adianta, não consigo mais pensar em cores simples. preto-retinto, amarelo-ouro, verde-água. sempre gostei dessas cores derivadas do lápis de cor. meu sonho era ter aquelas caixas gigantes, com todas as matizes de azul e verde; tinha lilás e todos os tons de rosa e vermelho. arranjava muito papel em branco e com um cuidado enorme com as pontas, cuidado para não apertar, não quebrar, não deixar cair, pintava e coloria. invejava quem tinha aquelas caixas gigantes, confesso. quando me colocava diante dos muitos lápis, da maravilhosa caixa, me sentia poderosa, com o dom da criação. desenhava por horas, pintava, colocava no papel meus mundinhos interiores.
sonho colorido, e jamais entendi o lápis de cor branco, aquela criatura muda no meio de senhoras fofoqueiras, estridentes, controladas pelos senhores carrancudos chamados "preto" e "marrom".
se eu fosse um peixinho e soubesse nadar
eu levava você
pro fundo do mar.
Ah, se tu estivesses aqui neste momento...
Deixaria teus braços enlaçarem meu corpo,
tua boca vir de encontro à minha,
teus olhos me guiarem.
Seria tua da maneira que quisesses,
da maneira que desejasses.
Porque só tu és capaz de fazer sonhar,
tua imagem me enfeitiça.
Sou capaz de ceder a todas as suas
vontades sem questioná-las,
porque perto de ti
não sou dona de mim,
sou simplesmente tua.
(Tu - sem referência)


útero
meus peitos recém-nascidos eram atrevidos, queriam luz. jamais me senti tão poderosa quanto aos 12 anos, quando me vi com peitos lindos, grandes. finalmente aparecera uma prova externa da feminilidade furiosa que sentia aqui dentro. vivi estes poucos anos iniciais imersa na magia de ser mulher e perceber o efeito disso ao meu redor, me sentia plena.
finalizada a transformação, entrei no mundo adulto e desde então venho tentando sufocar a fêmea que sou, iludida pelo elogio ao mundo masculino de poder, violência e sucesso. sufoquei desejos, desaprendi a ser natural. aprendi muitas coisas boas mas que empalidecem diante da plenitude do meu sexo, do que de fato é essencial. por que negamos o que nos é mais caro, em função de modelos? por que neguei minhas vontades, meus desejos, me travestindo de homem em atitudes do dia-a-dia? quando é que nos ensinam que ser fêmea é um problema?
redescobri meus peitos e pele, ando nua pela casa agradecendo à vida por ser mulher.
Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata.
Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.
(Clarice Lispector, DÁ-ME A TUA MÃO in "A Descoberta do Mundo")
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