coisas não tão simples assim

enquanto eu penso, passa lost in translation na TV. dublado. não é irônico?

gosto muito desse filme. o sussurro final no ouvido, que não ouvimos — e ela na ponta dos pés! — sempre me faz sonhar, romântica que sou.

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sou só eu que me irrito com aqueles parênteses que funcionam como poesia concreta de má qualidade? tipo: (super)ação ou te(n)são? ARGH!

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aliás, poesia concreta… meu deus, que horror. todo mérito a quem inventou, a idéia é legal, mas insistir nisso depois de tanto tempo é piada de mau gosto. e falta de talento, claro.

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os momentos mágicos. quantos deles perdemos por dia, por pura distração?

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sempre tive medo de cortar laços, dizer não e deixar de atender a todas as expectativas. cometer erros não fazia parte do meu repertório. perder me causava pavor. acabei aprendendo que perder não é uma escolha, acontece; e que abrir mão conserva a mão, e pode ser uma sábia decisão. eu e minhas mãos deixamos uma coisa aqui e ali, outras simplesmente se perderam e tive de me conformar. cada vez é mais fácil dizer não e tomar outros caminhos. com as mãozinhas conservadas.

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o medo era de ser rejeitada, sempre foi. e o desejo maior era de reconhecimento, de aprovação. demorei a perceber que ser excelente sempre não faz diferença, o vazio vai sempre estar aqui: aquele elogio primordial não viria jamais, simplesmente porque não é possível voltar no tempo. de uma forma ou de outra, pra crescer e ser feliz, é preciso superar alguma fase da nossa vida.

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não é que eu não sofra e nem tenha meus momentos que-mal-eu-fiz: é que não me permito mais encher o saco alheio com drama. cada um tem seu draminha pessoal e já é de bom tamanho. ninguém precisa aguentar drama alheio, aqui entre nós. é mais ou menos como detalhes asquerosos de doenças: todo mundo tem alguma coisa pra contar, mas evita, para a manutenção da convivência social civilizada.

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algo como pálpebra de orelha não seria uma evolução sensacional?

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estou relendo a senhora das especiarias, 8 anos depois da 1a vez. reler é uma experiência sensacional, não somente para reencontrar histórias amigas mas também para se ver mudado. quando releio ou revejo alguma coisa inevitavelmente faço uma arqueologia de mim mesma.

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que a semana seja boa!

16/04/2007 Publicado em opiniões | Deixar um comentário

Uma resposta a coisas não tão simples assim

  1. ana disse:

    eu li a senhora das especiarias e acho que tenho que reler tb…

    boa seman pra vc…

    bjs

  2. weno disse:

    usar os parênteses só para poesia (des)concreta :P

  3. “sou só eu que me irrito com aqueles parênteses que funcionam como poesia concreta de má qualidade? tipo: (super)ação ou te(n)são? ARGH!”

    Isso aí é pra mau entendedor, Zel.

    A merda é que o mundo está cheio de maus entendedores. O próximo passo será fazer um desenho ao lado para explicar direitinho o que se quer dizer.

  4. Ma disse:

    é por isso que os 30 e poucos são os anos mais lindos da vida. Porque ainda se tem a alma fresca, sem muitas amarguras, mas também já se aprendeu muitas e muitas lições…

    e é mais lindo ainda ver alguém que tira o máximo de proveito dessas lições e tenta não repetir os mesmos erros all over again.

    bom, eu ainda não vivi meus 30 e tantos, mas é essa a deliciosa impressão que eu tenho deles. Me avise se não for verdade :P

  5. ana b. disse:

    “sempre tive medo de cortar laços, dizer não e deixar de atender a todas as expectativas. cometer erros não fazia parte do meu repertório. perder me causava pavor…”

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    o medo era de ser rejeitada, sempre foi. e o desejo maior era de reconhecimento, de aprovação…”

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    não é que eu não sofra e nem tenha meus momentos que-mal-eu-fiz: é que não me permito mais encher o saco alheio com drama. cada um tem seu draminha pessoal e já é de bom tamanho…”

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    zel, concordo em gênero, número e grau…

    essa sou eu, e eu sou vc!

    e já passei dos 30, caraca, e agora????

    bjs

    a.

    [cheguei aqui pela fal, só pra vc saber...]

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