apanhado do facebook: dezembro

E aí que o Otto ganhou de Natal uma bicicleta (“UMA MOTO!” ♥), eu ganhei uma lomo e o Fer ganhou uma miniatura do US-P40 (Pearl Harbor, 1941). E o Otto gostou da bike mas gostou MUITO MAIS dos nossos presentes 

Vamos ter que esconder, pode?!

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Estava eu tomando banho hoje cedo, e o Otto aparece com uma colher de pau na mão e bate (forte) na porta do box pra chamar minha atenção.

Eu, P da vida, abro a porta e grito com ele: “OTTO! Não pode bater nas portas e janelas, o vidro pode quebrar e machucar você!”

Ele, mui calmamente responde: “eu não escuto e não entendo quando você grita, tá, mamãe?”. E sai.

TOMA.

#orgulho

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Estava vestindo o Otto antes de sair e expliquei que a gente estava indo pra Marília, pro Natal na casa da vovó.

Eu: “tá com saudade da vovó e do vovô?”
Otto: “tou com saudade. E da minha Paula também! Eu vou ABRAÇAR elas quando chegar lá!” (CAPS dele mesmo, tamanha a intensidade)

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Ser pai deve ser difícil, eu admito. Otto chora dormindo, o Fer  vai consolar e o menino avisa: “mas eu tou chamando A MINHA MAMÃE!”.

E lá vou eu…

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Enquanto eu respondia emails e lia e escrevia aqui no FB a quiança via Wall-e pela milionésima vez e COMIA UM CARIMBO AZUL.

E eu comprei o carimbo tão feliz, pra carimbar os postaizinhos que vou mandar pra vocês! Era uma pipa…

Menino tá com a boca e mãos azuis (nem olhei os dentes). Dei leite (será lenda que ajuda quando comemos coisas inapropriadas?), dei bronca, lavei a boca com sabão (só fora, pô).

Aí ele diz “desculpa, eu não queria ter comido seu CACHIMBO”, e pede uma cenoura.

Como não amar?
<3

Quando eu disse que o Otto comeu o carimbo, não é que ele colocou na boca; ele MASTIGOU e ENGOLIU a parte do carimbo que tinha tinta. Era uma camada porosa, tipo giz.

Já elvis.

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Domingo na casa da Cle o Otto começou a desenhar, fez um A gigante, que eu achei que era uma nave, sei lá, perguntei o que era. “Um A-zão, mamãe”. E fez um A pequeno. E um I. Perguntei de novo “o que é isso que você desenhou, Otto?”. “Eu escrevi pApAI, olha!”

=O

Da direita pra esquerda, como sempre, e sem as consoantes.

Alguém explica o cérebro dessa quiança japonesa?

#waldorfdecesárea

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agora sim o bicho pegou — hoje de manhã o otto me abraça e diz “não vai trabalhar não, mamãe, eu quero muito que você fique aqui comigo”.

ME DIGAM COMO PROCEDER PRA NÃO LARGAR O SELVISSO?

(no caso eu expliquei que voltava no fim do dia, pedi um beijo e abraço bem apertado — e ele deu –, ofereci uma banana de café da manhã, e ele aceitou e me deu tchau)

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Juro que queria entender o cérebro das crianças — mostramos pro Otto o curta do robô que vem junto com Wall-e (a contragosto, ele não quer ver nada novo). Passou o curta todo reclamando e no final começou a chorar, dizendo que não queria ver e que estava com medo (!). OK, tiramos, acabou.

“Vamos ver de novo o do robô que conserta?”

Sim, o que ele acaba de dizer que não queria e que estava com medo.

Estamos na repetição #4.

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Totalmente opinião, achismo mesmo, mas quanto mais observo problemas de cuidadores e crianças que não comem mais acho que a chatice de algumas crianças pra comer tem 2 causas somente (às vezes combinadas):

1) mau exemplo — a criança observa os seus sendo chatos (ou seja “não gosto disso, não como aquilo”) e imita (incrível como as pessoas não se tocam disso)

2) queda de braço — a criança percebe que comer/não comer é uma questão excessivamente importante para os que cuidam dela e usa isso como arma, afinal é uma das poucas situações em que ela pode estar 100% no controle

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Otto aprendeu a dar “beijo de cachorro” e agora somos contemplados com lambidas na bochecha. DILIÇA.

