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dizer não é dizer sim

junho 22, 2018 Leave a comment

Já fiz terapia em 2 ocasiões (voltei ano passado), em momentos muito diferentes da vida mas com uma coisa em comum: preciso de ajuda para estabelecer limites. Eu não só deixo como convido as pessoas a ultrapassarem meus limites. Eu rio dos limites 😀 e me estropio toda me desdobrando e querendo dar conta de tudo, pra todo mundo.

 

(E nem sempre os problemas chegam pra mim; eu corro atrás deles. Me segura que tem um problema ali pra resolver…)

 

Não pode, né? Não tou aqui pra resolver coisas nem dar conta de nada, e muito menos pra ser muro de arrimo pra ninguém. Preciso, devo e quero dizer *não*, colocar limites, deixar claro pras pessoas o que EU quero. Pensar mais em mim, e menos nos outros.

 

(Se você tem a impressão que eu sei colocar limites, tá super enganado. Me esforço muito pra agradar as pessoas, e me coloco em 2o plano frequentemente, tentando dar conta de tudo. Meus *nãos* vêm com esforço)

 

Mas tou aí, na batalha — cuidar mais de mim, da minha felicidade, é meu desafio.

 

E a coisa que mais me chamou a atenção nesse processo que dura tantos anos é que nas duas ocasiões em que empenhei nisso o resultado foi similar: várias pessoas se incomodam com minha mudança. De repente já não gostam mais tanto assim de mim, me procuram menos, ou se afastam de verdade.

 

Claro que eu fico triste. Afinal, não é à toa que eu quero fazer tudo pra todo mundo e só dizer sim, né? 🙂

 

Só que agora bem mais que há 15 anos percebo e aceito as limitações dos outros, e as minhas. Não posso agradar todo mundo. Nem todo mundo vai gostar de mim. Eu não preciso gostar nem acolher todo mundo. Eu mereço gastar minha energia comigo mesma. Como os outros reagem à minha imposição de limite é problema deles.

 

Há 15 anos aprendi a dizer não com mais facilidade; agora estou aprendendo a lidar com as consequências com mais serenidade.

 

Sempre que colocamos limites, há resistência, e eventualmente vamos ter que abrir mão de alguma coisa.

 

Não tá tudo bem, não é fácil; dói. Mas tá OK, passa e a vida segue. Tudo é passageiro (menos o cobrador e o motorista hahhahaha) e os incômodos passarão… eu passarinho 🙂

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a comparação é a mãe da infelicidade

junho 18, 2018 Leave a comment

“As mídias sociais estão nos treinando para comparar nossas vidas ao invés de apreciar o que somos. Não é à toa que estamos deprimidos.”

 

Concordo que comparar nossa vida com outros é PÉSSIMO negócio. Mas não consigo concordar que isso tem a ver com mídias sociais. Talvez as mídias ampliem nossa capacidade de fazer isso, mas basta ouvir conversas, gente: isso é uma prática comum desde que me conheço por gente.

 

Aliás, odeio comparações.

 

Odeio e ativamente evito, já há tanto tempo que quase não faço mais isso. Exceção feita à observação dos filhos dos outros — sempre educados, geniais, cordatos — enquanto meu filho é a reencarnação de belzebu e me faz chorar de frustração com alguma frequência.

 

Fora essa questão de mãe culpada, que hei de superar, não me comparo com ninguém e acho uma estupidez essas comparações. Não serve pra nada além de sofrer.

 

Inclusive não consumam revistas, nem mídia de celebridade e moda. Faz mal à auto estima, o que leva a gastar dinheiro com coisas que você não precisa e te impede de gastar com coisas maravilhosas tipo viajar, música, arte e chocolate.

 

A melhor forma de hackear a vida é não cedendo a certas inclinações.

 

Resista. 👊🏻❤

Categories: elucubrações

as que colhem cogumelos

junho 18, 2018 Leave a comment

Esse poema foi escrito por Neil Gaiman e apresentado pela Amanda Palmer (link lá embaixo), e Daniela e eu ficamos tão encantadas que fizemos uma tradução a 4 mãos para espalhar essa lindeza pelo mundo dos que falam Português.

 

Mulhes podem ser tudo que quiserem, especialmente cientistas 🙂

 

❤️🍄

 

As Que Colhem Cogumelos  

 

A Ciência, criança, como se sabe é o estudo

da Natureza e dos mecanismos do Universo.

