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a viagem (parte 3)

dezembro 19, 2006 Leave a comment

aqui tem a história desde o dia 1, pra quem quiser ler tudo.

dia 10

acordamos cedíssimo e pegamos o ônibus de volta a punta arenas. antes de chegar à cidade o nosso taxista-amigo e guia nos pegaria para um passeio à pingüinera mais próxima. obviamente não resistimos ao apelo de ver aquelas coisas fofas e fomos, pela estrada empoeirada e ouvindo o papo mais maluco do universo (guia, um senhor, estudou botânica, com especialização em micro-flora da região patagônica. nós viajamos forte na conversa). os pingüins são as coisas mais cuti-cuti e o lugar onde eles moram é lindo, tranqüilo e gelado de morrer, mesmo sendo verão. eu não sabia que eles fazem seus ninhos no mato e os pares se revezam para ir comer no mar. voltam andando naquele passinho desengonçado de pingüim… ploft-pleft. lindos!

fomos à praça principal da cidade, onde fica a estátua do famosíssimo hernando de magallanes (fernando de magalhães, para os íntimos do idioma luso) e o índio cujo pé se deve beijar para retornar à terra do fogo (beijamos, claro). fomos a um lindo mirante da cidade pra ver o estreito de magalhães mas o melhor do passeio foi o cemitério da cidade, auto-proclamado o mais lindo do chile (deve ser mesmo). um tanto céticos fomos conferir, mas confesso: é um lugar sensacional. dá vontade de morrer e ficar exatamente ali.

no fim deste mesmo abençoado dia voltamos a puerto montt e, para nosso deleite, o tempo estava espetacular: um céu azul e limpíssimo. corremos de volta ao vulcão osorno, para poder subir até a estação e vê-lo com dia claro. de quebra, assistimos um pôr-do-sol laranja e azul, quase às 9 da noite.

dia 11

o dia seguinte foi uma viagem de cerca de 300km até villarrica, à beira do vulcão villarica e região de esportes radicais. no caminho para pucón vimos o vulcão villarrica (ativo!) de longe e ficamos frustradíssimos por não termos condições físicas de subir até a cratera e ver a lava: é uma subida de 4km na neve, cerca de 5 horas, ou seja, inviável para dois sedentários 😀

conformados, seguimos para pucón e nos entregamos à gula: o fer experimentou o prato mais famoso do chile, o curanto (escreverei um post sobre ele, pra cam) e eu comi o tal lomo a lo pobre (nosso filé a cavalo, muito bom).

dormimos no primeiro hotel de preço decente que encontramos perto da cidade, sem grandes exigências, e acordamos num jardim à beira do lago, lindo lindo lindo.

dia 12

optamos pelo passeio simples até o sopé do vulcão e depois paramos à beira do lago para um passeio de pedalinho em águas cristalinas e azuis, com vista para o vulcão. espetacular.

resolvemos dar a volta toda no lago, pra conhecer a região, uma grata surpresa: um dos caminhos mais lindos que já vi na vida, estradas de pedra com montanhas ao longe e muita água por todos os lados. descobrimos uma ponte pênsil sensacional, vimos cemitérios de árvores e o próprio paraíso na terra ali, à beira do vulcão e do lago.

dia 13

dormimos em chillán (um horror de hotel) e no dia seguinte compramos calcinhas e cuecas no supermercado porque não lavamos NADA na viagem. aliás, que calcinhas maravilhosas! comprei 4, uma de cada cor 🙂

viajamos mais de 300km e lá pelo meio do dia chegamos à vinícola miguel torres para a melhor refeição de toda a viagem: menu fechado com um vinho por prato. simples, prático e maravilhoso, ao som de… bossa nova 🙂

saímos de lá diretamente para o litoral e após uma penosa busca nos hospedamos num hotel de quinta categoria em viña del mar e dormimos o sono dos justos, apesar das mariposas e das toneladas de ácaros 😀

dia 14

acordamos e fugimos rapidamente do hotel-macabro, pensando em achar algum lugar melhor em viña del mar. o problema é que nenhum de nós simpatizou muito com a cidade, principalmente porque depois do nosso mergulho nas montanhas e no silêncio aquilo tudo parecia caótico, fedorento, úmido e barulhento. resolvemos conhecer a costa, paramos, tiramos fotos, descobrimos alguns preços e, apesar dos lobos do mar e dos pelicanos, não nos empolgamos em ficar por lá.

