« novembro 2005 | Main | janeiro 2006 »

dezembro 2005 Archives

dezembro 1, 2005

bruxarias & maldições

vi harry potter ontem e achei um monte de coisas:

1) eles estão crescendo, meu deus!
2) a hermione está cada vez mais linda
3) o tal do cedric é um gatinho, mas eu confesso que me apetece mais o krum :D
4) esqueci todas as histórias anteriores
5) acho que já gostei mais desse filme

e a mais importante de todas

6) EU ODEIO ADOLESCENTES NO CINEMA

**

depois do desabafo, a sério: por que adolescentes são tão chatos? por que eles não calam a boca? por que eles não param de tirar fotos dentro de uma sala de cinema sem graça nenhuma? por que eles ficam comentando tudo (durante o filme)? argh!

**

aí nós vimos semana passada um filme chamado "earthsea" (e eu não lembro o nome em português, mas era péssimo) que na sinopse dizia "uma mistura de senhor dos anéis com harry potter e c.s.lewis". e nós pegamos o filme mesmo assim, então merecemos vê-lo até o fim. péssimo, péssimo, sem noção. tinha uma escola de magia, os meninos maus e os meninos bons, aquela coisa toda. ah, e um dos magos-mores era o danny glover, coitado. e a boazinha-mor do filme era a isabella rosselini em fim de carreira, coisa triste de se ver.

**

teve uma coisa que eu amei no harry potter: o menino-mau virou o pastel (meu furão albino que se foi), e eu morri de rir, coisa maisi fofa. ele é muito melhor em formato de furão :D

**

já comprei quase todos os presentes de natal e estou feliz!

utilidade pública

glossário inglês/português de frutas e vegetais.

essa página aqui é absurda: lista de especiarias do mundo com foto, uso e nomes em tudo quanto é idioma que você pensar. tudo isso porque eu não sabia o que era thyme...

dezembro 2, 2005

dica boa de artigo

a beth me passou e eu adorei. artigo da rosely sayão, vejam um trecho:

"Num mundo individualista e que cultua a juventude, os pais pensam mais em si do que em sua responsabilidade educativa. Ter filhos sempre foi um anseio egoísta e idealizado, mas, nos tempos atuais, a idealização e a idéia de filho como projeto pessoal não têm cedido o espaço devido à realidade que é ter um filho e educá-lo. Conseqüência: crianças e jovens não têm sido poupados de situações pelas quais não deveriam passar e, por outro lado, têm sido aprisionados nesse amor "exigente" e egoísta." (leia o resto aqui da Folha)

o negrito é meu, pois confirma o que eu vivo dizendo: ter filhos acabou virando forma de ressuscitar uma vida de fracasso, dar sentido a vidas sem sentido, egolatria (o povo adooooora ver a própria cara na cara do rebento, mas ainda com chance de ser alguém na vida) ou solução pra solidão. colocar uma pessoinha melhor nesse mundo tá no finzão da lista...

dezembro 5, 2005

uma semana como outra qualquer

tudo começa assim: o marido viaja pra mais de 400km de distância. aí o chuveiro enguiça, a fechadura emperra e o furão cheira veneno de planta e sai babando feito cachorro louco pela casa. a pé, atravesso são paulo 40 graus de táxi com o bicho passando mal no colo. 2 horas e 200 reais depois, volto pra casa com a perna mole e amaldiçoando os demônios da segunda-feira. é, porque isso foi na segunda...

**

aí o chuveiro volta a funcionar (no morno) graças ao moço da 333-porto, e a fechadura também. o furão come e dorme, passa bem, os demais estão vivos e saltitantes. continuo tendo aulas da pós (que parece que já dura 2000 anos), fazendo trabalhos de última hora e tirando notinhas bem boas pra quem é completamente vagabunda. fala sério: 8,5 é nota de quem faz trabalho no dia anterior?

**

aliás, eu me sinto uma canalha quando faço trabalhos só lendo artigos que achei na internet. vejam bem, não é que eu ache que isso é ruim, afinal um artigo em papel é tão bom quanto um artigo em PDF, é que eu aprendi a fazer pesquisa em biblioteca empoeirada lá na FFLCH. sou uma dinossaura.

**

sem o marido aqui a casa nem parece que tem moradores, mal tem roupa pra lavar e coisas pra guardar. concluo que ele é a razão da minha vida e a razão da vida da faxineira também.

**

choro sempre um pouquinho uma vez por semana de saudade do pixel e fico querendo pedir para os membros da família que, caso morram antes de mim, cuidem do pixel e do pastel lá no paraíso. ué, é claro que tem que ter furão no paraíso, senão não seria paraíso, pô...

**

e é óbvio que eu vou pro paraíso, gente. quem aguentou as malas que eu aguentei nessa vida só pode ir pro paraíso; quem deu esmola pra vagabundo crescido só pode ir pro paraíso; quem aguentou os amigos budistas-malas alheios só pode ir pro paraíso, fala sério.
**

aí o marido voltou e tudo voltou ao normal, as crianças estão enlouquecidas como sempre e eu continuo por aqui cultivando minha meta de cumprir minimamente a minha MITD (Most Important Task of the Day). funciona assim: defina qual é sua prioridade 1 a cada dia e cumpra. é claro que num dia temos mais de uma tarefa, mas sempre tem uma essencial, e é essa que é importante cumprir. as demais, se não der, ficam pro dia seguinte. é bom, porque a gente garante que pelo menos 1 coisa importante do dia está feita e dá uma sensação muito boa de dever cumprido.

