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grécia, dia 14: termópilas

e estava chegando a hora de começar a voltar... nosso destino era delfos mas não podíamos deixar de conhecer as termópilas, palco da famosíssima batalha dos espartanos contra os persas. ou, na versão roliúdi, leônidas versus xerxes.

o guia indicava o local, mas a verdade é o tal local era no meio do nada. ou melhor: nada cortado por uma auto-estrada gigantesca. depois de muito procurar e quase desistir, paramos para perguntar e descobrimos que sim, ali mesmo, naquele pedaço cortado pela enorme estrada era o local da batalha. pois que logo adiante, na estrada, encontramos um monumento de gosto duvidoso:

monumento a leônidas

eu nem desci do carro, confesso. estava frio, chuviscando e tinha que atravessar uma auto estrada pra ver (tenho medo de atropelamento). o fer foi lá prestar sua homenagem ao rei, atendendo ao chamado da testosterona, e passou longos minutos lendo a história da batalha (você também pode ler, ele tirou foto da explicação do monumento).

fomos então dali direto para delfos, uma longa viagem. mas não sem nos perdermos (de verdade) no meio das montanhas graças a uma placa de "templo de apolo" (que não achamos). a paisagem pelo menos era linda :)

mas chegamos a delfos sãos e salvos, ainda era dia. ficamos num hotel ótimo com vista maravilhosa, andamos a pé pela cidade, à noite, fizemos uma excelente refeição e fomos dormir sonhando com o oráculo de delfos.

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grécia, dia 13: meteora

eu já contei isso, mas repito: o nome do local vem do grego meteoros, que significa 'suspenso no ar'.

aqui você pode saber mais um pouco sobre a região e os mosteiros, vale a pena ler. em resumo, é uma região com montanhas de pedra (parecem um pouco o pão de açúcar, mas são várias juntas) que vêm sendo usadas por monges ortodoxos como retiro.

no início, os monges se instalavam nas cavernas formadas nas paredes das montanhas, é uma coisa inacreditável, espero que dê pra enxergar:

cavernas na pedra

não consigo imaginar o que era escalar até ali e se instalar. coisa de louco! com o tempo - e motivados pelas constantes invasões turcas, principalmente - os monges subiram a montanha de verdade e construíram mosteiros no topo.

o primeiro mosteiro foi construído há cerca de 600 anos e atualmente há 10 mosteiros instalados no topo das montanhas de pedra, dos quais 6 são abertos à visitação do público. destes, visitamos 4 (poderíamos ter visitado 5, que estavam abertos neste dia, mas eu não aguentei ir para o último, minhas pernas pediram água).

visitar estes locais santos não é simples, saibam vocês. primeiro porque só se sobe a pé, e são muitos, muitíssimos degraus. segundo porque há um código de vestimenta rígido, mulheres só podem entrar de vestido ou saia (compridos, claro) e homens de calça; blusas sem manga não são permitidas. aliás, em alguns deles é obrigatório o uso de manga comprida tanto para mulheres quanto para homens. sendo assim, comprei uma adorável túnica preta que me fez muito feliz esteticamente porém quase me mata de calor.

aqui vão os mosteiros que visitamos e alguns detalhes sobre eles (há fotos somente dos páteos, porque nos lugares fechados lá dentro não se pode fotografar quase nada):

nikolaou anapafsa: o primeiro que visitamos e o menor. nem por isso foi menos interessante: ele tem um ar de real santidade e retiro, um silêncio que dá gosto. dentro da capela mínima há um afresco incrível de adão nomeando os animais que é uma coisa de chorar.

varlaam: escadas sem fim. achei que nunca ia chegar, juro. este mosteiro era bem maior, e mais cheio. os afrescos são todos maravilhosos e geralmente trágicos. a maior parte conta as agruras que os homens santos passavam, coisa de filme de terror. artisticamente lindo, mas de uma violência psicopata :) a subida foi difícil, mas a vista compensa, vejam só:

vista do páteo principal

megalou meteorou: esse, como o nome diz, é o maior de todos e também o mais bonito. vimos 2 museus dentro deste mosteiro - um de aparatos da igreja (roupas, taças, bíblias, crucifixos, tudo incrivelmente antigo) e um sobre a história da grécia (incrível!) - além de várias partes do mosteiro que já não são mais usadas, só servem para mostrar como era antigamente (refeitório, cozinha, marcenaria, etc.). a capela é belíssima, com afrescos incrivelmente coloridos e cheios de ouro, um espanto.

