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história #10: heloísa dakowski

Olá, Zel, tudo bem contigo? 🙂

Engraçado como as coisas são.. Já tem quase um ano que entrei no seu blog pela última vez e justamente hoje dei de cara com os posts pedindo a nossa história. Pois bem, minha história tem uma década (sim, eu te leio desde o comecinho..) e muitas idas e vindas. Não tem nada a ver com futebol, política ou religião, mas tem a ver comigo.

Comecei a entrar no seu blog através do meu melhor amigo, na época eu tinha 15 anos. Sempre fui metida a esperta e me encantei com as suas palavras, concordando com elas ou não. Te lia todos os dias e ficava desesperada quando você sumia um final de semana. Acompanhei sua vida da maneira que a minha ia acontecendo.. Me apaixonei pelo amigo em questão numa fase em que você também estava apaixonada, numa outra relação. Ele era uns 7 anos mais velho que eu e tudo que eu queria era aprender o máximo sobre tudo para poder impressioná-lo. Não sabia que no esforço de aprender tudo eu acabaria aprendendo tanto sobre mim.

Foi lendo você que eu me encantei por arte, poesia e culinária. Você me fez querer ter uma opinião, me ensinou a falar sobre sexo. Minha mãe era freira e eu tive uma criação muito rígida, foi te lendo que eu descobri que não era pecado se masturbar (rs) e me transformei na pessoa desencanada que eu sempre quis ser. O amor pelo amigo passou, eu arranjei um namoradinho e me apaixonei perdidamente. Quando terminamos algum tempo depois, você também estava terminando sua outra relação. Sofri com você e superei a dor adolescente escrevendo tudo que sentia, como eu te vi fazer tantas vezes. Foi uma fase engraçada, eu te lia tanto que as vezes ia contar pra alguém algo que você escreveu e pra facilitar as explicações me pegava dizendo “Ah, uma amiga minha falou no blog dela..”. Fiz um piercing no nariz, tive outros namorados, terminei o colégio e te lia como uma amiga que lê o diário da outra de vez em quando. Entrei na faculdade de Jornalismo e cada vez que eu tinha alguma dúvida visitava o blog para encontrar inspiração. Dois anos atrás quando meu pai estava na UTI e os médicos não deram esperanças de que ele sairia de lá com vida, entrei no blog e copiei a sua tradução da poesia do Cummings (por quem me apaixonei depois que li a primeira vez). Li pra ele no seu último dia de lucidez e foi a última vez que ele sorriu pra mim. Poucos dias depois ele faleceu e sempre que a saudade dói eu lembro que carrego o coração dele comigo. Tatuei um dragão nas costas (bem menor que o seu, rs) e ele se tornou parte de mim. Há 1 ano conheci um cara incrível e nos casamos mês passado. Encontrei nele tudo que eu passei a procurar depois que comecei a ler você. Eu morava em Natal/RN e agora nos mudamos para uma cidade vizinha, de pouco mais de 15.000 habitantes, a 5 minutos da praia. Vivemos numa chácara com 5 cachorros e 3 gatos na mais perfeita harmonia e eu não posso deixar de pensar que devo um pouco disso tudo à você, que me ajudou a ser quem eu sou. Ainda tenho muito a conhecer, conquistar e ser, mas te agradeço do fundo do coração por mesmo sem nunca saber, ter me guiado no caminho do autoconhecimento.

Fiquei muito feliz quando li que você estava grávida e te desejo um monte de boas energias nesse momento tão sublime. Nós queremos esperar um pouvo até ter um filho, mas daqui a alguns anos eu te mando notícias, rs .

Espero que você tenha gostado da minha história, pois eu fiquei muito feliz em finalmente dividi-la com você.

