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Archive for dezembro, 2017

sobre ocupar espaços e permitir-se errar

dezembro 11, 2017 Leave a comment

Vamos lá, sobre confiarmos mais em nós mesmas e permitir-nos sermos também simplesmente tão medíocres quanto a maioria dos homens brancos que dominam TODOS os campos que frequentamos.

Esse texto não é a respeito de homens, nem brancos. É a respeito de como só eles podem ser medíocres e bem-sucedidos. Só repara com atenção, seja qual for seu espaço de convivência: há uma abundância de homens brancos medíocres em posições de poder e destaque. A gente fica se perguntando como caralhos eles conseguem chegar (e ficar!) ali, e pra mim a resposta tem duas partes.

A parte 1 é que ser homem e branco já é uma qualidade por si só. Se tiver uma variedade de pessoas pra contratar, vão preferir o homem branco. Se tem dúvida, corre pro Google, tem um monte de estudos sociais sobre isso. Não é de propósito; é esta a nossa situação atual enquanto sociedade. Quanto mais homens brancos no poder, mais homens brancos terão vantagens. (E por isso vejo com bons olhos as iniciativas de aumentar a diversidade em qualquer lugar; muda a equação na dança das cadeiras, além de ser melhor pra todo mundo que mais perspectivas façam parte das esferas de poder)

A parte 2 é que mulheres não podem se dar ao luxo de ser medíocres e sobreviver de boas, como fazem os homens brancos. Eles são medíocres, fazem toda sorte de besteira, e continuam onde sempre estiveram. Mulheres medíocres são (mais) exploradas e invisíveis. Se elas forem negras então, a situação é bastante pior. Uma mulher pra chegar a ocupar uma posição equivalente à de um homem medíocre tem que ser acima da média. Não é à toa que somos poucas — precisa estar fora da curva pra competir com homens apenas médios.

Nós que temos mais ambição e não nos conformamos de ficar no segundo plano, temos que nos provar muito mais. E não podemos errar, não podemos nos dar ao luxo de fazer bobagem. Não à toa nos tornamos perfeccionistas, ultra exigentes, duras às vezes. Estamos constantemente disponíveis, atentas, super eficientes.

(Você lembra de algum homem mega eficiente, disponível, flexível? Que encara qualquer parada, que resolve problemas, associa e chupa cana? Pois é)

Mas piora: sempre achamos que é pouco. Estamos sempre na corda bamba, duvidando da nossa própria capacidade e sob constante escrutínio. Qualquer pisada fora da linha… “ih, olha lá! Só podia ser mulher. Quem mandou dar chance?”.

Mulher não pode errar.

Quando erramos, duvidamos de tudo que conquistamos e fizemos antes. Como se fosse o acaso, a sorte (ou mérito de outros!) que nos levou a ter algum sucesso. Nunca é mérito nosso, duvidamos o tempo todo das nossas qualidades.

Claro que insegurança não é uma questão de gênero. Mas observem o nível de confiança dos homens brancos (e negros também, se comparados às mulheres negras ou não) ao seu redor — não dá pra comparar.

É assustador só aos 45 anos perceber que nós mulheres crescemos duvidando da nossa capacidade e passamos a vida recebendo críticas e julgamentos de forma desproporcional. Não à toa, as mais ambiciosas de nós se tornam perfeccionistas, nos esgotamos tentando nos provar e sempre mortas de medo de errar.

Precisamos começar a acreditar mais em nós mesmas, nos permitir errar sem pedir desculpas, tomar nosso mérito (à força, se for preciso) e ocupar um espaço que sempre foi nosso. Nenhum homem precisa “ceder” espaço pra nós, o que precisamos é simplemente DAS MESMAS OPORTUNIDADES.

Se podemos ter milhares de homens medíocres em posições de destaque, também podemos ter mulheres medíocres na mesma condição.

Não tou incentivando nenhuma mulher a não tentar ser o melhor de si mesma (a gente sabe bem como é a realidade), mas um bom começo pra melhorar nossa saúde mental seria:

– Pararmos de duvidar de nós mesmas

– Não nos cobrarmos em excesso

– Aceitar nossos erros sem querer morrer (somos humanas!), buscar aprender com o erro ao invés de sofrer por causa dele

– Tomar pra nós explicitamente os méritos que temos

– Acreditar que podemos muito, e podemos mais

– Não nos colocarmos como salvadoras de nada nem de ninguém. Não somos mãe de ninguém além dos nossos filhos. Não somos responsáveis pela felicidade de ninguém além da nossa!

– (coloque 3 doses dessa aqui) Nunca, jamais, em tempo algum associar nosso valor à nossa aparência ou idade

– Nos apropriarmos das nossas qualidades e usá-las, sem modéstia inútil e que só serve pra ajudar nossos colegas homens brancos medíocres a manter-se no conforto da sua autoconfiança 😀

 

Categories: feminismo

cacti

dezembro 11, 2017 Leave a comment

A solidariedade marital é uma coisa linda.

