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blackout poetry

Abril 3, 2018 Leave a comment

Aprendi com a Daniela que existe um negócio chamado #blackoutpoetry — a ideia é usar livros para (re)construir poesia (ou uma tentativa né?).

 

Minha primeira reação foi de horror; não consigo nem sublinhar meus livros, quanto mais anotar, rabiscar ou pintar.

 

Justamente pelo incômodo eu quis tentar, porque sou dessas (se me dá medo e incomoda já quero entender melhor e arriscar).

 

Achei o livro perfeito: Atlas Shrugged. Comprei esse livro há 10 anos por recomendação de um colega de trabalho que de revelou uma pessoa MUITO HORRÍVEL, e não li nem tive coragem de jogar fora. Mas agarrei ódio sem ler.

 

Aí, olha que oportunidade? Arranquei páginas e tou transformando em outra coisa.

 

Melhor que terapia <3

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representatividade importa!

Março 19, 2018 Leave a comment

Adoro fazer trabalho voluntário de forma geral, mas gosto mais ainda quando é pra ajudar outras mulheres a se desenvolverem na carreira. Sempre aceito pedidos de mentoria, palestra, coaching, bate-papo, apoio, treinamento, enfim. Quero ver a mulherada liderando, com confiança.

 

Hoje fui voluntária num painel sobre carreira, de mulheres mais (cof cof) experientes para mulheres líderes iniciando nessa carreira. Aprendo tanto com esses eventos que tenho a sensação que eu é que devia pagar pra estar lá, sabe? É sempre maravilhoso.

 

Mas nada poderia me preparar pra hoje.

 

Alê e eu respondemos muitas perguntas e dúvidas, todas ótimas. Falamos da importância de ser flexível, mas assertivas; falamos de liderar por influência e não por autoridade, e de não ter medo de errar. Ou melhor: ter medo sim, mas não deixar que isso nos impeça de arriscar. Permitir-se errar. Praticar a generosidade ao olhar para o outro, e trabalhar em conjunto aproveitando as diferentes qualidades dos colegas e equipe pra nos tornarmos líderes melhores.

 

Neste ambiente, e neste contexto, nem surgiu o tema representatividade de mulheres na tecnologia, porque afinal todas sabemos como é.

 

Aí no final, na última pergunta, essa moça (a Karla; só lembrei do nome dela depois de ver o crachá) pegou o microfone e contou essa história:

 

“Você não deve lembrar de mim, mas te conheci há 11 anos. Eu era estagiária, na equipe do Fulano e Beltrano, eles sempre foram muito legais e me ensinaram muito sobre TI, mas eu nunca senti que podia progredir nessa carreira. Eu achava que só serviria pra servir cafezinho.

 

Aí um dia você chegou, e deu uma palestra pra gente [era um treinamento sobre gerência de projetos, para TI e para o time de negócios] e eu pensei ‘nossa, EU POSSO SER COMO ELA! Eu também posso chegar a essa posição!’.

 

Eu saí de lá, não fui efetivada, mas sabia que era ali naquela posição que eu queria estar — de líder. Sendo mulher. Eu não ia servir cafezinho.”

 

Tou escrevendo aqui enquanto lembro, e chorando tudo de novo. Eu vi a Alê chorando ali também do meu lado, porque

 

PUTAQUEPARIU

 

é pra isso que a gente tá aqui, ok? Pra ajudar as outras. Pra mostrar que a gente pode ser o que a gente bem quiser. E arriscar, se expor, ABRIR esse espaço importa, e muito.

 

Amigas, queridas: se exponham. Abram espaço, ouçam essas mulheres que rodeiam vocês, sejam exemplo pra suas amigas, irmãs, filhas, primas, sobrinhas, vizinhas, ou uma estagiária.

 

O fato de EXISTIRMOS, e ocuparmos os espaços, faz diferença.

 

Não sei como agradecer à Karla por me contar essa história.

 

Perguntaram antes dessa história pra gente “como você quer ser lembrada? Qual o legado que você quer deixar?”

 

Eu quero ajudar outras pessoas a serem versões melhores delas mesmas. É isso que eu quero pra mim também: ser melhor, me orgulhar do meu caminho, encontrar formas de ser melhor e ajudar os outros.

 

Pelo menos hoje eu sei que consegui ajudar UMA moça. Não tem medida pro tamanho da minha alegria.