fomos para valparaíso, a cidade portuária. o pacífico é lindo, com várias vistas incríveis, mas preferimos voltar a santiago e conhecer algumas coisas mais, afinal não somos mesmo de praia…

depois de uma maratona em santiago para encontrar um hotel (foi difícil) nos deparamos com a pousada el salvador (irônico, ahn?) que de fato foi uma bênção nas próximas 2 noites (apesar dos 4 lances de escada para subir…)

descansamos e, pela primeira vez na viagem, fomos a um bar à noite, tomar cerveja, comer uma pizza e bater papo de bar. fomos a pé, o bar tinha boa música, cerveja gelada e decoração maluca, do jeitinho que eu gosto. uma boa noite pra chegar ao fim de uma bela viagem 🙂

dia 15

de volta a santiago, fomos visitar o centro da cidade: museu precolombino, galerias cheias de lojinhas (compras!), a catedral (linda, com imagens de todos os santos que eu conhecia e não conhecia) e o mercado central, com toda a oferta de peixes e frutos do mar que existem.

eu estava gripadíssima e não aguentei a jornada urbana com calor senegalesco: me entreguei ao sono de muitas horas pra recuperar as energias. essa noite foi só TV e preguiça…

dia 16, o último

amanheceu um dia lindo e azul e pudemos acordar um pouquinho mais tarde. fomos para o aeroporto, fizemos compras, pegamos filas e sonhamos com nossa casinha de volta durante o vôo. mãe e pai esperando no aeroporto, alagamento em SP, 2 horas pra chegar em casa… ah, nada como nosso lar! 🙂

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a viagem (capítulo 2)

dezembro 7, 2006 Leave a comment

dia 6

voamos até punta arenas e a vista do avião é incrível. de puerto montt para o restante do sul o continente é praticamente um arquipélago, então a vista é cheia de água, montanhas cheias de gelo e planícies. chegamos tranquilamente e esperamos um pouco pelo motorista. já deu pra sentir que ali o frio não era de brincadeira e o vento só piora a sensação.

passamos rapidamente pela cidade, pois decidimos conhecê-la na volta de puerto natales, vimos o estreito de magalhães de relance e fomos para a estação de ônibus que nos levaria, numa viagem de 3h, até puerto natales, nosso destino nos próximos 2 dias. a estação de ônibus é pequena e meio trash.

viagem de ônibus sossegada, motorista nos esperando por lá e um hotel decentíssimo pra dormir 3 dias, uma bênção pra quem estava há 7 dias dormindo cada dia num lugar, ufa 🙂 a fome, no entanto, não era brincadeira: só tínhamos tomado café da manhã. fomos a um restaurante recomendado na cidade na beira da praia, simpático e com comida razoável. o vento é que não tinha graça nenhuma. é maluco perceber que você está quase no final do continente, é impossível não pensar no descobrimento e no que foi conquistar aquela região difícil.

dia 7

7 da manhã e já estávamos no café, ansiosos pelo passeio de barco pelo canal da última esperança para ver a geleira balmaceda, com parada no parque o’higgins e almoço (pesadíssimo, aliás, pura carne) na fazenda perales, que um local à parte de tão lindo.

