semana passada uma grande amiga, a denize, foi alvo de um “flame“, gerado por um post do blog dela, esse aqui, no qual ela conta que foi agarrada por uma cigana no centro da cidade e deu um tapa pra se livrar. segundo algumas (com gênero, várias mulheres envolvidas no assunto), ela foi “preconceituosa e violenta”.
(a propósito, li de novo o post depois da polêmica, friamente, e minha interpretação é a mesma: ela se orgulha de se defender. fisicamente, da cigana invasiva, mas não somente. e é motivo de orgulho mesmo saber se defender e fazê-lo)
além de discordar da opinião das mulheres engajadas no assunto, fiz questão de defender minha amiga. não só porque ela é minha amiga (embora fosse motivo suficiente), mas principalmente porque acho que a leitura do texto foi equivocada. não, pior: foi DISTORCIDA. simplesmente não tem nada lá que seja preconceituoso ou violento. ponto final. dar um tapa em alguém pra se defender de invasão física não é violência. o que define violência física é o uso da força com o objetivo de ferir, deixando ou não marcas evidentes. ela simplesmente deu seu tapa com o objetivo de SE SOLTAR. e o fato dela ser cigana não muda nada o ocorrido, podia ter sido um rapaz afoito, um mendigo, uma vendedora enlouquecida.
fiquei indignada vendo minha amiga — pessoa de bom caráter, que ajuda todos ao seu redor sempre que pode, carinhosa e muitíssimo humana — sendo julgada por um bando de mulheres desconhecidas, do conforto de trás dos seus teclados. julgada, não: condenada mesmo. como as senhoras da verdade, criaram uma rede de fofocas em DM no twitter, e em nenhum momento citaram a acusada com @, típico das fofoquinhas de escola, feitas pelas costas.
demonstraram um comportamento asqueroso disfarçado de preocupação feminista e social. preconceito contra cigana? BULLSHIT, precisa ter QI de ostra pra acreditar isso. e que feminismo mal direcionado é esse? há 2 mulheres envolvidas na história, ambas foram agredidas em algum momento (a cigana agrediu antes de ser agredida de volta), por que só a segunda é julgada? por ser cigana ela tem direito a agarrar outra mulher na rua, com suas mãos e unhas sujas, e tudo bem? de novo, BULLSHIT. algumas (tentando criar PAUTA, né, jornalistas de botequim) vieram até com opinião sobre como esse “comportamento” afeta sua marca. porque além de ser uma mulher admirável, minha amiga é criativa e empreendedora. e sua marca é ela mesma. não se preocupem, moças, sua opinião torta não é universal. há várias de nós que conhecemos e admiramos a mulher por trás da marca, e não é sua opinião rasa que vai mudar isso.
não sei os motivos dessas senhoras em julgar e condenar minha amiga, mas duvido muito que sejam motivos nobres. porque se houvesse MESMO um motivo nobre por trás disso tudo, elas lembrariam que minha amiga é filha de pais separados, mulher, mãe, profissional liberal que ajuda a sustentar sua família, nordestina vivendo em são paulo. um clichê ambulante, que poderia perfeitamente estar do “outro lado” da análise. por que será que ela foi escolhida pra ser a vilã dessa história? porque é bem-sucedida, bonita, feliz e está aprendendo a se defender e ser confiante, talvez? mulheres confiantes e independentes que não se deixam agarrar na rua por NINGUÉM são escrotas, preconceituosas e violentas, é isso?
que discursinho mais MACHISTA, queridas!
daí minha conclusão: é maldade. daquelas mais legítimas, básicas, instintivas. e das mais perigosas, porque se travestem de discurso intelectualóide pra boi dormir. mas eu não caio mais nessa não, viu? primeiro porque fiz análise, e esse modelinho mental eu conheço muito bem, fui criada e pós-graduada nele, obrigada. eu quero é FUGIR dele.
e por isso me esforço pra não julgar, não condenar. porque nossas motivações são muitas vezes podres, e muito frequentemente desconhecidas pra nós mesmas. cada vez que quero criticar alguém, critico a mim mesma, e descubro coisas desagradáveis. mas é bom, pois melhoro, cresço.
essas mulheres perderam uma excelente oportunidade de pensarem sobre si mesmas. perderam a oportunidade de pensar sobre o que significa DEFENDER-SE enquanto mulher. seja da cigana, do chefe, do peão de obra na rua, do marido, do filho.
fizeram uma leitura equivocada, distorcida pela sua própria maldade e limitação.
azar o delas, amiga querida. seguimos aqui firmes, sendo pessoas melhores aprendendo com a maldade alheia. elas que se afoguem nas suas teorias rasinhas, se refestelem no prazer de julgar outra mulher. elas é que perdem.
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e sobre a amizade? defendo meus amigos, sempre. não porque eles estão sempre certos (nem sempre estão), mas porque são boas pessoas, de bom caráter. não tenho amigos de caráter duvidoso, se houver dúvida, não é amigo. e pessoas de bom caráter podem errar, como todos nós, porque somos humanos. mas por serem essencialmente bons, merecem meu empenho em defendê-los, pelo menos de julgamentos precipitados.
se algum amigo meu errar, vai ouvir de mim que errou, me empenho em ser honesta. quem ama tem obrigação de ser honesto. mas procuro não julgar (e nem condenar), sempre que possível. erro também, e pago pelos meus erros. mas vou aprendendo, de mãos dadas com meus amigos queridos. aprenderemos juntos, com amor.


