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Archive for julho, 2017

sobre navios e o oceano

julho 28, 2017 Leave a comment

Não sou de compartilhar sonho, mas esse foi tão espetacular que preciso registrar pra tentar entender.

 

Encontro com uma amiga pra almoçar, num complexo, como se fossem múltiplos hotéis. Andamos por jardins, saguões, cheios de gente, uma coisa labiríntica, e tudo começa a ficar mais velho, quebrado, estranho. Me perco dela, e decido voltar. Tento reconstruir o caminho, e nada — quanto mais volto, mais caótico tudo fica, mais destruído e intransponível. Como se o mundo estivesse acabando, como se um terremoto tivesse mexido todo o mundo, as estruturas todas.

 

Acho que vejo uma saída, e corro pra ela — é um prédio já destruído, com uma escada que sobe. Não faz muito sentido subir, afinal como escapar pelo telhado? Mas subo assim mesmo, um senso de urgência me empurrando, e as escadas começam a ficar sufocantes, cheias de coisas que preciso arrancar do meu caminho pra subir, até que praticamente me espremo por destroços e chego ao topo…

 

… e tem um mar em volta de mim, revolto. O oceano, e no horizonte vejo um transatlântico imenso, virado, soçobrando. E as ondas vindo loucamente, naquele oceano sem fim.

 

Eu simplesmente me solto no mar, e me deixo ir, boiando, esperando que seja o melhor a fazer.

 

(E o sonho fez sentido ao escrever. Que lindo.)

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mulheres na liderança – como chegar lá?

julho 26, 2017 Leave a comment

Excelente TED sobre a questão da ascensão da mulher aos mais altos níveis gerenciais. Fiquei emocionada em vários momentos pela identificação e pela clareza com que ela expõe 3 pontos essenciais que nós ajudariam a mudar o mundo (a saber: mulheres deviam ser quase 50% dos líderes. Nos melhores países / indústrias não chega a 20%).

 

1- As mulheres devem se posicionar, negociar seus salários e benefícios, acreditar em si mesmas, divulgar o que fazem. Homens sempre “se gabam” de seus feitos, enquanto as mulheres dividem os louros e quase se desculpam por serem bem-sucedidas! Mas não é suficiente nossa mudança individual: precisamos mudar como sociedade a forma de encarar a mulher que “aparece”. Em homens, ser bem-sucedido é qualidade; em mulheres é defeito.

 

2- Precisamos valorizar a opção de cuidar da casa, e precisamos incluir os homens nesta última opção, eliminando o preconceito. Homens não precisam ser sempre provedores. É preciso dar valor à opção de cuidar dos filhos e da casa, dando maior liberdade também para quem opta por ir ao mercado. E se mais homens abrissem mão de suas carreiras para fazer atividades domésticas? Só isso já mudaria o mundo.

 

3- As mulheres não podem, não devem abrir mão de sua carreira e de arriscar mais em função da possibilidade da maternidade ou do casamento. Precisamos aprender a lidar com as 2 coisas sem antecipar problemas, e lidar com os conflitos quando eles aparecerem.

Categories: feminismo

uma receita pouco ortodoxa de torta de liquidificador

julho 19, 2017 Leave a comment

Aí que eu vim dirigindo pra casa com ideia fixa: quero comer torta de liquidificador. A receita da família tá em algum canto por aqui na casa, mas liguei pra Mami Vera e pedi a receita pelo whats, ela mandou, corri na despensa animadona catar ingredientes…

… e já não tinha atum nem sardinha, que são meus recheios favoritos dessa torta. Ok, até com tomate e cebola fica bom, vamos ver o que sobrou. Tinha escarola, salada assada de berinjela e pimentão, carne moída refogada — uau, um banquete!

Pego o liquidificador que fica na pia, jogo lá dentro os 3 ovos, 1/4 de xícara de óleo, pitada de sal e reparo que algo está estranho… olho dentro, e o fundo do liquidificador tá solto, sem rosquear, e os ingredientes tão na verdade na pia, onde apoiei o copo.

 

😱

 

Cato um prato pra salvar uma parte pelo menos, consigo (santo degrauzinho da pia), taco mais um ovo pra compensar a perda, tou um tapa na pia que ficou um nojo, rosqueio o fundo do liquidificador e já ligo o forno.

Juntei 1 copo de leite, 1 colher de sopa de queijo ralado, e as 12 colheres de sopa de farinha.

Enquanto batia, peguei a 1a forma que vi na frente, untei e enfarinhei.

Desligo o liquidificador, jogo a massa pra forma e… ficou ridiculamente pouca massa pro tamanho da forma. Fudeu.