a vida monástica

agiou stefanou: esse é um mosteiro onde moram as freiras (tem outro nome?). é organizado, tem um ar de perfeição incrível e é o de mais fácil acesso (vejam que não tem escadas):

agiou stefanou

dentro dele visitamos 2 capelas mínimas com afrescos bem diferentes dos demais: os rostos dos santos bizantinos estavam completamente destruídos, com buracos no lugar dos olhos, com as faces riscadas claramente por objetos cortantes. descobrimos então que este mosteiro foi invadido algumas vezes por turcos (eles deviam ser preguiçosos, foram pro mosteiro com menos escadas :)) que destruíram os símbolos religiosos ortodoxos.

além dos mosteiros, exploramos a estrada que liga todos eles e paramos num mirante espetacular, chamado psaropetra (é uma pedra gigante se projetando, como um platô). a vista é de tirar o fôlego:

fer fotografando

não sei nem mais o que dizer, gente: é um lugar especial. o visual é absurdo, parece outro planeta, e o espírito do lugar é de introspecção, silêncio e respeito.

muito me incomodou ver que havia por lá pessoas que não respeitam as tradições e religião alheias (falavam alto dentro das igrejas, insistiam em vestir roupas inapropriadas, etc.) mas deixei de lado. preferi aproveitar a dificuldade da subida para pensar no que quero mudar na minha vida, passar momentos únicos com a pessoa que eu amo, ficar longos minutos sentindo o vento e olhando aquela paisagem louca.

andamos juntos, apreciamos os afrescos, aprendemos história, comemos muito bem e agradecemos a oportunidade de estar vivos e tão felizes.

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grécia, dia 12: lefkada - meteora

esse foi um dia passado no carro, praticamente. pra nós, que adoramos estrada, foi maravilhoso. fomos da costa oeste da grécia para a parte central, no meio das montanhas. descobrimos, aliás, que há várias estações de esqui na região montanhosa para a qual nos dirigimos, a tessália.

curiosidade: minha bisavó por parte de pai se chamava thessalia, um nome que eu aliás adoro.

antes de sair de lefkada, visitamos a fortaleza agia mavra, que "guarda" a entrada da cidade. é interessante, mas muito menos cuidado que outros sítios arqueológicos que vimos na viagem.

antes de enfrentar as montanhas, decidimos parar num local pouco visitado porém muito impactante: dodona, o mais antigo dos oráculos gregos.

além de estar situado num local espetacular - que justifica inclusive a escolha de zeus em se manifestar naquela árvore específica :) - o sítio arqueológico tem um teatro muito bem preservado e informações históricas preciosas espalhadas pelo caminho.

segundo conta a história, esse foi o oráculo mais importante da grécia (e do mundo) por muitos séculos, iniciando suas operações por volta do século VI antes de cristo. a deusa gaia era então cultuada, zeus e os demais deuses do olimpo vieram bem depois, incorporando as culturas mais antigas. uma coisa muito legal deste museu ao ar livre é que há mapas indicando, com cores, o que é de cada época, então você pode ver o efeito das invasões culturais transformando o que antes era o templo de gaia em tempo de afrodite, por exemplo.

fizemos nossas orações a zeus e continuamos nossa viagem pelas montanhas.

as paisagens da estrada são maravilhosas: passamos por serras, estradas sinuosas e cidades minúsculas com suas igrejinhas impecáveis. a grécia de verdade é bem diferente de santorini, com aquelas casas caiadas e cúpulas azuis. a maior parte da grécia é rústica, seca e cheia de cores quentes.

num boteco no meio da estrada, em um lugar que sequer sabemos o nome, comemos a melhor refeição de toda a viagem: salada grega feita com ingredientes da horta, souvlaki simples e impecável e o melhor tzatziki do universo. os tomates mais doces, o pão mais fofo, ah!

e chegamos, no final do dia, ao nosso desejado destino, meteora. mesmo com um céu cheio de nuvens não nos decepcionamos com o visual:

e já aviso: nem esta nem as demais fotos das imensas montanhas de pedra fazem jus à beleza e espírito do local. há de fato um ar de mistério e santidade naquelas pedras imensas no meio das árvores e dos muitos tons de cinza por toda parte.

