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Archive for the ‘elucubrações’ Category

un-coach

junho 6, 2017 Leave a comment

há 3 anos mergulhei de cabeça nas discussões sobre gênero, diversidade em geral (inclui etnia, orientação sexual, gênero, introversão x extroversão… tudo que eu consegui pensar), e há mais tempo ainda já estava envolvida em ajudar pessoas a se desenvolver em suas carreiras. sou líder de pessoas há 15 anos, e essa é a parte que mais amo do meu trabalho.

tenho feito palestras nos últimos 10 anos, nada profissional, sempre como voluntária, dentro e fora da empresa. falo normalmente para profissionais (de IT ou não), interessadas em se desenvolver como executivas ou líderes. no ano passado recebi meu primeiro convite para falar para moças jovens sobre carreira, e foi incrível. percebi o quanto eu estava desconectada dessa realidade de quem ainda não começou ou está começando sua carreira, e mais desconectada ainda da realidade de quem não está no mundo corporativo e nem quem entrar nele. na época em que eu era menina, “trabalhar em firma grande” era o que havia de mais maravilhoso como meta e resultado na vida.

hoje as coisas são muito diferentes — inclusive por causa da tecnologia — e isso é sensacional. levei um chacoalhão de realidade e depois do choque, eu amei.

fiz essa apresentação aqui pra 2 audiências bem jovens e recebi perguntas muito legais, e a maioria gostou e me procurou pra falar mais. não tenho intenção alguma de dizer pras pessoas o que fazer, o que quis foi contar um pouco da minha trajetória, das coisas que penso e sinto. dou algumas dicas bem simples que acho úteis, que podem ajudar a organizar os desejos e demandas (que vêm de diferentes fontes) também.

me perguntaram na última palestra: “você acha que todo mundo deve fazer faculdade?”

e eu respondi, já avisando que os pais iam me odiar: NÃO.

a gente deve fazer o que se vê feliz fazendo. e “feliz” aqui é bem amplo, e passa também por assumir a responsabilidade por suas escolhas. não há opção na vida completamente boa, não há como escolher sem abrir mão de outra coisa… o que dá pra fazer (e muito recomendo) é tentar se entender melhor, tentar entender melhor o mundo ao redor, e fazer escolhas que sejam alinhadas com o que pensamos e sentimos.

o problema é que muito mais fácil falar do que fazer 🙂

a boa notícia é que SEMPRE é tempo de mudar, rever o que escolhemos e tentar diferente.

e o título é porque, depois desse papo com a molecada, fiquei pensando que sou quase uma coach ao contrário — ao invés de sugerir carreiras, e dar dicas de desenvolvimento de competências complementares, tento convencer as pessoas a ouvir mais seu coração, não insistir em melhorar em coisas que NÃO são boas, e ao invés disso valorizar o que já têm de bom e buscar explorar mais isso.

não vou ficar rica fazendo isso, mas fico bem feliz 😀

sobre ser vista e ouvida

maio 29, 2017 Leave a comment

Conflito não é sinônimo de violência.

 

Discordância não é sinônimo de briga.

 

Às vezes a violência e a briga são necessárias, tem coisas que não mudam sem isso. Há momentos em que só tirar o chão e chacoalhar estruturas funciona pra mudar.

 

Mas nem sempre.

 

E percebo que tem horas que a briga e a violência são menos uma forma de melhorar o mundo e mais uma forma de fazer o mundo olhar pra você e reconhecer que você existe.

 

(Como a criança que enfrenta os pais ausentes porque qualquer atenção, até a surra, é melhor que nenhuma)

 

Eu existo! Estou aqui, e quero ser enxergada e ouvida.

 

Mas tento todo dia, de coração, ser percebida sem precisar atropelar ninguém pra isso.

Walk the talk

maio 18, 2017 Leave a comment

[15-Maio-2013]

Walking the talk é essencial. Não só para dar o exemplo, quando temos filhos/crianças que desejamos inspirar e educar, mas principalmente para ser feliz.
Quando mentimos pra nós mesmos (e é isso que fazemos quando falamos uma coisa e fazemos outra!) gastamos uma energia enorme no processo de justificativa, seja pra nós ou para os outros. A inteligência às vezes é nossa inimiga, ela nos ajuda a inventar desculpas pra não fazer o que falamos.

