silêncio também é música

eu sei que ando sumida, poucas coisas escritas por aqui, mas é porque a vida anda ocupada. às vezes esqueço de ler blogs e também de escrever. estou às voltas com muito trabalho e cuidado da vida sempre que posso. uma das coisas mais legais das últimas semanas é que fui escolhida como mentora de dois profissionais da minha equipe (eles me escolheram!). ambos são já seniores nas suas posições e querem orientações de carreira em geral.

tenho sido o que se chama de coach no mercado por alguns anos, mas essa é minha primeira vez como mentora. a diferença, estou aprendendo, está principalmente na duração do trabalho e no tipo de orientação que preciso dar. o coach faz um trabalho mais técnico, direcionado a objetivos de curto prazo e com assuntos bem definidos, procurando melhorar a performance do profissional na área em que atua. o mentor, por outro lado, apóia o indivíduo no seu crescimento profissional através de compartilhamento de experiências e hábitos, dá orientações de longo prazo, independente da posição /cargo atual.

o que mais tem me dado prazer em assumir este tipo de responsabilidade é o volume enorme de aprendizado que cada sessão de meia hora me traz. aprendizado técnico, é claro, mas principalmente aprendizado comportamental, emocional e afetivo. nada é mais rico e recompensador que a oportunidade de trocar idéias e experiências com as pessoas.

outra atividade correlata que assumi nos últimos meses é dar algumas aulas num curso de pós-graduação. são disciplinas dentro da minha área de conhecimento (gestão de projetos, engenharia de software e modelos de qualidade) uma vez por semestre, provavelmente. a interação com os alunos é sempre custosa (nem parece que eles estão pagando para aprender!) mas me traz muita bagagem adicional. as perguntas que eles fazem e os exemplos que preciso dar para que entendam o conteúdo fazem meu cérebro funcionar mais e melhor, me mantêm “ligada” 🙂

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na semana passada participei do evento expo management da HSM e fui convidada a assistir uma das palestras do jimmy wales, fundador da wikipedia. sempre fui fã da wiki, mas depois de ver a palestra dele fiquei mais fã ainda. o cara fala muito bem e respondeu com graça inclusive as perguntas imbecis do “mediador” (que por questões de decoro profissional prefiro não citar).

algumas coisas que notei e anotei (em especial para a lu freitas, mas acho que vai interessar a todos vocês)

– ele é lindo 🙂

– a apresentação dele foi minimalista e ótima – fundo branco e letras pretas (com serifa :)) e algumas fotos do flickr, sempre com crédito

– como a wiki (mecanismo e conteúdo) é livre, um voluntário na áfrica copia a enciclopédia em CD e instala em escolas que não têm acesso à internet. quão legal e simples é isso?

– a wiki é 100% non-profit, tem 22 funcionários e mais de 100.000 voluntários, e a principal fonte de renda para manutenção é… (adivinhem?) … doações individuais, de pessoas físicas. eu inclusive doei U$15 essa semana, doe também!

– o homem está investindo pesado no mecanismo de busca wikia search, que permite edição das regras de filtro – finalmente!

vou compartilhar algumas anotações (e já não sei mais se foram frases que saíram da boca dele ou interpretação minha), quem sabe faz um clique aí na cabeça de mais alguém.

a wikipedia não é um presente dos ricos para os pobres; é um convite à conversação.

o profissional moderno precisa de informação e é cobrado para tomar decisões de forma autônoma. como fazer isso sem uma base de conhecimento acessível e simples?

a crise é uma excelente oportunidade de crescimento para os que têm criatividade e capacidade. não fosse o crash das .com, a wiki não seria o que é hoje – tiveram que encontrar caminhos de crescer e realizar sua visão quase sem recursos.

os profissionais de IT gastam muito tempo e dinheiro resolvendo problemas que só existem na sua própria imaginação. bloquear conteúdo e acesso não é a solução para o vandalismo, é melhor deixar a sociedade se organizar para eliminar os que não seguem as regras. deixemos que as pessoas chamem a polícia e os bombeiros quando for necessário, ao invés de impedir todo mundo de conviver.

ele deu um exemplo bem ilustrativo sobre liberdade / repressão: quero abrir um restaurante que vende bifes. para comer bifes, precisamos de facas. mas facas podem ser usadas para matar pessoas… qual é a solução, colocar todos os usuários de facas em gaiolas, já que algum deles pode usar a faca para matar outra pessoa?

a opinião dele é que não – os que usam facas para matar pessoas são exceção. nós sabemos o que fazer com as exceções, sempre vai haver o herói que tenta impedir o mau elemento, as pessoas podem se mobilizar contra as exceções e acionar os mecanismos de controle (polícia, por exemplo). pode acontecer uma tragédia graças à exceção? sim, pode, e devemos nos preparar para isso também. mas é mais importante garantir a liberdade da maioria que reprimir a todos por medo da minoria.

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tenho mais um monte de coisas pra comentar, serei rápida:

a jabuticabeira está dando jabuticaba 😀 (minhas preces foram ouvidas)

– tem um pé de abóbora de pescoço na nossa horta que invadiu tudo. uma das abóboras inclusive está do tamanho de um pneu de carro (sério, depois coloco foto) e ainda não amadureceu

– a trilha sonora de into de wild é uma das coisas mais bonitas que já ouvi. está no meu carro há 1 semana e não consigo trocar

– meu all star converse sequins teve que ser trocado, o 35 ficou grande. não tinha mais o azul bebê lindo, só tinha o preto, que é igualmente lindo e estou feliz

– a fênix aprendeu a comer besouros e agora temos um predador assassino de insetos em casa. vocês podem achar que isso podia até ser bom (proteína pra ela, menos besouros pra nós), mas ela vomita depois de comer. o espírito dela é de bicho do mato, mas o estômago é de furão doméstico. not funny.

e por hoje é só, que o tempo é curto mesmo nesse domingo de sol. os pássaros e as árvores mandam lembranças a todos 🙂

4 comments to “silêncio também é música”
4 comments to “silêncio também é música”
  1. ai, Zel, vc é muito querida mesmo. Além de dar de bandeja esta trilha linda ainda traz à luz as informações geniais do Wales (eu escrevi o nome do moço errado umas três vezes, céus!). Confesso: morro de tesão na Wikipedia, mas tenho um bloqueio ancestral com as marcações. Não entendo, não consigo mexer, nem editar.

    Melhor mandar umas doletas, né? 😀

    Obrigada pelas anotações.

    bj

  2. Ah, Zel, que bom ter notícias suas… 🙂

    Aqui em casa Wikipedia é O oráculo, qualquer dúvida e corremos pra ela. Marido instalou no meu iPod touch a versao em alemao, pro caso de eu ter alguma dúvida em lugares sem acesso à internet. O Witionary é bem legal tb, apesar de ser um pouco mais limitado. Ficamos muito perplexos ao ver que a Wiki alema (wikipedia.de) foi fechada por um político que nao gostou do que escreveram sobre ele. Aqui as coisas nao costumam ser assim, achei que fosse coisa de brasileiro (vide caso Daniella C. X Youtube). Blé. Um beijo pra vc e boa sorte com as atividades todas!

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