 

Obrigada, Karla, por persistir e acreditar em você mesma; obrigada Carine, pela oportunidade; obrigada Alê por não me deixar chorar sozinha.

 

😘❤👊🏻

Categories: feminismo, tecnologia

dia da mulher, 2018: um pedido

Março 9, 2018 Leave a comment

No dia da mulher, comecei o dia dando uma palestra para mulheres sobre como se comunicar mais objetivamente. Voluntariamente. Com amor.

 

Não porque é dia da mulher, mas também porque é. Adoro escrever sobre isso aqui, e no blog, e onde for, é preciso falar sobre igualdade de gênero, mas muito mais importante que falar é FAZER alguma coisa para que o mundo mude.

 

Nesse dia das mulheres — e de aniversário 🙂 — eu queria pedir que cada um de vocês pensasse como pode ajudar alguma mulher a ser mais forte, mais feliz, mais segura.

 

Faça alguma coisa por outra mulher.

 

Se for mais experiente, seja mentora de alguém no trabalho; se for menos experiente, envolva-se com outras mulheres. Não chame a colega de puta. Não duvide de mulheres quando elas denunciam abuso. Não duvide da capacidade de uma mulher porque ela é mulher. Pare de pensar que ser mãe define uma mulher, para o bem ou para o mal. Lembre que mulheres não estão aqui pra enfeitar o mundo nem pra agradar todo mundo.

 

Elogie uma mulher sem mencionar seus atributos físicos. Pratique isso.

 

Pare de julgar tanto outras mulheres. Isso vale pra você também, amiga.

 

Se você for homem, leia tudo e pratique. Mas faça mais — não seja omisso quando houver mulheres sendo oprimidas ao seu redor. Aliás, abra os olhos e veja; ao ver, aja. Confronte seus amigos machistas.

 

Não se cale.

 

Nosso silêncio, nossa paralisia, são fatais. Pro mundo mudar, a gente tem que colocar a mão na massa, empurrar a roda, puxar mesmo.

 

Tou aqui firme no arado, meninas. Pra mim, e pra vocês também.

 

Que o dia da mulher sirva pra lembrarmos que estamos vivas, fortes e chutando.

 

❤👊🏻

Categories: feminismo

dia da mulher. mas?

Março 9, 2018 Leave a comment

Uma moça aqui do meu lado comentando que recebeu no whats um comentário de feliz dia da mulher pra quem “nasceu mulher”, porque as demais… só em 1o de abril.

 

As 3 mulheres que ouviram, silenciaram, eu inclusa.

 

“Que sem graça.”

 

Uma das coisas mais perigosas para nós, mulheres, é essa visão de que mulher é uma buceta. Um buraco. Que uma parte do nosso corpo é determinante, fundamental, IMPORTANTE.

Não é à toa que mulheres mais velhas entram em outra categoria, são invisíveis. Não podem procriar mais, não servem mais pra ser

OBJETO

de desejo para os homens.

 

Desencana da minha buceta, do meu peito, olha no meu olho.

 

Sou uma pessoa. Mereço respeito independente de como você me categoriza.

 

Também merecem respeito as travestis, transsexuais, transgêneros, quem quer que se identifique como mulher.

 

Olha no olho, respeita a gente.

 

Não somos nossos órgãos sexuais.

 

❤👊🏻

Categories: feminismo

quem tem privilégio precisa ouvir, sim.

Fevereiro 23, 2018 Leave a comment

Sobre esses temas polêmicos (racismo, machismo, outros): pode não parecer, mas eu leio e concordo com várias coisas que os críticos do que enxergam como “exageros” pontuam.

 

Li o texto da E. Brum e fiquei constrangida. Bloqueei o perfil da Stephanie no FB. Saí de diversos grupos feministas / transgênero por me incomodar com opiniões muito agressivas, sem abertura pro diálogo e pro diferente. No limite, a resistência se torna tão radical que se aproxima em postura dos que está combatendo, e isso me dá um enorme desânimo e cansaço.

 

MAS,

 

se for pra tomar partido ou me colocar sobre o assunto, sempre vou preferir escutar quem está em posição de desvantagem. Porque por mais que os críticos da resistência tenham razão, eles ainda estão em vantagem, e falam do assunto do alto da tranquilidade de quem não é atropelado pela realidade dele todo dia.