Corre na despensa, acha uma forma menor; achei, untei, enfarinhei, ufa, sou ninja, agora o recheio.

Coloco recheio (já conversando com o amigo Vinicius que chegou no meio da desgraça e nem reparou, porque sou dessas que não se abala), espalho bem, coloco a torta no forno e…

 

A PORRA DO FERMENTO.

 

Pensa rápido — fodace, coloca 1 colher de sopa de fermento por cima e mistura como se fosse a papinha do primogênito, bem com muito amor e FÉ PESSOAL, porque só mesmo por milagre essa torta vai prestar depois de tanta besteira que eu fiz, meodeos, parece que aprendi a cozinhar ontem, afe.

(De novo Vini provavelmente nem reparou, porque eu sou versada na improvisação livre e caótica e no multitasking nervoso)

 

Vai, minha filha, crescei e multiplicai-vos.

 

Ela cresceu, multiplicou, arrasou e ficou linda e boa, e comemos tudo, não sobrou nada nem pra tirar foto e registrar o feito.

 

Moral da história: fé e fermento, use sem moderação.

 

OU

 

Vai ter sorte com improvisação assim na put a keep are you.

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astronomia

julho 14, 2017 Leave a comment

Li a íntegra das mudanças na CLT, e mesmo não sendo da área, acho que deu pra entender quase tudo.

Ouvi um professor hoje cedo na rádio USP (que recomendo muito; delícia de programação), sendo bem categórico a respeito: ele acha que a mudança favorece as empresas, majoritariamente.

Achei a mesma coisa. E também acham a mesma coisa os que defendem a mudança, porque se apoiam na lógica do mercado: se é bom pra empresa, é bom para a economia, e consequentemente bom para o indivíduo.

Eles defendem que as mudanças permitirão que tantos que hoje não se “beneficiam” da CLT possam ser contratados em regimes mais flexíveis. E que estes são a maioria — a minoria é contratada usando a CLT neste momento.

Vou acreditar nestes dados, por preguiça de pesquisar e porque não importa pro meu ponto: pode ser que seja verdade. Que mais pessoas sejam contratadas nas novas modalidades. Vamos acompanhar.

Mas de uma coisa eu tenho 100% de certeza: as empresas vão massacrar os que não têm poder de negociação. O bolo não aumentará — ele será do mesmo tamanho, dividido com mais gente. Porque é assim que funciona o mundo do lucro. Não tem milagre. Talvez a economia melhore porque tem mais gente recebendo menos, na média? Pode ser, sim.

 

Esse é um mundo melhor de se viver?

 

Vou ligar no Disk-Meteoro e conto depois pra vocês.

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Hoje descobri que o sal marinho já tem plástico em sua composição, graças à poluição do oceano.

Perguntarei sobre isso ao disk-meteoro também.

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Ah, e também ouvi um pouco hoje sobre o quando o governo está quebrado por causa da previdência, do “assistencialismo”.

Não é porque gasta bilhões com propina, nem com desvios, nem com bônus e benefícios e verbas absurdas para políticos inúteis e corruptos.

Não, a culpa é NOSSA. Que pagamos impostos e previdência pública pra receber uma miséria no fim da vida (agora nem isso, morreremos antes), e não dos chupins que drenam os cofres públicos.

Sim, meteoro.

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Que nem a crise de água e energia — quando falta, somos nós que devemos tomar menos banho e molhar menos plantas e ver menos TV. As empresas — essa benção que promove o mágico ciclo da economia — têm DESCONTO quanto mais usam os recursos.

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Tem chat online com o Meteoro? Tou precisando falar com o atendente pra já.

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baby steps, pra sempre

julho 6, 2017 Leave a comment

No começo desse ano decidi ir a uma nutricionista, já que dieta não é algo que estou disposta a fazer mais (até porque não funciona. Emagreço um monte e depois engordo de novo) e meu corpo não me agrada do jeito que está. Pedi uma indicação e cheguei à Carol do blog “O corpo é meu”.

 

Fiz um acompanhamento quinzenal por 3 meses, com diário detalhado da minha alimentação. Conclusão: ela não  mudou NADA do que como normalmente, minha “dieta”.

 

No entanto, ela trouxe um elemento que eu desconhecia, mesmo sendo pró em dieta: ela expôs minha forma de lidar com a comida e com a fome. Percebi que como sem fome, que não sei quando parar de comer.

 

Decidi não me pesar mais, porque o número na balança me deixa ansiosa e triste. Quero mudar meu corpo pra um formato que seja confortável e que me permita movimentar sem esforço. Essa é minha meta. E foi disso que falamos nestes 3 meses; ela me mostrou que o corpo que eu desejo ter é MUITO próximo do que eu já tenho. E que me movimentar mais e estar atenta aos sinais do meu corpo provavelmente é mais importante que mudar minha alimentação.