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grécia, dia 11: lefkada

as fotos e descrições não nos prepararam para a maravilha que é esta ilha. ela fica na costa oeste da grécia e não precisa de barco para atravessar, há acesso por terra. é um dos locais mais famosos do mundo para praticar esportes náuticos que dependem de vento e tem a cor de mar mais impressionante que já vi.

não bastasse a beleza do local, as pessoas são simpáticas e a comida é ótima. espero que as fotos dêem pelo menos uma idéia do que é este lugar incrível.


agios nikita


kavalikefta, estonteante


porto katsiki e as águas mais cristalinas


o farol da ilha

demos a volta na ilha toda, parando nas praias para tomar um banho de mar e curtir um pouco o sol. no final do dia paramos para almoçar/jantar e comemos (adivinha?) uma maravilhosa salada grega. vejam se não dá fome:

e pra terminar o dia, assistimos ao pôr-do-sol, no mar, como convém :)

veja todas as fotos aqui, mas saiba que elas não dão idéia do quão linda é lefkada.

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grécia, dia 10: delfos - lefkada

chegamos exaustos na noite anterior, depois de viajar de barco, andar muito de mochila, alugar o carro e pegar muitos quilômetros de estrada. não que viajar de carro seja um problema (pelo contrário!) mas vocês não têm noção do que é ser navegador com mapa em inglês e placas em grego!

bom momento pra falar do assunto: o alfabeto grego é uma vaga lembrança de infância. eu aprendi o alfabeto grego e os radicais gregos na escola primária, saibam. era comum ensinar isso na escola, na minha época de anciã :) pois quando compramos o guia, começamos a relembrar o alfabeto e aprender palavrinhas simples. mas até esse momento da viagem conhecer um pouco do idioma não tinha feito diferença nenhuma, o inglês dava pro gasto. neste trecho, fez toda a diferença, pois eu não conseguia "traduzir" as placas do alfabeto grego na velocidade adequada para ajudar o pobre que estava dirigindo.

era uma beleza... aparecia Θήβα na placa e eu lia mais ou menos assim "PN... não, isso é um fi... Fn... não, êne com perninha é i... FI..." e a placa tinha passado, é claro. volto pro guia e confiro: THIVA. ahhhhhhh, passou, passou, volta!

a sorte é que a maior parte das placas é duplicada, aparece primeiro em grego e depois em inglês. mas nem todas, e aí a casa caía. rapidamente começamos a "pegar o jeito" e traduzir mais rápido, ficamos confiantes e aí fudeu de novo: quando era em letras minúsculas a gente não sabia mais ler, é tudo bem diferente. espetacular. essas são as férias que todo mundo pediu a deus, não é? parecia um pesadelo encenado na aula de ditado da terceira série.

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mas chegamos a delfos e, sem perceber, passamos por tebas. thiva, pois é! idiotas completos. o guia nos deu certo alento: não restou nada da antiga cidade, só o que perdemos foi o local onde supostamente édipo mata seu pai, laio (entre tebas e delfos). voltamos a este lugar depois, não se preocupem, mais adiante falo disso :)

nós queríamos ficar no hotel sybilla, é claro, mas estava lotado. ficamos numa pensão, que -- adivinhem? -- não tinha água quente. era tarde da noite, estávamos mortos e a temperatura permitia um banho frio, então deixamos pra lá e encaramos de novo o problema de água quente de mais um hotel de 45 euros. paciência.

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era domingo quando acordamos, e dia de eleição. surpresa: o museu e o sítio arqueológico do oráculo de delfos, com o templo de apolo e tal, não abria nesse dia. (coloque aqui aquelas músicas de palhaço: póim-óim-óim-óim-óooooim...)

decidimos então ir para o nosso próximo destino, lefkada, e voltar a delfos na volta para atenas. nem morta eu ia deixar de visitar o oráculo de delfos!

delfos fica no continente, do lado de "dentro" e há um golfo entre o continente e corintos, no peloponeso. seguimos a estrada que costeia o golfo, com uma vista espetacular do mar muito azul e das encostas secas, cheias de oliveiras.