E hoje pela primeira vez ele (depois de me “roubar” um abraço), comemorou com dancinha e NÃ-NÃ-NÃ-NÃ!

Depois a gente aperta e morde e chamam o conselho tutelar 🙂

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sei que tem quem curta muito bebês (não é meu caso), e talvez ache estranho o que vou dizer, mas quanto mais o otto cresce mais legal fica e mais eu amo esse ogrinho.

já disse uma vez que o amor não-verbal dos nossos filhos, o contato físico, é uma das coisas mais lindas e intensas que já senti. mas confesso, analítica que sou, que o domínio da fala pela criança é um marco excepcional, que muito me toca e faz feliz.

hoje, por exemplo, eu disse pra ele “te amo, gatão!” e ele respondeu “e você é uma mamãe muito especial pra mim!”.

tem como não derreter numa poça de purpurina e morrer de amor?
<3

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Desde que me lembro (e não me lembro de crer ou não em Papai Noel) Natal é sobre estar junto, preparar e repartir aquela refeição especial com pessoas que eram também especiais.

Houve anos em que as pessoas não eram tão especiais, e me ressenti muito. Num ano específico, cuja comemoração foi um completo desastre pra mim, decidi que nunca mais passaria nenhum Natal sem pessoas que eu amo ao meu lado.

De certa forma essa foi uma decisão em relação ao Natal que se estendeu para a vida desde então — não admito mais me cercar de pessoas que não me fazem bem, nem de situações que me incomodam. A vida é curta, os dias passam como furacão, não posso me dar ao luxo de ser infeliz ou me privar da companhia dos que eu amo.

Natal não é sobre consumir (comida ou presentes), pra mim. É sobre dividir e compartilhar a vida. Os presentes são só um detalhe (divertido, eu confesso. Adoro!), importante é a presença.

Sobre Papai Noel não sei se vou ensinar ao Otto, mas sobre a importância de estar entre os que a gente ama pra dividir uma boa refeição eu tenho certeza que vou 🙂

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Hoje fomos a um pic-nic organizado pela Mawá, Weno e amigos, e tive a experiência mais curiosa: as pessoas chegavam para cumprimentar O OTTO, dizendo coisas como “oi, Otto, você não me conhece mas eu conheço você! Você é uma webcelebridade!”

=O

E eu subitamente virei A MÃE DO OTTO, que todo mundo conhece e adora e quer tirar foto junto.

Morremos de rir com a modernidade e o inusitado, e também com a não-vocação do menino para o sucesso, já que ele recusou beijos, abraços e conversas com basicamente todo mundo e só foi simpático com os amigos que ele conhece e ama.

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[dezembro] O Fer  chegou da rua cheio de amor — pão de semolina quentinho e coxa creme pra nós (Otto já almoçou). Mas não contava com o ataque do ogro, que decretou que a coxa de brontossauro era dele. Dançou, papai (a minha eu comi mais que rápido :D)

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Uma coisa interessante que percebi — eu falo bem sério com o Otto (tom) e às vezes funciona, às vezes não. Mas quando eu estou realmente preocupada com a segurança dele, algo no meu tom de voz se altera e ele me obedece imediatamente.

Perguntei à minha mãe — “você sempre teve essa ‘voz de comando’! Como faz isso? Dá pra treinar?  Eu só faço sem querer.”

Resposta dela: “tenha 3 filhos e a voz de comando vem naturalmente, hahahhahaha”

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Otto hoje tava tão mala de manhã que nem comer quis — almoçou 2 pães sírios e sorvete de banana. Deixei, sou contra insistir pra comer, acho que a fome sempre resolve o problema (nunca soube de criança que morreu de fome voluntariamente).

Depois da soneca da tarde comeu mais sorvete com o Fer, os dois são viciados.

Agora no jantar, então, eu já estava esperando o ataque dos vermes malditos: comeu 2 pratões de arroz integral, feijão, carne com abobrinha, e um prato bem bom de salada de cenoura, beterraba, pepino e coalhada. E DUAS mangas. E agora, 15min depois, quer banana.

