receitas e não-receitas

as coisas que fazem mais sucesso aqui nesse blog, desde sempre, são minhas receitas (ou as que não são minhas mas que testo e aprovo) e opiniões. as receitas eu acho perfeitamente compreensível, afinal todo mundo come e gosta de comer, e procuro fazer receitas fáceis a maioria das vezes. já as opiniões, credito puramente ao meu desejo de diálogo, porque o que comprovo na prática, todo dia, é que penso bem diferente da maioria das pessoas que cruzam meu caminho todos os dias (amigos inclusos).

tenho me sentido muito incomodada nos últimos meses observando o mundo e pessoas próximas, através de redes sociais e do convívio do dia a dia. pela segunda vez na vida tenho desejos de isolamento (o primeiro foi no final da adolescência, quando entrei para a vida adulta) e estou de “saco cheio” generalizado com as pessoas, em especial com o que é diferente de mim e coisas sobre as quais discordo. justamente porque já vivi isso e depois concluí que me tornei uma chata pedante por alguns anos, decidi que desta vez preciso entender melhor o processo e ao invés de me afastar simplesmente do que me incomoda, vou encarar e aprender, por mais que seja desagradável.

há mais ou menos 1 ano vivo um processo ativo de mudança de hábitos, e de vida. há uma manifestação externa e mais óbvia da mudança (há 9 meses comecei uma dieta de perda de peso) mas isso é muito menor que tudo o que passa aqui dentro. venho observando o que me incomoda, nos outros e em mim mesma. tenho repensado decisões, amizades, direções, e tenho reestruturado não somente meu cardápio mas também meu comportamento geral, disponibilidade e paciência para as pessoas. tive nos últimos meses muitas conversas francas (e difíceis), expus incômodos e em alguns casos, não expus e deixei pra lá. sobraram incômodos não expressos, mas também decidi não gastar energia com questões fechadas. repito meu mantra pessoal, continuamente: problemas que não têm solução não são problemas. deixo partir, como mera observadora.

não faz 1 ano ainda que voltei a praticar a bendita ioga (e pratico muito menos do que gostaria e deveria), e uma constatação triste é que deixo meu pobre corpo sempre em segundo plano. mesmo quando pratico ioga, meu fascínio maior é sempre quanto à filosofia envolvida e todas as questões da dualidade entre corpo/consciência. a verdade é que esse tem sido meu drama constante — a energia enorme consumida no mundo interior/imaginário versus a necessidade de concretização e enfrentamento da realidade.

não é que eu não seja prática — sou bastante. mas somente com o que é essencial, necessário para a sobrevivência. podendo divagar e me perder no mundo etéreo, pode me esquecer. até porque viver no universo paralelo (dormindo ou acordada) é muito, muito mais fácil que enfrentar a realidade fora do meu controle :)

mas divago. (claro)

no mundo exterior, meu esforço é domar os impulsos alimentares, aprendendo a comer de tudo um pouco, balanceando prazer e saúde. quero comer o mundo todo, às colheradas. pois aprendo a cada dia, um de cada vez, que é possível provar todos os gostos, um tico por vez, saboreando mais. degustando devagar, e sempre. quero colocar o mundo todo pra dentro do meu universo, do corpo, em contraposição à necessidade de colocar também coisas pra fora, fazer com que meu corpo acorde, se mova, saia da inércia e interaja com o mundo concreto. preciso mover a energia de dentro pra fora, transformar potencial em cinética.

tudo que preciso acelerar no corpo, preciso desacelerar na mente, na mesma medida. esvaziar, tranquilizar. dissipar raiva, frustração, julgamento. dissolver o ego, parar de olhar (e julgar) o outro, eliminar a necessidade do espelho (real e também o mais difícil deles, o que se encontra em quem não somos). descobrir o porquê dos incômodos, da inveja, da falta de paciência, ir ao fundo desse poço, pra que possa finalmente me dedicar às não-receitas, a simplesmente viver e deixar que vivam, sem categorizar ou racionalizar tanto.

meu pai, homem maluco e sábio do seu jeito, sempre tentou me ensinar a ser mais livre, menos exigente, a improvisar com o que aparece na vida. mais ou menos como ele faz, em sua profissão de marceneiro: transformar com as mãos a madeira bruta em algo útil ou simplesmente bonito. aos 41 concluo que o improviso e a flexibilidade são artes, sim. são úteis, são também uma forma de ser feliz.

ainda aprendo, papi!

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e como não podia deixar de ser, em especial neste post, cumpro uma dívida antiga e coloco uma não-receita (e uma das muitas histórias divertidas) do meu pai.

todos em casa cozinham bastante bem, e meu pai é um dos melhores. seus pratos são sempre caóticos, servem dezenas de pessoas e não têm receita. das coisas que ele faz muito bem é o molho bolonhesa, desde que me lembro. quando cresci um pouco, pedi que me ensinasse a fazer o molho, e ele sempre dizia “não tem nada demais: tempero, carne moída e tomate!”. mas nenhum molho era igual ao dele, nunca.

até o dia em que fui junto comprar os ingredientes para o danado do molho, e ao pararmos no açougue tive o momento “ah-ha!” — ele pediu acém moído na hora, mas mandou misturar mais ou menos 1/3 do volume de carne de porco e mais um pedaço de bacon!

fiquei p da vida com o “segredo”, e ele riu muito da minha indignação, com aquela cara de “peguei você!”. eu devia ter desconfiado, tendo aprendido a jogar buraco com ele, que é do estilo esconde-o-jogo-e-pega-todo-mundo-de-surpresa. tinha segredo, claro, e era a deliciosa carne de porco e bacon.

então a receita é assim, estilo maravalhas:

ingredientes

carne moída magra

1/3 do mesmo volume de carne de porco magra moída

um pedaço de bacon de boa qualidade moído

cebola

alho

pimenta do reino

tomate pelado / molho de tomate

azeite

 

utensílios

panela, colher, faca, tábua

 

modo de fazer

refogue a cebola ralada, até secar um pouco mas sem dourar. adicione o alho amassado, só para tomar cor. coloque então em fogo bem alto as carnes misturadas, tempere com sal e pimenta a gosto e refogue, mexendo bem, até a carne toda tomar cor mas sem secar.

adicione o molho ou os tomates pelados, até que cubram a carne e formem um molho bem grosso. acerte o sal e a pimenta. salpique um tico de canela (esqueci de avisar né? receita do meu pai é assim), misture bem e deixe apurar em fogo baixo.

sirva com macarrão fresco, que é o preferido do meu pai (não coloque óleo do cozimento do macarrão, faça o favor), e muito queijo parmesão ralado na hora.

