Geração AM

meus pais sempre trabalharam fora, desde que me lembro. morávamos numa casinha de fundos com só um quarto (as crianças dormiam na sala — as três) e sempre teve a empregada pra cuidar de nós. nenhuma delas ficava mais de 2 meses e todas as moças que trabalhavam no bairro conheciam nossa fama. uma chegou a dizer pra minha mãe — no portão, com as malinhas — que tinha 10 filhos mas não dava conta de nós três… >:)

bem, disse isso tudo pra explicar que fomos criados pelas empregadas que escutavam rádio AM o tempo todo, assistindo sessão da tarde, pica-pau e cobrinha azul.

minha irmã, 1 ano mais nova que eu, não lembrava “aquela música da ceguinha”. eu lembro toda, canto a plenos pulmões balançando a cabecinha, e transcrevo aqui pra vocês voltarem no tempo (os que têm pelo menos 25, que fique claro).

já faz tanto tempo que eu deixei

de ser importante pra você

já faz tanto tempo que eu não sou

o que na verdade eu nem cheguei a ser

e quando parti deixei ficar

meus sonhos jogados pelo chão

palavras perdidas pelo ar

lembranças contidas nessa solidão

eu já nem me lembro quanto tempo faz

mas eu não me esqueço que te amei demais

e nem mesmo o tempo conseguiu fazer esquecer você

tentei ser feliz ao lado teu

fiz tudo que pude, mas não deu

e aqueles momentos que guardei

me fazem lembrar o muito que eu te amei

e hoje o silêncio que ficou

eu sinto a tristeza que restou

há sempre um vazio em minha vida

quando me lembro nossa despedida

eu já nem me lembro (etc.)

18/02/2004 Publicado em Uncategorized | Deixar um comentário

Uma resposta a Geração AM

  1. Marcos RS disse:

    Kátia!

    (por onde andará?)

  2. Marcos RS disse:

    Eu também sou da geração AM, só que não era todo dia que rolava a tortura. Passavamos as férias na casa de uma tia que começava o dia no Gil Gomes. Ou era Afanásio, tanto faz. Hoje ela não sai de casa, mantém tudo trancado e tem medo até da própria sombra. Sinistro…

  3. dani disse:

    oi, amore. Mudando de casa, é?

    No rádio AM da empregada da minha mãe tinha Gilliard. Aquela nuvem que passa/lá em cima sou eeeeu…

  4. zel disse:

    cara, eu AMO música cafona… a AM deixou marcas na pessoa :)

    (é gostoso ter comments, né??)

  5. Gui disse:

    Então… eu tenho uma mãe que ouvia Cultura AM, a mãe da finada Musical FM, por assim dizer.

    Acho que é por isso que eu não consiiiiiiiigo cantar Fantasma da Ópera em português, amore.

    “Veeeeeeeeeeem comigo, meu amaaaaaaaaaaaado amigo…” Não dá! ;P

  6. Rezinha disse:

    A Kátia não cantava aquela

    Todo fim de tarde é sempre asssimmmmmm

    E uma saudade vai batendooooo em mimmmmm???

  7. Marie disse:

    Comments! uebaaaaaaaa!

    Eu tb fui criada assim Zel, muita música AM e a minha predileta era:

    Refrão: O telefone chora,

    ela não quer falar,

    pra que dizer te amo,

    se ela não vem me escutar?

    Mas acho que o supra-sumo era mesmo um programa do Eli Corrêa chamado: que saudade de vc! Era ouvir e passar a atrde depimida e chorando, mesmo sendo criança!

    Beijos

  8. Flávia disse:

    Zel, ficou muito legal seu blog. O seu blog foi um dos primeiros que eu li na internet, há dois, três anos eu acho.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>