uma chinelada na barata dela

a clô escreveu, a escreveu e eu não consigo não escrever: tiraram a propaganda das havaianas do ar porque a avó fala com a neta sobre sexo.

leia mais detalhes na clotilde, que vale a pena – tem inclusive vídeo contra a propaganda. pessoalmente, achei a propaganda mais ou menos, mas porque a avó não me convenceu falando pra neta se jogar 🙂

mas então: reclamaram da propaganda porque fala de sexo na TV. um momento por favor, colegas, que eu não entendi: a avó falar a palavra SEXO na propaganda, dentro de um contexto sem nenhuma erotização, é um problema. mas e o povo se pegando forte nas novelas, a mulherada pelada nas propagandas de cerveja, as dançarinas do faustão rebolando, as dançarinas dos “tchans” na boquinha da garrafa, as letras de música de pagode, forró e country e, por nossa senhora de aparecida, o funk?

pra não falar das menininhas de 5 anos de saltinho, batom, esmalte e roupa de mini-puta, né. isso tudo não tem problema, aparentemente, mas então qual é o problema?

o problema talvez seja a questão do sexo casual, sem envolvimento, que a avó sugere. mas e os constantes relacionamentos fora do casamento nas novelas das 6, 7 e 8? e a putaria de malhação, na sessão da tarde? isso tudo, pelo jeito, está OK.

ou será que o problema é ser uma avó, e avós não devem falar de sexo?

e talvez seja simplesmente a normalidade da conversa que incomoda – sexo tratado de forma leve, normal, como parte da vida de velhas e jovens, homens e mulheres. pra quantas pessoas será que sexo é realmente alguma coisa normal, natural, cotidiana e principalmente gostosa?

não é à toa que o mundo está lotado de homens pervertidos – uns totalmente enrustidos, outros pegando prostituta pra liberar os demônios e outros estuprando e matando gente por aí. sexo é controle, dominação, forma de subjugar o outro. usamos inclusive o insólito verbo “possuir” para a concretização do ato sexual (sempre dominado pelo homem, claro), vejam vocês.

tampouco é à toa que o mundo está lotado de mulheres frustradas e/ou manipuladoras. ou nos sentimos culpadas por desfrutar do nosso próprio corpo, por sentir prazer, ou transformamos a frustração em martírio (nosso ou dos outros). somos usadas, “objetizadas” e controladas. mulher é pra enfeitar e exibir, como cavalo ou cachorro de exposição.

a verdade é que pra maioria das pessoas sexo é guerra e dominação (um cede e o outro toma), feito escondido com luzes apagadas, cheio de regras e culpas.

muito me entristece observar essa realidade e ver uma empresa do porte das havaianas ceder a esse tipo de pressão. modernidade é o caralho, eu quero é vender chinelo, ok? perderam uma ótima oportunidade de se posicionar modernamente e mandar os recalcados às favas.

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e se você se sentiu ofendido pela propaganda, eu tenho uma coisa pra dizer: vai se tratar, e rápido. alguma coisa está muito errada se você assiste TV e se incomoda com essa propaganda mas não se incomoda com o restante da programação (e do mundo, aliás).

7 comments to “uma chinelada na barata dela”
7 comments to “uma chinelada na barata dela”
  1. Ô Zel, eu ainda acho que isso é super exploração sobre a reação de meia dúzia de gatos pingados. Mantenho a hipótese de que a agência que fez a propaganda aproveitou-se de inexpressivas reclamações. Afinal, a celeuma promove muito mais do que a simples exibição cotidiana. Que tal?

  2. A havaianas se posicionou, pelo que vi. A velhinha entrou numa propaganda com um notebook, dizendo que receberam muitos emails censurando a propaganda, e por isso a havaianas tirou do ar, mas também recebeu muitos emails a favor e, por isso, a propaganda continua na Internet.

    Acho que a havaiana tirou do ar em seu favor…causar polêmica vende mais!

    Pode ter parecido contra, mas acho que a retirada não foi para ceder, mas estratégica.

    Beijo grande.

  3. Olha, achei a atitude da empresa mto boa, pois assim abre bem o campo para discussão sem impor uma posição, assim quem não se senti ofendido pode assisti-lo na net, se mostrou mto moderna e democrática, bem o espírito do comercial, que não fala somente de sexo, mas sim de uma forma irônica mostra a evolução em que alguns se encontram, de que se pode se falar de sexo sem nenhum um tipo de erotização. Mas infezlimente a maioria ainda acha melhor erotizar-se tudo, mas nunca falar explicitamente sobre sexo. O q mostra que ainda temos mto a evoluir.

  4. Fico revoltada com a falta de familiaridade que as pessoas têm com sexo na velhice. Lembro de um filme em uma das Mostras quando eu ainda morava em SP, que se passava dentro de um asilo e tinha umas tramas amorosas entre os velhinhos. Não era comédia, mas o público RIA quando eles se beijavam. Não era engraçado! Mesma coisa com aquele filme fofinho que anda passando nos Telecines, Irina Palm. Quando vi no cinema, as pessoas RIAM na cena final, como se fosse um absurdo dois velhos estarem apaixonados. Pelo jeito ainda precisamos de muitas décadas de Viagra pra acostumar as pessoas de que velho tem vida sexual, sim. É que, como sempre, o bom é o homem ter vida sexual pública e ativa. A mulher – jovem ou velha, mas principalmente a velha – não tem o mesmo direito.

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