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que a vida seja mais leve, mas que não falte o talharim a bolonhesa nunca! :)

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bolo de banana incrivelmente saudável :)

sou fã de bolos, a essa altura vocês já devem ter percebido. adoro experimentar coisas novas, e adoro doces com fruta. aí ganhei uma receita deliciosa de uma amiga querida que recomendo demais.

ela é facílima (10 minutos de preparo. juro!) e menos de 30min de forno médio, na minha casa. detalhe incrível: não vai açúcar e nem farinha de trigo.

duvida? teste, e depois venha aqui me agradecer :) pra vocês terem ideia, o fer que é completamente formigão (e detesta receitas naturebas), amou. bem, o otto ama tudo e nem conta como referência.

ingredientes (receita pequena, dá uns 8 pedaços pequenos)

- 2 bananas nanicas BEM maduras, quase estragando (quanto mais madura, mais doce. eu usei da prata, e não tava muito madura, porque é o que eu tinha. aí coloquei o mel pra compensar)

- 1 xícara de aveia

- 1/2 de xícara de óleo

- 2 ovos inteiros

- 1 colher de sopa de fermento em pó

- 1/2 xícara de uvas passas pretas

- (opcional) 2 colheres de sopa de mel

- (opcional) 1 colher de café de canela (eu coloquei e coloco sempre, porque amo)

- (opcional, para experimentar) eu colocaria castanhas picadinhas também, de preferência de caju mas acho que qualquer uma ficaria boa. não coloquei porque o marido não é fã

 

utensílios

- liquidificador

- forma inglesa (aquela de pão de forma) ou outra forma pequena (se for duplicar a receita pode usar forma maiorzinha)

- colher e xícara pra medir

- vasilha pra misturar

 

modo de fazer

unte e enfarinhe a forma (eu sempre enfarinho, mas acho que pra essa receita só untar funciona, o bolo é bem sequinho), reserve.

bata no liquidificador os ovos, a banana e o óleo (e o mel, se for usar). adicione então a aveia e a canela, bate bem. misture à mão, na vasilha, as passas (e castanhas, se for usar) e o fermento. incorpore bem, coloque na forma e asse em forno médio por cerca de 30 minutos. atenção: 30min no meu forno QUASE queimou. fica de olho, quando dourar já testa e tira, ok?

fica assim e é delicioso:

Bolo de banana, aveia e mel. Aprovado!

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sobre tecnologia, amor e dor

espero que apreciem tanto quanto eu deste ótimo texto que compartilho logo ali embaixo, e ele vem a calhar neste momento em que reflito sobre comportamentos amplificados pelas redes sociais. recebi de uma amiga, que leu um texto meu no facebook e achou que eu ia gostar. amei mesmo!

tenho questionado o quanto a imersão nas redes sociais promove o narcisismo exagerado,  um certo descontrole do ego, que nos leva a esquecer que existe o outro (e que não, o mundo não gira ao nosso redor), o diferente, o que não necessariamente nos curte e nem concorda conosco. me preocupo com a tendência em nos tornarmos ilhas cercadas só dos que nos validam e “curtem” — mais fácil de acontecer nas redes sociais que no dia a dia, quando não podemos simplesmente esconder um feed ou “bloquear” pessoas. e me espanto com a lógica distorcida da inveja alheia: quem não me ama e curte, é porque tem inveja de mim e da minha linda vida-filtrada-pelo-instagram.

o que leva pessoas adultas a regredir aos 2 anos, voltando a interpretar tudo o que se passa somente à luz de si mesmas, perdendo a capacidade de perceber a realidade do outro?

pra além do blá-blá-blá energético (no qual não acredito), acho essencial um investimento diário e constante no que chamam de grounding, que pratico fisicamente na ioga e me esforço para praticar em todas as oportunidades. ou numa figura de linguagem perfeita do bom português, botar os pés no chão. parar de viajar na maionese. deixar de achar que você é a bolachinha mais gostosa do pacote. se enxergar. se ligar.

a realidade (e o amor) estão escondidos nos eventos ordinários do dia a dia, nas coisas pé-no-chão. observar pássaros; ouvir um amigo em dificuldade; ter conversas difíceis; lavar as janelas; escrever um texto. as coisas reais, simples e concretas nos fazem emergir da anestesia da rotina, das ilusões que criamos ao nosso redor sobre nós mesmos, sobre nossas vidas. e confrontar-se com a dor e dificuldades (quem não sente dor tem algum problema, ou não está prestando atenção!) faz parte da vida, ensina, nos modifica. com algum empenho e vontade, para melhor.

a atenção à realidade e às coisas simples do dia a dia, em contraposição à vida-filtrada das redes sociais, me remete a clarice lispector (ironicamente a musa da citação incorreta da internet). leiga em literatura que sou, arrisco dizer que toda sua obra é permeada por um talento incrível para colocar tudo o que é microscopicamente insignificante numa lupa e expor (dolorosamente, inclusive) a complexidade de estar vivo e ser. e é tão bonito!

além do texto abaixo, para quem quer viver e pensar a experiência de pés-no-chão, recomendo a leitura de laços de família.

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1. A dor não nos matará*

(capítulo do livro de ensaios “como ficar sozinho“)

Bom dia, turma de 2011. Bom dia, parentes e professores. É com grande honra e satisfação que estou aqui hoje.

Vou começar partindo do princípio de que vocês sabiam onde estavam se metendo quando escolheram um escritor para fazer este discurso. Vou fazer o que escritores fazem, que é falar sobre si mesmos, na esperança de que minha experiência tenha alguma ressonância em vocês. Gostaria de abordar o tema do amor e sua relação com minha vida e com o estranho mundo tecnocapitalista que vocês estão herdando.

Há duas semanas, troquei meu BlackBerry Pearl, que já tinha três anos, por um BlackBerry Bold muito mais potente, com uma câmera de cinco megapixels e tecnologia 3G. Nem preciso dizer como fiquei impressionado em verificar o quanto a tecnologia avançou em três anos. Mesmo que eu não precisasse telefonar ou mandar e-mail para alguém, queria continuar manuseando meu novo Bold e curtir a maravilhosa nitidez da tela, o toque macio do pequeno trackpad, a incrível velocidade de resposta, a sedutora elegância dos ícones. Em resumo, estava apaixonado por meu novo aparelho. É claro que também adorava meu velho celular; mas, com o passar dos anos, nosso relacionamento perdeu a graça. Surgiram problemas de confiança em minha relação com o Pearl; questões de responsabilidade e de compatibilidade e também, já no fim da nossa história, algumas dúvidas em relação à própria sanidade do meu Pearl, até que finalmente fui obrigado a reconhecer que tinha perdido o interesse naquele relacionamento.

Será que preciso dizer — na falta de uma licenciosa e antropomorfizante projeção segundo a qual meu antigo BlackBerry teria ficado triste com o fim do amor que eu sentia por ele — como nosso relacionamento era absolutamente unilateral? Mas vou dizer mesmo assim. Reparem como a palavra sexy é sempre usada para descrever os modelos mais recentes dos aparelhos eletrônicos; e como as coisas tão legais que hoje podemos fazer com esses aparelhos — ativá-los por meio de comandos de voz ou ampliar a imagem da tela do iPhone usando dois dedos, por exemplo — teriam parecido, para as pessoas de cem anos atrás, verdadeiros truques de mágica; e como falamos em magia quando queremos descrever um relacionamento erótico que esteja funcionando perfeitamente. Deixem-me propor a ideia de que, segundo a lógica do tecnoconsumismo, pela qual os mercados descobrem e respondem àquilo que os consumidores mais desejam, nossa tecnologia se tornou extremamente eficiente para criar produtos que correspondam à nossa fantasia de um relacionamento erótico ideal, no qual o objeto amado se entrega por completo sem exigir nada em troca, instantaneamente, fazendo com que nos sintamos todo-poderosos, e não apronta cenas constrangedoras quando, substituído por um objeto ainda mais sexy, vai parar no fundo de uma gaveta: que (para falar de modo mais geral) o objetivo definitivo da tecnologia, a teleologia da techné, seja substituir um mundo natural indiferente a nossos desejos — um mundo de furacões e dificuldades e corações vulneráveis, um mundo de resistance — por outro mundo que responda tão bem a nossos desejos que é como se fosse mera extensão do ser. Deixem-me, finalmente, sugerir que o mundo do tecnoconsumismo é portanto perturbado pelo amor real, o que só lhe deixa a opção de responder perturbando o amor.