Baseia-se na observação, no experimento, na medição,

e formulação de leis que descrevam os fatos

assim revelados

 

Há muito tempo, dizem,

já existia um cérebro na cabeça dos homens

preparado para perseguir feras desembestadas

lançando-os cegamente rumo ao desconhecido,

para depois, perdidos, encontrar seu caminho de volta

carregando juntos o antílope abatido.

 

Ou, nos dias ruins, antílope nenhum.

 

As mulheres, que não precisavam perseguir feras,

tinham cérebros atentos aos marcos do caminho

e ao trajeto possível entre um e outro.

À esquerda no espinheiro, passando os seixos

olhe bem os ocos das árvores caídas

porque neles pode haver cogumelos.

 

Antes da clava e da pedra lascada

a primeira ferramenta que existiu

foram as tipoias de carregar os filhos

amarradas para deixar as mãos livres

e ter onde guardar as frutas e os cogumelos

e as raízes e as folhas boas,

as sementes e os bichinhos.

 

Só então veio o pilão de amassar,

de macerar, de moer e quebrar.

 

E havia os dias em que os homens

perseguiam as feras nas matas escuras,

e não voltavam mais de lá.

 

Há os cogumelos que matam

e os que revelam deuses,

e há os que saciam a nossa fome.

Há que se saber identificar.

 

Uns são mortíferos se comidos crus

E novamente nos matam se aferventados

Mas se fervidos na água fresca que se descarte

e depois mais cozidos, servem então para comer.

Há que se saber observar.

 

Observar crianças que nascem,

medir as barrigas, as formas dos seios

E com a experiência descobrir

maneiras seguras de partejar.

Observar tudo.

 

E assim as que colhem cogumelos

palmilham caminhos

de olhos atentos ao mundo

vendo o que há para observar.

 

E algumas vicejaram

lambendo os lábios

E outras caíram mortas

varadas de dor.

 

E assim foram estabelecidas

e passadas as leis

sobre o que era ou não seguro.

Há que se saber formular.

 

As ferramentas que criamos

para construir nossas vidas:

as roupas, a comida, o caminho para casa…

Todas nasceram da observação,

do experimento, da medição – e da verdade.

 

E a Ciência, lembre,

é o estudo da Natureza e dos mecanismos do Universo.

Que se baseia na observação, no experimento, na medição

e na formulação de leis que descrevam o que se dá.

 

A corrida não para.

Uma cientista dessas primeiras

desenhou feras na caverna

para os filhos da irmã,

já bem saciados de frutas e cogumelos,

mostrando bichos que eram bons de caçar.

 

Os homens correm perseguindo feras desembestadas.

 

As cientistas caminham com calma

pelo pé da colina

e descem para a beira d’água,

até depois de onde o barro vermelho brota.

Elas levam os filhos nas tipoias que teceram

e têm as mãos livres para colher cogumelos.

(Neil Gaiman)

**

 

O original:https://www.brainpickings.org/2017/04/26/the-mushroom-hunters-neil-gaiman/

Categories: feminismo, poesia Tags: , ,

legado

junho 15, 2018 Leave a comment

“Aqui deixo um sonho vivido”.

 

Não é assim, a cada encruzilhada? Ao escolher uma direção, nos damos conta do que andamos, e do que deixamos pra trás.

 

(Porque afinal não é possível carregar tudo, e é preciso sim deixar coisas pra trás)

Categories: poesia

uma idade avançada

junho 11, 2018 Leave a comment

Quando eu fiz 30 anos, a Kelly me ligou pra dar parabéns e dizer que (caso eu não soubesse) a bunda da gente caía *exatamente* no dia que a gente fazia 30.

 

Rimos muito, e a bunda não caiu (aconteceu bem depois, já nos 40, mas só um pouquinho e porque sou sedentária; a dela tá lá firme).

 

Nunca liguei de ficar mais velha, tenho achado até legal… até esse ano, os 46.

 

Percebi que minha visão não é mais igual. Ainda enxergo super bem, mas mudar do celular pro notebook, pro papel ou principalmente pra TV (legendas) tá ruim, tá difícil. E ler quadrinhos, livros infantis com papel colorido tá sofrido.

 

Aliás, tou sofrendo. Tou detestando observar meu corpo envelhecer, e aguardo uma solução para viver para sempre, favor acelerar isso aí, pessoal das ciências.