A lombriga se ressentiu do almoço espartano, suponho.

calendário

há muito tempo eu quis

fazer uma canção

pra gente viver mais.

 

otto,

 

essa é provavelmente a mais importante carta que escrevi aqui nesse espaço até o momento. tenho contado sobre seu desenvolvimento, pequenas histórias que se perderiam no tempo não fossem esses escritos e sobre como me sinto, sempre num esforço de montar o mosaico que é a vida de cada um de nós para sua apreciação um dia. uma experiência única, já que não sei o quanto isso já existe por aí e se haverá alguma outra pessoa contemporânea sua com a mesma experiência de ler os escritos de sua mãe destes anos que a maior parte de nós não lembra, a não ser através das anedotas familiares.

você vai ter mais que as histórias dos mais velhos — família e amigos — pra saber como foi sua infância, e acho que isso é bom. você conta melhor um dia como foi ler tudo isso!

mas hoje queria contar que tive momentos de profunda tristeza e pesar pensando no futuro, e não há absolutamente nada que se possa fazer a respeito. só posso registrar, aproveitando alguns minutos do meu tempo para oferecer mais de mim pra você — tenho hoje 41 anos, e você tem 3. sem nenhuma intenção nem motivo, projetei você para o futuro na idade que tenho hoje (como seria, como será?), e me dei conta que quando você tiver 41 anos eu terei 79 anos. SETENTA E NOVE. com sorte, claro, se eu de fato estiver ainda aqui (é muito provável, mas…). serei uma senhora muito idosa, enquanto você estará no auge da sua vida adulta.

sua avó e avô, meus pais, têm respectivamente 60 e 63 anos neste ano que escrevo. são senhores, claro, mas longe de serem idosos, são muito ativos e têm muitos anos pela frente ainda, tomando a história da família como referência. já têm netas de 12 anos, além de você, e é possível que conheçam seus bisnetos, se eles vierem.

fiquei tão triste, tão profundamente triste em pensar que no momento em que você chegar ao auge da sua vida eu estarei chegando ao fim da minha! queria conhecer você mais velho, meus netos, meus bisnetos. mas minha opção por ser mãe mais tarde, com tudo o que tem de bom, tem isso de mau (e não é pouco). sofri, porque pensei em como seria triste não ter meus pais por aqui em apenas alguns anos, que é o que provavelmente acontecerá com você.

meu filho, saiba que eu daria tudo pra poder ficar mais, o máximo possível, com você. que cada ano, mês, dia será precioso. que se soubesse que assim seria, eu teria trazido você ao mundo antes. mas aí, claro, você não seria você. e nada substituiria você sendo você, se é que me entende.

se cientista eu fosse, faria uma força-tarefa imensa a partir de agora para estender a vida, para chegar não aos 80 mas aos 120 para estar com você até que você fosse um senhorzinho. ver seus filhos e netos, se eles vierem. estar com você só mais um pouquinho.

mas sofrer e reclamar por ações passadas ou possibilidades futuras não faz parte da minha personalidade, e não sofrerei nem pensarei mais nisso. prefiro aproveitar os minutos e segundos agora, e não pensar sobre o que poderia ter sido, ou será. mas queria te contar que jamais senti um amor tão grande que trouxesse essa urgência de mais passado e mais futuro, que me fizesse sonhar com uma solução mágica ou uma máquina do tempo para reorganizar as eras tal que eu pudesse estar mais tempo com alguém no mesmo espaço/tempo.

saiba que amo você e a ideia da sua existência como jamais amei alguma coisa. e saber que você estará nesse mundo depois que eu não estiver mais é muito mais impactante e bonito que a existência de deus, alma, espírito ou qualquer dessas ficções. sua mera existência num mundo sem mim compensa o pesar de não mais ser (ainda que sendo como parte de todo o universo).

viva intensamente, meu querido. faça tudo que deseja fazer imediatamente, sem remorso, sem medo. a vida que existe é aquela desse instante, agora. seja feliz instantaneamente, e não perca tempo jamais elucubrando sobre o que será nem sofrendo pelo que foi.

somos felizes porque somos.

<3