é difícil descrever como esse passeio é lindo, como as geleiras são bonitas e o que é caminhar nestes lugares tão perfeitos. o encantamento não passa e você fica o tempo todo deslumbrado com a maravilha que é a natureza. o barulho da água, do vento, o frio, as cores tão intensas que nenhuma foto consegue descrever. espero que seja possível ver um pouco nas fotos que tiramos.

dia 8

esse foi certamente o passeio mais esperado da viagem: torres del paine. eu não conhecia esse parque nem de ouvir falar antes de começar a planejar a viagem e a surpresa foi sensacional. eu diria sem medo de errar que é um dos lugares mais incríveis do mundo. pra quem gosta de viagens do tipo “ver paisagens incríveis”, esse passeio é absolutamente necessário. esse parque é também um must para quem gosta de trilhas e observação de fauna e flora.

fomos primeiros à cueva del milodón, que é um sítio arqueológico, uma caverna onde foram encontrados resquícios deste animal já extinto e várias evidências de que era morada fixa de muitas pessoas. a caverna é enorme, seca e muito protegida do clima difícil da região, um lugar inacreditável.

na seqüência, seguimos para torres del paine e passeamos de carro pelas estradas muito bem cuidadas, vimos o maciço del paine com uma luz linda, o dia estava claro (depois de 10 dias nublados). almoçamos num restaurante bem chique que tem por lá (hostería lago grey) e fizemos uma trilha simples para ver o lago e a geleira, andando pela praia. tiramos fotos com os icebergs e quase fomos arrastados pelo vento gelado.

foi certamente o passeio mais lindo que já fiz na vida (e olha: já vi bastante coisa bonita nesse mundo…)

(a continuar…)

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a viagem (que pode ser considerada uma novela também)

dezembro 1, 2006 Leave a comment

vou procurar ser breve, tanto quanto possível, pra não entendiar ninguém. ao mesmo tempo, quero manter um registro do roteiro pra minha própria referência e para quem se interessar pela mesma viagem. sendo assim, vou resumir aqui o que fizemos, dia a dia, e ali no “leia mais” eu coloco mais detalhes com o tempo. os links que aparecem no texto são para as fotos dos locais, pra quem quiser ver.

bem, decidimos ir para o chile por vários motivos: porque eu especialmente me sentia mal por ter visitado tantos países no mundo e nunca ter visitado nenhum país da américa do sul (fui a montevidéu a trabalho, mas tão rápido que não conta); porque o chile tem paisagens incríveis; porque é talvez o único país realmente desenvolvido da américa do sul; porque achamos que seria mais barato (ilusão, já vou avisando); porque tínhamos milhagem suficiente pra não pagarmos passagem de nenhum dos dois, indo pra lá; e porque lá tem a patagônia 🙂

nossa proposta inicial era desembarcar em santiago, alugar uma caminhonete e descer até punta arenas (ou mais, se fosse possível), visitando no caminho o que desse na telha. a única coisa que reservamos foi o carro (e o hotel do dia 1, na noite no dia anterior :D) e o restante deixamos em aberto. nem tudo saiu do jeito que esperávamos, é claro, mas isso faz parte da diversão de estar de férias inclusive da neurose de controle 🙂 vamos a um resumão de cada dia.

detalhe: os hotéis e a comida são uma categoria à parte, falo sobre eles depois.

dia 1

chegamos a santiago por volta de 14h e o esquema de aluguel do carro deu certo, o cara da locadora nos esperava com plaquinha (!) no aeroporto, tínhamos mapa da cidade e nos viramos facilmente. tirar dinheiro foi um pequeno problema, pois por algum motivo só conseguíamos tirar 50k pesos por vez (cerca de 200 reais).

demoramos cerca de 2h para encontrar uma forma de parar no hotel. era bem no centro da cidade e é sempre um inferno andar de carro em centros, mas tudo acabou dando certo. fazia um calor de capeta (~30 graus) e fomos dormir um pouco pra descansar. descobrimos que estávamos num bairro “de artistas” e era tudo muito cool, todos os bares fofos e lindos e cheios de gente alternativa. quase compramos um pão com queijo o voltamos pro hotel, porque temos alergia de gente cool, mas cedemos à tentação e jantamos numa mesinha ali na rua e foi legal, embora o jantar (que consistiu de salada e tábua de frios) tenha custado mais ou menos 60 dólares.

precisávamos de água e lá fomos comprar água mineral, garrafinhas de 500ml: 1000 pesos (~ 4 reais). ahn? como assim? o povo não bebe água aqui? compramos, claro, e aguardem, porque a história da água continua.