 

💔

 

(Por outro lado, como a nossa cabeça melhora, como é bom ter mais idade!)

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parada do orgulho gay

junho 5, 2018 Leave a comment

Eu fui na Parada, e acho que temos que ir mesmo como forma de apoio e resistência, mas confesso que não tive tanto prazer (fora a companhia, que tava maravilhosa!) pelo seguinte:

 

– A sujeira. Chocante a quantidade de lixo no chão, tava no nível de tropeçar nos sacos, inúmeras garrafas de vidro e pets. Uma vergonha. Não consigo conceber as pessoas irem protestar e comemorar por seus direitos e emporcalhar o chão. E um sem número de homens mijando no chão, tipo RIO de urina escorrendo pela calçada. Pessoas vomitando no meio da rua. O que me leva ao próximo item

 

– Muita gente muito bêbada, caindo. Lembrei de Olinda no final do dia. Por mais que eu ache OK bebida como recreação, jamais acharei OK pessoas bebendo de cair no meio da rua.

 

(Tou idosa né? Deve ser isso)

 

– As pessoas em cima dos carros de som ENTEDIADAS. De jeans e camiseta e celular na mão, com cara de “preferia estar vendo NetFlix”. Cara, você tá NA PORRA DO CARRO DE SOM DA PARADA GAY DE SP. Eu não esperava nada menos que um figurino e performance de Priscilla a Rainha do Deserto de você, amiga! Tava pobre, tava uó, com raras exceções.

 

Pra compensar as críticas, escutei do Vi uma coisa muito linda sobre a parada, que vou parafrasear porque ele falou mais bonito mas eu não decorei:

 

“nossa, como é bom se sentir maioria, sentir que está entre os seus, e ter liberdade de ser quem a gente é!”

 

Só isso já vale a Parada existir. Pra que todos ali se reconheçam, se sintam incluídos, enxergados e respeitados.

 

(Menos a gente que é bi, e tá lascado, ninguém nunca vai entender e ficamos ali sendo olhados de lado por todo mundo :D)

 

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sororidade

junho 4, 2018 Leave a comment

Caso exista inferno, há um lugarzinho mega desconfortável especialmente reservado a mulheres que tentam humilhar e diminuir outras.

Moças, a gente já se fode o suficiente, nenhuma de nós precisa de outra empurrando pra baixo. Vamos só empurrar pra cima, ok?

Vamos. 👊🏻

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31 de Maio

junho 4, 2018 Leave a comment

Hoje é aniversário do meu pai, aquele da horta, dos bichos, das madeiras. Do lagarto, dos galos e gansos, das histórias mais fantásticas e malucas. Da melhor receita de macarrão, de siri, de peixe.

 

65 anos. Ele nasceu num ano com final zero, como o Otto (tão bonito, né?). Nasceu no último dia do último mês antes do inverno.

 

Ele é tão parte de mim que não sei quem seria se não fosse ele. Tenho orgulho dele, tenho raiva de tantas coisas que ele poderia fazer e ser, tantos dissabores que ele poderia ter evitado pra si mesmo, para os outros…

Ele também me ensinou com seus erros, e eu aprendi.

Obrigada, pai, você sempre foi meu maior heroi, uma inspiração, um alerta.

Amo você e sua história. Que ainda haja muitos patos, couves e cauacos.

<3

 

**

 

E hoje ele me contou que 2 cachorros do vizinho da chácara mataram 16 bichos dele (galinhas, galos e seu pato preferido). “Até chorei, filha”.

Mas ele não ficou bravo com os cachorros “eles não fazem por mal, é da natureza deles”.

“Mas é assim, fazer o quê né?”

 

**

 

O Otto deu parabéns pelo telefone, mas me avisou que “quero ir dar parabéns pro vovô lá na horta dele, mamãe!”

Eu também, meu amor, eu também.

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sustentabilidade e política

junho 4, 2018 Leave a comment

Tou achando tão interessante esses textos sobre “sair sem carro”, em especial de gente (adivinha?) rica, privilegiada.

Aprendi a dirigir com 23 anos, obrigada pela minha mãe. Sempre andei a pé e de bicicleta quando criança e adolescente, e depois de ônibus. Comprei meu 1o carro com 28 anos, vendi depois de 1 ano (desnecessário em SP, onde eu morava, e caro), só fui comprar outro com 35 anos, quando vim trabalhar no interior.