A primeira linha de defesa do mundo tecnoconsumista é transformar seu inimigo em mercadoria. Todos temos um exemplo favorito e sabemos citar os casos mais nauseabundos de mercantilização do amor. Eu mencionaria a indústria do casamento, os comerciais de tv com lindas criancinhas e a prática de dar automóveis como presente de Natal, e a particularmente grotesca equação que compara diamantes a devoção eterna. A mensagem, em cada um dos casos, é que, se amamos alguém, deveríamos comprar alguma coisa.

Um fenômeno relacionado a esse é a transformação, graças ao Facebook, do verbo “curtir”, que deixa de descrever um estado de espírito e passa a designar um ato que desempenhamos com o mouse: deixa de ser um sentimento e vira uma opção de consumo. E curtir é, no geral, o substituto da cultura comercial para amar. A característica mais notável de todos os produtos de consumo — sobretudo dos aparelhos eletrônicos e aplicativos — é o fato de terem sido projetados para ser bem curtíveis. Essa é, na verdade, a definição de um produto de consumo — em contraste com o produto, que é apenas aquilo que é e cujos fabricantes não estão preocupados se vamos ou não curti-lo. Estou pensando nos motores de aviões a jato, nos equipamentos de laboratório, na arte e na literatura em suas manifestações mais sérias.

Mas, se pensarmos nisso em termos humanos e imaginarmos uma pessoa definida pela ansiedade de ser curtida, o que temos aí? Temos uma pessoa sem integridade, sem um centro. Em casos mais patológicos, temos um narcisista — alguém incapaz de tolerar que sua autoimagem seja manchada pela possibilidade de não ser curtido e que portanto ou se afasta do contato humano ou se dedica a sacrifícios cada vez mais extremos da própria integridade com o intuito de ser curtido.

Se uma pessoa, no entanto, dedica sua existência a ser curtível e passa a encarnar um personagem bacana qualquer para atingir tal fim, isso sugere que perdeu a esperança de ser amado por aquilo que realmente é. E se tiver êxito na tentativa de manipular os outros para que seja curtido, será difícil que, em algum nível, não sinta verdadeiro desprezo por aqueles que caíram em seu embuste. Tais pessoas existem para que nos sintamos bem em relação a nós mesmos, mas que bem podem nos fazer se não as respeitamos? Podemos ficar deprimidos, descambar para o alcoolismo ou, no caso de Donald Trump, concorrer à presidência (e depois desistir).

Os produtos tecnológicos de consumo nunca fariam algo tão desestimulante, pois não são pessoas. São, no entanto, grandes aliados dos narcisistas, a quem facilitam a vida. Além de saírem da fábrica com a ansiedade de ser curtidos, têm incorporada a ansiedade de nos causar boa impressão. Nossas vidas parecem muito mais interessantes quando filtradas pela interface sexy do Facebook. Estrelamos nossos próprios filmes, fotografamos incessantemente a nós mesmos, clicamos o mouse e uma máquina confirma a sensação de que estamos no comando. E, já que nossa tecnologia é apenas uma extensão de nós mesmos, não precisamos desprezar suas manipulações, como faríamos no caso de pessoas de verdade. É um movimento circular sem fim. Curtimos o espelho e o espelho nos curte. Ser amigo de uma pessoa significa apenas incluí-la em nossa lista particular de espelhos elogiosos.

Talvez eu esteja exagerando um pouco. Provavelmente, você está cansado de ver as mídias sociais desrespeitadas por cinquentões rabugentos. Meu objetivo aqui é estabelecer um contraste entre as tendências narcisistas da tecnologia e o problema do amor verdadeiro. Minha amiga Alice Sebold gosta de falar em “cair no fosso e chafurdar no amor”. Ela tem em mente a sujeira que o amor inevitavelmente espirra no espelho do nosso respeito próprio. O fato é que a tentativa de ser perfeitamente curtível é incompatível com relações amorosas. Mais cedo ou mais tarde, por exemplo, você se verá envolvido numa briga horrível, aos berros, e ouvirá saindo da sua boca palavras de que não gosta, coisas que estilhaçam sua autoimagem de pessoa justa, gentil, bacana, atraente, controlada, divertida e curtível. De repente, surge algo mais real que a curtibilidade e você se vê levando uma vida real. De repente, existe uma escolha verdadeira a ser feita, não uma falsa escolha de consumidor entre BlackBerry e iPhone, mas uma pergunta: Eu amo esta pessoa? E para a outra pessoa: Ela me ama? Não existe a possibilidade de curtir todas as partículas de uma pessoa real. É por isso que um mundo de curtição é, no limite, uma mentira. Mas é possível amar cada partícula de uma pessoa real. É por isso que o amor representa tamanha ameaça existencial à ordem tecnoconsumista: ele denuncia a mentira.

Um dos alentos da praga dos celulares na minha vizinhança em Manhattan é que, entre zumbis enviando torpedos e imbecis combinando festas nas calçadas, às vezes caminho ao lado de alguém que está discutindo de peito aberto com a pessoa que ama. Tenho certeza de que eles prefeririam não discutir em público, mas de qualquer maneira é isso o que está acontecendo e o comportamento deles não é nada legal. Gritam, trocam acusações, protestam, se insultam. Esse é o tipo de coisa que me dá esperança no mundo.

Isso não quer dizer que o amor envolve apenas brigas, ou que pessoas muito autocentradas não sejam capazes de se acusar e se insultar. O amor é uma questão de empatia infinita, nascida de uma revelação do coração de que a outra pessoa é tão real quanto nós. É por isso que o amor, como eu o vejo, é sempre específico. Tentar amar toda a humanidade pode ser um esforço digno, mas ironicamente mantém o foco em nossa individualidade, em nosso próprio bem-estar moral ou espiritual. Ao passo que, para amar uma pessoa específica e identificar-se com suas lutas e alegrias como se fossem suas, é preciso abrir mão de parte de si.

Quando estava quase terminando a faculdade, participei do primeiro seminário da universidade sobre teoria literária, e me apaixonei pela estudante mais brilhante do curso. Adoramos a maneira como instantaneamente a teoria literária nos fez sentir poderosos — nesse aspecto a sensação é similar à proporcionada pela moderna tecnologia de consumo — e nos sentimos envaidecidos porque éramos mais sofisticados do que a molecada que ainda estava debruçada nas tediosas análises de texto. Por várias razões teóricas, achamos que seria legal nos casarmos. Minha mãe, que tinha passado vinte anos tentando me tornar uma pessoa totalmente comprometida com o amor, deu uma guinada e começou a achar que eu deveria aproveitar meus vinte anos “livre e solto”, como ela dizia. Naturalmente, como para mim ela estava sempre errada, parti do princípio de que dessa vez também não fosse diferente. Tive que descobrir da maneira mais difícil como esse negócio de compromisso é uma confusão.