De todos os esforços que faço na vida para ser uma pessoa melhor, o maior deles é fazer eu mesma o que digo aos outros que deve ser feito. E me empenho também em parar de dizer coisas que não consigo (ou quero) fazer. Procuro todo o tempo deixar pra lá o discurso vazio, que só serve pra me dar uma falsa sensação de aceitação quando quem ouve concorda e acha lindo o que eu disse. Dispenso confete, não me agrega nada.

Cada vez que escrevo algo, ou abro a boca pra manifestar meu pensamento, reflito se o que vou dizer pode ser importante e principalmente se realmente acredito e pratico o que digo. E erro, vira e mexe, graças ao ego, esse danadinho.

Por isso aqui está essa reflexão, menos para dar exemplo ou conselho, e mais para convidar cada um que lê a prestar atenção ao que fala/faz.

Consistência e coerência, combinados com uma dose de humildade (deixando o ego de lado um pouco) ajudam a ser feliz, a ter paz. Essa é minha meta 🙂

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das tantas coisas que não entendo

dezembro 12, 2014 Leave a comment

punheta emocional. ficar pensando como seria, como será, como poderia ser e não foi, e o inútil exercício do “e-se”.

por que procurar motivos outros, escondidos, desconfiar, testar, colocar à prova? não é muito mais fácil interpretar as coisas da forma mais simples, e óbvia, ao invés de inventar histórias elaboradas?

as pessoas frequentemente são mais simples do que parecem, aprendi. não existem grandes complexidades, males ou benevolências. mais comum é a distração, o impulso, o agir automaticamente, o hábito ou vício. quem de nós pensa tanto assim pra fazer o que faz no dia a dia?

às vezes a gente só esquece, ou lembra; não tem intenção, maldade ou desejo de agradar. as coisas muitas e tantas vezes são exatamente o que são, algumas vezes são o que parece, e raramente são algo extraordinário.

que bom. o extraordinário cansa. pensar demais cansa muitíssimo. sentir sentimentos imaginados, então? nossa, que labor.

gosto mais da simplicidade, e ejeto pensamentos e sentimentos ilusórios, punheteiros, obsessivos.

aqui, agora, neste instante, e respondo sem pensar, sem sentir, curto-circuito.

**

‘segue o teu destino

rega as tuas plantas

ama tuas rosas

o resto é sombra de árvores alheias’

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para o meu pai

agosto 10, 2014 Leave a comment

Não dou bola pra dia dos pais, até porque procuro amar meu pai todos os dias e em todas as oportunidades.

Mas não custa aproveitar pra lembrar de tudo que faz dele o melhor pai que eu poderia querer, ou vendo de outro ângulo, lembrar que sou quem eu sou graças a ele. Somos diferentes, muito, mas tem tanto de mim que foi moldado pela maluquice crônica dele, e estou certa que esse meu jeito de colorir o mundo e as pessoas e ver arco-íris onde só tem nuvem vem dele.

Foi com ele que aprendi a contar histórias e ver o lado bom de tudo, de todos. Definitivamente foi dele que aprendi a não dizer não (e desaprendi depois, para o meu bem).

E também aprendi que ser pai é bem mais que ser provedor, presente, ou essas coisas todas. Pai precisa ensinar a gente a voar, a arriscar, a acreditar na gente mesmo e ir pra vida, e ele ensinou direitinho.

Beijo e amor, Papi. Beijo pra todos os pais daqui, e outro pras mães que são pais.

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De como a gente fica mal acostumada depois que sai do inferno

junho 1, 2014 Leave a comment

Aqui no interior é difícil dirigir, porque as pessoas são (1) desatentas ou (2) folgadas / sossegadas, ou as 2 coisas juntas. Xingamentos, ameaças e stress gratuito definitivamente não acontecem com frequência. Para ser sincera, em 6 anos aqui nunca me aconteceu nada nem parecido com o episódio de hoje em SP.

16h, rua tranquila. Eu paro para fazer uma conversão, na esquina, vejo um carro vindo e calculo que posso entrar. Entro, dá tranquilo, o cara nem precisou frear, mas… Ele ficou bravo que eu entrei. Aparentemente eu não podia ter entrado na frente dele, mesmo dando tempo, mesmo sem “fechar”.