Beijos carinhosos,

Heloísa Dakowski

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heloísa, caramba. juro que essa sua história me arrancou lágrimas, por vários motivos. o primeiro deles é conhecer um pouco da sua história, que é tão bonita. aliás, como as histórias das pessoas são lindas, quando elas sabem contar, né? 🙂 eu sei que é um email só sumarizando tudo, mas juro que consegui “acompanhar” você. e me deu vontade de conhecer você, dar um abraço e tomar um café da tarde na sua linda casa, conhecer seu marido e seus bichos. quem sabe um dia quando eu for aí pro seu lado não combinamos alguma coisa?

uma das coisas malucas que aprendi nesses anos de internet é que muita gente (mais do que eu acho saudável…) prefere manter as relações completamente virtuais. eu tenho vontade de ver as pessoas, abraçar, compartilhar refeições. então fica o convite: se um dia passar aqui pelo meu lado, venha tomar um café comigo. me manda email e marcamos dia e hora. e eu prometo mandar email se for pro seu lado.

a história do seu pai e do poema do cummins me deixaram muito emocionada. esse poema representa muito pra mim, foi “o” poema que marcou minha história com o fer, e ainda marca. “i carry your heart with me”. sim, trazemos em nós o coração daquele que amamos, ele vive em nós, pra sempre.

quando leio histórias como a sua, me sinto melhor sobre meu excesso de exposição durante alguns anos no blog, sabe? porque de alguma forma eu ajudei você (e sabe deus quem mais) a procurar alternativas e finalmente entender que merecemos simplesmente o melhor. que não devemos nos acomodar e nos contentar com pouco. eu sofri MUITO no término do meu relacionamento anterior, porque decidi por minha conta encerrar uma história que me fazia mal. eu disse não a um relacionamento que não me oferecia o que eu queria e precisava, mesmo havendo paixão. eu amadureci, aprendi a dizer não e procurar no outro aquilo que de verdade eu quero. e de quebra eu ajudei você a encontrar seu caminho.

não existe melhor presente do que esse que você me deu, heloísa. seu depoimento fez valer todo os micos que eu já paguei nesse blog, viu?

muito obrigada pela generosidade de compartilhar sua história. você me fez ver toda minha história por outro ângulo, e isso não tem preço.

um beijo enorme, parabéns pelo casamento e venha sempre pra cá!

3 comments to “história #10: heloísa dakowski”
3 comments to “história #10: heloísa dakowski”
  1. Fiquei super emocionada com essa história, mesmo.

    E se fosse por votação a entrega dos prêmios de aniversário do blog, eu votaria nessa história, porque a Heloisa realmente viveu o blog todos esses anos, e viu a história dela ser escrita pelas suas mãos.

  2. Zel querida, eu mesma fiquei muito emocionada escrevendo esse email. Relembrei momentos da minha vida que há tempos eu não lembrava, relembrei da menina boba que eu já não sou, das coisas malucas que eu já vivi, do meu pai de quem tenho tantas saudades.

    Eu li o seu post sobre o excesso de exposição no começo do blog. Sei que a maioria das pessoas se aproveitou dessa exposição para “se apossar” da sua vida, mas tenha certeza que existiram outras como eu, que usaram seus exemplos como um conselho de irmã mais velha e superaram muita coisa graças à você. Eu mesma por muito tempo fiz da minha vida um livro aberto, depois amadureci o suficiente para saber que algumas arestas devem ser aparadas, principalmente para as pessoas que querem viver à nossa sombra. Nunca se arrependa da sua exposição, tenho certeza que você também aprendeu muito com ela.

    Concordo com você que as relações virtuais são superestimadas. Acho que nenhum email, por mais profundo que seja, substitui um bom bate papo na mesa da cozinha. Não consigo ficar sem tocar, abraçar ou beijar as pessoas que eu amo.

    Tenha certeza que assim que eu e o Thomas formos para esses lados faço questão de te procurar e te ajudar na cozinha com algum prato gostoso.

    Da mesma maneira, saiba que aqui você tem uma guia de plantão e uma amiga à disposição. Quem sabe eu não vou conhecer o piolho e voce vem conhecer as nossas crias? 🙂 (o que me lembra que eu vi seu post sobre adoção de animais e eu tenho prazer em dizer que todas as nossas meninas foram adotadas, com excessão de uma que foi um presente.)

    Você não faz idéia da satisfação que me trouxeram os seus elogios, foi como receber um elogio daquela professora preferida no último dia de aula 🙂

    Desejo tudo de bom pra você, o Fer e o piolho. Com certeza nos falaremos em breve 🙂

    Beijos,

    Helô, que Heloísa é só pros estranhos!

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