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Archive for agosto, 2018

Priscilla Garrido

agosto 28, 2018 Leave a comment

#retratofalado

 

A Priscilla tem uma simplicidade e retidão que sempre me espantaram. Nem consigo saber direito como ela chegou na minha vida, mas chegou tranquila, firme, forte como aquelas amizades que a gente demora anos para construir, e ela fez acontecer em minutos.

 

A Pri é confiável, forte, positiva. Quando ela chega, a gente sente que tem um adulto no local, sabe? Dá um alívio. “Ufa, tem alguém responsável aqui!” 🙂

 

E pode parecer paradoxal, e não é, mas ela é também doce, amorosa, atenta. Ela enxerga as pessoas e abre seu coração enorme sempre pra mais um (cabe gente pra caramba ali, afe), e não dá pra não se sentir amado por ela.

 

Seu amor é a coisa mais linda e poderosa em você, Pri. Ele é sua força, seu brilho maior. Que você continue amando assim sempre, muito, plenamente e pra sempre, pra que todos nós possamos nos aquecer um pouco graças ao seu calor ❤☀️

 

Te amo! Parabéns.

mantra

agosto 21, 2018 Leave a comment

Para lembrar e praticar:

 

Não se sentir idiota nem culpada por ser legal, disponível e etc. com as pessoas e elas não retribuírem da mesma forma ou da forma que a gente espera.

 

Ninguém tem obrigação de atender minhas expectativas nem me fazer feliz. A responsabilidade de buscar o que me faz feliz, dizer o que quero e colocar limites é minha. Sou eu que devo buscar mais quem me traz alegria e conforto e menos quem não me traz nada de bom na relação.

 

Eu tenho escolha.

 

Bom dia, e boas escolhas pra nós 🙂

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como se tivesse 7 anos

agosto 17, 2018 Leave a comment

cada dia mais eu acho que coisas que não são possíveis de explicar para uma criança de 7 anos, como o otto, a gente precisa rever. essa semana me deparei com um caso curioso, vejam lá:

descobri que o otto gosta de ouvir rádio no carro, o que muito me surpreendeu. ele é da geração de Spotify, NetFlix e YouTube como fontes de lazer e informação, o formato de disseminação de informação com propaganda não faz parte da vida dele, e é repudiado. ele pula as propagandas do YouTube (e assiste pouco, prefere NetFlix), e simplesmente não entende a lógica da TV ter programas “fixos” (que não podem ser controlados) e interrupções regulares longas. Já conversamos inclusive sobre os conteúdos do YouTube que são propagandas disfarçadas de histórias, que servem só pra deixar a gente com vontade de comprar (ele conseguiu perceber isso, mas não deixou de ter vontade de ter e comprar; esse é outro passo da evolução, que não sei se acontecerá).

mas voltando pro rádio — achei curioso ele querer ouvir o cara falando, no meio das músicas aleatórias. imaginei que esse menino que gosta tanto de controle e está familiarizado com a tecnologia podia se irritar com o formato, mas não só não se irrita como gosta. interessante.

mãe preocupada com a questão da propaganda que sou, comecei então a prestar atenção nas propagandas do rádio e… meodeos. são inúmeras, mas tem essa uma propaganda em especial é que bastante repetida aqui na região de campinas (especialmente pela manhã, no horário que vou pro trabalho) e que me deixou muito incomodada: doutor formen.

FOR MEN, no caso, “para homens”, é uma clinica especializada em desempenho sexual. do homem, claro. a propaganda é bem gráfica: “dificuldades com desejo sexual? impotência? ejaculação precoce? temos a solução para os seus problemas, etc. e tals.”

estou longe de ser puritana, e busco sempre explicar as coisas pro otto de forma bem direta, desde muito cedo. já explicamos por alto como funciona o nascimento dos bebês, embora não tenhamos explicado a mecânica pênis-vagina para que o espermatozóide chegue ao óvulo (ele não perguntou detalhes, e somos adeptos de fornecer somente os detalhes que interessam pra criança). dito isso, meus incômodos com essa propaganda são vários, e pensei em como explicá-los pra vocês. decidi fazer um diálogo simulado com uma criança de 7 anos pra tentar ilustrar.