A primeira coisa que fizemos foi deixar de lado a teoria. Numa lamentável cena na cama, minha futura mulher me disse algo memorável: “Você não pode me desconstruir e tirar minha roupa ao mesmo tempo”. Passamos um ano em continentes diferentes e logo descobrimos que, embora fosse divertido inserir uns toques teóricos em nossas cartas, não era tão divertido assim lê-las. Mas o que para mim realmente matou a teoria — e começou a me curar, mais genericamente, da minha obsessão com a imagem que eu projetava — foi minha paixão pela ficção. Pode haver uma semelhança superficial entre revisar um texto de ficção e revisar um perfil no Facebook; mas uma página de prosa dispensa aquelas imagens vistosas que favorecem nossa autoimagem. Quem se animar a retribuir o presente que representa a ficção de outra pessoa não poderá ignorar o que há de fraudulento e de segunda mão em sua própria página. Essas páginas também são um espelho, e, se realmente amamos a ficção, descobriremos que as únicas páginas que valem a pena ser guardadas são aquelas que nos refletem como realmente somos.

Há aqui, claro, o risco da rejeição. Podemos de vez em quando suportar o fato de que nem sempre somos curtidos, pois existe uma gama infinita de pessoas que, potencialmente, podem nos curtir. Mas nos expormos por inteiro em nossa individualidade, e não apenas a superfície curtível, e sermos rejeitados, é algo que pode ser insuportavelmente doloroso. Em geral, a perspectiva da dor, da dor da perda, da separação, da morte, é o que torna tão tentadora a ideia de evitar o amor e permanecer em segurança no mundo do curtir. Minha mulher e eu, tendo nos casado jovens demais, abrimos mão de nós mesmos de tal maneira e nos causamos tantos sofrimentos que tínhamos razão para nos arrependermos de ter embarcado nessa relação.

E no entanto nunca me arrependi. Em primeiro lugar, a luta para honrar nosso compromisso nos tornou o que somos como pessoas; não éramos moléculas de hélio flutuando indolentemente pela vida; nós nos unimos e mudamos. Em segundo lugar — e essa pode ser a principal mensagem para vocês hoje —, a dor fere, mas não mata. Quando levamos em conta a alternativa — um sonho anestesiado de autossuficiência, incentivado pela tecnologia —, a dor emerge como produto natural e indicador natural de que estamos vivos num mundo resistente. Passar pela vida e não sofrer é não viver. Dizer a si mesmo “Ah, vou deixar para mais tarde essa história de amor e dor, talvez para depois dos trinta” é como se resignar a passar dez anos simplesmente ocupando espaço no planeta e consumindo seus recursos. Resignar-se a ser (e emprego a palavra em seu sentido mais pejorativo) um consumidor.

O que disse antes, sobre como o compromisso com algo que amamos nos obriga a encarar quem realmente somos, pode se aplicar particularmente à atividade de escrever ficção, mas é verdade também em relação a qualquer trabalho que façamos com amor. Gostaria de concluir falando sobre um outro amor que tive.

Quando estava na faculdade, e por muitos anos depois, eu curtia o mundo natural. Não amava, mas sem dúvida curtia. A natureza pode mesmo ser algo muito belo. E como a teoria literária havia me instigado, e eu estava em busca de coisas no mundo que me parecessem erradas, querendo achar razões para odiar as pessoas responsáveis por tais erros, gravitei naturalmente em direção ao ambientalismo, porque sem dúvida havia muitas coisas erradas com o meio ambiente. E quanto mais eu percebia o que estava errado — a população mundial em explosão, o exagerado consumo de recursos naturais, o aumento da temperatura global, a contaminação dos oceanos, o corte das últimas florestas antigas —, mais me enfurecia e odiava as pessoas. Finalmente, mais ou menos na época em que meu casamento estava acabando e eu resolvi que dor era algo bem diferente do que passar o resto da vida me sentindo cada vez mais furioso e infeliz, tomei conscientemente a decisão de parar de me preocupar com o meio ambiente. Não havia nada de significativo que eu pudesse fazer, pessoalmente, para salvar o planeta e, além disso, queria continuar me dedicando às coisas que amava. Continuei me esforçando para manter baixa minha emissão de carbono, mas esse parecia ser meu limite, se não quisesse de novo sentir raiva e desespero.

Foi então que algo engraçado me aconteceu. É uma longa história, mas, basicamente, apaixonei-me pelos pássaros. Isso não ocorreu sem uma resistência considerável, pois não há nada mais brega que ser um observador de pássaros, e qualquer indício que revele uma paixão verdadeira já é, por definição, brega. Mas, aos poucos, mesmo relutando, fomentei essa paixão, e, se metade de uma paixão é obsessão, a outra metade é amor. Sim, admito que mantive meticulosamente uma lista das espécies de pássaros que já tinha visto e me esforcei para conhecer novas espécies. Mas, o que é igualmente importante, sempre que olhava um pássaro, qualquer pássaro, mesmo uma pomba ou um pardal, sentia meu coração se encher de amor. E o amor, como venho tentando dizer a vocês, é onde nossos problemas começam.

Pois agora, não apenas curtindo a natureza, mas amando uma parte específica e vital dela, eu não tinha escolha a não ser voltar a me preocupar com o meio ambiente. As notícias nesse front não tinham melhorado desde a época em que decidi parar de me importar com isso — na realidade, eram bem piores —, mas agora aquelas florestas e pântanos e oceanos ameaçados não eram mais cenários bonitos que eu podia apreciar. Eram o lar dos animais que eu amava. E foi então que veio à tona um curioso paradoxo. A raiva e a dor que eu sentia diante da situação do planeta só aumentaram por causa da minha preocupação com os pássaros silvestres, e no entanto, à medida que me envolvia com a preservação dos pássaros e aprendia sobre as muitas ameaças que eles sofrem, tornou-se estranhamente mais fácil, e não mais difícil, conviver com a raiva, o desespero e a dor.

Como pode acontecer algo assim? Acho que, para começar, meu amor pelos pássaros se tornou um portal para uma parte importante e menos autocentrada de mim, que eu nem sabia existir. Em vez de continuar viajando por aí como cidadão do mundo, curtindo algumas coisas, descurtindo outras e guardando envolvimentos para o futuro, fui obrigado a confrontar uma parte de mim que eu tinha que aceitar na íntegra ou rejeitar absolutamente. É isso que o amor faz com uma pessoa. Pois a questão fundamental para todos nós é o fato de que vivemos por algum tempo, mas um dia vamos morrer. Esse fato é a verdadeira causa fundamental de toda a nossa raiva, dor e desespero. E podemos optar por fugir desse fato ou, por meio do amor, aprender a aceitá-lo.