Passei a maior parte da vida sem carro, como aliás a enorme maioria das pessoas que não têm dinheiro.

Me irrita um pouco essa romantização dos meios de transporte sustentáveis, além do julgamento moral de quem valoriza (e usa) o carro, pelos seguintes motivos:

– Ter carro tem um valor social importante, é sinal de sucesso. As pessoas se sentem bem-sucedidas quando têm carro. É como comprar iPhone, tênis de marca. Antes de criticar as pessoas, precisamos criticar o sistema.

– É fácil andar a pé e de bike morando em bairro bom. Andar a pé e de bike lá na Vila Ré (onde morei, inclusive) não é tão divertido assim. E pra ir de bike ou a pé da Vila Ré pro centro é uma vida, arriscando morrer atropelado numa cidade que não foi desenhada pra acolher pedestres.

 

(Pode ser minha bolha, mas todo mundo que defende mobilidade mais sustentável é rico. (“Ain, eu não sou rico!” — é sim, se manca))

 

– O tempo livre é um bem escasso, e de novo, a causa disso é estrutural. Não adianta colocar a culpa no indivíduo. De carro eu demoro 12 minutos pra chegar ao trabalho. A pé eu demoraria 2:15h e de bike seria 1h (e na volta do trabalho eu pego o Otto na escola). Eu trabalho 9h por dia, que tal adicionar mais 1 ou 2h me deslocando só pro trabalho? Fora a escola da criança, supermercado, seja lá o que eu precise fazer. Parte desse trajeto seria já sem luz do dia, e tudo passando por rodovias, e moro na zona rural.

É impossível? Claro que não. Mas requer uma estrutura de infra e social que não existe. Não é à toa que nos lugares pequenos se usa mais bicicleta e anda-se mais a pé — o tempo compensa. Tempo é precioso, e o carro ajuda com isso sim. Moto, ou ônibus também.

Carona colaborativa, maravilhoso, e pra algumas pessoas que têm flexibilidade funciona legal. E quando você tem um itinerário complexo, horários rígidos? E quem tem mais de um filho, creche, escola? Não é impossível, passa por um milhão de escolhas diferentes e — inevitavelmente — **mais tempo livre**.

Pra ter mais tempo livre é preciso mudar bastante a forma de viver. Não é tão simples quanto parece, e repare que as pessoas que adotam formas minimalistas de viver são ou moradores de rua ou privilegiados que podem fazer certas escolhas.

Aquela moça que resolveu “vender tudo” (ela tem o que vender, olha que coisa) e dar a volta ao mundo; aquele cara que vive da sua arte e estudou nas melhores escolas, criado a danoninho e tem onde morar (e sempre tem os pais caso tudo mais falhe); aqueles que podem se dar ao luxo de tirar sabáticos, férias — um luxo.

Claro que poderia escolher não ter filhos, viver só, não ter trabalho fixo, ou fazer algum trabalho que não requer horário… tenho o privilégio de poder fazer todas essas escolhas. Eu faço parte do 1-2% da população que tem escolhas. Você que tá lendo certamente também faz.

Esse textão é pra lembrarmos que ficar dando lição de moral mandando as pessoas andarem menos de carro não muda o mundo. Política muda o mundo. Precisamos de mais transporte público, e cidades que dêem suporte a formas alternativas de mobilidade.

E, mais que nada, precisamos de novos modelos de trabalho e apoio pra quem tem filhos, porque quem trabalha 9-10h por dia não consegue gastar 2-3h adicionais por dia (com MUITA sorte; lembrando que muitas pessoas já gastam de 2-4h pra se deslocar para o seu trabalho) se transportando.

 

**

 

Fora isso tudo, sim, precisamos usar menos combustível fóssil, urgente.

E cuidar da nossa água.

E criar humanos bem melhores.

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saudade

junho 4, 2018 Leave a comment

Amigo querido que já se foi: hoje passei ali naquele Café Creme da Paulista, nosso ponto de encontro por tantos anos pra falar da vida, das coisas e (mal) das pessoas.

Faz 10 anos que você se foi (11 no final desse ano) e ainda sinto sua falta, penso em você, ouço sua voz, porque você vive em mim enquanto eu viver.

Você faz uma falta danada. Mas agradeço todos os anos que tive contigo, e que me modificaram. Às vezes pra pior 😀 mas no geral pra muito melhor. (Ainda) te amo.

❤💔

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