Arrebatamento

Hoje tive uma iluminação cuja explicação científica não conheço mas certamente existe, a respeito do arrebatamento que tem me causado as cores de outono aqui nessa região do hemisfério norte.

Eu ando pelas ruas boquiaberta, encantada, não sei pra onde olhar, nem o que fotografar pra guardar de lembrança. É tudo absurdamente bonito ao redor, as árvores com tantas cores que não dá pra contar, a temperatura fresca, o céu azul (ou a chuva, que deixa tudo igualmente lindo).

A sensação, a emoção (percebi hoje!) é idêntica à que vivencio quando escuto música erudita, em especial Bach. Imagino que todo mundo sinta algo similar, mas pra mim é uma experiência de super estímulo, através da harmonia e tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo com tamanha beleza e SENTIDO, que eu choro. É uma emoção que não tem comparação; não é exatamente alegria, é o ápice do prazer e fruição estéticos, uma experiência que acelera o coração, traz lágrimas pros olhos, uma felicidade por estar vivo e sentindo aquilo tudo.

(Vocês também sentem isso, né? Seja lá qual for o meio que inspira vocês)

Eu já estive em muitos lugares tão lindos que são de tirar o fôlego. Aquela beleza que você sente UAU, difícil até de absorver. Já estive em lugares assim feitos por humanos e também na natureza.

Mas essa sensação de estar cercada pelas cores de outono é a primeira vez, e a sensação e emoção são idênticas àquelas de escutar Bach. Cercada por sutilezas incontáveis de luzes, de cores, tudo simultâneo, dá tilt no meu cérebro e a emoção me domina, me arrebata. Eu fico falando sozinha enquanto caminho ou dirijo, “AH! Meodeos, que lindo, que lindo”, é desnorteante.

Me perco na emoção, na experiência estética e física, a vontade é sentar no chão e contemplar aquele nível de beleza e perfeição que não tem explicação, que nosso cérebro reconhece mas não sabe como lidar.

Sou TÃO grata por poder viver isso. A simples observação e contemplação de um fenômeno natural, que me oferece níveis tão sofisticados de emoção e alegria.

Obrigada, outono. Obrigada, vida.

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