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história #38: flávia durante

Não lembro exatamente como conheci o seu blog, devo ter conhecido quando criei o meu, também há dez anos… Nos gostamos e criamos juntas o Delícias Cremosas. Certa vez nos desentendemos na lista interna do blog e, como não sou de confronto, acabei saindo do blog, confesso que chateada. Mas nunca me esqueço de quando, eu então recém-desempregada e apertadíssima de grana, você gentilmente convidou pra almoçar em sua casa.

Coincidentemente, hoje moro bem perto desse prédio e toda vez que passo em frente lembro “olha o apartamento da Zel com sala em forma de diamante”. Volta e meia venho parar em seu blog, li que você está grávida, fiquei bem contente com a notícia e agora tomei coragem de escrever. Estranhamentos à parte, você também fez parte da minha história!

Beijosss,

Flávia

www.flaviadurante.net

www.flaviadurante.blogspot.com

@flaviadurante

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pra quem não sabe, a flávia durante fundou o delícias cremosas junto comigo, lá em 2001. eu não tenho a menor idéia de como conheci a flávia, várias lembranças daquela época são meio confusas pra mim, afe. muita gente, muita novidade, uma loucura (além da fase maluca que eu vivia internamente, digamos). mas já falo mais dessa nossa história.

flávia, eu preciso contar um segredo pra você (e agora pro mundo): tenho um problema de memória seletiva gravíssimo. só me lembro voluntariamente das coisas boas 🙂 juro, não é brincadeira, só consigo me lembrar facilmente das coisas bonitas, divertidas, gostosas. exatamente por isso, a lembrança que tenho de você e da nossa convivência é a seguinte: uma moça alta, de presilhas e gloss, com voz de trovão, cheia de idéias e estilo de vuda bem diferentes do padrão e, principalmente, sempre sorrindo.

(sério gente: pra eu lembrar das sacanagens que me aprontam, eu preciso me esforçar e ficar relembrando constantemente, senão dou mole de novo pras mesmas pessoas sem noção. sou uma trouxa de nascença, é isso aí, mas descobri um mecanismo de melhorar :))

então eu realmente não me lembro do nosso desentendimento, mas me conhecendo, tenho certeza que grande parcela da culpa foi minha, senão toda. me desculpa, seja lá pelo que tenha sido, tá? de coração. e explico porque peço desculpas sem nem saber com certeza qual foi o problema: uma das muitas coisas que aprendi sobre mim mesma nestes anos é que não devo participar de listas de discussão, fóruns e coisas dessa natureza. os motivos são principalmente 3:

1) tendo a ser verbalmente agressiva, mesmo que não tenha essa intenção. cultivo minha assertividade, mas tenho consciência que ela às vezes beira a agressão, especialmente quando estou muito convicta do que penso. tenho que pesar muito bem a forma de falar/escrever, com um pouco mais de sensibilidade à reação do outro, o que me leva ao próximo item…

2) comunicação não-verbal ajuda a amenizar muito o conteúdo da mensagem, e acho que consigo balancear bem o verbal/não-verbal no dia a dia (a menos que eu esteja muito brava, aí o não-verbal confirma o resto :D). o problema é que por email só tem letrinhas, sem apoio do não-verbal…

3) é muito fácil “falar” certas coisas por letrinhas, sem olho no olho. me dei conta que certas coisas que escrevia eu não falaria se estivesse com a pessoa bem na minha frente. e não é por medo, não (acreditem, eu não tenho medo de enfrentar basicamente ninguém cara a cara), é por respeito ao outro. há coisas que simplesmente não devem ser ditas, por mais que sejam verdadeiras. palavras machucam mais que agressão física, e muitas vezes não há necessidade nenhuma de dizê-las, nós falamos só “porque sim”, porque queremos nos livrar do rancor, veneno, mágoa. ou porque queremos ferir, deliberadamente. a questão é que ferir alguém por email é super fácil, porque não precisamos lidar com a reação imediatada de dor do outro, então não sentimos culpa ou simpatia. não nos colocamos no lugar do outro, e acabamos nos permitindo ser escrotos e inconsequentes.

vocês que me acompanham aqui sabem que estou longe de ser ou me achar perfeita. questiono meus motivos e minhas ações com frequência, e nem sempre gosto das conclusões. e é por isso que acredito que a flávia tem razão de ter se chateado comigo, é bem provável que eu tenha sido uma escrota. sei que não justifica, mas no fundo sou uma pessoa do bem que erra. e tento consertar, da melhor forma.

flávia, morro de saudade daquele apartamento lindo na bela cintra. tenho tantas lembranças dele, TANTAS. meu primeiro casamento, meus primeiros furões, a primeira separação, a festa de despedida de casada, almoços constantes no mestiço, meu primeiro carro… foi o apartamento mais bonito que já morei na vida. uma época de altos e baixos (e tantos) que me cansa até de lembrar. e você esteve lá 🙂

você fez parte dessa época da minha vida e deste blog, sim, e não foi pouco. criar e manter o delícias cremosas por alguns anos foi divertido e muito esclarecedor, aprendi sobre mim mesma e sobre esse mundo de celebridade blog (seja lá o que isso signifique).

obrigada não só por fazer parte dessa história, mas principalmente por me fazer lembrar da minha própria história.

um beijo enorme!

One comment to “história #38: flávia durante”
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