Como disse, esse envolvimento com os pássaros foi algo inesperado para mim. Durante a maior parte da vida, praticamente nem liguei para animais. Talvez tenha tido azar de me aproximar dos pássaros tão tarde em minha vida, ou talvez tenha tido sorte de que esse envolvimento simplesmente tenha acontecido. Mas uma vez que sentimos um amor assim, não importa se cedo ou tarde, mudamos nossa relação com o mundo. Eu, por exemplo, tinha abandonado o jornalismo depois de algumas primeiras tentativas, porque o universo dos fatos não me estimulava da mesma maneira que o universo da ficção. Mas depois que minha experiência com os pássaros me ensinou a ir ao encontro da dor, da raiva e da desesperança, e não a me afastar delas, passei a aceitar um novo tipo de trabalho jornalístico. Aquilo que eu mais odiava, em determinado momento, se transformou em algo sobre o que eu queria escrever. Fui a Washington no verão de 2003, quando os republicanos estavam fazendo coisas que me deixavam furioso. Fui à China uns anos atrás porque o que os chineses estavam fazendo com o meio ambiente me tirava o sono. Fui ao Mediterrâneo entrevistar caçadores que estavam matando pássaros migratórios. Em cada um desses casos, ao me encontrar com o inimigo, descobri pessoas que realmente passei a curtir — em alguns casos até a amar. Assessores republicanos engraçados, generosos, brilhantes e alegres. Jovens chineses amantes da natureza, maravilhosos e destemidos. Um legislador italiano louco por armas, de olhos suaves e que citava o defensor dos direitos dos animais, Peter Singer. Em cada caso, a antipatia que sentia facilmente por eles já não tinha mais nada de fácil.

Quando ficamos trancados em nossos quartos, bufando, caçoando ou nos sentindo indiferentes, como fiz durante tantos anos, o mundo e seus problemas parecem desafios impossíveis. Mas quando saímos às ruas e temos relacionamentos reais com seres reais, ou mesmo animais reais, há o perigo bastante real de amarmos alguns deles. E então quem saberá dizer que rumo a vida tomará?

Obrigado.

 



* Discurso de abertura, Kenyon College, maio de 2011.

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limbo dos comentários!

pessoas queridas: acabo de descobrir que MUITOS comentários estavam no SPAM :( e não sei se já limpei a caixa de SPAM sem perceber que tinha comentários válidos.

se seu comment sumiu, me desculpe! o blog comeu. vou ficar de olho :) obrigada pelos comentários, sempre super legais.

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dia da mulher — de novo!

pra mim todo ano o dia da mulher é um acontecimento. é meu aniversário, afinal, e AMO o dia do meu aniversário. sei que tem quem não goste (não entendo) mas eu adoro, e aproveito cada minuto com muita felicidade. é o meu dia, o dia mais feliz!

mas é inevitável: esse é também o dia de ser inundada com propaganda ruim “homenageando” as mulheres, receber parabéns, ouvir piadas (“e o dia dos homens, não tem?”) e ouvir mulheres xingando ou reclamando das “homenagens”.

sou feminista, casei com um homem feminista, tenho uma mãe feminista. conheço bem o significado do dia da mulher, e sempre que tenho oportunidade divulgo isso para os amigos, família, pra quem quer que tenha ouvidos pra ouvir. não é um dia para comemorar, mas antes para lembrar e refletir sobre a desigualdade ainda tão enorme no mundo e no brasil. conquistamos muito — aliás, nossas antecessoras o fizeram! todas as homenagens a elas! — e ainda tem tanto, muito a conquistar. é uma luta de todo dia, toda hora. é responder a cada manifestação machista, e ensinar meu filho a ser um homem feminista.

leiam esse artigo ótimo do sakamoto com alguns exemplos de machismo diário. e esse ótimo texto da clarah averbuck sobre o mesmo assunto.

porém nada disso me convence ou impulsiona a recusar uma gentileza, um abraço, um sorriso. não pesquisei aqui no blog pra ver se em algum momento eu reclamei do dia da mulher, mas se reclamei, desreclamo. não sei se é a idade ou simplesmente a experiência prática, mas afirmo que ser gentil e firme é a melhor forma de lutar todos os dias por um mundo melhor. pense bem, o que você conquista mandando alguém “enfiar essa rosa no cu” no dia da mulher? melhor faria você se protestasse e reagisse diariamente aos pequenos insultos, comentários, piadas, desigualdades. há o que precise de agressividade, briga, porrada mesmo, estou de acordo e quem me conhece sabe muito bem que saio na mão se necessário (e ganho, tá?), mas não há de ser um parabéns, um chocolate ou uma rosa.

acredito que o mundo também muda com a gentileza e não só com a porrada. que é mais fácil se fazer ouvir sem precisar gritar. minha experiência de 41 anos, completados hoje, confirma essa crença. sou melhor quando sou gentil, as pessoas me ouvem mais e melhor, as coisas mudam.

é bem possível que eu tenha recusado rosas no passado, que tenha xingado, e esperneado. hoje eu aceito a rosa, puxo pelo braço e, com um sorriso, conto uma história. explico porque é um dia de refletir, pensar e mudar. e nem todo mundo muda, claro, não é mágica afinal. mas a sementinha foi plantada, e eu garanto que elas sejam devidamente regadas. não é um trabalho de 1 dia, 1 encontro, é ação pra toda a vida. e eu não desisto.

já em relação a propagandas machistas de todas as naturezas (produtos de limpeza, cerveja, maquiagem, carros, revistas de beleza), sou bem mais dura: simplesmente boicoto. não compro. simples assim. podem arrancar dinheiros de outras mulheres menos esclarecidas. aqui deste bolso desta mulher muitíssimo bem sucedida vocês não tiram 1 centavo, seus abutres idiotas.

(too much for kindness, i guess :) )

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e uma das coisas lindas que ganhei de aniversário foi esse vídeo delicioso feito pelo meu marido querido. espero que gostem tanto quanto eu gostei.

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como eu dizia — comida também é amor

fevereiro e março são meses muito gostosos aqui em casa, pois comemoramos o aniversário do fer dia 22/fevereiro e o meu, 2 semanas depois, em 8/março. e é inevitável fazer alguma comemoração, pois ambos gostamos de fazer aniversário, de comemorar, em especial com os amigos mais amados e a família.

este ano nossos aniversários caem em sextas-feiras, o que é super legal, pois comemoramos em casa na sexta só a gente e no sábado/fim-de-semana com todos os amados :)

neste sábado recebemos alguns poucos amigos e família para um almoço muito gostoso, cujo cardápio decidimos de última hora em função do calor sem tamanho deste verão. queríamos algo que não desse trabalho demais, e que fosse leve (o desejo mesmo era de feijoada, mas o calor impediu). decidimos fazer quesadillas variadas e saladas, usando os raps prontos, super práticos e gostosos. podem ser comprados em versão normal, light ou integral.

e aí não tem segredo — é escolher o recheio, colocar na frigideira (seca e quente) dobradinho ao meio, esperar tostar e pronto. crocantinho por fora, molhadinho por dentro, e pode ser comido individualmente ou cortado como aperitivo.

vou compartilhar com vocês nossas escolhas para servir esse almoço, quem sabe alguém se anima ou precisa de inspiração? foi sucesso total!