Demorei a perceber um senhor (60, 70 anos?) num táxi COM passageiro, parado em fila dupla do meu lado, aos berros. Meu carro é alto, eu estava no viva voz e não notei o escarcéu. Não abri o vidro, fiz sinal que não estava escutando e indiquei com as mãos tipo “blá blá blá” e fiz tchau. O trânsito andou, eu também, ele ficou pra trás.

O trânsito muito lento, eu a 20km/h, quando chega a 1a saída eu sinto uma batida no meu carro! O senhor estava atrás de mim, esperando a 1a saída para bater no meu carro e “fugir”, que foi exatamente o que ele fez. Olhei pra trás, quando senti a batida, e ele “fugindo” fez um sinal corporal de “viu? Bem feito!” ou algo assim. Uma vingança porque eu ousei entrar na frente dele e depois ignorá-lo na sua fúria histérica.

Eu realmente não me incomodei nem um pouco com a reação, e nem mesmo com a batida. Olhei há pouco o resultado — alguns arranhões que devem sair com polimento, eu acho.

Muito pequeno, o estrago no carro. Realmente irrelevante pra mim, que não dou bola praquele monte de ferro que me transporta. Não senti raiva e sequer me ocorreu ir atrás e nem xingar. Eu dei “tchauzinho” depois que ele me bateu.

Fiquei surpresa com minha tranquilidade. Fosse outro tempo, eu teria entrado no bate-boca e xingado, sei lá. Teria raiva. Dessa vez eu senti, de verdade, muita pena. Desejei que ele seja feliz, quem sabe, e que um carro entrando na frente dele não seja assim tão revoltante a ponto de estragar o próprio carro pra tentar se vingar.

Só consigo pensar que numa próxima ocasião tentarei ser gentil, e dar passagem, pra ver se compenso o mal que alguém possa pensar que eu fiz.

A vida sem ódio e stress é infinitamente melhor, gente. Tou aqui pra contar isso pra vocês: mudem enquanto podem. Ser feliz depende só das nossas escolhas mesmo.

Paz. 

Categories: elucubrações, opiniões

para minha mãe

maio 1, 2014 Leave a comment
Mãe é norte, lastro, âncora. Sopa quente num dia frio, chá na doença, cama fofa quando estamos cansados. Pra mim, mãe é acordar de manhã junto com o sol com uma carícia, um cafuné, e com cheiro de café recém passado. É a cozinha sempre cheirosa de coisas boas, é roupa lavada e dobrada com cheiro de sol. É a estante de livros cheia de histórias novas, uma pilha de LPs e inúmeras fitas cassete compradas na Praça da Sé, com as canções do momento. É o salto alto, a maquiagem, a beleza além de qualquer alcance (minha mãe sempre foi a mulher mais bonita que eu conheço), o sorriso que ilumina a casa toda, mesmo nos invernos mais tenebrosos. Mãe é também virar amiga, quando a gente deixa de ser criança, e saber ouvir e silenciar, quando não tem mesmo o que dizer. E, pra sempre (porque ela vai viver sempre dentro de mim), a voz da razão, aquela que me falta tantas vezes. A voz que diz “acredite nos seus instintos” e “não confie cegamente nas pessoas”. São 42 anos e ainda não aprendi, mas não é por falta da voz falar Nossa jornada é bonita. E quando a bússola quebrou, faltou, percebi finalmente que o trabalho dela foi perfeito, e agora eu também posso ser Norte, lastro, bússola. Foi com orgulho que dei a mão e o colo pra ela, que sempre foi meu chão.

Ninguém “é” mãe. A gente se torna, quando encontra em si a força e amor para estender a mão, olhar no olho e dizer a verdade, acolher quando não há o que dizer, e ir pra cozinha passar um café quando tudo o mais falhar.

Me tornei mãe bem antes de sê-lo biologicamente. Além da minha mãe, minha pedra fundamental, tive muitas mães nessa vida, várias delas homens. Meu filho me ensinou (devagar, e ainda ensina) a ser mãe de um ser humano em formação, a experiência mais louca e incrível que já vivi. A parte mais bonita de ser mãe de um ser humano que se forma é reviver, cheia de espanto, o processo de tornar-se humano. E assim também apaixonar-se pela vida, pela delicadeza dos detalhes milagrosos que assistimos todos os dias.

Ser mãe é aprender a enxergar (e amar) a trama da vida.

