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as que colhem cogumelos

junho 18, 2018 Leave a comment

Esse poema foi escrito por Neil Gaiman e apresentado pela Amanda Palmer (link lá embaixo), e Daniela e eu ficamos tão encantadas que fizemos uma tradução a 4 mãos para espalhar essa lindeza pelo mundo dos que falam Português.

 

Mulhes podem ser tudo que quiserem, especialmente cientistas 🙂

 

❤️🍄

 

As Que Colhem Cogumelos  

 

A Ciência, criança, como se sabe é o estudo

da Natureza e dos mecanismos do Universo.

Baseia-se na observação, no experimento, na medição,

e formulação de leis que descrevam os fatos

assim revelados

 

Há muito tempo, dizem,

já existia um cérebro na cabeça dos homens

preparado para perseguir feras desembestadas

lançando-os cegamente rumo ao desconhecido,

para depois, perdidos, encontrar seu caminho de volta

carregando juntos o antílope abatido.

 

Ou, nos dias ruins, antílope nenhum.

 

As mulheres, que não precisavam perseguir feras,

tinham cérebros atentos aos marcos do caminho

e ao trajeto possível entre um e outro.

À esquerda no espinheiro, passando os seixos

olhe bem os ocos das árvores caídas

porque neles pode haver cogumelos.

 

Antes da clava e da pedra lascada

a primeira ferramenta que existiu

foram as tipoias de carregar os filhos

amarradas para deixar as mãos livres

e ter onde guardar as frutas e os cogumelos

e as raízes e as folhas boas,

as sementes e os bichinhos.

 

Só então veio o pilão de amassar,

de macerar, de moer e quebrar.

 

E havia os dias em que os homens

perseguiam as feras nas matas escuras,

e não voltavam mais de lá.

 

Há os cogumelos que matam

e os que revelam deuses,

e há os que saciam a nossa fome.

Há que se saber identificar.

 

Uns são mortíferos se comidos crus

E novamente nos matam se aferventados

Mas se fervidos na água fresca que se descarte

e depois mais cozidos, servem então para comer.

Há que se saber observar.

 

Observar crianças que nascem,

medir as barrigas, as formas dos seios

E com a experiência descobrir

maneiras seguras de partejar.

Observar tudo.

 

E assim as que colhem cogumelos

palmilham caminhos

de olhos atentos ao mundo

vendo o que há para observar.

 

E algumas vicejaram

lambendo os lábios

E outras caíram mortas

varadas de dor.

 

E assim foram estabelecidas

e passadas as leis

sobre o que era ou não seguro.

Há que se saber formular.

 

As ferramentas que criamos

para construir nossas vidas:

as roupas, a comida, o caminho para casa…

Todas nasceram da observação,

do experimento, da medição – e da verdade.

 

E a Ciência, lembre,

é o estudo da Natureza e dos mecanismos do Universo.

Que se baseia na observação, no experimento, na medição

e na formulação de leis que descrevam o que se dá.

 

A corrida não para.

Uma cientista dessas primeiras

desenhou feras na caverna

para os filhos da irmã,

já bem saciados de frutas e cogumelos,

mostrando bichos que eram bons de caçar.

 

Os homens correm perseguindo feras desembestadas.

 

As cientistas caminham com calma

pelo pé da colina

e descem para a beira d’água,

até depois de onde o barro vermelho brota.

Elas levam os filhos nas tipoias que teceram

e têm as mãos livres para colher cogumelos.

(Neil Gaiman)

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O original:https://www.brainpickings.org/2017/04/26/the-mushroom-hunters-neil-gaiman/

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apanhado

outubro 23, 2013 Leave a comment

de lá do meu facebook!

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o alex castro, vocês conhecem? conheçam. ele é foda.

“o mal é a falta de empatia. o mal são os olhos cegos e os ouvidos moucos. o mal é a desatenção e o autocentramento. o mal é aquilo que sinceramente não me ocorre, que realmente não enxerguei, que juro que não ouvi, que não sei como fui esquecer.”

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uma linda carta de stephen fry para si mesmo aos 16 anos. uma carta sobre amor.