Dado o calor, mudamos o cardápio -- quesadillas e salada \o/

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recheios

- queijo prato de boa qualidade, ralado grosso (se você encontrar cheddar de verdade é melhor, fato. mas é difícil de achar, e me recuso a usar os processados)

- gorgonzola ou outros queijos fortes para quem gosta de misturar queijos (a versão “quatro queijos” fica nota 10)

- requeijão ou outro queijo cremoso

- alho poró cortado em fatias finas, refogado no azeite até começar a murchar, sal e pimenta

- tomates maduros cortados em cubinhos

- cebola branca e roxa cortada em cubinhos

- salsinha e cebolinha picadinhas

- frango ao curry desfiado (refogamos peito de frango na cebola e alho, colocamos 1 tablete de curry japonês mild que compro no mercado e desfiamos depois de pronto na batedeira. só isso). preferimos deixar o frango molhadinho mas sem escorrer, pra facilitar o processo de preparo da quesadilla

- linguiça calabresa em cubinhos frita no próprio óleo (tira a pele, corta em cubos e joga na frigideira sem nada, até tostar e soltar gordura. escorra o óleo em excesso, pra ficar só cubinhos) — suponho que eu poderia ter feito bacon nesse esquema também, mas achei excessivo :D

e foi só! pense em quanta coisa dá pra fazer de recheio, inclusive vegetariano/vegano! homus, pastas variadas, chili (hmmmm), etc.

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saladas

fiz as que eu tinha + as que gosto :D ficou assim:

- rúcula com tomates cereja, figos (cortados em 4) e pecan tostada com mel, alecrim e azeite

- salsão (a parte mais grossa) cortado em tirinhas finas, com cebola branca cortada igual, bastante azeite, sal e limão. minha preferida (e quanto mais fica na geladeira, melhor fica o sabor. ela é crocante, saborosa e muito fresca)

- alface americana e mimosa, com folhinhas de manjericão misturadas

- cenouras baby cruas com folhas de sálvia

para temperar coloquei na mesa os temperos frescos da minha horta — folhas de orégano, tomilho, alecrim, sálvia e manjericão, salsinha e cebolinha, cebola, azeite, sal de moer na hora e fizemos um molhinho de salada que eu adoro: iogurte, limão, azeite, sal, um tico minúsculo de alho cru bem picadinho e hortelã fresco também picado. as proporções sugiro que você experimente a seu gosto.

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para beber tínhamos coca-light, mate, suco de uva e água. quase ninguém bebe álcool aqui em casa, então é raro servirmos, só quando alguém quer (sempre temos alguma coisa).

e para a sobremesa compramos sorvete de flocos e chocolate da jundiá, pra aplacar o calor, e tínhamos frutas variadas, mas minha mãe improvisou um bolo porque achou um absurdo aniversário sem bolo :) então segue abaixo a receita dela, que ficou espetacular.

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o bolo (de chocolate, claro)

Não tenho adjetivos.
para a massa (dividida em 2 formas):

- 4 ovos (claras e gemas separadas)

- 3 xícaras de farinha de trigo

- 2 xícaras de açúcar

- 2 xícaras de leite

- 3 colheres de sopa de manteiga em temperatura ambiente (usamos com sal)

- 1 xícara de chocolate/cacau (importante: usamos o extra brute da callebaut, e ficou forte demais na opinião da geral — eu amei :D então se for usar cacau forte, amargo, puro, use 1/2 xícara)

- 1 colher de sopa de fermento

 

para o recheio (fizemos 2 receitas separadas, uma amarga e uma ao leite, recomendo juntar tudo e dividir na hora de rechear/cobrir):

- 2 caixinhas de creme de leite (200g cada)

- 200g de chocolate amargo (usei callebaut)

- 200g de chocolate ao leite (usei callebaut)

- granulado para enfeitar, se quiser (usamos, ficou lindo)

- 2 colheres de sopa de manteiga (usei com sal)

 

sugiro que você use batedeira, 2 formas de bolo (usamos uma um pouquinho menor que a outra, pra fazer o bolo com “degrau”), colheres e xícaras, etc. para o processo de medição.

 

modo de fazer:

derreta o chocolate com o creme de leite e a manteiga direto no fogo baixo. cuidado pra não ferver, vá mexendo e tire do fogo quando o chocolate começar a derreter, você pode voltar depois se preferir. caso esteja com medo de cozinhar o chocolate, coloque em banho-maria. reserve o chocolate derretido para cobrir/rechear.

bata as claras em neve bem durinhas, e reserve. bata as gemas, açúcar e a manteiga até afofar e clarear bem. adicione aos poucos a farinha, cacau e o leite, até uniformizar tudo. adicione o fermento, misture bem. por último, incorpore as claras em neve, com cuidado, até misturar tudo. asse nas formas untadas e enfarinhadas por cerca de 40min em forno médio (teste com o palito, varia de forno pra forno).

espere esfriar os bolos, desenforme e coloque o 1o (de baixo) já no local onde vai servir. coloque metade do chocolate derretido por cima do bolo, espalhando direitinho mas deixando as bordas livres (quando colocar o 2o bolo, vai “espremer” o recheio e escorrer). coloque o 2o bolo por cima, e cubra com o restante do chocolate. finalize com granulado e gele o bolo antes de servir (aqui fizemos a toque de caixa, gelou por 30min só :D ).

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e pronto. agora cante parabéns, coma e comemore, seja feliz! \o/

O dia mais feliz :D

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plantando — e colhendo

mesmo sem jardim minha hortinha/pomar de vaso tá rendendo! estamos com pimenta, quiabo (2a produção), muuuuito manjericão, hortelã de 2 tipos, menta, alecrim, erva-doce, cidreira, tomilho, sálvia e tomate. tivemos jabuticaba e cereja no fim da primavera, amora não parou ainda de dar e as carambolas (6!) estão lá, crescendo. todo dia o otto pergunta “já tá amarela, mamãe?”. só quem não deu o ar da graça foi a pitangueira, danadinha.

lichia e limão, acho que só em 2014. e a ameixeira, 1a árvore que o otto plantou, suponho que só quando o menino for grande.

não ter jardim não é desculpa pra não plantar! basta sol, água e boa terra. e amor pelas plantinhas, né? :)

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sem filtro

como é difícil e importante eliminar o julgamento do outro do nosso discurso, dos nossos pensamentos, da nossa lógica! os outros são espelhos, nada mais e nada menos. tudo o que sai da nossa boca, dos nossos dedos pra escrever, vem de nós. o defeito do outro nada mais é que uma leitura, uma interpretação que necessariamente nos contém.

se reconhecemos e reverberamos ódio, insegurança, inveja, é porque esses sentimentos tiveram reflexo, e existem, em nós. isso tudo pode vir de fora, sim, é claro, existe. mas quando saímos do modo de julgamento, eles simplesmente passam por nós sem encontrar harmônicos, e ficamos limpos, não contaminados.

com algum atraso, desejo só isso para 2013: que eu seja capaz de julgar menos, e assim me purifique de sentimentos que não desejo carregar adiante.

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o dilema desta onívora

sugiro ver o documentário muito além do peso antes de ler o post. e se tiver lido o dilema do onívoro, tanto melhor.