**

com vocês mais uma sessão de auto-ajuda-de-botequim. pela atenção, obrigada :)

dezembro 6, 2005

o natal chegando e eu virando árvore de natal

hoje é o dia da árvore de natal e eu não sei o que fazer... acho que vou improvisar e fazer uma pseudo-obra-de-arte horrorosa, sabe.

**

aniversário da julia, minha sobrinha. faz quatro anos hoje e diz que a partir do ano que vem ela ficará "velha", mas este ano ainda não. e eu, princesa, que faço 34 no ano que vem? me sinto com a idade da terra!

**

aniversário da tina também, que não sei quantos anos faz mas mesmo que soubesse não contaria -- a gente nunca deve brincar com a idade alheia, sabe? :) as meninas desse dia são assim: charmosas, geniosas e muito, muito mandonas. mas quem resiste a elas, meu deus? :)

**

chove chove chove e eu adoro. essa época é maravilhosa, as ruas ficam molhadas e o pneu do carro faz vooooshhhh. eu gosto.

**

eu fui na dermato da ana maria braga e reclamei da minha ruga de expressão entre as sobrancelhas. ela mandou colocar botox, meu povo. ninguém precisa de aniversário ou de mil velinhas pra se sentir velha, basta a necessidade do botox pra te lembrar que desde os seus vinte anos já se passaram 13 anos...

**

se eu vou colocar botox? não sei ainda. acho que sim, afinal todo mundo sabe que eu gosto mesmo é de tentar, se vai dar certo ou não é outra história. o pior que pode acontecer é eu não conseguir mais fazer cenho de brava -- o que aqui entre nós não é assim um grande problema :D

**

a cor da unha da última semana foi "quinta avenida", um rosa quase vermelho que é o máximo. para o bem ou para o mal eu não suporto manter a mesma aparência por muito tempo, seja cabelo ou unha. não consigo ficar com a mesma cor na unha mais de 10 dias, fico agoniada pra mudar. na semana anterior era branco (e eu estranhei muito, unhas brancas são de noiva, sabe?). sexta-feira é dia de mudar a cor e já estou sofrendo: que cor, meu deus? que cor?

**

falando em unhas, sou só eu ou a unha do indicador cresce mais que as outras? a unha do meu indicador esquerdo tá uma coisa absurda de comprida, eu fico digitando errado o tempo todo, credo...

**

eu costumo gostar de caixas tanto quanto gosto de presentes dentro delas. acho que sou uma alma de furão presa num corpinho de lontra gigante.

**

façam primeiro e eu explico depois: pensem pensamentos positivos, cruzem os dedinhos, acendam velas, incensos e façam simpatias.

**

o inagaki, que é a coisa maisi fofa, tá lá no endereço de blogger.com.br, disse que eu sou gurua dele. imagina? eu? esse menino bebeu, alguém acuda :D

*

e em breve, com vocês, o perupatolinha!

na madrugada -- música de dor de cotovelo

primeiro você me azucrina
me entorta a cabeça
me bota da boca um gosto amargo de fel
depois vem chorando desculpas
assim, meio pedindo
querendo ganhar um bocado de mel
não vê então que eu me rasgo
engasgo, engulo
reflito e estendo a mão
assim nossa vida é um rio secando
as pedras cortando e eu vou perguntando
até quando?
são tantas coisinhas miúdas
roendo, comendo
arrasando aos poucos o nosso ideal
são frases perdidas num mundo de gritos e gestos
num jogo de culpa que faz tanto mal
não quero a razão pois eu sei
o quanto estou errada -- o quanto já fiz destruir
só sinto no ar o momento
em que o copo está cheio
e que já não dá mais pra engolir
veja bem, nosso caso é uma porta entreaberta
eu busquei a palavra mais certa
vê se entende o meu grito de alerta
veja bem, é o amor agitando meu coração
há um lado carente dizendo que sim
e essa vida da gente gritando que não
(gonzaguinha, cantado pela maria bethania)

dezembro 8, 2005

dia de parabéns

aniversário do paulo e da paula, crianças que eu amo muito. mas vamos combinar que nascer no mesmo dia, ter o mesmo nome e depois CASAR é cafona demais, ahn? :D

dezembro 12, 2005

a verdade sobre o perupatolinha

vamos começar pelo começo: lendo o livro do steingarten descobrimos um prato no mínimo insólito, o perupatolinha. em inglês é turducken, uma combinação de turkey-duck-chicken, ou seja, peru-pato-galinha = perupatolinha.

o prato é mais ou menos assim: a galinha que recheia o pato que recheia o peru, e entre eles também tem recheios variados. como disse meu sogro, é uma mistura de pantagruel com sodoma e gomorra :) obviamente tivemos a tentação incontrolável de preparar esse prato demoníaco no nosso almoço pré-natal. mal sabíamos nós onde estávamos nos metendo...

segue um relato verdadeiro sobre a preparação e degustação desse prato absurdo. se você não foi convidado, não se preocupe: nós ligamos pra 2 ou 3 amigos somente, pois sequer sabíamos se o negócio ia dar certo, não dava pra arriscar ter 20 pessoas pra alimentar e um prato mal-sucedido.