as fotos desse trecho valem a pena ser vistas, é uma paisagem muito bonita. no final dessa costa há uma ponte imensa, moderna, que liga o continente ao peloponeso.

chegamos a lefkada no final do dia e encontramos um lugar ótimo para ficar: uma escola de kitesurf, que aluga apartamentos e tem um bar lindíssimo, na beira da praia. a decoração é toda de madeira, com louge music tocando o tempo todo e comida nota 10. neste lugar delicioso assistimos ao pôr-do-sol ouvindo música e tomando cola-light...


quem quer outra vida? :)

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grécia, dia 9: em trânsito

este foi o dia de sair de santorini, de barco, voltar a atenas, alugar o carro e ir adiante. é um bom momento para falar da experiências com o sistema aquaviário da grécia...


catamarã highspeed

este é um barco nota 10, você mal percebe que está no mar, é incrível. balança pouquíssimo (imperceptível) apesar da velocidade enorme. absolutamente confortável e quase sem contratempos. mas já volto pra esse pedaço, preciso contar outra história antes:

o trecho creta-santorini, por outro lado, foi uma experiência bem diferente. é outro tipo de catamarã, bem menor, numa viagem de mais de 4 horas. o barco foi lotado, com cadeiras como de avião, e com aquelas fileiras centrais de 5 pessoas. fomos numa dessa, eu espremida entre o fer e um inglês grandão e simpático. acho que foram as 4 horas mais bizarras da minha vida, e explico o porquê.

todos sentados, tripulação mal-educada (e sinto dizer que a maior parte dos que lidam com turistas são toscos por lá. rola um mau-humor generalizado), empurrando a galera pros lugares. o barco sai e em 5 minutos desenvolve uma velocidade absurda e quica na água loucamente. juro: o barco sai da água e cai (é um barcão!), balançando de um jeito que nunca vi. não é possível ficar de pé sem se segurar como numa montanha-russa. 7 minutos depois as pessoas começam a passar mal e os tripulantes começam a distribuir saquinhos de vômito. eu percebo que vai fuder, porque o fer não se sente bem (mas tomou dramin, portanto é improvável que vomite) mas o inglês do meu lado está 100% verde.

em 10 minutos 10% das pessoas no barco já tinham começado a vomitar. nos saquinhos, ao nosso redor, no chão, onde dava. nos próximos 30 minutos posso dizer que 40% das pessoas estavam vomitando (ou) quase vomitando (ou) tentando não vomitar (ou) passando muito mal. e quando um vomita do seu lado, rola uma empatia, vocês sabem.

eu não sabia se ria ou chorava, porque estava parecendo filme do monty phyton. eu não vomitei nem fiquei abalada, apesar do inglês ter vomitado (a 30cm de mim) umas 4 vezes, com barulhos dignos de filme B.

(tipo: UAAAAAHHHHHHGGGGGG, UUUUUGGGGGG, AAAAAHHHHHHGGGG)

os tripulantes, desesperados, "trocavam" os saquinhos (cheios por vazios) e corriam pelos corredores com esfregões para manter o local minimamente habitável. eu expliquei que é tudo fechado? e que havia somente 2 banheiros? pois agora já sabem. eu, que estava com ódio da falta de educação da tripulação, tive um momento de compaixão (mas durou pouco).

mas voltemos ao catamarã enorme e bom no qual fomos de santorini a atenas: não balançou, não teve saquinhos e até conseguimos tomar um lanche. não fosse uma família de turcos mais imundos que porcos de chiqueiro que se acomodou a alguns metros de nós, a viagem teria sido perfeita. os turcos eram nojentos, não sei nem como explicar. sujos, engordurados, com roupas rasgadas e muito folgados. e com dinheiro, pois viajaram na classe executiva e gastaram uns bons euros de refrigerante, comida e afins. quantos euros deve custar pra tomar banho, não? que horror.

e eu, a louca, olhava pra eles horrorizada e só conseguia pensar que antes de mim podia ter sentado uma criatura daquele naipe naquela-mesma-poltrona. o pavor tomou conta de mim e tive que improvisar com um saco de papel pardo a respiração do pânico. inspira-segura-expira.

**

em atenas o calor era de 40 graus, sol na cabeça e mochila nas costas. pegamos o metrô (muito bom, aliás) do porto para o aeroporto, alugamos um carro e fomos para o trecho continental da viagem. nossa primeira parada foi delfos, já no início da noite.

há algumas poucas fotos desse dia, que foi basicamente viajando, lendo guia e planejando os próximos passos.