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tenho lutado com meu peso a vida toda, desde mais ou menos 9 anos. só me tornei obesa de fato depois dos 30, mas desde sempre me lembro de alterar entre peso normal e sobrepeso. nunca pude e nunca poderei simplesmente relaxar e comer, sem engordar. é duro chegar a essa conclusão, porque é preciso admitir uma fraqueza, uma falha.

não tenho doença alguma que me faz engordar, sou absolutamente saudável (inclusive enquanto obesa). meu problema com a comida é de outra ordem, e pelo que ouvi dizer somente 2% dos obesos de fato têm alguma condição que os faz engordar. os demais, suponho que sejam como eu e têm uma relação complicada com a comida e com o ato de se alimentar.

comida não é pasto, bebida não é água. comida e bebida são amor, cumplicidade, conforto, felicidade, prêmio, glamour, conquista (amorosa e meta), mágica. comer é a coisa que mais fazemos na vida, durante toda ela. comer é também e principalmente uma grande atividade social, um meio de se relacionar, momento de olhar nos olhos, oferecer, trocar, compartilhar. o desejo de compartilhar, tão bem explorado e usado pelas redes sociais, é inato. não existe religião na história que não passe pelos rituais do alimento, que não o utilizem como alavanca e não explorem o milagre e alegria de ter comida à mesa para dividir.

comer é um ato social, desde o primeiro momento — quem alimentou um bebê no peito sabe perfeitamente do que estou falando. é um ato muito maior que simplesmente fornecer alimento, é a criação de um laço de amor e comida, intimamente relacionados. e suponho que o mesmo se dá se for preciso usar uma mamadeira, nestes primeiros momentos de vida. a experiência de se alimentar pelas mãos de outro, num abraço absoluto e intenso, olhos nos olhos, é poderosa. e depois, experimentar o mundo com a boca, alimento por alimento, sendo ensinado como comer e, em última instância, sobreviver. a forma através da qual nos alimentamos nós, humanos, é totalmente permeada pela experiência social e cultural, é uma extensão de quem somos, como espécie e como indivíduos de uma determinada sociedade. sim, somos exatamente o que comemos, e não estou falando do aspecto nutricional da alimentação.

essa mistura de cultura, afeto e socialização, para alguns indivíduos (como eu), desanda e comer já não é mais meio, mas fim. come-se para ficar feliz, para comemorar, para relaxar, para se relacionar e para esquecer outras coisas. some a isso um estilo de vida sedentário, e está feita a fórmula da obesidade.

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no documentário muito além do peso mais algumas variáveis dessa equação complicada se mostraram: o poder da propaganda (que explora muito bem todo o aspecto emocional e social da comida); a influência do meio (família, amigos) na alimentação; o despreparo ou descaso das escolas e das próprias famílias no que diz respeito à alimentação das crianças.

somos onívoros. um dos principais motivadores da nossa espécie (primeiro? segundo, talvez, depois de procriar?) é procurar comida, e comer. mas não é simplesmente procurar qualquer comida, é procurar as melhores comidas, as que têm maiores benefícios. nossos antepassados sobreviveram graças à sua habilidade em se alimentar, e sobrevivemos e prosperamos como espécie graças à nossa capacidade em grupo de ensinar uns aos outros como comer, o que comer. é através da imitação, da transmissão do conhecimento, que o ser humano se tornou o mais bem sucedido onívoro que já habitou este planeta.

e o que aconteceu, depois de tanta evolução? já não aprendemos mais a procurar e selecionar alimentos notoriamente bons para nossa sobrevivência; o conhecimento dos nossos antepassados, toda nossa cultura alimentar desaparece rapidamente, geração após geração. agora aprendemos a comer com a TV, com a propaganda. não é mais nossa tribo, nossa família que nos mostra o que devemos comer, o que é bom, é um outdoor, um comercial, uma embalagem no supermercado. não, é pior: desde pelo menos a década de 50 as famílias pararam de preparar suas comidas e começaram a comprar tudo pronto, industrializado. você não escolhe mais as batatas mais bonitas para fazer seu purê, ao invés disso, compra o pó pronto numa caixa bonitinha, que é muito mais prático. ninguém mais vê a galinha sendo morta e depenada (eu vi quando criança!), o que existem são bandejas plásticas com pedaços. não sabemos mais o que estamos comendo. nossos alimentos vêm em caixas pretas metafóricas (experimente tentar descobrir a exata composição do que você compra e come), e engolimos sem questionar. desaprendemos dia a dia uma das capacidades mais importantes da nossa espécie — procurar e consumir os melhores alimentos.

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esse post vai ficar um livro, mas não consigo parar: ontem fui ao supermercado, depois de meses sem entrar em um deles (quem faz compras aqui em casa é o marido). fiquei absolutamente chocada (e hipnotizada) pela quantidade de cores, embalagens, opções. e o desbalanceamento injusto entre alimentos industrializados versus alimentos in natura é assustador. a seção de frutas, verduras, legumes e carnes é muito pequena, comparada com o restante do mercado!

alimento pra mim é compensação e prazer, o que combinado com a vida sedentária que adotei, se transforma em peso adicional. mas ainda como de forma minimamente saudável, sou o tipo de pessoa que gosta de comida feita em casa, carnes, grãos, verduras, legumes e frutas. e é assim também que crio meu filho — comendo comida feita em casa, usando ingredientes frescos. com 2 anos e meio ele sabe reconhecer frutas, legumes, verduras e até temperos direto da horta ou do pé. considero esses ensinamentos (sobre os alimentos, sobre os preparos) parte essencial da educação dele, tão importante (mais importante!) do que aprender matemática, por exemplo. acho assustador que tantas famílias permitam que a cultura alimentar se perca, ou seja substituída por industrializados cujo apelo afetivo é falso, fabricado, kitsch.

é preciso repensar (em especial os que decidiram ter filhos) os próprios hábitos, e questionar não somente se são saudáveis mas principalmente se são legítimos, se são seus mesmo ou efeito propaganda. não faz sentido ser escravo de uma marca. é uma vergonha ser “viciado” em coca-cola, ou qualquer outra marca de comida que vive de criar propagandas que nos induzem ao consumo. é um crime perpetuarmos essa cultura do consumo para as próximas gerações. é simplesmente errado não ensinar as próximas gerações a se alimentar de forma saudável e prazerosa.