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esta tribo brasileira não tem números (contagem) em sua linguagem. e nem recursividade. não é incrível?

pra quem não sabe o que é recursividade na linguagem, um exemplo bonitinho:

João amava Teresa que amava Raimundo 
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili 
que não amava ninguém. 
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, 
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, 
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes 
que não tinha entrado na história.

(quadrilha, carlos drummond de andrade)

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manara. que descobri que conhece um amigo meu, italiano. não é chocante que ele esteja a apenas UM grau de separação? o mundo é louco.

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sobre o grande assunto de testes em animais, esse artigo é bastante interessante, pois explora um pouco os detalhes sórdidos das empresas que em tese não testam em animais. dizer que não testa o produto em animais não é suficiente, pois é preciso garantir que toda a cadeia de valor envolvida também não testa (impossível), e que os ingredientes não são testados (impossível, 2).

as leis é que precisam mudar, mas antes delas, algumas escolhas precisam ser feitas por nós como espécie. será que estamos dispostos a investir mais em técnicas alternativas, ou abrir mão de alguns testes? (por lei, em alguns países, isso hoje nem é possível).

assunto complicado, mas que vale nossa reflexão. se continuarmos pressionando a indústria (cosmética e farmacêutica), talvez isso ande mais rapidamente. continuemos!

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pegar friagem dá resfriado? não, claro que não 🙂

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essa campanha mostra o que aparece como sugestão de busca no google quando você procura por “mulheres devem” e “mulheres não deviam”. triste, e assustador.

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e no centenário de nascimento de vinícius de moraes, um poema em homenagem à minha vênus em touro:

Não comerei da alface a verde pétala 
Nem da cenoura as hóstias desbotadas 
Deixarei as pastagens às manadas 
E a quem mais aprouver fazer dieta. 

Cajus hei de chupar, mangas-espadas 
Talvez pouco elegantes para um poeta 
Mas pêras e maçãs, deixo-as ao esteta 
Que acredita no cromo das saladas. 

Não nasci ruminante como os bois 
Nem como os coelhos, roedor; nasci 
Omnívoro; dêem-me feijão com arroz 

E um bife, e um queijo forte, e parati 
E eu morrerei, feliz, do coração 
De ter vivido sem comer em vão.

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a semana mais longa

fevereiro 14, 2007 Leave a comment

city hunters, animação com as mulheres do manara?! no FX, aquele canal idiota, como assim? aposto que vai ser uma merda.

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respondendo às perguntas do post anterior sobre o aniversário de casamento:

– o meu santo casamenteiro é ela, a santa falta de noção, batman 🙂 ao invés de pensar 2 vezes eu vou lá e CASO, entende? depois eu vejo se dá pé

– uma pessoa é bem mais do que aquilo que ela faz, demonstra ou diz. porque nós somos mais do que ação e verbo, boa parte (a parte melhor, eu diria) é sentimento e emoção e é isso que eu amo nele. e a verdade é que eu amo o que ele diz, faz e demonstra também 🙂

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obrigada pelos comentários fofos. fico feliz em saber não só que me desejam o bem, mas que a maioria das pessoas que pára por aqui gosta de ler coisas boas. sei que é legal ler um pouco de piada e sarcasmo, mas acho fofura melhor 😀

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aliás, como é insuportável conviver com gente negativa, não? todo mundo deve conhecer alguém que se você diz “que dia lindo!” responde “ah, mas vai chover…” ou que quando você pergunta como ela está a infeliz responde contando todos os problemas. cada vez mais acredito que felicidade é escolha, sabe? a gente pode escolher ver o céu azul de agora ou lamentar que mais tarde vai chover. sou a criatura do que vejo.

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me vejo no que vejo

como entrar por meus olhos

em um olho mais límpido

me olho o que eu olho

é minha criação

isso que vejo

perceber é conceber

águas de pensamento

sou a criatura do que vejo

(blanco, octavio paz – tradução de haroldo de campos)

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deprimi forte hoje. almocei com clientes, todos homens. dos quatro, três são completos imbecis. assim, sem salvação: idiotas de pai e mãe, portas fechadas sem maçaneta. fãs ardorosos do romário, piquet e afins não exatamente pelos talentos atléticos mas porque “têm atitude”.

o pior é perceber que eles são “a massa”. minoria sou eu, que acho as mesmas figuras desprezíveis porque são espertões, mal-educados, escrotos. atitude virou sinônimo de ser escroto, putz. pra me consolar, lembrei que há poucos meses saiu na super-interessante a matéria dos meus sonhos: o retorno da natureza após o desaparecimento súbito da humanidade. let’s keep wishing.