 

Eles (os críticos) podem escrever textão lindo na internet, cheio de argumentos mais lindos ainda e gastar todos os seus neurônios e referências acadêmicas, e podem ter razão em alguns pontos. Mas quem passa por violência e humilhação, quem é estuprada, morta, todo dia é aquela pessoa que resiste.

 

Também acho que reagir violentamente e de forma a excluir o outro do debate é péssimo. Polariza e machuca (motivo pelo qual não leio Stephanie — me dá raiva).

 

MAS,

 

raiva e violência, choro, ranger de dentes e descontrole emocional também são mensagens, e devem sem ouvidas.

 

A gente que é educador aprende que quando a criança dá chilique (*), geralmente tem alguma coisa ali por trás. Chiliques são sintomas, não são causa. As causas podem ser muitas: cansaço, medo, fome, dor, raiva, ciúme. Enquanto você não for capaz de ultrapassar a barreira do chilique e entender o incômodo da criança, o problema não se resolve. Ameaçar, humilhar e ignorar podem até desestimular ou alterar o sintoma (já que não adianta, não faço mais; já que não tá adiantando vou gritar mais alto) mas não ajudam a criança a ser mais feliz e saudável, tal que dar chilique não faça nem sentido. Criança feliz, descansada e segura não dá chilique.

 

Algumas pessoas humilhadas e violentadas diariamente estão gritando e esperneando. Às vezes elas estão fora de controle, às vezes me machucam no processo.

 

Em algumas situações me sinto no papel de quem dá chilique. Mas às vezes eu sou o alvo. E nestes casos escolho buscar entender o que acontece além da manifestação violenta que estou presenciando. Escolho buscar entender quem está sofrendo o suficiente para perder a paciência e o controle e gritar mais alto.

 

Escolho tentar entender onde estou errando, o que EU posso fazer pra ajudar o outro, ao invés de dizer pro outro que sofre que a reação dele é frescura, exagero.

 

Com base no que penso a partir do que leio, poderia não me envolver, não ter opinião, ou ficar em cima do muro (porque concordo com gregos e troianos, muitas vezes).

 

Só que conscientemente prefiro tentar ouvir e dar voz a quem não tem. Não vou ampliar quem já tem voz o suficiente, repetindo as opiniões de senso comum.

 

(E por favor, não vamos confundir o ruído e repercussão das redes sociais com a realidade DO MUNDO. Quem acha que é oprimido por movimentos negros e/ou feministas é porque passa tempo demais online e de menos na rua!)

 

(*) sei que “chilique” pode ter conotação negativa, ridicularizando a reação emocional, mas só usei essa porque não encontrei nenhuma melhor. Leia sem conotação negativa, por favor.

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regra do jogo

Fevereiro 16, 2018 Leave a comment

Lá em 1900-e-bolinha (sou velha), escutei uma brincadeira feita com um amigo extremamente egocêntrico que se aplica a muitos casos na vida. Segundo os amigos, a frase que o definia era:

 

“Eu ganhei; nós empatamos; você perdeu.”

 

E o que tem de gente assim? Afe. Nunca são parte do problema. O problema SEMPRE são os outros.

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express yourself

Fevereiro 16, 2018 Leave a comment

Sábado vou fazer uma tatuagem grande no braço. Depois de 17 anos (!!!!) desde que tatuei o dragão gigante.

 

Uma mistura delícia de ansiedade com excitação, alegria de registrar na pele, do lado de fora, um aspecto do lado de dentro.

 

Não é pra isso que serve tatuar? Ou vestir?

 

É um jeito de lembrar pra nós mesmos quem somos.

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foco na solução – POR FAVOR!

Fevereiro 2, 2018 Leave a comment

Não passa um dia sequer sem que eu enfrente tretas homéricas, é parte do meu trabalho. O que chega pra mim é só cacho de abacaxi, contêiner de pepino… e com eles uma série de pessoas emocionalmente abaladas, com medo, com raiva. Algumas inseguras, algumas achando que estão cheias de razão.

 

Todo mundo tem razão; ninguém tem razão. Sempre. Quanto mais você mergulha no problema, mais claro fica que tem erro e acerto de todo lado, e que é raro uma solução deixar todos feliz, porque

 

(Rufem tambores 🥁)

 

quase ninguém quer (1) admitir que pode estar errado em alguma parte e/ou (2) ouvir os outros e **ceder**.