**

08:30 da manhã de sábado
(trim-trim-trim)
-- fer, o despertador... que horas são?
-- 8 e meia (zzzz)
-- vamos dormir mais um pouco, mais tarde a gente vai na feira e compra as coisas e... (zzz)
-- (zzz) hm-hum

10:30 da manhã de sábado
(trim-trim-trim)
-- vamos, a gente ainda tem que comprar as coisas do perupatolinha!
-- (zzz) tá tá...

entramos na internet e procuramos as receitas, achamos 2 receitas bem completas mas um pouco diferentes. escolhi a que apresentava a lista completa de ingredientes logo na primeira página (cerca de 30 ingredientes diferentes). fui de novo pro dicionário procurar os nomes de temperos que eu não lembrava -- anotei tudo. fui procurar um conversor de pound para quilo e descobri que precisava de um peru de 7-9kg, um pato de 2,5-3kg e uma galinha de 1,5-2kg. desossados. hm.

pouco depois do meio-dia do sábado, na feira
na feira, 30 graus. a feira aqui tem ladeirinha, o que torna tudo mais complicado. na barraca das aves o moço avisa "tem peru e pato, sim, dona, mas acabou. se pedir com antecedência eu desosso e entrego em casa". considerando que 24h era nossa antecedência, fomos procurar alternativas. comprei algumas poucas coisas na feira, comemos pastel de café da manhã e resolvemos procurar uma avícola em busca do peru e do pato.

14:30 da tarde de sábado
o calor aumentava e nós já tínhamos rodado a liberdade, aclimação e cambuci inteiros à procura de perus e patos. entramos até em casa de aves -- que vendem animais de estimação e não alimento --, tamanho era o nosso desespero. nos avisaram que somente no mercadão acharíamos o peru e o pato (ainda assim com ossos). nós somos sem noção mas não ao ponto de ir ao mercadão num sábado à tarde, véspera de natal. desconsolados, saímos à esmo no bairro e decidimos ir até o extra da ricardo jafé -- se lá não houvesse o pato, desistiríamos.

15:00 da tarde de sábado, no extra
juntamente com mais 3 mil pessoas fomos procurar nosso alimento do dia seguinte. depois de árdua busca encontrei um pato congelado! fiz o ritual de agradecimento a deus pelo alimento caçado -- pois foi uma caça, acreditem -- e começamos a procurar o peru e a galinha. depois de chafurdar no freezer dos perus-gigantes (de 13kg para cima), conseguimos um peru de 8,5kg. procurei um franguinho pequeno, de 1,5kg e achei: frango caipira, com cabeça e pés e tudo. compramos o que faltava e voltamos pra casa esperançosos, afinal, desossar uma ave não deve ser TÃO difícil assim, não é?

16:30 da tarde de sábado, em casa
ok, vamos conferir a lista de compras: tudo aqui. o pato e o peru estão congelados, mas tudo bem, a gente deixa descongelar um pouco, vai dar tudo certo. imprimimos as receitas, achamos na internet um manual de desossamento de aves em 10 passos, vai ser moleza! mas antes, um detalhezinho operacional: nosso gás estava acabando! vamos nós atravessar a cidade pra pegar um botijão de gás na casa da minha mãe e o coitado do fer carrega gás pra cima e gás pra baixo.

20:30 da noite, de volta à casa
muito bem, tudo pronto pra começar -- e estaria tudo bem se eu não estivesse podre, acabada, destruída. eu poderia muito bem ter dormido naquela mesma hora, mas não: todo um processo industrial de elaboração de recheios para o perupatolinha me aguardava.

colocamos o notebook na bancada da cozinha pra poder usar o santo google e encontrar dicas de desossamento, temperos e molhos e começamos o processo de preparar recheios e desossar as aves.

20:44 da noite, iniciam-se manifestações sobrenaturais
desossando o frango, o fer afirma que a cabeça degolada do frango falou com ele.

23:30 da noite, ainda na cozinha
tudo cheira a pato cru, salsão e açafrão. eu tenho certeza absoluta de que nunca mais vou comer nada na vida, principalmente carne. o fer sua em bicas, brigando com o pato, além de morrer de rir com o meu estado deplorável de sono. a verdade é que depois das 21:30h eu já não sabia nem meu nome, não conseguia diferenciar tomilho de alecrim e esquecia o que estava fazendo de 10 em 10 minutos. eu olhava aquele monte de comida e tinha vontade de chorar -- não havia um lugar sequer na cozinha que não estivesse coberto por panelas ou travessas cheias ou sujas. cebola, pimentão, salsão, pimenta, temperos, pele de pato, cabeça de frango, miúdos, sangue dos bichos espalhado na pia. as carcaças já retiradas ferviam num panelão no fogo e soltavam uma espuma que parecia de pano de chão sujo. minha mão cheirava a alho e páprica doce e as minhas unhas estavam completamente imundas de farelo de broa de milho.

01:30h da madrugada na cozinha do inferno
eu já não tinha mais condições de ficar em pé. minhas pernas doíam e eu fiz promessa de virar vegetariana para sempre depois de ver o pato e o frango desossados e abertos em cima da pia. o peru permanecia lá, inteirão e parcialmente congelado, sem chance de ser desossado. os recheios estavam prontos (embora eu não tenha experimentado absolutamente nada, nem pra ver o sal -- lembram da idéia de nunca mais comer nada na vida?) e o fer decidiu colocar o peru de molho para descongelar e trocar a água de hora em hora.

sim, percebam o problema: o carro alegórico montado devia ir ao forno no máximo às 6:30h da manhã. 1 e meia e o peru ainda estava congelado. acho que foi nessa hora que nos demos conta que o perupatolinha tinha sido nossa idéia mais idiota até hoje.

tomamos banho de bucha pra ver se o cheiro de pato saía. não saiu.

02:30h, 03:30h, na cozinha
o fer acordando para trocar a água do maldito peru.