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Mami Vera, sempre te amei, mas você tinha razão: a gente ama ainda mais nossa mãe depois que tem filhos. Obrigada por me escolher, e por sempre me apoiar.

bibigão

janeiro 9, 2014 2 comments

Ontem tive uma onda (boa) de nostalgia quando vi uma foto no IG: um balde cheio de bibigão (o nome “correto” é berbigão)! Quando criança, íamos à praia do centro em Caraguá, nas férias, e enchíamos os baldinhos desses mariscos. A minha mãe levava pra casa e fazia arroz com eles, e a gente comia lambendo os beiços. Lembrei de todas as inúmeras férias que repetimos o mesmo ritual, dia após dia,naqueles dias quentes de verão. Fiquei com saudade das férias com meus irmãos e primos, da casa da minha avó pertinho da praia, do picolé na beira do mar.

E pra matar a saudade, hoje almocei espaguete com frutos do mar, cheio de marisco com casquinha, e o Otto experimentou pela primeira vez (adorou! E tirou o marisco da casca como se tivesse feito isso a vida toda).

Nada é mais importante e valioso que as experiências afetivas, que as viagens e a vivência familiar. Essas lembranças são como tesouros, só esperando para serem resgatados. 

wave

janeiro 8, 2014 2 comments

fui criada na praia, mesmo morando em são paulo. fins de semana e longas, longas férias, de inverno e verão, sempre foram passadas na praia. e o mar era como uma segunda casa pra mim, não me lembro de quando não nadava ou não mergulhava.

piscina não fazia muito parte da minha vida, mas nadar no rio era bem comum. mas tão distante de nadar no mar quanto a noite e o dia — pra mim o mar é temperamental, ardido. o rio, mesmo caudaloso, é tranquilo, doce.

aprendi a pegar jacaré muito pequena, com meu pai e irmãos. era uma das nossas brincadeiras favoritas, com prancha ou sem. e um pouco maiores, brincávamos em praias bravas, “de tombo”. e quem já frequentou praia de tombo sabe como é — dá medo, porque a gente é arrastado, mexido como se estivesse na máquina de lavar. perde o pé, completamente, e se não tiver cuidado morre afogado MESMO.

mas ainda pequena fui ensinada (provavelmente pelo meu pai) a lidar com as ondas, e com os “tombos”: manter-se EMBAIXO da água; ficar de olhos abertos, observando; ficar no fundo, evitando a arrebentação; não se debater, que gasta energia à toa; nadar para áreas mais calmas logo que possível; ter calma, que vai passar.

parece fácil, mas é difícil. a última parte, em especial, quando você está lá embaixo daquela montanha de água e acha que vai morrer sem ar, que a onda nunca vai acabar. se você desesperar ou resistir, piora. não dá pra brigar com uma montanha de água, é preciso CEDER.

bem mais tarde, já mulher adulta, me vi enfrentando ondas que não eram de água. montanhas de sentimentos, problemas, e completamente sem ar, pronta pra afogar. e sei lá como lembrei que afinal eu sabia como furar ondas, e comecei a procurar a calma dentro de mim. tive que a esperar e me acalmar, simplesmente aceitar que há montanhas maiores que eu e que às vezes me cabe ceder, somente. a hora de emergir sempre chega, é só observar.

com um beijo, pro Kazi.

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quando sua mãe diz que é gorda

outubro 23, 2013 Leave a comment

texto lindíssimo, traduzido neste blog: uma carta de uma mulher à sua mãe, contando como se sentia quando a mãe se auto-depreciava, e como sempre a viu como uma mulher linda.

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cada vez que uma mulher que influencia outras (direta ou indiretamente; de propósito ou não) se deprecia, ela atrapalha a auto estima das que se inspiram nela ou a amam.

cada vez que uma mulher comemora que “pode” usar a roupa X ou Y ou fazer Z porque está magra, machuca e atrapalha as demais ao seu redor, que procuram por referências e inspiração.

o que fazer? parar de julgar nossa aparência e nosso corpo, para o bem é para o mal. tratar nossos corpos como instrumentos que são, recipientes, nossa casa. com respeito e amor. assim, ensinamos aos nossos filhos, amigos e família que é OK ter qualquer tipo de corpo. parar de valorizar tanto emagrecimento ou body building. simplesmente parar de valorizar o que não devia ter tanto valor.

narciso vai gritar. deixa ele morrer de fome e sede, já vai tarde.