(AVISO: o diálogo abaixo é ficção, mas poderia ser real. vamos assumir que a criança de 7 anos já entendeu o que é sexo)

c7a: “ei, o que é ‘desejo sexual’?”

eu: “é a vontade de ter contato sexual com alguém, vontade de praticar sexo”

c7a: “e o que é ‘impotência’?”

eu: “é falta de potência. nesse contexto quer dizer que um homem não consegue fazer seu pênis ficar duro.”

c7a: “por que ele precisa dele duro? e por que se não estiver é ‘impotência’?”

eu: “o pênis precisa estar duro para poder entrar na vagina. se ele não fica duro, os homens se sentem impotentes e acham que não pode haver sexo. já aproveito pra explicar pra você, criança, que sexo não é só o que acontece quando há um pênis envolvido diretamente ou ele está duro. sexo não é só o pênis na vagina. uma relação sexual acontece mesmo que não haja pênis, inclusive. mulheres também fazem sexo entre si ou sozinhas, sem precisar de um pênis.”

c7a: “mas o que é ‘ejaculação precoce’?”

eu: “quando o pênis fica duro e entra na vagina, depois de um tempo acontece a ejaculação, que é quando os espermatozóides são liberados para chegar até o óvulo, que fica no útero. é assim que os bebês são feitos, através da fecudação do óvulo. ‘ejaculação’ é a liberação dos espermatozóides, e ‘precoce’ é quando essa liberação acontece de forma rápida demais.”

c7a: “por que não pode ser rápido?”

eu: “porque existe essa ideia de que demorar mais para liberar os espermatozóides é bom, porque sexo é uma atividade que dá prazer, é boa. então quanto mais durar, teoricamente, melhor.”

c7a: “e por que o moço tá oferecendo solução no rádio pra isso?!”

eu: “porque há homens que têm problemas com isso, e o prazer e a auto-estima do homem são assuntos importantes o suficiente para merecer anúncio no rádio com soluções pra resolver isso.”

c7a: “e as mulheres não têm problema com isso?”

eu: “as mulheres, criança, têm muitos problemas com isso. elas não são ensinadas a se preocupar com seu próprio prazer e felicidade nas suas relações sexuais. elas não são ensinadas a conhecer e cuidar das suas vaginas. as mulheres são ensinadas a garantir que podem reproduzir, e que estão aptas pra isso. ninguém oferece soluções para que mulheres sejam mais felizes nas suas vidas sexuais.”

OK, admito que talvez não fosse possível (ou razoável) ter essa conversa com uma criança de 7 anos. mas talvez seja viável ter essa conversa com uma criança de 10, 12 anos. precisamos falar disso — por que é normal uma propaganda falando sobre como melhorar o desempenho sexual masculino, o mundo girando em torno do pinto e como ele deve ser duro e apto a ejacular, enquanto não falamos NUNCA sobre a vagina, a vulva, o clitóris, o orgasmo feminino?

alguém já viu uma propaganda tipo “amiga, você tem bons orgasmos durante o sexo com seu parceiro? você sabe se masturbar? nós da PRAZMINA temos dicas pra te ajudar!”

sabem quantas mulheres nunca sequer viram a própria vulva? A MAIORIA. e os meninos enquanto isso, desde pequenos seguem balangando seus pintos pela vida, tirando o dito cujo da calça sempre que possível, a onipresente representação da sua sexualidade em forma de apêndice (que inclusive é tratado como tendo vida própria, olha que maluquice), epicentro de toda civilização.

quantos homens sabem fazer sexo sem pinto? quantos deles sequer consideram que é sexo se não tiver pinto envolvido?

(pra não ser injusta, essa cultura pintocêntrica é tão forte que muitas mulheres também acham que sem pinto não tem sexo, mesmo sendo somente a minoria — alguns estudos falam de apenas 25% — das mulheres que têm orgasmos somente com penetração!)

modosque me incomoda sim ter que explicar essa propaganda bizarra pro meu filho, caso seja necessário, mas me incomoda muito mais a existência tão naturalizada dessa propaganda no rádio quando a maioria dos homens sequer sabe que a entrada da vagina e a uretra são orifícios diferentes e o clitóris é um ilustre desconhecido.

não é à toa que só existe viagra-e-afins pra homens. ainda vivemos numa sociedade em que mulher não tem desejo, tem obrigação.

menos ocupação, mais silêncio

agosto 16, 2018 Leave a comment

Uma armadilha que tento não cair (falho… mas continuo) é a da supervalorização do quanto sou ocupada e faço coisas.