04:30h, na pia ensanguentada
o fer acordando para desossar o peru desgraçado.

05:20h, no quarto
o fer me acordando para ajudar a montar o carro alegórico.

quase chorando eu levanto e dou de cara com aquele bicho do tamanho de um cachorro aberto na pia. meu estômago deu 3 pulos, mas eu resisti. estica o peru na pia, coloca o primeiro recheio. o recheio me parecia cimentcola, mas o fer experimentou e achou bom (eu não acreditei, tinha certeza que ele estava dizendo aquilo pra me consolar). coloca o pato e mais cimentcola de outra cor. coloca o frango e mais um pouco do primeiro cimentcola. e aí, mal sabia eu, é que veio a pior parte: abraçar o peru pra poder costurar a barriga.

eu jamais faria medicina justamente porque a idéia de corpos sangrentos abertos, peles e pedaços não me agrada. o fer foi caçar uma das minhas agulhas gigantes de costurar lona e um barbante. com visível pena de mim, pediu que eu "abraçasse" o peru pra ele poder costurar as três aves juntas. lá fui eu, abraçando o peru-dos-infernos enquanto ele se divertia furando o bicho e costurando -- e eu ajudando a segurar os "pontos". estava ruim, é verdade, mas comprovei que tudo pode piorar: ele chegou ao fim do peru e o cu do peru (sabe aquele rabinho, que é o cu da ave? ali) estava praticamente solto. eu tive que segurar o cu do peru pra ele costurar, enquanto ele se ria muito, dizendo que poderia virar até proctologista, vejam vocês.

depois do que me pareceu um milênio o processo acabou e ele virou o peru -- o que me proporcionou imenso alívio, pois ele até parecia um peru normal. nesse momento o meu adorado marido se vira e diz assim: "esse foi nosso caminho de santiago de compostela; essa experiência mudou minha vida! você não se sente uma pessoa melhor? :D". e eu, falando sinceramente: "eu sinto que vou vomitar".

06:20h, na cozinha asquerosa
chão imundo, pia imunda, fogão imundo, o cheiro onipresente do pato. colocamos o monstro no forno e fomos conferir a receita: "asse a 95 graus por 8h". olho para o meu super-mega-forno e o mínimo é 160 graus. fudeu. rimos risos histéricos -- esqueci de contar que os risos histéricos começaram por volta das 23h da noite anterior, repetindo-se constantemente sem motivo aparente -- e fomos procurar uma solução. sem neurônios suficientes para pensar melhor, colocamos o espremedor de batatas segurando a porta do forno ligeiramente aberta para abaixar a temperatura e fomos dormir depois de lavar as mãos com 2 litros de detergente de limão.

07:30h e 09:30h do domingo, na cozinha dos infernos
o fer acordando para observar o peru maldito.

11 horas da manhã do domingo, dormindo
minha mãe liga e o fer atende: "oi, fer, já acordou?" e o fer "ah, vera, eu nem dormi...". ela riu, achando que era brincadeira.

eu resolvi levantar e arrumar a bagunça do dia e noite anterior, deixei o fer dormir. olhei o peru (que já assava há mais de 4 horas) e me apavorei: estava ainda branco! liguei pra minha mãe, desesperada. ela riu e me mandou colocar papel alumínio (tarefa que não foi das mais fáceis) e deixar mais 1 hora. fiz e deixei. meio dia, depois de lavar as 18 panelas, 10 travessas, 60 talheres e 12 pratos escutei um chiado no forno -- a forma estava praticamente transbordando de gordura.

"ahhhhhhh!!!!!" eu gritava pela cozinha. acredite, eu gritava mesmo. peguei uma concha e uma panela e comecei a tirar o caldo. nessa hora o fer acordou e veio me ajudar, é claro, afinal parecia que eu agia para salvar minha própria vida. tiramos o papel alumínio, deixamos mais 1 hora e depois da oitava hora o peru descansou -- mas nós não.

meio-dia de domingo, arrumando a casa
meu pai me liga.

pai: e aí, como é que é o prato mesmo?
eu explico.
pai: mas vocês vão comer o qüênco(*)??
eu: sim, papi, ele já tá dentro do peru!
pai: mas sem o bico, né? (com voz de triste)
eu: ah, sim, papi, já vem sem o bico...
pai: ah, então tá bom... (aliviado)

(*) qüênco = pato, no idioma do meu pai

14 horas da tarde do domingo -- os anfitriões zumbis
sei que fiz arroz, purê de batata doce, salada de agrião e tomate, salada de salsinha (receita da nigella) e sagu de lambrusco com chantilly e calda de framboesa. não me perguntem como, minhas lembranças do domingo são poucas e nebulosas. lembro que depois das 3 da tarde eu sentia fome finalmente e fui até capaz de comer o tal do perupatolinha, e olha: é bom. os convidados disseram que ficou MUITO BOM, mas eu tenho a perspectiva, sabem? depois de tanto sangue suor e gordura de pato acho que nada menos que a ambrosia dos deuses me faria sentir recompensada.

o fer tinha razão: a preparação desse prato constrói o caráter, como diz o pai do calvin, e nos deixou mais fortes. fiz absoluta questão de que todos se sentassem à mesa ou ficassem ao redor dela para o momento do corte do peru. avisei a todos que o momento era solene, pois jamais presenciariam outro perupatolinha feito pelas minhas mãozinhas detonadas pelo alho, sal e cebola. sentamos e comemos pantagruelicamente, como previu meu sogro. um prato que serviria bem 20 pessoas foi des-tru-í-do por 10.

a única coisa que compensou foi a felicidade do fer, que foi de fato o grande herói da jornada. a ele dedico a glória desse prato que só pode ter sido inventado pelo canhoto, amém.

dezembro 14, 2005

após a tempestade...

bom, chegou a quarta-feira e já me sinto em condições de voltar a escrever. decidi até traduzir a receita do perupatolinha -- aguardem!

