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história #43: beth

eu não me lembro como te conheci. ou como cheguei no blog, nem quando. sei que faz tempo, muito tempo, e ao mesmo tempo que eu me assusto quando percebo que esse tempo passou tão rápido, fico MUITO FELIZ em perceber que eu sou uma pessoa muito melhor – além de mais feliz.

hoje, lendo as histórias publicadas, eu vejo que estive paralelamente ali em tudo. e nunca cheguei mais perto porque… sei lá. acho que além de uma certa dose de timidez, ainda me resta uma bobagem adolescente de não ser “bonita-inteligente-descolada” o suficiente para participar da sua vida.

eu me lembro vagamente de um encontro de várias pessoas improváveis numa pizzaria. da sua casa na castro alves – e de um namorado que terminou comigo ali na sua porta porque “não se encaixava naquelas pessoas” (ainda bem, diga-se de passagem), e de outro que eu conheci ali naquela garagem. dos almoços na casa da rosana. da sua risada contagiante, da sua vontade de viver. das festas que eu não fui porque tinha vergonha de conhecer gente. de um reveillon que eu passei no seu apartamento – e você nem estava lá. dos furões, de outro namorado que eu também conheci por sua causa e que mudou tanto minha vida.

e de novo, lendo as histórias, eu vejo o quanto temos em comum. os amigos que você me deixou, como o norbies e o gui, que são pessoas maravilhosas e que me lembram a todo momento o quanto você foi importante na construção do meu caminho. histórias que eu passei, por teimosia, e você esteve ali segurando minha mão – mesmo que virtualmente – nos momentos mais difíceis. dos conselhos que você me deu. das planilhas, das dicas de planejamento, dos sofrimentos com mudanças e reformas. se eu não disser, você nunca vai saber, mas você foi a pessoa que mais me ajudou (e me acalmou) nos turbulentos anos 2004-2007.

(e eu ainda me lembro daquele casaco que eu comprei de você num dos seus bazares de mudança, nunca paguei e você acabou me dando de presente. 20 reais. eu me lembro sempre, e ouço a minha voz dizendo “que feio, elisabeth, nunca pagou a moça”. outra bobagem que me faz ter vergonha de falar com você tantas e tantas vezes.)

você esteve presente nos últimos dez anos da minha vida. 10 anos importantíssimos, onde eu deixei de ser uma criança de 20epoucos e estou, passo a passo, tentando me transformar em uma pessoa melhor. tem muito da sua vida e da sua história em mim.

eu certamente tinha mais alguma coisa pra dizer, mas agora não me lembro de nada. só tenho que te dizer obrigada por ter criado o blog. por ter compartilhado tanta coisa com a gente. por ter aproximado tanta gente. por me mostrar que tanta coisa era possível. 🙂

desejo a sua felicidade, demais.

beijos <3 beth ilus3, blog, twitter

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a beth é companheira de blog e de estrada nestes anos todos. nunca fomos amigas próximas, mas nossas histórias se misturam curiosamente e trocamos idéias (muitas) nestes anos todos. temos amigos (e inimigas, hahahhahaha) em comum, além de sermos parecidas em vários aspectos. adoramos comida (fazer e comer), nossas casas, amigos visitando, animais. e temos uma certa tendência a sofrer mais que o necessário graças a escolhas erradas 😀

recebi a história dela e tou até agora morrendo de rir de algumas coisas, vejam vocês: não ser “bonita-inteligente-descolada” (ela é uma tonta, isso sim); o namorado terminar com ela na porta da festa (JESUUUUUUSSS ela se livrou de uma boa); o casaco de 20 reais (HAHAHAHA tou rindo muito, porque não lembrava do preço e não lembrava de ter dado. Pra mim, ela tinha pago por ele, se não contasse eu nunca ia saber!).

a beth foi a festas na minha casa (algumas delas eu nem estava, inclusive), comprou coisas do meu bazar de garagem, acompanhou meus desenganos aqui nesse blog, desabafou comigo sobre problemas que de alguma forma eu podia entender, fofocou quando precisávamos destilar veneno comum, conheceu alguns amigos meus e os incorporou à vida dela. ela também compartilhou comigo suas histórias, foi sempre muito generosa nas conversas e trocas.

(e quero deixar registrado que ela é linda. tenho um fraco por mulheres lindas e altas, confesso. infelizmente não sou gay – acho chique e moderno ser gay, com licença – mas ainda assim me permito cobiçar a mulher alheia)

bom, beth, risos à parte (e ri aqui de quase chorar): eu sei sim que você estava ali, comigo. sei que pude ajudar você de alguma forma, e fico MUITO contente com isso. de certa forma, passamos por coisas parecidas, temos muito em comum, não só os amigos. essa fase dos 20 aos 30 é muito intensa, principalmente pra quem vive de verdade, não faz-de-conta somente. acho que é a fase mais marcante e mais decisiva da vida, porque é quando descobrimos quem somos de verdade. não é à toa que nos metemos em relacionamentos complicados, acho que é uma forma de romper com modelos impostos pelos nossos pais, uma forma de provar pra gente mesma que podemos ser/fazer diferente. e no fim das contas, a verdade é que algumas coisas podemos fazer diferente sim, mas… somos filhos de quem somos, não dá pra negar. dá pra polir, melhorar, mas não dá pra REFAZER, né.

gosto muito de ver você hoje, de ter acompanhado esses anos todos. você mudou, e foi pra muito melhor. eu sei que você vai dizer “mas…”, porque é perfeccionista, e sempre vai ter um “mas” (não é de todo mau ser assim, a gente continua sempre correndo atrás :)). é legal demais ver você andando pra frente, no seu ritmo, devagar e sempre, taurina legítima. é uma honra e um prazer fazer parte da sua história e ter contribuído de alguma forma, nem que seja com meus erros!

espero acompanhar você por muitos e muito anos ainda. quero ver você se libertar do seu emprego que não combina e nem vai combinar nunca com o que você é e virá a ser; quero ver você ainda mais feliz, livre e criativa, menos rigorosa com você mesma; quero ver você se divertindo mais com os contratempos, e principalmente acreditando no quanto você é bonita, inteligente e descolada, tá? 🙂

BEIJÃO!

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