dos medos escondidos

sempre que me vejo confrontada com a morte – mesmo que seja num seriado ou filme – fico desconfortável, receosa. pensei bastante, e concluí que não tenho medo da morte, mas da vida.

tenho pavor de não viver, de deixar passar os minutos-horas-dias, além dos malditos meses e anos, e não fazer basicamente nada. o problema é a sensação de nada contraposto ao tudo – o que significa aproveitar o tempo?

não quero ficar como minha mãe, que se inquietava aos fins de semana, porque “temos que fazer alguma coisa”; quanto do meu desejo e não fazer nada, de deixar o tempo passar, não é uma resposta à pilha da minha mãe, meu deus? será que eu estou repetindo padrões ao contrário?

alguém mais tem medo de repetir padrões inversos? não sei o que pior – trilhar os caminhos tortos dos nossos pais ou revoltar-se absolutamente e dar volta de 360 grau. às vezes me sinto parada, costas-com-costas. no mesmíssimo lugar que eu sempre detestei.

estou num momento difícil, de impasse. lembro que este ano, segundo a astrologia, seria lento e pesado pra mim (e só lembrei disso agora, vejam bem, enquanto escrevo) – pesado é apelido, é a encarnação da santa bigorna amarrada no meu pezinho 35.

a vontade é de ficar quieta, esperando passar. em silêncio, torcendo para as hordas do mal esquecerem que eu existo. entoando mantras, procurando explicações para o que não entendo.

chamem de karma, coincidência ou simplesmente destino, mas há um livro de auto-ajuda na minha cabeceira. foi presente de um colega querido e preciso ler – essa é minha desculpa. a verdade é que ando precisando de metáforas e caminhos sem pedras. tou calejada, cansada e não estou gostando de me dirigir tão rapidamente aos 40.

não, não senhores, não tem sido um ano fácil. considerando os ciclos de 7 anos, eu achei que os 35 é que seriam difíceis, mas os 37 estão sendo uma corrida de obstáculos e eu me sinto um tanto contundida.

havendo simpatias para redução de medo (e peso, que continua um problema como sempre), não deixe de escrever pra mim, tá?

beijomeliga.

13/07/2009 Publicado em Uncategorized | 1 comentário

Uma resposta a dos medos escondidos

  1. Paula disse:

    Frase solta no livro novo da Costanza: “O tempo que você gosta de perder não é tempo perdido”. Espero que te dê uma luz. ;)

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