**

fomos ver as crônicas de nárnia. apesar de ter adorado o aslam, me decepcionei com o filme. algumas coisas são claramente malfeitas e não me convenceram. o livro me encantou muito mais, apesar dos pesares... mas a feiticeira branca ficou TUDO!

**

gente, o bazar de sábado, não esqueçam!

convitebazarnatal.jpg

**

vimos semana passada o exorcismo de emily rose -- morri de medo e adorei o filme.

**

já gastei o que tinha e o que não tinha de dinheiros esse mês. não vejo a hora de acabar o ano e eu voltar a ganhar dinheiro ao invés de gastar :D

**

sabe o que eu percebi ontem, tipo de repente? que eu nunca fui de sair "pra paquerar". não exatamente por timidez ou preguiça, mas porque só consigo identificar 3 estados amorosos-emocionais da minha pessoa: apaixonada-comprometida, apaixonada-tentando-se-comprometer e nem-chegue-perto-de-mim-seu-idiota :D então essa história de procurar ficante ou namorado ou coisa assim simplesmente não faz sentido pra mim. eu sempre saí pra beber, conversar e me divertir, nunca teve muito a ver com namorados ou coisa afim.

**

a verdade é que as coisas sempre aconteceram meio que sem querer comigo, sem lógica aparente. eu já fiquei (depois de adulta) por quase 3 anos sem absolutamente nenhum contato minimamente sexual com outros seres. e tudo bem, eu não estava fazendo muita questão, na verdade, acho que até por isso não rolava nada. não sei se os homens apareciam quando eu resolvia que queria alguém ou se eles apareceram e eu mudei de idéia :) fato é que nunca houve uma gota de preocupação na minha pessoa sobre ser ou estar solteira. talvez por isso eu ache "sex and the city" tão absolutamente chato: aquelas super-poderosas solteiras só pensam em uma coisa -- se arranjar com um homem.

**

ironicamente eu sou uma mulher que se casa ao invés de namorar, como as pessoas normais. eu já caso, mudo e quero ter filhos (e os coitados que se apaixonam por mim embarcam nas minhas viagens, pobre deles)

**

o fer, pra completar, já se declarou praticamente uma lésbica, nesse sentido -- depois do 2o encontro ele já leva a mudança. ou seja, juntamos a fome com a vontade de comer e somos o casal mais grudento do hemisfério sul.

**

amigo secretos são OK pra mim, mas tem uma coisa que eu odeio: limites de grana para comprar presentes. eu não compro os presentes pelo preço, cacete. pra um eu dou presente de 10 reais e pra outro de 100 reais. o mais caro é necessariamente melhor? que diferença faz o preço? enfim, a minha amiga secreta (que eu amo de paixão) vai ganhar um presente de 110 paus numa brincadeira com limite de 60. vou mentir sobre o preço, é claro.

**

e quando as pessoas me pedem pra dizer o que eu quero ganhar? se fodem. eu só peço coisa pentelha de achar, e a pessoa vai ter que sair atrás. CD, livro e DVD, por exemplo, só podem ser dados se eu pedi, porque temos pilhas e pilhas aqui em casa, com quase tudo que gostamos. mas qualquer DVD da disney me faz feliz e eu ainda não comecei a comprar minha coleção. aproveitem :D

**

eu vou numa festa dos anos 70 com o fer e já estou rindo antecipado: eu vou no melhor estilo dancing days e ele vai de hippie, com peruca, bata, colares e óculos gigantescos. se a festa vai ser boa eu não sei, mas as fotos...

**

e pra quem não leu o meu comentário no post anterior, eu repito: perdão, mas não temos fotos do processo de preparação do perupatolinha. não há a menor chance de quem prepara tirar fotos, acreditem em mim. a máquina ficaria inutilizada. além disso, nem lembramos que existem máquinas no mundo naquela noite. temos foto do peru pronto, pra provar que ficou bonito!

**

passaremos natal e ano novo em sampa city, felizes e tranqüilos. é meu maior desejo de natal e ano novo: paz!

**

sinto falta do pixel, sabe? mas o espírito dele não nos abandona: continua assaltando a geladeira na madrugada, misteriosamente. o corpinho dele se foi, mas o apetite não.

dezembro 15, 2005

a foto do crime

aqui vai a foto do bicho pronto e cortado:

para ver mais, aqui. aproveite e veja as fotos do groo, que ele tá lindão!

dezembro 18, 2005

em partes, senão eu *BUM*

vimos king kong e eu choreeeeeei. não é a coisa mais fofa aquele macacão? eu já amava muito a história, mas essa refilmagem arrasou. muitas coisas pra escrever sobre essa história, mas não agora.

**

vimos sr e sra smith e eu adorei. pra mim se confirma o talento do brad pitt pra ser engraçado e a falta de talento da angelina jolie como atriz. não se discute o quanto ela é linda, mas sinceramente, como atriz ela só sabe fazer o papel dela mesma.

**

acho que hoje pela primeira vez na vida eu tive idéia do que é se sentir deprimido. uma série de desventuras (parodiando o filme) acontecendo durante meses a fio acho que pesaram sobre mim. essa semana nem começou e eu estou rezando pra que ela acabe.