 

Reparem que sempre quem é muito ocupada e faz muita coisa pode até reclamar mas considera isso qualidade e não defeito. E não é que seja necessariamente defeito, mas cada vez mais percebo que ocupar-se é uma forma de mostrar valor, e de evitar o silêncio, a solidão, o tédio, a vida. Como se a desocupação, o ócio, o “não tenho nada pra fazer” fosse a morte.

 

Quanta ansiedade está por trás disso tudo? Não como consequência, vejam bem, mas como CAUSA. Ansiedade de mostrar que pode, que é bom, que dá conta, que é necessário, imprescindível, fundamental.

 

E o medo de não ser nada além de uma partícula, do mundo girar sem minha maravilhosa presença, das pessoas (socorrodeusmelivre) não precisarem de mim?!

 

O pavor de não ser reconhecida por quem eu sou mas pelo que eu FAÇO.

 

Então façamos né, cada vez mais e mais e mais, ocupando tempo e espaço, deixando as fermatas e o mundo quântico dos silêncios e nadas pra depois, quando morrer.

 

“Descanso quando morrer.”

 

Quero descansar agora, um descanso ativo e presente, mesmo que curto. Quero não ser necessária nem suficiente, quero não ter que fazer nada pra merecer existir e ser feliz e amada, só isso.

 

Todo dia aparece pedra no caminho, é inevitável; decidir carregar ou quebrar é uma opção minha. Eu posso também desviar e deixar elas pra trás, seguir viagem.

Categories: elucubrações

Stella Ramos

agosto 12, 2018 Leave a comment

#retratofalado

Como assim não fiz ainda um retrato da Stella?! Ainda bem que hoje é dia dela, e tenho a oportunidade de celebrar essa mulher-espetáculo 🙂

Em alguma esfera, plano de existência, ela é trapezista. Não importa como ela se apresente, tem um quê de circo da década de 20, uma melancolia, um mistério de mil mundos mesclados (a aliteração veio sem querer, influência dela, certeza).

A conheci nos seus 20 e muito poucos anos, e me encantei com sua feminilidade. Ela me parecia tudo que encarna aquela mulher idealizada que não existe: bela, doce, cabelão, voz suave, artista.

Me equivoquei, claro, porque ela é muito mais que isso: a Teca é forte, firme, ela puxa, empurra e quebra as pedras todas.

(Daquele jeito que água tem de quebrar, furar e nunca desistir. Como aliás tantas mulheres sabem fazer tão bem)

A beleza dela, entendi bem depois, vem do seu olhar para a vida, sempre transformando e vendo além, fazendo coisas mundanas parecerem encantadas (ou apenas descobrindo o que nossos olhos já cansados não vêem direito).

Que seus olhos e ouvidos sempre possam ver e ouvir mais, e desdobrar com tanta delicadeza para nós outros. Parabéns ❤️😘🎈

esperando a primavera

agosto 3, 2018 Leave a comment

Agosto é o mês que virou meu segundo favorito na vida (o primeiro é o mês que eu nasci :D) desde 2010.

 

Há 8 anos eu esperava um menino, bastante encafifada com aquela barriga enorme e uma criatura que não parava quieta nem de dia nem de noite, me chutava sem parar.

 

Idealizei bastante aquele parto, e sublimei a ideia de cuidar de uma criança (até porque nunca me senti capaz de). Os dias frios foram passando, com muito sol, e a jabuticabeira encheu de flor, lotou.

 

(Mataram ela há uns anos. Quem mata uma jabuticabeira de dezenas de anos? Quem?!)

 

Saiu tudo diferente do plano, claro. Mas conto mais no decorrer do mês. Por agora, digo que todo mês de Agosto eu revivo essa espera que foi a na suspensão em outro universo, que só reconheço agora. Um mundo de flores, sol e pasmo (e esse, mal sabia eu, não passaria jamais).

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