dia 2

visitamos o cerro santa lucia, bem em frente ao hotel e lindíssimo, e partimos na seqüência para o sul. a esta altura tínhamos decidido ir pro sul direto e depois, na volta, explorar mais a região ao redor de santiago se desse tempo. passamos no shopping pra comprar casacos de frio corta-vento (que não tínhamos) e nos impressionamos com os preços de roupas e eletrônicos: tudo muito mais barato que no brasil. gastamos centenas de reais em roupas e uma câmera nova e fomos em direção a chillán (400km de santiago), onde dormimos.

dia 3

pela manhã seguinte conferimos se havia alguma coisa que valesse a pena na cidade (não havia) e seguimos viagem, parando em salto del laja (uma queda d’água linda) e então fomos diretamente para puerto montt (622km de chillán), onde dormimos nesta noite.

tínhamos algumas coisas pra comprar de qualquer forma, então passamos o dia ali, conhecemos o posto turístico da cidade e perguntamos sobre o próximo trecho da viagem que pretendíamos fazer ainda de carro, a carretera austral. descobrimos, pra nosso desgosto, que não era possível atravessar de carro para o próximo trecho pois a balsa só funciona no verão (janeiro e fevereiro). havia uma outra balsa na cidade de quellón (ao sul da ilha de chiloé) que poderíamos pegar para chegar a um pedaço da carretera austral.

mudança de planos, então: fomos para a ilha de chiloé (de balsa) e a atravessamos de ponta a ponta (cerca de 200km), pois quellón é a cidade mais ao sul dessa ilha, de onde sai a balsa para a carretera.

chegamos lá no fim da tarde e descobrimos que a balsa sairia só em mais 2 dias (com possível atraso) e que demoraria 2 dias pra ir e mais 2 pra voltar. dormimos em quellón, mas decidimos mudar o roteiro: iríamos de avião para o sul e deixaríamos o carro por uns dias em puerto montt.

dia 4

de volta a puerto montt, procuramos uma agência de viagens (a primeira foi um horror; a segunda foi um achado) e fechamos um pacotinho para visitar o extremo sul. gostaríamos de ter ido à geleira san rafael, mas era tão demorado e caro que atrapalharia outros planos nossos. ficamos com a opção punta arenas, puerto natales, torres del paine e um passeio de barco pelos glaciares.

fechado o pacote, decidimos almoçar em puerto montt mas dormir em puerto varas (20min de puerto montt).

dias 5 e 6

ficamos desta vez em uma das cabañas que eles oferecem como alternativa aos hotéis (uma excelente opção, aliás).

puerto varas é linda de morrer, um típíco balneário, mas com todo o jeitão de campo. o tempo estava ruim, mas foi lindo mesmo assim (na volta do sul tivemos oportunidade de ver a cidade com sol, o que foi ótimo).

visitamos petrohué (nosso agora amigo pedro rui), uma corredeira maravilhosa às margens do vulcão osorno, que tem uma estradinha para subir até a estação de esqui, que funciona no inverno (não conseguimos subir até a estação neste dia, a estrada estava coberta de neve).

há uma série de cidades ao redor do lago llanquihue e a estrada é maravilhosa, então passamos o dia contornando o lago e parando, sem muito planejamento. assim fizemos, e foi um passeio incrível. no dia seguinte seguiríamos para punta arenas, quase no fim do hemisfério sul!

dia 7

voamos até punta arenas e a vista do avião é incrível. de puerto montt para o restante do sul o continente é praticamente um arquipélago, então a vista é cheia de água, montanhas cheias de gelo e planícies. chegamos tranquilamente e esperamos um pouco pelo motorista. já deu pra sentir que ali o frio não era de brincadeira e o vento só piora a sensação.

passamos rapidamente pela cidade, pois decidimos conhecê-la na volta de puerto natales, vimos o estreito de magalhães de relance e fomos para a estação de ônibus que nos levaria, numa viagem de 3h, até puerto natales, nosso destino nos próximos 2 dias. a estação de ônibus é pequena e meio trash.