**

essas chuvas gigantescas, o vento forte e as mudanças súbitas do verão são tão maravilhosas que não dá pra explicar. não sei quando foi que comecei a gostar mais do caos que da ordem, mas é recente e divertido.

**

cantei com a má e a beco uma música num casamento que aconteceu no terreiro de umbanda da minha madrinha, onde meus pais se casaram há mais ou menos 33 anos (há controvérsias -- meu pai acha que foi antes do meu nascimento, minha mãe acha que foi depois; nenhum dos dois tem certeza). o fer, que nunca tinha ido a um terreiro, foi inteiro de preto. tudo bem, se ele não tivesse sido chamado pra ajudar na cerimônia, por ser alto. foi engraçado ele todo de preto no "altar", no meio das pessoas descalças de branco.

**

isso é a cara dos meus pais: arranjaram um pai e mãe de santo pra batizar os 2 filhos na igreja católica, já que as avós insistiam muito. queria ver a cara delas nessa cerimônia...

**

sabe quando o dinheiro acaba? é tipo isso.

**

acabamos de ver overman no adult swim, continua tão nonsense quanto sempre. diz que vai ter cartoons brasileiros do angeli, glauco, adão, laerte e caco galhardo. não é o máximo?

**

vou ver a almôndega, com licença. ah, e pensem pensamentos positivos pra mim, por favor.

dezembro 20, 2005

inseticida

gente, juro por deus que não tenho consições de escrever nada. acho que é tanta coisa que tá acontecendo ao mesmo tempo que eu não consegui ainda absorver tudo -- fim de ano acaba com a gente, pára tudo que eu quero descer!

prometo escrever mais depois de passadas as tais "festas". atualmente eu ando com piti porque não dá pra sair mais nas ruas dessa cidade, pra todo lado tem um mar de carro e de gente, brotando que nem barata do esgoto. não vejo a hora de janeiro chegar...

até lá, até.

festa a fantasia, 2001

desenterrei as fotos e achei essa foto da marina (irmã do gui e minha irmã também, claro):

não é o tomate maisi foto do mundo? mais fotos aqui.

dezembro 21, 2005

o natal se aproxima, então, não se aproximem de mim

comprei todos os presentes com antecedência, como sempre, porque sou uma pessoa organizada e que adora comprar presentes. mas eu sempre deixo os embrulhos e bilhetes pro fim, no caso, pra hoje. aí foi assim: comprei papel de presente, fitinhas, envelopinhos, tal. coloquei os presentes toooodos em cima da minha cama e fui começar... aí apareceram 5 furões e:

- roubaram 2 presentes
- rasgaram os embrulhos já prontos de 4 presentes
- destruíram um dos papéis de presente
- roubaram o durex
- sumiram com a tesoura
- morderam meu pé 5 vezes

louca, coloquei os 5 pra fora e voltei. agora eles estão do lado de fora arranhando a porta e eu estou aqui desolada sem eles.

**

são só mais 3 diazinhos, só mais 3!

**

e, como quem não quer nada, conto pra vocês que na segunda-feira assinamos o contrato do nosso primeiro apartamento. compramos, meu povo, nosso primeiro ap da vida :) fomos lá hoje com meu pai para começar a reforma. ele é antigo, grandão (maior que o atual), 12o andar e uma vista linda da cidade, janelas pra leste e oeste. é aqui pertinho de onde moramos hoje, no cambuci. alegrem-se por nós, pois estamos muito felizes (apesar de totalmente pobres)

**

minha mãe combinou de assar um peru pro natal, vamos passar na casa da nossa tia. vocês imaginam, depois do perupatolinha, se eu quero MESMO ter um peru assando na minha cozinha?

**

essa é a época de fazer promessas, listas de desejos para o próximo ano e coisas assim. não vou fazer diferente, aqui vai minha listinha de 10 desejos pra 2006:

- emagrecer 25kg (ok, podem parar de rir agora)
- ter um filho (e não engordar os 25kg de volta)
- fazer muitos almoços para os amigos no ap novo
- ganhar maaaais dinheiros
- me realizar mais ainda no meu trabalho
- terminar a pós e começar o mestrado
- estudar espanhol
- viajar pra qualquer um desses lugares: sicília, escócia e irlanda, noruega e finlândia, turquia / romênia / polônia / rússia, jalapão, peru, chile
- continuar tão feliz quanto já sou com meu casamento e minha família

ah, vá: fora o primeiro é tudo absolutamente factível :D

**

eu pintei as unhas de branco de novo, ficou a coisa mais fofinha. minha mãe acha chique; eu acho prático -- se lascar ninguém repara.

**

sabe uma coisa que eu detesto? pobreza de espírito. tem gente que mesmo com muita grana é sempre pobrezinho de espírito e de gosto, curte coisas cafonas, feias, é chegado num excesso-tipo-motel-de-quinta. como diz minha mãe, eu devo ter sido trocada na maternidade: nasci pobre e não sou rica, mas não herdei a cafonice. e de cafonice eu entendo, viu? casamento, batizado, aniversário na minha família é aquela cafonalha profissional: tias gordas de vestido de viscose, primas magras de vestidos da 25 de março, crianças de cabelo mal cortado comendo como se o mundo fosse acabar e muito salpicão no pratinho de papelão e espetinho de filé de gato.

aliás, se um dia eu servir alguma coisa em pratinho de papelão e talheres de plástico, podem me abater a tiros porque a pomba gira me possuiu.