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meus peitos pesam mais que bolas de boliche, daquelas grandes.

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comprei uma sandália chiquérrima, de salto, com dedinhos de fora, cor de tutti-frutti. felicidade instantânea por 36 reais no cartão de crédito. só assim pra sobreviver aos fãs do romário…

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e essa propaganda RIDÍCULA de iogurte que te faz cagar ou devolve seu dinheiro, meu deus do céu?! se eu fosse do tipo que tem intestino preso teria muita vergonha de comprar esse troço do supermercado. o horror! e eu preciso escrever o tal post do cocô mas sempre esqueço, acaba ficando pra depois. prometo que ele vem! enquanto isso eu passo mal com a propaganda da corna conformada retentiva anal.

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e como se o iogurte do cocô não bastasse, tem as propagandas de sabonete líquido de buceta com nossa amiga regina. taí outra coisa que eu não entendo: por que usar esse negócio, explica? pra bichinha ficar com o maravilhoso cheiro de buceta-com-rosas? buceta-com-lavanda? fora que deve deixar gosto de sabão, ai pobre do bofe que gosta de buceta! (o que não gosta vai achar até melhor descaracterizar a pobrezinha)

ok, agora a sério: entendo as neuroses alheias, acredito que tenha mulher que realmente ache que um sapólio íntimo ajuda de alguma forma na sua higiene (o que é uma bobagem, aqui entre nós. água purinha e mãos cuidadosas já resolviam a questã). acredito também que tenha mulher que não goste do seu próprio cheiro, mas… acho as duas coisas muito tristes.

todo aquele esforço na década de 60 pra libertação feminina, queima de sutiã e o cacete, ganhamos o direito de trabalhar (merda) e ficar estressadas, que ótimo. aí em pleno ano de 2007, como se a gente não tivesse preocupação suficiente nessa vida, nos arrumam uma nova: nossa buceta agora é nojentamente suja e malcheirosa e precisa de um sapólio especial que custa muitos reais. inferno!

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love is the pleasures untold

fevereiro 12, 2007 Leave a comment

uma das coisas mais deliciosas da vida, recentemente experimentada, é amar não pelo que o outro diz, faz ou demonstra, mas simplesmente pelo que ele é, que não é pouco.

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ainda vou fazer uma série alternativa do antigo amar é… pra compartilhar um pouco das pedras no caminho de quem resolve se apaixonar, se relacionar com alguém e (coragem das coragens!) casar, vai umas das primeiras pérolas da série:

amar é… jogar as coisas na cara do outro (de preferência em público, pra evitar réplicas) 😉

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por esses dias entre fim de janeiro e início de fevereiro (eu obviamente eu não sei qual é o dia, shame on me) eu e o marido completamos 4 anos de história e 1 ano de apartamento novo/nosso. nenhum de nós dá bola pra “datas especiais”, mas aniversários de relacionamento são legais para lembrar de como as coisas aconteceram lá no ano 1, para rir dos desencontros e medos bobos e também para suspirar com a lembrança da paixão incontrolável da época (que graças a deus amenizou bastante, senão já estaríamos mortos a essa altura *hahahahahha*).

outra coisa legal desses eventos é ver que depois destes anos há sentimentos ainda mais fortes, uma história que não é de um só e a sensação gostosa de ainda ter muito a descobrir e viver juntos. como se fosse só o começo de tudo, a cada ano.

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olhem: casar é bom. vale inclusive o inferno que é descasar, quando as coisas não dão certo. é sério, acreditem em mim, eu já casei 3 vezes 🙂

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love is a shiny car

love is a steel guitar

love is a battle scar

love is the morning star

love is a twelve-bar blues

love is your blue suede shoes

love is a heart abused

love is a mind confused

love is the pleasures untold

and for some love is still a band of gold

my love has no reason has no rhyme

my love crossed the double line

love is a minor chord

love is a mental ward

love is a drawn sword

love is it’s own reward

ouça aqui.

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