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grécia, dia 8: santorini

neste dia fizemos o passeio que eu considero o melhor de santorini: thira antiga. e até agora não entendi porque foi dada pouquíssima ênfase a este sítio arqueológico nos 2 guias que levamos (publifolha e lonely planet).

a cidade foi fundada no século 9 antes de cristo, e passou pela grande erupção que destruiu a ilha (além de outros terremotos ocasionais). santorini, aliás, é muito sujeita a terremotos (não presenciamos nenhum).

esse passeio pode ser feito 100% a pé (que deus proteja os corajosos que sobem aquilo tudo). é uma estrada muito muito longa, que serpenteia até o topo da montanha. a vista, ao subir esta primeira parte, já é estupenda (este é lado oposto da caldeira, onde a ilha ruiu. por isso a cidade "sobreviveu"):


kamari e suas areias pretinhas da silva :)

mas tem mais subida. o próximo trecho se faz a pé, e eu novamente tive a impressão que não ia acabar nunca... mas acaba e o lugar é absurdo. tão, tão antigo e é possível imaginar o que já foi e se deslumbrar com a vista privilegiada da ponta da ilha. algo assim:

passamos, na volta, pela praia de kamari, cheia de restaurantes da moda e gente bronzeada e voltamos a acrotiri para um almoço longo e delicioso. passeamos por fira e ficamos curtindo o fim do dia no hotel e sua vista linda de morrer.

e o hotel, gente, pasmem: foi o mais barato de toda a viagem. pagamos 30 euros por noite (sem café da manhã) e a dona do hotel é linda e simpática (um achado na grécia, aqui entre nós). recomendo fortemente pra quem prefere hotéis simples e de preço justo: goulielmos.

antes de ir embora, já estávamos com saudade. santorini é definitivamente um lugar que, podendo escolher, não se deve morrer sem conhecer.

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grécia, dia 7: santorini

o espanto não passou no dia seguinte: abrir a janela e ver aquela paisagem continuou nos deixando passados.

fomos fazer um passeio de barco pela caldeira, para visitar o vulcão. diz que está inativo, mas "erupiu" :) na década de 50 pela última vez, a terra é quente e tem águas quentinhas pra nadar (e nadamos nela, é claro).

descobrimos que de qualquer ângulo a ilha é linda:

e subimos muito e por muito tempo até chegar ao topo do vulcão. não há cratera ativa, não se vê lava, mas há um mapa das crateras e da história das últimas erupções, é um passeio imperdível. eu achei que ia morrer de tanto andar, mas consegui chegar até o fim :)

ao voltar, passamos o fim de tarde conhecendo outras partes da ilha e voltamos a ia para almoçar/jantar, curtindo a vista incrível.

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grécia, dia 6: santorini

é, gente: santorini é um local especial. francamente não é o que vimos de mais bonito na viagem, embora seja lindíssimo, como vocês vão ver nas fotos, mas é uma paisagem espetacular.

fiquei impressionada ao chegar na ilha, mas confesso que meu maior encantamento foi com sua história. a ilha, que hoje tem formato de lua crescente ou minguante, sei lá, já foi uma ilha como qualquer outra, porém com 3 vulcões. imagine uma ilha com 3 grandes picos que subitamente entram em erupção (eu inventei inclusive um novo verbo, "erupir", só pra usar por lá) e deixam um buraco gigantesco no meio da ilha, onde antes viviam pessoas em cidades e tal.

a erupção de santorini é a maior que aconteceu na terra, dentro do período de existência da humanidade. o resultado da erupção não só destruiu quase toda a ilha como causou um tsunami monstro que destruiu o litoral de creta (lembra de iraclion e knossos? foi tudo destruído). essa semana, vendo um programa sobre as pragas do egito, descobri que uma das pragas (a escuridão) pode ser inclusive conseqüência da erupção de santorini, não é incrível?

voltando: o que sobrou no meio da ilha foi um buraco enorme, a cratera do vulcão e as laterais, a "casca" dos vulcões, com cerca de 300m de altura. e lá em cima ficam as cidades e as vistas mais incríveis para essa imensa caldeira.

