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Archive for outubro, 2017

pollyanna senhora

outubro 20, 2017 Leave a comment

Quando a pessoa é Pollyanna, não tem salvação.

 

Hoje eu devia ter acordado às 6:45 pra estar em Campinas às 8h e deixar meu carro na revisão. Acordei, no susto, às 7:53.

 

Mas volta, tem prólogo: viajo sábado pro México, a trabalho, e vou sozinha com meu carro pro aeroporto, deixo ele lá até a volta, que é mais barato. Só que me toquei que meu carro precisava ir pra revisão de 25.000km, senão eu perco a garantia dele. Fazendo a conta, ONTEM, eu conseguiria levá-lo pra Campinas pra revisão e sobrava só 12km. Caso não houvesse nenhum imprevisto, ia dar certo.

 

Vamos em 2 carros pra Campinas, deixa um lá, volta. Pega o carro #3 (que ainda tá à venda), e vai de boas.

 

Eu tinha reunião em SP às 9h, então não dava tempo de chegar lá mas eu podia entrar por telefone e ia adiantando até chegar no escritório.

 

Volta pras 7:53, sendo que devia estar em Campinas com 2 carros às 8h. São 30min pra chegar.

 

Toma banho correndo, come qualquer coisa correndo, sai correndo. Erra o caminho dentro de Campinas (muito bem, Flipper!), pega trânsito, gasta os km de reserva e chega faltando 8km pra perder a garantia. Às 8:45. Ufa.

 

(Sorte #1. Vamos contar!)

 

Volto, brigo com Otto pra ele se vestir e sair com o pai, junto tudo que queria levar pra encontrar a Denize pra uns drinks mais tarde, fui.

 

Eu ia perder a reunião das 9h, mas o cliente cancelou faltando 5min pra começar.

 

(Sorte #2)

 

O carro tava de tanque vazio, tive que parar pra encher. A reunião das 10h eu também não ia chegar a tempo, mas quem tem amigo tem tudo (Sorte #3) e um deles foi pilotando a reunião enquanto eu ia falando no telefone. Deu tudo certo e acabou antes.

 

Cheguei em SP, encontrei amigos, clientes, a reunião cancelada foi replanejada e aconteceu — cortaram 50% do meu orçamento de projetos pra 2018 😱😱😱

 

Quebramos a cabeça mas achamos formas de manter o mínimo, pra sobreviver com o que tem. O almoço foi bom, com amigos, desejando boa sorte pra amiga que vai pra outra fase da carreira.

 

(Sorte #4)

 

Chegamos na sala depois do almoço e o ar-condicionado tava por um fio pendurado na parede — não sei como não caiu. Tudo molhado, parede arrebentada, caos. Nada foi quebrado nem danificado, todos sãos e salvos.

 

(Sorte #5)

 

As reuniões da tarde encavalaram e atrasaram todas. Mil discussões sobre custos, malabarismos, conversas difíceis. Consegui dar andamento em tudo.

 

(Sorte #6)

 

Eu tinha um compromisso que queria muito ir, na AMCHAM, mas as reuniões se estenderam pra além do horário normal, e quando eu podia já sair o trânsito de SP estava absurdo — +1h pra chegar no meu destino, já estaria no meio do evento. Desisti de ir. Fiquei trabalhando mais um pouco e combinei com a amiga de ir então jantar e tomar alguma coisa mais cedo.

 

(Sorte #7)

 

Saindo antes dos amigos, que ficaram mais um pouco, chego no carro e… ele não liga. Bateria morreu. Ligo pro Fer, temos seguro, beleza, qualquer coisa chamo guincho. Os meninos vêm me ajudar e era bateria — os três (os 3!!!) tem cabos de recarga no carro, e resolvem meu problema em 5min.