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a lei da ação e reação é implacável, e é claro que como resposta ao “ataque do doritos assasssino” a que somos submetidos o tempo todo em todos os lugares, nasceram os radicais da alimentação saudável. eles são muito melhores que os inconscientes, os que simplesmente se deixam levar pela maré e chafurdam no cheddar. o radicalismo serve um propósito nobre, mas não acho que seja uma boa opção. o mundo está dominado pelas comidas industrializadas de propaganda, e SIM, elas são extremamente gostosas e viciantes. há milhões de dólares investidos nestes alimentos e na propaganda deles, justamente para que todos queiram experimentar, e quando experimentam a experiência é UAU. estes alimentos são exatamente como drogas — eles dão prazer. são feitos pra isso, e por isso são tão consumidos. as pessoas não são simplesmente estúpidas (ok, algumas são), elas simplesmente são inconscientes, ou não se preocupam com o resultado dessa complicada equação.

ou você também é dos que acham que gordos são meramente preguiçosos e hedonistas, e por isso são gordos? é claro que deixar de ser gordo é possível para todos (com raríssimas exceções), mas definitivamente não é simples e nem fácil.

drogas, bebidas alcoólicas, comidas gordurosas, cheias de açúcar e sal — tudo isso é gostoso, dá prazer. queremos mais, e mais. não vamos nos enganar. é difícil abandonar drogas, é preciso empenho, muito apoio e força de vontade.

como ensinar às nossas crianças (e a nós mesmos) sobre drogas (todas as acima)? negando sua existência? proibindo terminantemente senão-você-vai-ver? não comprar, não ter à mão, é uma boa opção, e funciona por um tempo, mas não pra sempre. porque (insisto) comer (e consumir drogas, a propósito) é um ato social. a menos que você pretenda se trancar numa caverna, ou montar uma sociedade alternativa dos sem-ruffles, sugiro que pense como lidar com o mundo lá fora. claro que você também pode optar por ser aquele mala sem alça que leva arroz integral num tapauér pro almoço na casa do amigo e não come nada que lhe oferecem, mas a maioria de nós não quer ser essa pessoa. a outra opção, que na verdade não é sequer uma opção mas uma necessidade, é educar-se, aprender a conviver com essa realidade da comida-que-não-me-faz-bem.

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penso muito nesse assunto (alimentação saudável, relação com a comida, propaganda). desde que meu filho nasceu e começou a se alimentar, tomei essa tarefa de educá-lo para se alimentar bem muito seriamente. e é claro, não podia mais ignorar minha condição de obesidade, já que o assunto é ser mais saudável. iniciei em agosto/12 uma reeducação alimentar séria para voltar a um peso aceitável e me alimentar da forma que considero adequada. porque afinal, a melhor forma de educar nossos filhos é dando bons exemplos.

uma das coisas que concluí, nessas reflexões sobre alimentação, é que não quero categorizar os alimentos como maus e bons, permitidos e proibidos. meu primeiro motivo pra evitar essa divisão é que realmente acredito que equilíbrio entre prazer/obrigação é o caminho (e busco isso, todos os dias). existem as coisas que (1) são boas pra nossa saúde, mas não são tão gostosas; (2) existem as coisas que são super gostosas e que nos fazem mal (ou são neutras, não contribuem em nada); (3) existem as coisas que fazem mal e que não gostamos; (4) e existem as coisas saudáveis e gostosas.

pode parecer óbvio, mas juro que precisei pensar pra começar a balancear melhor minhas escolhas, considerando os 4 cenários ali em cima. a minha prioridade alimentar deve ser o (4), é claro. nesta categoria devem estar a maioria das coisas que eu consumo, e essas são as coisas que devo escolher ter sempre em casa, à mão. no meu caso, nesta categoria estão quase todas as frutas, verduras, legumes, castanhas, etc.

as coisas (3) eu simplesmente devo excluir da minha vida, não comprar, e pronto. uma coisa interessante aqui é perceber o que não se gosta. confesso com um pouco de constrangimento que eu não sou completamente consciente do que eu realmente gosto. depois de um escrutínio forte eliminei algumas coisas, mas percebo que ainda como/bebo coisas por influência do meio, como forma de socialização. um exemplo chocante? pão de queijo. eu não gosto de pão de queijo! não tenho aversão, mas não tenho muito prazer consumindo. mas cada vez que servem numa reunião, e todos adoram e comentam e tals, eu acabava pegando (só pra me decepcionar). pois parei.

o diabo está nas coisas (1) e (2). por exemplo — eu não sou fã de pão integral e cottage, mas eles são melhores pra minha saúde que um pão francês na chapa, a gloriosa categoria (2). então decidi consumir saudáveis durante a semana, e o pão francês com manteiga fica pro fim de semana.

fazer dieta e perder peso é fácil, gente. acreditem em mim, eu já fiz várias, e já perdi uns 100kg nestes 40 anos. é chato, irritante, frustrante e TRISTE, mas é fácil. difícil é manter o peso, aprender a se alimentar e viver de forma saudável, sustentável, e ser feliz. eu jamais seria feliz sendo vegetariana, macrobiótica, comendo salada e grelhado todos os dias ou nunca comendo açúcar branco. preparar e comer um bolo de aniversário, um brigadeiro, servir para os amigos, para o meu filho, é parte da minha bagagem cultural.

comer não é só obter vitaminas, combustível, para ter um corpo saudável. cheirar, mastigar, engolir, sentir o sal ou açúcar na língua, é uma experiência sensorial. comer é prazer também, e não precisa sempre, o tempo todo, ser para fins de nutrição. como o sexo também não serve somente para se reproduzir!

eu também como para sentir prazer e socializar, e ponto final. jamais tratarei minha alimentação como questão meramente de saúde. meu grande desafio neste momento é encontrar esse equilíbrio, fazer as pazes com meus hábitos alimentares, essa questão tão central da vida de cada ser humano. e, é claro, preciso também mudar alguns conceitos, eliminar vícios, repesar a importância da comida na minha vida, em detrimento de outras coisas prazerosas (como mexer meu corpo, por exemplo).

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depois de tanto falar, pensar, ver filme e ler, coloquei pra mim mesma algumas metas ou diretrizes que acho essenciais para ter uma alimentação melhor e ser mais feliz:

- consumir o máximo de alimentos naturais (não industrializados)

- preferir a comida feita em casa, a partir de ingredientes básicos

- consumir orgânicos sempre que possível

- beber água, durante o dia todo. não suco, não refrigerante. ÁGUA

- comer frutas frescas e castanhas no decorrer do dia

- não ficar mais de 3h durante o dia sem comer. a fome atrapalha a concentração, irrita e leva a comer em excesso quando chega a refeição

- preferir grãos integrais, sempre que possível

- lembrar de escolher, em função do meu desejo. não me deixar levar pelo impulso ou pelo “efeito grupo”: “eu realmente QUERO comer isso?”

- e finalmente: não virar uma chata neurótica com a alimentação. continuar tendo prazer em comer, dividir refeições, exagerar de vez em quando, comer simplesmente porque é gostoso.

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em 5 meses perdi 11.5kg. estou estacionada neste momento, e revendo novamente meus hábitos para chegar a um peso mais adequado ao meu tamanho. tenho absoluta certeza que vou chegar a um peso melhor, é só questão de paciência e persistência. meu maior esforço no momento é identificar mudanças de comportamento que possa carregar para a vida toda. pois esse movimento que estou fazendo é porque quero viver meus próximos 50 anos — oxalá :) — com um corpo mais leve, mais ágil. carregar a mim mesma tem sido difícil, essa é a verdade. ainda tenho 15kg (ou 10kg, segundo a meta colocada pela minha nutricionista) pra deixar pra trás, e poder caminhar só com o peso realmente necessário.

comer também serve para acumular, como preparação para os tempos difíceis. pois eu decidi que os tempos difíceis se foram, e tenho muita fé no futuro. não preciso de bagagem extra.

agora falta o próximo passo, não menos importante e pra mim extremamente difícil: sair da inércia, me mexer, fazer o sangue circular. porque quando eu chegar aos 90, quero estar caminhando pelo meu sítio e cuidando da minha hortinha :)

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eu hoje!

Bêj!

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