resolvemos ficar numa das pontas da ilha, acrotiri, que tem vista para ia, a cidade mais famosa da ilha. de lá, víamos os paredões avermelhados no fim da tarde, a caldeira e o mar azul de dar aflição. a vista da varanda do nosso quarto era essa:

andar a pé em santorini é inviável. você pode até andar de ônibus, mas pobre de você, porque demora que só o capeta. o pessoal aluga motos (lambretas), quadriciclos (fofos!) ou carros. decidimos alugar um smart, porque somos apaixonados pelo carro e ele não existe no brasil. foi uma delícia! e saímos passeando feito loucos pela ilha toda, já no primeiro dia.

são 3 os grandes pontos de referência de santorini: ia numa ponta, fira ou thira no meio, e acrotiri na outra ponta, as 3 com vista para a caldeira. somente de ia, no entanto, se pode ver o pôr do sol no mar, um fenômeno que encanta todos os visitantes da ilha, e nós não fomos exceção... no primeiro dia fomos assistir ao famoso pôr do sol e, olha: valeu.


o fim do dia

**

além das cores lindas, do sol, de tudo, gente, tem os tomates. os tomates da grécia são realmente espetaculares, doces e vermelhos, uma tentação. e num mercadinho de ia compramos tomates cereja que pareciam recém-colhidos, com seus caules e folhas, queijos, pão e iogurte. e jantamos no quarto do hotel, ainda sob o efeito do encantamento que aquele pedaço incrível do mundo provoca.


as cores de ia

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grécia, dia 5: creta

e vocês pensam que no dia seguinte a água quente tinha voltado? na-na-ni-na-não. tomamos banho de gato, frio mesmo, e saímos putos. e pagamos 45 euros por isso, tá?

continuamos nossa volta pela ilha, chateados porque queríamos fazer um passeio que merece uma viagem exclusiva e não cabia nesta viagem: a caminhada pelo desfiladeiro de samaria. decidimos fazer esse passeio quando formos à itália :)

saímos do litoral e atravessamos a parte montanhosa de creta, lindíssima. a estrada é ótima e além da paisagem sensacional, aproveitamos para parar no caminho e ver uma igreja do século IX, simples e linda.

a paisagem é geralmente muito seca e cheia de oliveiras. nos guias, descobrimos que as oliveiras são uma espécie de praga, pois impedem o crescimento de várias plantas da flora nativa da grécia. o problema é que boa parte da economia da grécia (especialmente lá nos muito antigamente) era baseada em azeite de oliva, ou seja, o povo destruía tudo que é mata nativa pra plantar oliveira. e hoje é isso: um país muito seco em quase toda parte. mas o azeite é bom, vá :)

voltamos então à iráclion, capital da ilha, para pegar o barco no dia seguinte cedinho para santorini. ficamos num hotel simpático à beira do mar e andamos à pé no centro lindíssimo da cidade, que tem grande herança veneziana (a ilha foi invadida por quase todas as potências do mundo antigo, especialmente itália e turquia).

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grécia, dia 4: creta

chegamos às 7 da manhã em creta, a maior ilha da grécia e também onde a civilização grega começou. é de lá que vem a civilização minóica e é de lá o mito do minotauro. mais precisamente do palácio de knossos, que foi o grande motivo de visitarmos a ilha.

pra ver o palácio de knossos hoje em dia é preciso muita imaginação e informação histórica: só restaram ruínas, de fato. também, depois de tsunami, terremoto e não sei quantas invasões, pudera... :) depois da acrópoles, foi o lugar com mais turistas que visitamos na viagem toda.

apesar disso, uma curiosidade: tivemos muita dificuldade em encontrar lembranças com o tema do minotauro. procuramos muito uma réplica de moeda com o minotauro desenhado (trouxemos para minha sobrinha de 5 anos, que ficou encantada em saber que íamos visitar "a casa do minotauro") e achamos somente umazinha. perguntamos ao rapaz da loja de souvenirs o motivo de ter tão pouca coisa sobre a mitologia grega à venda. a resposta foi assustadora: "não vende, senhora. as pessoas não conhecem nada de mitologia grega, muitas delas perguntam inclusive onde estão, não sabem nem o nome da ilha". O_o

quando chegamos ao local, senti um cheiro bom, adocicado, mas não soube dar nome a ele. achei que era um tempero, mas depois descobri: voltando para o carro para seguir viagem, vi uma senhora vendendo figos, uma das minhas frutas preferidas. ela colhia os figos de um pé na sua própria casa e vendia às dúzias! era esse o cheiro, os figos ao sol!