 

(Sorte #8)

 

Mas não posso mais desligar o carro, pois a bateria pode estar 100% zoada. Os planos com a amiga vão pro espaço, mas como ela mora a 10min do escritório, passo lá pra entregar presente, jabuticabas do pé de casa, dar beijo e abraço e levar minha caveira arraso. Tudo sem desligar o carro. E ainda dou carona pro Marcio, que se deu bem 🙂

 

(Sorte #9)

 

Fer conseguiu pegar meu carro no horário programado, e buscar o Otto na escola. O trânsito na saída de SP estava ótimo. Dirigi tranquila (quase) sem percalços, não precisei desligar o carro e cheguei (quase) sã e salva, às 20h, e tinha janta.

 

(Sorte #10, que dava fácil pra virar 11 né)

 

**

 

Eu fiquei, enquanto dirigia, pensando na quantidade de erros do dia, no tanto de coisa que deu ruim, e só conseguia pensar “mas caramba, podia ter sido pior! Olha que sorte eu tive aqui e ali e…”

 

Sou otimista incurável. Até de mau humor eu sou otimista.

 

E ainda pensei — “olha que sorte que temos 3 carros né? Ainda bem que não vendeu ainda”.

 

Não tenho salvação 😂😜

 

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a arte salva

outubro 16, 2017 Leave a comment

Sou artista de coração — embora nunca pudesse ser de profissão, já que me falta talento — e não consigo enfatizar o suficiente a importância do aprendizado das artes na minha vida.

 

Sou uma pessoa bem melhor por ter estudado música, teatro, poesia e história da arte.

 

Mesmo não sendo artista, sinto o efeito transformador da arte na minha vida, personalidade, humor e caráter.

 

Comecei a estudar música com 9-10 anos, e me lembro perfeitamente da sensação de felicidade que me trazia a prática do instrumento. Não precisava tocar bem — só tocar já era um processo de limpeza, uma mudança na minha vibração interna. A música me salvou em vários momentos difíceis da adolescência. Se me sentia triste, tocava e passava.

 

O teatro então, nossa, como me modificou. Aprendi a trabalhar em equipe, a enfrentar medos, a CONFIAR. Aprendi também a improvisar, aceitar os erros, tirar proveito deles.

 

Com o canto aprendi a respirar e ouvir a minha própria voz (que eu não conhecia; que eu escondia e modificava). E aprendi a ouvir também.

 

Tocando e atuando com outras pessoas aprendi a colaborar, a soar junto, a harmonizar. Não existe nenhuma faculdade nem curso nem coaching que ensinem isso. É um nível de atenção e respeito que só se aprende fazendo, errando e acertando.

 

Tocar num bloco pequeno, como o Bloquete, é um privilégio. Além de aprender mais sobre música, aprendemos sobre ouvir, ajudar, estar atento e completamente presente naquele momento. Tocar surdo, então, é uma experiência incrível de “aterramento”, pois o instrumento vibra seu corpo todo junto, e sua mente não consegue estar em nenhum lugar além daquele instante presente em que todas as peles vibram juntas.

 

Façam arte. Não se preocupem se é boa, relevante, bonita. Só façam. Não porque ela tem propósito para o mundo, ou valor, mas porque ela realmente tem poder de transformar.

 

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desatando nós (ou não :))

outubro 6, 2017 Leave a comment

Eu não penteio o cabelo, porque gosto dele bagunçado. Então desembaraço no banho, só, e pronto.

 

Hoje tinha um nó num pedaço do cabelo durante o banho que achei que não ia desembaraçar de jeito nenhum. Tentei de tudo que é jeito e nada, tava um bolo, já ia aderir aos dreadlocks.

 

Bom, pensei, na pior das hipóteses eu corto e pronto. Já tinha o pior cenário, então fiz uma última tentativa — peguei o cabelo de outro ângulo, e de repente deu certo. Soltou, incrível!

 

Os problemas na vida são todos meio assim, não? Depois que a gente entende o pior cenário, é só questão de ir tentando alternativas enquanto tiver paciência 🙂

Categories: elucubrações