Tou eu lá mexendo nas plantas e enfio a mão num dos cactos, enche de espinhos minúsculos, invisíveis mas super incômodos.

Eu: “putaquepariu encheu minha mão desses espinhos malditinhos!”

Fernando: “o que leva à questão: por que alguém cultiva cactos? Eles têm espinhos!”

Eu: “mas são lindos, olhaí. (…) que ódio, e eu já não enxergo tão bem quanto antes a ponto de tirar de boas esses espinhos micro…”

F: “ou seja: nem idade pra ter cactos mais você tem, né?”

😂😂😂

Ignorei a negatividade inata do Fer e botei na mão fita adesiva, passei cola, arranquei espinhos maiores com as unhas e depois apelei pra pinça, tirei tudo.

Quando uma mulher quer cactus, uma mulher pode ter cactus (essas plantas lindas porém assassinas).

Categories: elucubrações

opinião é que nem pizza

dezembro 11, 2017 Leave a comment

Odeio melancia e açaí. A primeira mais que o segundo (aversão mesmo).

Aí eu vejo posts e fotos dos amigos comendo essas 2 coisas que eu odeio, o que eu faço?

NADA, né, gente. Porque eu tenho noção e educação.

Poucas coisas são tão desnecessárias e deselegantes quanto comentar que você odeia, tem nojo, não concorda com o que outro tá comendo. Em especial quando a outra pessoa gosta a ponto de fotografar ou de pedir num restaurante.

Então fica a dica de gentileza desta semana: não estrague o prazer dos outros com sua opinião não solicitada.

Categories: elucubrações

as pedras, catedrais, coração

dezembro 8, 2017 Leave a comment

Onde existir gente vai existir conflito, mal-entendido. Somos altamente complexos, e nossa linguagem é limitada não só por ela mesma mas também pela nossa capacidade de autocompreensão. Todos os nossos filtros e barreiras + as limitações da linguagem tornam a comunicação uma tarefa árdua.

 

Aliás, como conseguimos?!

 

(É porque a maior parte do tempo falamos sobre a superfície e não sobre as profundezas de nós)

 

Nós somos humanos e vamos errar, e muito. Conosco mesmos, com os outros. E vai ser difícil expressar nossa raiva, frustração, medo, vergonha, e o amor também, escondido por tantas camadas e demãos de tinta.

 

Não dá pra desistir porque erramos, e deixar pra lá. Não dá pra achar que não vamos errar mais. Não dá pra esperar que os outros não errem.

 

Não dá pra ser humano e fugir da frustração. Do medo, da raiva, da vergonha. Nem dos confrontos, dos conflitos. Ele virão, mesmo que a gente se esconda e finja que não.

 

Há que enfrentar os erros (os nossos e dos outros) com coragem, com verdade. De coração aberto, sentindo tudo que se possa sentir, sem temer.

 

(#ForaTemer)

 

Ter coragem de aprender com os erros. Praticar a auto-compaixão, perdoar-se por errar. E aí conseguir perdoar os outros.

 

Somos uma imensidão de complexidade, universos, lidando com limitações internas e externas por toda vida. Sejamos gentis conosco, e com os outros. Não é fácil ser humano.

 

~

Vou andar, vou voar

Pra ver o mundo

Se eu bebesse o mar

Não encheria o que eu tenho de fundo.

~

Categories: elucubrações

livro de receitas

dezembro 5, 2017 Leave a comment

recebi de uma amiga esse livro, que veio do AC Camargo, achei as receitas excelentes! fica aqui pra consulta 🙂

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Raquel Azevedo

dezembro 1, 2017 Leave a comment

Vamos de #retratofalado hoje, porque quem não conhece a Raquel precisa conhecer 🙂

 

Não lembro quando nem onde conheci a Raquel, o que é louco, porque parece que ela sempre fez parte da minha vida, uma presença sólida, firme.

 

E doce. Olhando assim de longe ela parece séria demais, graças a uma inteligência enorme, com olho de águia pra enxergar o importa. Mas ela tem um tanto de doçura, e um humor ímpar. Ela é divertidíssima.

 

Nela me admira tudo: a tenacidade, a rapidez de pensamento, a firmeza, a capacidade de rir. Mas me admira e encanta mais que tudo a delicadeza com o outro, um amor que não dá pra disfarçar, sua maternidade acolhedora (mas firme; mãe que ensina) que sua filha tem a sorte de ter ganhado e a gente desfruta também de forma indireta.

 

Seu amor e cuidado com tudo e todos ao redor são maravilhosos, Raquel. Sua generosidade me inspira e encanta. Você é linda!

 

Um beijo muito grande, aproveite seu dia. Que você receba sempre muito, você merece. Parabéns 😘🎉❤️

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