comprei, é claro, e eram doces como mel.

almoçamos muito bem e foi neste dia que nos demos conta que a fama de país machista era real: os garços, reparamos, não só não olhavam nunca pra mim como serviam sempre primeiro o fer. juro: as mulheres são servidas por último e tratadas como seres de segunda categoria, não é exagero. um horror, mas vamos ignorar essa parte. dizem que temos que respeitar a cultura alheia, essa coisa de "diversidade" que eu abomino. sigamos.

alugamos um carro para dar a volta em boa parte da ilha, pois dar a volta completa não caberia em 2 dias apenas. seguimos para o lado oriental, parando às vezes para apreciar o mar e tomar nosso primeiro banho no mar egeu!


a áfrica é do lado de lá...

almoçamos, apreciando o azul e descemos até ierapetra, onde resolvemos dormir.

e foi aqui a primeira roubada: seguindo a recomendação do guia lonely planet (aliás, mil vezes melhor que o guia da folha, sem comparação), fomos para um hotel razoável e conseguimos pedir um quarto. pela primeira vez na viagem encontramos alguém que não falava uma palavra de qualquer outro idioma que não fosse grego. ena domatia, parakalo (um quarto, por favor) então, e tudo bem. só que o hotel não tinha água quente! imaginam os dois cansados, suados, com sal de mar e sem água quente?

de alguma forma o fer conseguiu explicar pra mulher que só falava grego que não tinha água quente. quando eu resolvi ir embora, puta da vida, ela arranjou outro quarto "very good" (apareceu o inglês dela na hora do barraco, vejam vocês) e lá ficamos. tinha água quente e eu tomei um banho demoradésimo, pra compensar. só que o fer, coitado, tomou banho frio esta noite, porque a água quente acabou, graças a mim. ops!

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grécia, dia 3: atenas

no dia 3 voltamos à rua: visitamos o templo de zeus. o tamanho das colunas é assustador, não é difícil imaginar a adoração de zeus acontecendo ali, com a acrópole ao fundo.


(não é mais fácil pensar no passado em sépia? :))

depois de muito andar, voltamos a monastiraki e almoçamos com a ana renata, amiga apresentada pela denize, que fica por lá alguns meses do ano. ela não só nos deu dicas preciosas como arranjou mapas que salvaram nossa vida e é uma pessoa adorável.

almoçamos no famosíssimo e de fato imperdível thanasis: comemos o melhor souvlaki com pita e tzaziki, cerveja e muito papo. numa das muitas sorveterias comi um delicioso sorvete de pistache e fomos visitar keramicos. o museu é mais interessante que o sítio, mas teve uma surpresa ótima: vimos tartarugas comendo grama, no meio do local! a ana então nos contou que as tartarugas selvagens são muito comuns na grécia e que morrem atropeladas nas estradas porque vivem soltas, pobrezinhas.

acreditem ou não, essa informação foi muito útil, porque pudemos salvar uma tartaruga na estrada para delfos (se não soubéssemos, eu acharia que era uma pedra no meio da pista...) :)

no final deste dia decidimos o que fazer no dia seguinte: compramos passagens de avião para creta. diante da infinidade de opções, resolvemos conhecer o berço da civilização grega. nosso vôo era cedíssimo na manhã seguinte (naquele aeroporto fim-de-mundo), portanto dormimos cedo, sonhando com o minotauro :)

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grécia, dia 2: atenas

o dia 2 começou às 3 da manhã do dia anterior (porque enquanto eu não durmo considero o mesmo dia). chegamos ao novíssimo aeroporto de atenas, tudo deu certo.

pedimos informação sobre táxi e soubemos que custaria cerca de 50 euros até nosso hotel, isso é claro se não fôssemos roubados no valor. aliás, saibam: andar de táxi na grécia não é recomendado, pode ser uma aventura desagradável. parece que além de tentarem roubar no valor (como fazem lá no rio - eu já fui vítima) os taxistas também pegam mais de um passageiro por corrida, mudam o caminho pra encaixar cada um (essa eu não conhecia!). em defesa dos taxistas de atenas posso dizer que os 2 táxis que pegamos foram ótimos.