viagem de ônibus sossegada, motorista nos esperando por lá e um hotel decentíssimo pra dormir 3 dias, uma bênção pra quem estava há 7 dias dormindo cada dia num lugar, ufa 🙂 a fome, no entanto, não era brincadeira: só tínhamos tomado café da manhã. fomos a um restaurante recomendado na cidade na beira da praia, simpático e com comida razoável. o vento é que não tinha graça nenhuma. é maluco perceber que você está quase no final do continente, é impossível não pensar no descobrimento e no que foi conquistar aquela região difícil.

dia 8

7 da manhã e já estávamos no café, ansiosos pelo passeio de barco pelo canal da última esperança para ver a geleira balmaceda, com parada no parque o’higgins e almoço (pesadíssimo, aliás, pura carne) na fazenda perales, que um local à parte de tão lindo.

é difícil descrever como esse passeio é lindo, como as geleiras são bonitas e o que é caminhar nestes lugares tão perfeitos. o encantamento não passa e você fica o tempo todo deslumbrado com a maravilha que é a natureza. o barulho da água, do vento, o frio, as cores tão intensas que nenhuma foto consegue descrever. espero que seja possível ver um pouco nas fotos que tiramos.

dia 9

esse foi certamente o passeio mais esperado da viagem: torres del paine. eu não conhecia esse parque nem de ouvir falar antes de começar a planejar a viagem e a surpresa foi sensacional. eu diria sem medo de errar que é um dos lugares mais incríveis do mundo. pra quem gosta de viagens do tipo “ver paisagens incríveis”, esse passeio é absolutamente necessário. esse parque é também um must para quem gosta de trilhas e observação de fauna e flora.

fomos primeiros à cueva del milodón, que é um sítio arqueológico, uma caverna onde foram encontrados resquícios deste animal já extinto e várias evidências de que era morada fixa de muitas pessoas. a caverna é enorme, seca e muito protegida do clima difícil da região, um lugar inacreditável.

na seqüência, seguimos para torres del paine e passeamos de carro pelas estradas muito bem cuidadas, vimos o maciço del paine com uma luz linda, o dia estava claro (depois de 10 dias nublados). almoçamos num restaurante bem chique que tem por lá (hostería lago grey) e fizemos uma trilha simples para ver o lago e a geleira, andando pela praia. tiramos fotos com os icebergs e quase fomos arrastados pelo vento gelado.

foi certamente o passeio mais lindo que já fiz na vida (e olha: já vi bastante coisa bonita nesse mundo…)

dia 10

acordamos cedíssimo e pegamos o ônibus de volta a punta arenas. antes de chegar à cidade o nosso taxista-amigo e guia nos pegaria para um passeio à pingüinera mais próxima. obviamente não resistimos ao apelo de ver aquelas coisas fofas e fomos, pela estrada empoeirada e ouvindo o papo mais maluco do universo (guia, um senhor, estudou botânica, com especialização em micro-flora da região patagônica. nós viajamos forte na conversa). os pingüins são as coisas mais cuti-cuti e o lugar onde eles moram é lindo, tranqüilo e gelado de morrer, mesmo sendo verão. eu não sabia que eles fazem seus ninhos no mato e os pares se revezam para ir comer no mar. voltam andando naquele passinho desengonçado de pingüim… ploft-pleft. lindos!

fomos à praça principal da cidade, onde fica a estátua do famosíssimo hernando de magallanes (fernando de magalhães, para os íntimos do idioma luso) e o índio cujo pé se deve beijar para retornar à terra do fogo (beijamos, claro). fomos a um lindo mirante da cidade pra ver o estreito de magalhães mas o melhor do passeio foi o cemitério da cidade, auto-proclamado o mais lindo do chile (deve ser mesmo). um tanto céticos fomos conferir, mas confesso: é um lugar sensacional. dá vontade de morrer e ficar exatamente ali.

no fim deste mesmo abençoado dia voltamos a puerto montt e, para nosso deleite, o tempo estava espetacular: um céu azul e limpíssimo. corremos de volta ao vulcão osorno, para poder subir até a estação e vê-lo com dia claro. de quebra, assistimos um pôr-do-sol laranja e azul, quase às 9 da noite.

