De como a gente fica mal acostumada depois que sai do inferno

Aqui no interior é difícil dirigir, porque as pessoas são (1) desatentas ou (2) folgadas / sossegadas, ou as 2 coisas juntas. Xingamentos, ameaças e stress gratuito definitivamente não acontecem com frequência. Para ser sincera, em 6 anos aqui nunca me aconteceu nada nem parecido com o episódio de hoje em SP.

16h, rua tranquila. Eu paro para fazer uma conversão, na esquina, vejo um carro vindo e calculo que posso entrar. Entro, dá tranquilo, o cara nem precisou frear, mas… Ele ficou bravo que eu entrei. Aparentemente eu não podia ter entrado na frente dele, mesmo dando tempo, mesmo sem “fechar”.

Demorei a perceber um senhor (60, 70 anos?) num táxi COM passageiro, parado em fila dupla do meu lado, aos berros. Meu carro é alto, eu estava no viva voz e não notei o escarcéu. Não abri o vidro, fiz sinal que não estava escutando e indiquei com as mãos tipo “blá blá blá” e fiz tchau. O trânsito andou, eu também, ele ficou pra trás.

O trânsito muito lento, eu a 20km/h, quando chega a 1a saída eu sinto uma batida no meu carro! O senhor estava atrás de mim, esperando a 1a saída para bater no meu carro e “fugir”, que foi exatamente o que ele fez. Olhei pra trás, quando senti a batida, e ele “fugindo” fez um sinal corporal de “viu? Bem feito!” ou algo assim. Uma vingança porque eu ousei entrar na frente dele e depois ignorá-lo na sua fúria histérica.

Eu realmente não me incomodei nem um pouco com a reação, e nem mesmo com a batida. Olhei há pouco o resultado — alguns arranhões que devem sair com polimento, eu acho.

Muito pequeno, o estrago no carro. Realmente irrelevante pra mim, que não dou bola praquele monte de ferro que me transporta. Não senti raiva e sequer me ocorreu ir atrás e nem xingar. Eu dei “tchauzinho” depois que ele me bateu.

Fiquei surpresa com minha tranquilidade. Fosse outro tempo, eu teria entrado no bate-boca e xingado, sei lá. Teria raiva. Dessa vez eu senti, de verdade, muita pena. Desejei que ele seja feliz, quem sabe, e que um carro entrando na frente dele não seja assim tão revoltante a ponto de estragar o próprio carro pra tentar se vingar.

Só consigo pensar que numa próxima ocasião tentarei ser gentil, e dar passagem, pra ver se compenso o mal que alguém possa pensar que eu fiz.

A vida sem ódio e stress é infinitamente melhor, gente. Tou aqui pra contar isso pra vocês: mudem enquanto podem. Ser feliz depende só das nossas escolhas mesmo.

Paz. 

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