 

Admitir que está errado requer uma autoanálise e condição intelectual / emocional que de fato são complicadas de “exigir” da maioria das pessoas. Precisa ter coragem pra se olhar com olhar crítico e assumir erros. Deixa essa pra lá.

 

Mas ceder, gente… não devia ser tão difícil quando existe um objetivo comum. Por isso que quando a bomba chega pra mim, sempre tento entender o que aquele monte de gente quer, no final. Que o sistema funcione? Que o cliente receba a mercadoria? Que a satisfação do funcionário melhore? Que a coleta seletiva do lixo do condomínio exista?

 

A exposição do problema traz consigo os conflitos entre as partes mas devia também trazer os pontos em comum entre os afetados.

 

É importante entender o problema, destrinchar ele, sim; mas é muito mais importante saber o que queremos CONSTRUIR ou CONSERTAR, como objetivo.

 

As pessoas gastam tempo falando de outras pessoas, do passado, de problemas paralelos, de suas frustrações, e não falam de construção da solução.

 

E não ouvem os outros. Não são transparentes. É um trabalho de garimpo conseguir extrair fatos, informações “limpas”, opiniões sinceras. (aqui na américa latina isso dá um trabalho insano! É incrível como as culturas mais diretas no relacionamento tratam problemas de forma mais rápida)

 

É preciso ser quase um PASTOR (de rebanho) pra direcionar para o caminho da solução; é preciso ser psicólogo pra tirar das pessoas informações “limpas”.

 

Não tem um só dia que eu não pense no bem que faria à humanidade aprender mais desde criança sobre autoconsciência e assertividade.

 

Me economizaria metade do dia, todo dia.

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eclipse

Fevereiro 1, 2018 Leave a comment

Uma preguiça imensa das tretas, das pequenezas da alma humana, das bobagens.

A vida é tão maior.

Penso em todas as pequenas oportunidades diárias de ser feliz.

Há tanta coisa importante passando enquanto a gente se preocupa ou gasta energia com o irrelevante…

(Pra quê, mesmo?)

Amanhã é dia 1, ou simplesmente mais um dia pra começar de novo, de outro jeito. Mais um dia pra buscar lampejos de vida e alegria, no meio da lama do mau humor, baixo astral e problemas que nunca acabam.

Vem, super lua, e ilumina esses caminhos, ‘bora afastar a sombra dos cantos.

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poemas

Janeiro 29, 2018 Leave a comment

publicados pela cora ronai, e eu roubei.

 

Tatu, de Reynaldo Jardim

 

O tatu é um bicho

trancado em si mesmo.

O casco esconde

seus pensamentos.

Ninguém procurou

sondar seu destino.

Ninguém tratou

de industrializá-lo.

Fazer de seu casco

objeto de adorno.

Fazer de sua carne

um creme ou um bolo.

Fazer de sua furna

um túnel do inferno.

Fazer de seu mundo

um verso moderno.

É preciso chamar

todos os jornais.

Indagar do tatu

o que é que ele faz.

Se dorme ou sonha

em seu jeito patético.

Se prefere os novos

ou se é dos herméticos.

Se prefere Picasso

da fase azul.

Os poetas do norte

os pintores do sul.

Se vive contente

se está bem de sorte.

Como vai seu blindado

e duro capote.

Se joga xadrez

ou quer morar nele.

Se prefere Paul Klee

ou os cronistas mundanos

Se troca de casca

em que dia do ano.

Se prefere os alíseos

ou o minuano.

Se já foi eleito

entre os dez mais tatus.

Se respeita o passado

ou quebra tabus.

 

Ninguém quer saber

o que pensa o tatu.

Ninguém se importa

com a sorte do bicho.

Trancado em seu casco

e fechado em si mesmo.

Sem caminho certo

ou rosa dos ventos.

No grave suicídio

do seu pensamento.

 

:::::

 

de Sidônio Muralha:

 

Quando um tatu

encontra outro tatu

tratam-se por tu:

– Como estás tu,

tatu?

– Eu estou bem e tu,

tatu?

 

Essa conversa gaguejada

ainda é mais engraçada:

– Como estás tu,

ta-ta, ta-ta,

tatu?

– Eu estou bem e tu

ta-ta, ta-ta,

tatu?

 

Digo isto para brincar

pois nunca vi

um ta, ta-ta,

tatu

gaguejar.

Categories: poesia