bem: nos recomendaram pegar o ônibus que sai do aeroporto para syntagma e de lá negociar um táxi (sempre combinando preço antes). pois assim fizemos: 3,20 euros por pessoa e muitos quilômetros depois (o aeroporto é longe pra caramba do centro) chegamos, negociamos um táxi pra nos levar, por 8 euros. no caminho eu vi a acrópole iluminada à noite, pelas frestas dos becos, foi lindo!

chegamos mais mortos que vivos e dormimos até meio-dia. o hotel foi a primeira roubada da viagem: bem barato para os padrões de atenas (50 euros/dia), e não é à toa. o chuveiro era absurdamente minúsculo (mas tinha água quente. mal sabia eu como isso pareceria um luxo em alguns momentos da viagem...), tudo muito velho e acabado. mas não somos de frescura e ficou tudo bem, descansamos depois de assistir 2,1 minutos de TV em grego.


eu na acrópole!

decidimos gastar nossa tarde com a acrópole e ágora. não visitamos nenhum museu porque simplesmente não cabia nos 2 dias que tínhamos. decidimos ver só os sites ao ar livre, paciência. comemos um café na esquina (muita massa folhada e muito creme / queijo), pegamos o metrô e descemos na estação acrópole, claro :)

pra quem está curioso com o idioma, é o seguinte: na maior parte da grécia é muito fácil se comunicar em inglês, principalmente se suas necessidades são básicas. se você precisar de coisas complexas tipo "cotonete" eu francamente não sei se seria tão fácil :) nós precisamos de água quente e gelada, comida, quarto, estacionamento, ônibus, essas coisas que todo mundo sabe. então foi tranquilo, até porque se faltar vocabulário você sempre pode fazer mímica ;)

quanto à leitura das placas eu já não posso dizer o mesmo, mas falo disso quando entrar na parte da viagem que andamos de carro.

foi um dia lindo em atenas, o sol estava forte mas o ventinho ajudou a refrescar. andamos e subimos/descemos tanto que achei que meus pés iam cair, juro. mas valeu cada passo, foi incrível caminhar por aquelas pedras e pensar em tudo o que já aconteceu ali. passeamos pela acrópole e a ágora, subimos no monte areopagus e já foi suficiente pra cansar bem. terminamos o dia em monastiraki, comendo (adivinhem?) salada grega :)

bem mais tarde da noite fomos fazer um lanchinho perto do hotel, em omônia, num fast-food grego que nos deixou malucos: salada grega maravilhosa e souvlaki impecável. sobre comida eu falo com mais detalhes em um post separado, pois a culinária grega merece.

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grécia, dia 1: paris (?)

vou publicar as fotos, como já disse, aos poucos. fizemos a "limpa" dos 10 primeiros dias e já organizei o dia 1. portanto, aqui estão as fotos do primeiro dia de viagem que (não me batam) não é na grécia :P

nossa maravilhosa conexão era em paris, naquele aeroporto do capeta, o charles de gaulle. pra quem não conhece, é um aeroporto imenso, sujo e desorganizado. e as pessoas mal e mal falam inglês, o que complica bastante a vida de quem, como eu, já esqueceu o francês faz tempo.

nossa conexão tinha um intervalo de 1h, que não foi suficiente para nos deslocarmos até o próximo portão de embarque. a verdade é que daria um tempo bem apertado se tivéssemos usado o caminho mais curto (ir a pé); como tomamos a decisão errada (fomos com o ônibus interno do aeroporto), chegamos atrasados e... ficamos em paris algumas horas.

não foi completamente ruim, afinal pudemos dar um pulinho na notre dame e almoçar à beira do sena. não fosse o sono, o saco cheio de ficar 1,5h na fila da air france pra sermos atendidos e o mau cheiro dos recintos fechados na frança, teria sido perfeito.


portal da notre dame

mas valeu rever paris e fazer baldeação na maldita estação do estádio de futebol onde perdemos aquela final de copa vergonhosa.

fomos para atenas no início da noite, via frankfurt (e aquilo sim é que é aeroporto!) e chegamos às 3h da manhã. mas esse eu já conto como dia 2 :)

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