dia 11

o dia seguinte foi uma viagem de cerca de 300km até villarrica, à beira do vulcão villarica e região de esportes radicais. no caminho para pucón vimos o vulcão villarrica (ativo!) de longe e ficamos frustradíssimos por não termos condições físicas de subir até a cratera e ver a lava: é uma subida de 4km na neve, cerca de 5 horas, ou seja, inviável para dois sedentários 😀

conformados, seguimos para pucón e nos entregamos à gula: o fer experimentou o prato mais famoso do chile, o curanto (escreverei um post sobre ele, pra cam) e eu comi o tal lomo a lo pobre (nosso filé a cavalo, muito bom).

dormimos no primeiro hotel de preço decente que encontramos perto da cidade, sem grandes exigências, e acordamos num jardim à beira do lago, lindo lindo lindo.

dia 12

optamos pelo passeio simples até o sopé do vulcão e depois paramos à beira do lago para um passeio de pedalinho em águas cristalinas e azuis, com vista para o vulcão. espetacular.

resolvemos dar a volta toda no lago, pra conhecer a região, uma grata surpresa: um dos caminhos mais lindos que já vi na vida, estradas de pedra com montanhas ao longe e muita água por todos os lados. descobrimos uma ponte pênsil sensacional, vimos cemitérios de árvores e o próprio paraíso na terra ali, à beira do vulcão e do lago.

dia 13

dormimos em chillán (um horror de hotel) e no dia seguinte compramos calcinhas e cuecas no supermercado porque não lavamos NADA na viagem. aliás, que calcinhas maravilhosas! comprei 4, uma de cada cor 🙂

viajamos mais de 300km e lá pelo meio do dia chegamos à vinícola miguel torres para a melhor refeição de toda a viagem: menu fechado com um vinho por prato. simples, prático e maravilhoso, ao som de… bossa nova 🙂

saímos de lá diretamente para o litoral e após uma penosa busca nos hospedamos num hotel de quinta categoria em viña del mar e dormimos o sono dos justos, apesar das mariposas e das toneladas de ácaros 😀

dia 14

acordamos e fugimos rapidamente do hotel-macabro, pensando em achar algum lugar melhor em viña del mar. o problema é que nenhum de nós simpatizou muito com a cidade, principalmente porque depois do nosso mergulho nas montanhas e no silêncio aquilo tudo parecia caótico, fedorento, úmido e barulhento. resolvemos conhecer a costa, paramos, tiramos fotos, descobrimos alguns preços e, apesar dos lobos do mar e dos pelicanos, não nos empolgamos em ficar por lá.

fomos para valparaíso, a cidade portuária. o pacífico é lindo, com várias vistas incríveis, mas preferimos voltar a santiago e conhecer algumas coisas mais, afinal não somos mesmo de praia…

depois de uma maratona em santiago para encontrar um hotel (foi difícil) nos deparamos com a pousada el salvador (irônico, ahn?) que de fato foi uma bênção nas próximas 2 noites (apesar dos 4 lances de escada para subir…)

descansamos e, pela primeira vez na viagem, fomos a um bar à noite, tomar cerveja, comer uma pizza e bater papo de bar. fomos a pé, o bar tinha boa música, cerveja gelada e decoração maluca, do jeitinho que eu gosto. uma boa noite pra chegar ao fim de uma bela viagem 🙂

dia 15

de volta a santiago, fomos visitar o centro da cidade: museu precolombino, galerias cheias de lojinhas (compras!), a catedral (linda, com imagens de todos os santos que eu conhecia e não conhecia) e o mercado central, com toda a oferta de peixes e frutos do mar que existem.

eu estava gripadíssima e não aguentei a jornada urbana com calor senegalesco: me entreguei ao sono de muitas horas pra recuperar as energias. essa noite foi só TV e preguiça…

dia 16, o último

amanheceu um dia lindo e azul e pudemos acordar um pouquinho mais tarde. fomos para o aeroporto, fizemos compras, pegamos filas e sonhamos com nossa casinha de volta durante o vôo. mãe e pai esperando no aeroporto, alagamento em SP, 2 horas pra chegar em casa… ah, nada como nosso lar! 🙂

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