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Clarice Lispector é minha autora favorita. O que é um saco, porque ela virou um clichê ambulante, e gostar muito dela ficou esquisito nos últimos anos. Mas é, desde que li pela primeira vez “Laços de Família”, com 15 ou 16 anos. E reli 1000 vezes, e saí lendo tudo dela. E mesmo quando não entendo nada eu amo, porque o jeito que ela escreve é mágico, e não precisa sempre fazer sentido.

 

30 anos depois de tê-la lido pela primeira vez eu escuto sua voz e a vejo em vídeo. Acreditam? Nunca nem me ocorreu procurar nada dela pra ver, e esse vídeo chegou a mim por acaso.

 

Estou sentindo uma mistura de encantamento e ternura. Ela é minha ídola, quase sobrenatural, mas esse vídeo me mostrou uma humana muito cheia de questões, mau humor, dúvidas. E ela é ainda mais incrível por isso tudo, por ser humana e cheia de questões. Por negar a condição (o status, talvez) de escritora. Por admitir não entender seus próprios textos.

 

Os escritos dela me tocam profundamente, o estilo dela me encanta como feitiço. Admirava muito a escritora pela obra, e agora senti amor e uma mistura de alegria e melancolia vendo ela falar. Morreu tão cedo. 💔

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Na entrevista ela menciona que suas obras favoritas são o conto “o ovo e a galinha” (amo. E ela diz que é um mistério pra ela, que não entende o próprio conto hahhaha) e a história do Mineirinho, que morreu com 11 (ou 13? Ela não lembra ❤️) tiros, quando apenas 1 bastava. O primeiro tiro é ele que morre, os demais quem morre somos nós.

 

Ah, Clarice.

 

Aí o Fernando (ouvindo de longe a entrevista aqui) lembrou dessa música da Fatima Guedes, e parece coincidência demais né? Deve ter relação.

 

Elis ao vivo, essa música, Clarice.

 

Vale a pena estar vivo só pra ler, ouvir, sentir isso tudo, a despeito de tudo o mais.

Categories: livros, música
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