**

e não adianta: detesto estampa xadrez (seja pra roupa ou pra móveis), abomino TV na sala, gosto de tomar bebidas nos seus copos adequados (copo de requeijão é só pra tomar água na cozinha), usar xícara, ter toalhas de banho combinando com toalhas de rosto (mesmo que não sejam do mesmo tipo ou cor -- precisam combinar), ODEIO sapatos de couro falso, não uso toalhas de mesa de plástico (a praticidade que se foda -- é cafoníssimo), gosto de guardanapos (de papel, bem bonitos; os de pano eu acho um tanto anti-higiênicos)

**

gente, o que é uma pessoa que economiza em guardanapos, alguém me explica?

**

pra quem ainda não sabia, muito prazer: eu sou uma chata :) e caso eu não tenha paciência ou tempo de escrever antes do natal, os queridos sintam-se beijados e abraçados; os não-queridos podem se sentir ignorados, mesmo.

dezembro 23, 2005

um natal diferente

é claro que nós não poderíamos ter um pinheirinho verde, né? nós, nossa árvore anos 80 e os pôsteres do escher desejamos a todos vocês queridos que me lêem um natal maravilhoso!

que amanhã seja um dia de acordar de manhã e se sentir feliz por estar vivo; que o melhor presente seja estar junto aos que vocês amam; que as lembranças de amanhã sejam somente as boas; e principalmente que possamos levar um pouco dessa alegria do natal para todos os outros dias da nossa vida.

como promessa para o próximo ano, que tal perceber um pouquinho de natal em cada dia?

beijos grandes :)

dezembro 27, 2005

entressafra

o que é a semana entre o natal e o ano novo, não é, minha gente? fico com a impressão de que só eu estou trabalhando...

**

saldo do natal: almofadas bordadas (laranja e amarelo ouro) LINDAS para o apartamento novo; vaso solitário verde-alface, lindíssimo; havaianas da série "quadrinhos" (a minha é do caco galhardo); anel de acrílico vermelho com flores; apartamento novo (foi o presente que eu dei pro fer e que aliás ele me deu também :D)

**

eu esqueci do saldo de sempre: jantar gostoso, com a família, marido, sobrinha, cachorro e etc. o mais gostoso é ver a pequena brincando com a polly que eu dei pra ela. é tudo essa boneca, não é?

**

eu sei que não contei pra vocês, mas guardei a gordura que tirei do perupatolinha, durante o período de 8h de forno. tá na geladeira, num vidrão de palmito. usei a gordura pra fazer farofa e, gente... um arraso. aquele negócio deixa até chuchu saboroso.

**

eu releio muito o que escrevo, seja aqui, nos emails ou no papel. não sei se mais alguém é assim, mas me leio como se não fosse eu que tivesse escrito, dialogo comigo mesma em silêncio. sempre que faço isso encontro surpresas, pequenas mentiras, viagens e tal. mas encontro também verdades: descobri que de fato eu pratico algumas coisas que falo, como por exemplo ver todos os dias como se fosse um pouquinho de natal. jamais deixo de acordar de manhã e me espantar com o milagre que é a vida. pode parecer piegas, mas é simples demais: as cores, cheiros, surpresinhas, a luz da manhã (e da tarde, e da noite) é incrível! as plantinhas brotam e morrem, os animais têm orelhinhas lindas e olhos que olham pra gente. não é incrível?

**

jamais deixo a casa de manhã sem dar um beijo de bom dia no fer e dizer o quanto eu o amo. o mesmo vale pros meus pequeninos furões. não há de ser por falta de expressão que meus amores vão morrer.

**

e vocês não sabiam que amores não expressos morrem? ou matam, é verdade.

**

tem um desejo para 2006 que eu nem tive coragem de colocar na lista, de tão importante que ele é. acho que de certa forma assumi que eu TENHO que fazer isso: exercícios regulares. estou me sentindo uma grande e gorda lesma, me arrastando leeentamente.

**

eu não estou nem um pouco precisando de férias, sinto pique total pra continuar trabalhando loucamente, mas semana que vem estou de férias do trabalho para cuidar da reforma do apartamento novo. comprar piso, azulejo, tinta, torneiras, cubas, pias, tudo que uma casa precisa. poucas vezes na vida me senti tão feliz em cuidar da casa. como é bom ter a NOSSA casa e fazer dela exatamente o que a gente quer, né? sabe aquela coisa de pegar revistas chiquésimas de decoração e explicar: "eu quero isso"? estou assim, e me sentindo ótima.

**

só tem uma coisa que tá me incomodando: a iminência da mudança. não a mudança no sentido das coisas se modificarem, é o transporte de coisas de uma casa pra outra que me apavora. sempre quebra alguma coisa, sempre some alguma coisa, eu sempre fico um trapo. tou com medo!

**

enquanto o fer tá fora, visitando a família, eu sobrevivo de café com leite, pão com requeijão e nesfit. ultimamente ando com uma preguiça monstra de cozinhar, acho que o pereupatolinha me traumatizou.

**

e o que será de mim, 1 mês sem nossa (como diz o fer) mãe? enquanto eu estou aqui em meio à reforma e mudança ela está na praia, cuidando do jardim dela. vou fugir!