 

(Estou nesse momento num check-up, aguardando o próximo exame. Tive que me pesar e dizer o peso pra enfermeira. Me sinto péssima. Meus números não “batem”, e no momento só penso que precisaria perder 20kg pra ser “normal”)

 

Estes 3 meses me fizeram perder peso (senti nas roupas), mas 1 mês depois, com menos atenção a como me sinto ao comer, senti o corpo mudar de novo. E não estou me movimentando muito (essa é minha maior barreira no momento, a inércia).

 

Penso cada vez mais que sem atenção a nós mesmos, constantemente, não é possível ser saudável.

 

Me perco nas coisas do dia a dia, e me deixo de lado, vivendo no automático. Como se eu fosse apenas uma engrenagem na grande máquina do mundo. Acho que é urgente trazer mais consciência para o dia a dia, seja para comer, cuidar-se, movimentar-se, conversar com as pessoas. Estar presente.

 

O celular, esse mesmo que serve pra escrever esse texto, me ajuda a desconectar do presente. Me ajuda a ignorar não só os outros ao meu redor, mas a mim mesma.

 

Esse peso que sinto carregando em excesso no meu corpo é consequência da minha desconexão comigo e com o meu entorno.

 

Não sei ainda como mudar, mas estou determinada a voltar aos exercícios de presença que a nutricionista me propôs, de notar o que se passa comigo enquanto me relaciono com mundo, me observar profundamente e (parece um paradoxo, não?) ser mais ativa.

mulher boa é mulher de mentira

julho 6, 2017 Leave a comment

Há muitos anos (tipo 20) discutia com algumas amigas a respeito da quantidade enorme de homens que NÃO gostam de mulheres, apesar de se relacionarem com elas. Eles o fazem muitas vezes com pesar, inclusive, e gostariam que elas falassem menos, ocupassem menos espaço, fossem menos. Que fizessem as tarefas domésticas e sexuais e desaparecessem rapidamente depois (lembram da piada recorrente de mulher virar pizza? Então).

 

Mulher não é ser humano, igual, é outra categoria de ser, que serve pra enfeitar, limpar, cuidar e ser usada. Em silêncio, por favor. Relacionamento eles têm com os brothers.

 

Essa matéria é a prova disso. É extrema, sim, mas só porque esses homens deram-se o direito (porque podem, né? Olha o tamanho do apoio social que é necessário pra isso!) de assumir que mulher perfeita = boneca.

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assombração

julho 5, 2017 Leave a comment

Toca meu ramal no escritório, a essa hora, atendo:

 

[Voz de atendente de 0800]

“Boa noite! Estou ligando para falar com…”

 

[Voz de atendente de 0800 do universo bizarro, quase gutural]

“VALDOMIRO.”

 

(Eu sequer conheço Valdomiros, na vida, mas se tinha UM nome adequado pra essa situação, é esse)

 

Não respondo, em choque, um misto de curiosidade e fascinação.

 

[voz normal de 0800]

“Se você for o…”

 

[voz de 0800 do Hades]

“VALDOMIRO”

 

[voz normal de 0800]

“… fale SIM agora!”

 

Não falo nada porque ainda estou estupefata, o que provavelmente salvou minha alma, já que todos havemos de concordar que se trata de um contato do além por telefone.

 

Ela não desiste, e continua:

 

[voz normal de 0800]

“Preciso falar com o…”

 

[voz de 0800 do Stranger Things versão Upside Down]

“VALDOMIRO”

 

[voz normal de 0800]

“… ele está?”

 

Nessa hora eu entrei numa crise de gargalhada e tentei responder, mesmo com risco de perder minha alma pro demônio (certeza que era uma entidade maligna — ela queria o VALDOMIRO, mas acho que qualquer um serve nessas horas), mas a atendente robótica do canhoto desligou.

 

E foi assim que minha alma foi salva por um ataque de riso.

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monotarefa

julho 3, 2017 Leave a comment

(Post polêmico. Contenham-se.)

Não sei como fazem as pessoas que ouvem música “o tempo todo”.

Pra mim é impossível ouvir música e fazer quase qualquer outra coisa. Ou eu ouço e sinto tanto que meodeos parece que estou em outro estado mental, ou faço outra coisa.

Não concebo trabalhar e ouvir música, ler e ouvir música. Se meu cérebro for necessário para a tarefa, música não cabe.

Consigo ouvir música quando faço tarefas automáticas somente — faxina, louça, cozinhar, dirigir.

No mais, música é sempre uma experiência ativa, e preciso estar completamente presente.

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