**

vocês vão se divertir muito, em breve: fizemos fotos do apartamento "antes" da reforma, e em mais uns 20 dias colocaremos o "depois". tipo extreme makeover :)

**

não liguei pra ninguém no natal. acho que meio cansei de sempre ligar pra todo mundo e só os mesmos ano após ano se dignam a pegar o telefone e ligar pra mim (hello norbies, hello fá :)). claro que aqueles com quem falei antes pra dar feliz natal não contam, né... e antes disso virar reclamação, vamos lá: não faço 100% de questão que me liguem pra dizer coisinhas boas (apesar de ser uma delícia), mas é que antes eu me sentia na obrigação de ligar pra todo mundo, sabe? hoje relaxei, e é isso. os amigos que querem falar comigo têm meu número e dedinhos pra discar :D

**

comprei papel preto e caneta dourada pra fazer bilhetes. não é a coisa mais adolescente do universo? não sei de onde vem essa minha tara por canetas, papéis, lápis e coisas de papelaria.

**

auto-recado de ano novo:

temos muito ainda por fazer
não olhe pra trás --
apenas começamos.

o mundo começa agora
apenas começamos.

(metal contra as nuvens, legião urbana)

dezembro 30, 2005

um ano especial

todo mundo tem coisas pra reclamar todo ano, vá. eu não sou diferente, mas pensando muito muito, a única coisa que foi ruim este ano foi a morte do pixel. ainda assim, tenho absoluta certeza que a vidinha dele (e também a morte) cumpriram seu papel maior. eu não sei qual é esse papel, e não me importa saber; sei que me tornei alguém muito melhor graças a ele, e sua morte despertou em mim algo que eu procurava -- em vão, pois sempre procurei com a cabeça e não com o coração -- e não encontrei senão na noite em que ele se foi: a fé.

este ano eu saí de um emprego ótimo numa gigantesca multinacional, ocupando um cargo de gerência e ganhando relativamente bem. saí sem saber o que fazer direito -- eu só sabia que ali não era o meu lugar. eu sentia um grande incômodo com o papel que este tipo de empresa faz no grande esquema das coisas -- poluição, capitalismo mais que selvagem, competição agressiva. tudo aquilo que eu um dia na vida achei normal e que, de repente, se tornou inaceitável. quanto mais a mulher dentro de mim vem à tona, mais eu me incomodo com o mundo tão masculinizado das grandes corporações e das políticas empresariais. disse um "não, muito obrigada" à oferta do mercado e fui procurar minha turma.

achei. não digo que é um mar de rosas, pois nunca é, mas posso afirmar que nunca estive tão feliz com um trabalho em toda minha vida. eu posso estudar, ler, usar meu tempo como eu achar melhor, tenho desafios e problemas pra resolver. é tudo o que eu sempre desejei e não sabia.

novas criaturinhas furões apareceram na minha vida e eles são sempre milagrinhos. não canso de observá-los e amá-los em (quase) silêncio.

minha família está mais próxima que nunca, somos mais família hoje do que quando morávamos todos na mesma casa. a maturidade nos fez bem a todos, acho que aprendemos a conviver e a amar melhor.

meu casamento se consolidou, depois de 2 anos e meio (o recorde de casamentos formais e informais de ambas as partes:)) e parece que nos apaixonamos ontem. o convívio é cada vez melhor, as brigas cada vez mais curtas e esparsas. novamente, acho que aprendemos mais um pouco sobre respeito, compaixão, amor e rotina. ela, a rotina, nos mostra claramente o que em nós é pior e melhor, mas cabe a nós tomar a iniciativa de mudar, querer ser alguém cada vez melhor. temos nos empenhado e, não tenho dúvidas, somos melhores que há 1 ano.

ganhamos muito dinheiro e gastamos absolutamente tudo. me arrependo de alguns descontroles, mas sei que mais dinheiro virá, como sempre vem. essa é a vantagem de não viver pra ganhar dinheiro: não nos tornamos tão dependentes dele. ganhar dinheiro (eu acredito nisso com muita fé) é conseqüência de realizações. não importa se é muito ou pouco, a gente se vira sempre com o que tem. dinheiro foi e sempre será pra mim um meio e não um fim.

mas esse é um ano especialmente memorável porque foi ao finalzinho dele, quando já achávamos que não ia acontecer mais, que finalmente conseguimos comprar nosso primeiro (e único) apartamento. compramos exatamente o que queríamos, escolhemos e batalhamos. foram 6 meses de espera, negociação, preocupação, mas hoje estamos no meio de uma reforma infernal que vai nos levar, no início de 2006, a morar na nossa casa, com a nossa cara. é muito dinheiro investido, é muito suor, preocupação e trabalho, mas olha: vale a pena.

sei que há muitos que não se importam em ter sua própria casa (e eu achava que era assim também), mas para pessoas como nós, que só se sentem realmente completos e felizes quando estão na sua casa, comprar uma casa é um sentimento muito reconfortante. não estou falando de possuir um imóvel e não morar de aluguel -- isso é racionalização pura. falo de ter sua toca, seu lugar onde se esconder, onde lamber suas feridas e dormir sua noite de sono em segurança. venho me tornando, nos últimos anos, uma criatura de toca. gosto de sair para a rua, viajar, mas voltar é, sem dúvida, a melhor parte da viagem.

em resumo: 2005 vai embora, e é sempre bom que as coisas acabem. adoro inícios, talvez por isso goste também tanto de finais, sejam felizes ou não.

e pra quem é de mensagens de fim de ano, aqui vai a minha, ou melhor a dele:

Act as if what you do makes a difference. It does.
william james (1842-1910)

About dezembro 2005

This page contains all entries posted to zel v3.4 in dezembro 2005. They are listed from oldest to newest.

novembro 2005 is the previous archive.

janeiro 2006 is the next archive.

Many more can be found on the main index page or by looking through the archives.

Powered by
Movable Type 3.33